carioca 2017

Rei do Rio

Há uma lenda nacional sobre “a torcida do Flamengo”.  Dizem que são terríveis, que fazem diferença, que cantam muito alto, que empurram o time, etc, etc, etc.

Os rivais dizem que é tudo mentira. Mas eu adoro uma lenda.

Sou capaz de apostar que o Saci Pererê era um neguinho manco e que o transformaram naquilo tudo.  Que o Pé Grande era só um urso com pé inchado, e que os mais incríveis milagres dos mais aclamados santos não foram “bem assim”.

Mas eu adoro que sejam. Porque se nós contarmos as histórias da vida exatamente como elas são, que graça teria viver e porque diabos faríamos tanta questão em contar?

Eu vou ao Maracanã e fico olhando pra torcida do Flamengo até me lembrar de tudo que ouvi sobre ela. Então eu me concentro em viver o que queria estar vivendo, estejam eles no mesmo clima que eu ou não.  É como se eu procurasse um Zico, uma geral e tentasse ver a minha volta tudo que meu pai me contou a vida toda.

A tal da magia, a tal da energia, o tal do Maracanã e a porra da “nação” que tanto falam. Era um Fla-Flu, meu jogo favorito.  Eu queria ter tido mais gente do outro lado para mentalizar uma mentira bem contada e guardar comigo o meu “maior Fla-Flu”. Mas, não consegui me enganar com tanta gente vestindo a mesma roupa.

Era um jogo do Flamengo.

E como todo jogo do Flamengo, a torcida deles toma conta do estádio. E quase como sempre eles encontram uma maneira de transformar um jogo numa grande história. Seja uma tragédia ou uma glória, as histórias escritas pelo Flamengo raramente são previsíveis.

Tinha que ser aos 40 do segundo tempo. E tinha que ser uma vitória, por isso haveria mais um no final. Para que nem houvesse apito, para que a festa fosse determinada pelo gol e não pelo árbitro.

Para que fosse marcante até mesmo quando subvalorizado.

“Ninguém liga pro estadual”. É verdade, eles estão falidos, desmoralizados, estuprados por federações estúpidas e regras absurdas. Mas o Fla-Flu decisivo transcende o estadual.  Não era pela taça, era pela glória.

Em duas decisões o Flamengo se fez favorito, tomou iniciativa, buscou o gol, fez do estádio a sua casa e das arquibancadas suas cores.  Invicto, vencedor das duas finais, pouco deixou para ser discutido.

E embora ainda discutam, a lenda continua. O Flamengo é o Rei do Rio.

abs,
RicaPerrone

 

A diferença, enfim, apareceu

Se você assistir Flamengo e Botafogo jogando uma partida de Libertadores talvez lhe reste dúvidas sobre as diferenças. Ambos tem enchido estádio, ambos vencem, o Botafogo joga até melhor que o Flamengo. E os dois times montados e sugeridos não são para se confundirem.

O Flamengo tem mais time, mais elenco e portanto ao cair num grupo complicado da Libertadores não pode refutar o papel de favorito. O Botafogo, não. Ele foi dúvida em 2 partidas de mata-mata antes e continua sendo durante. E toda rodada que passa ele é menos zebra, mais candidato.

Só que uma hora os dois cruzariam interesses, e nessa hora o elenco pesaria. Talvez mais do que o elenco, a soma de elenco, físico, torcida, etc.

Ao entrar no Maracanã hoje o Botafogo era eliminado não apenas pelo empate, mas pelo ambiente. Não havia torcida, e parecia uma escolha racional: Se até aqui somos a torcida que mais está presente, neste jogo não vai ninguém.

Era quinta-feira a noite e o Botafogo deixava o gramado no Equador. Não é muito difícil imaginar que seria complicado manter o ritmo no domingo, contra um Flamengo mais inteiro e com elenco mais forte.

Deu a “lógica”, se é que há alguma em clássicos. Mas uma hora essas situações paralelas afetariam a decisão do estadual. E o Flamengo fez o que tinha que fazer.

Mais uma derrota do Botafogo que não lhe diz nada. E uma vitória do Flamengo que pra muita gente era quase “obrigação”, mas que pelo bom jogo passou do ponto e virou até motivo para empolgação.

Na final, o Flu. O único problema histórico do Flamengo em decisões. Não bastasse, ele tem Libertadores antes da primeira partida.

O pior estadual da história do Rio de Janeiro ganhou de presente a final mais emblemática da cidade.

abs,
RicaPerrone

Sobre meninos, lobos e bobos

Meninos que correm por prazer, lobos que já não sabem porque correr. Meninos atrevidos, imprevisíveis e que mereciam mais gente.

Lobos que não merecem o chefe da matilha, e que talvez nem mesmo aquele tanto que os acompanha.

Os meninos bailaram, pintaram um quadro no segundo gol e só não fizeram ainda pior porque não forçaram.

Bobos, seus torcedores não foram ver. Aliás, como é difícil convencer a torcida do Fluninense a ir ao estádio acompanhar seu time. É na festa ou na tragédia, não há meio termo.

Talvez agora os meninos tenham dado a festa que eles esperavam e portanto lá estejam na próxima semana. Mas hoje, bobos, não foram.

Voltemos aos lobos. Que alternam entre a perspectiva do que já foram seus jogadores e o que são hoje.  O chapéu no Rodrigo, o destempero do Nenê, a inutilidade do Luis Fabiano e a ainda rara contribuição do Wagner são casos simples: barriga cheia.

Não tem ali um time formado para ir buscar algo que nunca tiveram, mas sim para empurrar o final bem abaixo do que se acostumaram a ter.  Nenhum ator da Globo encerra a carreira feliz no SBT dando pouco ibope. Esses caras são campeões, não jogadores que brigam pra não cair.

Errado desde o presidente, e principalmente por ele, o Vasco tomou um baile tático. As chances criadas vieram de talento, lances isolados, não de um coletivo forte. O Fluminense, não. Jogou muito bem os 90 minutos, sabia exatamente o que fazer e quando fazer.

Não fosse o erro do arbitro teria feito 1×0 no começo, no pênalti, e seria ainda mais fácil. Mas mesmo permitindo dificultar, não foi difícil.

É menos glamouroso no papel, não está se colocando como favorito a nada no grito, mas o que apresenta é de encher os olhos.

O que te falta pra abraçar esse time, tricolor?

abs,
RicaPerrone

E a culpa também é nossa

O campeonato carioca já foi o último que fazia sentido. Quando eram 12 times, 5 jogos, semifinal, final. 6 jogos, semifinal, final.  Era rápido, decisivo o tempo todo, com mata-mata no meio e o charme de se manter ainda uma Guabanara.

Aí resolveram que tava muito maneiro e tinham que mexer. Mexeram e, óbvio, pioraram.

Chegaram em 2017 no fundo do poço. O Fluminense, campeão da Guanabara, não tem motivos pra ganhar a Taça Rio. Ele vai pra semifinal da mesma forma.  E o Flamengo pode ter em suas contas uma vantagem em não ganhar a Taça Rio pois já está classificado.

Aí você logo pega as pedras e mira na péssima FERJ, que é a nossa reação instintiva número zero.  Mas gente… o campeonato foi aceito.  O seu clube é parte responsável disso.

Se os 4 grandes disserem “não”, é “não” e acabou. Prático, simples, óbvio.  Ninguém jogará um carioca sem eles. Portanto, as decisões estão sempre nas mãos deles.

Mas e pra conseguir se reunir e tomar medidas pelo bem de todos? Aí precisa ser mais do que torcedor, mas sim gestor. E clubes são gerenciados por torcedores de terno. Logo, não conseguem andar pra frente nesse sentido.

O campeonato Carioca é uma aberração em 2017. Mas o maior responsável e o único cara que você pode cobrar para que isso mude é o seu time. Faça.  Ou passe o ano dizendo que “7×1 foi pouco”.

abs,
RicaPerrone

Fácil, bonito e promissor

Ah, mas é só estadual! Sim, só jogo fácil. E o que fazer num jogo fácil se não torna-lo facil de fato?

O Flamengo começa o ano cheio de expectativa pelos bons reforços, pela manutenção do elenco de 2016 e pela Libertadores.  A bola rolou e as expectativas só aumentaram.

O time joga um futebol bastante agradável de ver, usa os dois lados do campo, tem controle do jogo e arma lances de gol de todos os meios possíveis. Troca jogador, o time ainda faz o que fazia no jogo anterior. E isso é padrão.

Zé Ricardo tem o dele. E é óbvio que vai ter problemas, que na quarta por exemplo contra o Grêmio o jogo é outro, mas o que se tinha pra fazer em 3 jogos faceis era torna-los faceis e jogar bem.

Tá feito.

O Flamengo não achou nenhuma goleada. As construiu. E os méritos desse bom trabalho serão colhidos com a expectativa gerada pelo time. Tal qual os problemas, já que expectativa no Flamengo significa um pressão enorme.

Mas se ha um começo tranquilo na Gávea, é o de 2017. O Flamengo está tão tão “criado pela vó” que já tem torcedor com saudades das crises, das faltas de pagamento e das manchetes negativas.

Nada que um caneco bem erguido não cure.

abs,
RicaPerrone

Madeirada

Aos gritos de “Ei, Eurico, vai tomar no cu!”, o Vasco assistiu o primeiro tempo do Fluminense.  2×0, poderia ter sido 4. Era um passeio.

Na segunda etapa, mais vontade, menos apatia, alguma “pressão” e os contra-ataques ali para lembrar que não basta sufocar, é preciso saber como fazer isso.

Poderia ter sido 5×0?  Poderia. O Fluminense teve a goleada nas mãos toda vez que retomava a bola na intermediária e não fez.  Por exagero, por gracinha ou erro mesmo, a bola não entrou. O que não isenta o time do Vasco de ter dado a um grande rival uma oportunidade de golea-lo la primeira rodada do campeonato.

Orejuela é um volante incrível. Corre, marca, sai jogando, antecipa meia adversário e se apresenta para o contra-ataque. Talvez tecnicamente não seja um fora de série, mas sabe exatamente tudo que precisa fazer em campo.

O Sornoza vai levar mais fama. Joga adiantado, e habilidoso, bom jogador. Mas olhe 20 metros atrás dele. Tem um equatoriano sem tanta grife jogando uma barbaridade.  Hoje, pra mim, o melhor em campo.

E segue o enterro. Ou o baile. Tanto faz.

O Vasco do Eurico tem a sua cara, e o time do Cristóvão a cara do treinador.  O Fluminense, nada com isso, deus as caras e fez o que quis no Engenhão.

abs,
RicaPerrone