ceará

O inexplicável Fluminense

Jogos de puro massacre. 200 chances de gol, 900 finalizações, euforia da torcida, e derrotas. A bola não entra.

Troca-se o treinador. A torcida reclama.

O futebol cai de produção consideravelmente. O rebaixamento bate à porta. No jogo seguinte, fora de casa, o Flu não pressiona, não joga daquela maneira que jogava e é, inclusive, inferior ao adversário. Algo que não acontecia em jogo quase nenhum.

Faz um gol e vence.

Nessas horas eu me lembro que futebol não tem lógica, e o Fluminense desafia até mesmo o futebol.

Dirão precipitadamente que é melhor assim. Outros entenderão que foi um golpe de sorte. Muitos irão ponderar a boa frase que Fernando Carvalho, ex-presidente do Inter me disse uma vez: “Ou você tem a bola ou espaço. Os dois não existe”.

E o torcedor dirá que prefere assim. Vencendo.

Como se jogar mal fosse premissa de 3 pontos e bem um risco de derrota iminente.

Se tivesse lógica nem haveria campeonato.

O Fluminense inexplica o futebol.

RicaPerrone

“Ela” merece

Essa semana em algum momento navegando pelo twitter li um flamenguista postar a escalação e dizer “nem no meu sonho mais otimista imaginei ter um time desses”. Isso antes de fazer 2×0 no Inter e se aproximar de uma semifinal de Libertadores.

O rubro-negro vive entre dois cenários distantes e curiosos. O sonho de ter um time muito bom, a expectativa do que obviamente pode estar por vir e o pânico disso tudo se tornar uma frustração sem precedentes.

O título desejado e cobiçado é também fator de alívio. Como se o Flamengo precisasse de um para poder seguir em paz e colher os demais que tem plantado.

A vitória contra o Ceará é normal. Tudo planejado. O gol no final é arrebatador. Aquele momento em que o torcedor pararia o mundo se pudesse e ficaria vivendo ali por meses.

Bem na Libertadores, um timaço, jogando bem, ganhando bem, virando líder do Brasileirão e tendo seu maior prazer. “Ve-lo brilhar”… Na terra, no caso.

Hoje o rubro-negro dorme sem nem saber do que reclamar.

O Flamengo é um ex-bêbado que virou evangélico.

O rubro-negro é a mulher do bêbado que aguentou uma vida dele chegando tarde, pisando no cachorro, derrubando vaso, mijando na tampa e dormindo sujo, esperando a sua vez de ser feliz em paz.

Hoje ele chegou de barba feita, sóbrio, com flores nas mãos e dizendo “amor, fui promovido. Vamos jantar com a sua mãe pra comemorar?”.

Não sei se dura, o quanto dura. Mas hoje… “que homem!”.

RicaPerrone

Noite (in)feliz

Bom público, surpreendendo até mesmo os otimistas.  Saudades misturada com expectativa.

Nenê contratado, e não o faria com salários em dia, imagine atrasados. Não vem bem, faz bico quando contrariado. Contratação de alto risco num elenco que já tem um “meia técnico e lento” e que não recebe em dia.

O gol bem validado do Flu.

O gol bem anulado do Ceará. Indiscutível uso do impedimento no lance.

O massacre. A bola que não entra. As vaias a nova falta do “detalhe”.

“Cria” do Flu, Parreira criou a frase mais mal interpretada e mentirosa do futebol ao mesmo tempo. É fácil entender o que ele quis dizer, e mais fácil ainda entender porque passou a carreira sendo demitido. Detalhes.

Diniz tem uma idéia. Ela funciona, mas nem sempre o resultado final indica que foi bem feito.

Falta um “detalhe”. Justo o que decide a porra toda.

Se pelos números ou pela idéia, não sei o que vai decidir a nova diretoria do Flu. Sei que eu manteria, até porque é um time com salários atrasados e isso atrapalha qualquer processo para um líder.

Eu gosto da entrega, do conceito, da forma de jogar e não vejo alternativa melhor. Não me refiro ao Diniz, mas ao Fluminense que tenta ser protagonista pela forma e não pelo título, que obviamente com esse cenário financeiro dificilmente virá.

Enfim. Vaias. Numa noite em que faltou “o detalhe” para ser muito feliz.

RicaPerrone

Eu escolho vocês

Desde o começo do ano eu tenho dificultado para entrar lá, sido mais fácil de entrar cá.  É minha forma de protesto.

Eu não gosto de clube que judia de sua gente. Eu não gosto de diretorias que amam mais o poder do que o futebol. Eu não suporto ver quem eu consagrei ser destruído por gente mesquinha e disposta a tudo pelo ego.

Eu pensei em te derrubar, não vou negar.

Foi aos 49 contra o Grêmio, aos 50 contra o Inter, eu estava em tanta dúvida que deixava pro final a decisão de entrar ou não. Era duro escolher entre vocês, vascaínos, e eles, dirigentes.

Como clube, merecia. Como Vasco, nunca.

Contra o São Paulo vocês me convenceram. Mostrar que fraude é pra ser limpada e não jogada pra debaixo do tapete era função de outra área, não minha. Eu estava querendo fazer justiça e acabaria atingindo os maiores e mais dignos interessados: vocês, torcedores.

O Vasco não se dá ao respeito e por isso passa pelo momento que passa. Mas vocês o dão o devido respeito, e por isso ele não deixa de ser grande.

Eu não entrei hoje por vocês. Mas até a minha paciência tem limites. E por mais que vocês achem que desde o Diego Souza eu sempre escolho te prejudicar, na verdade eu só queria premiar um Vasco que merece, não um que se arrasta.

O foda é que vocês merecem. Eles não. Mas entre você que será Vasco pela vida toda e eles, que ficarão no poder um período, escolhi vocês.

Até 2019.

Ass: a bola

“Que homem!”

O rubro-negro quando feliz brinca sobre Diego dizendo “que homem!”.  Afinal, para elas ele é lindo. Para eles, se dedica, é profissional e joga muito.  Para uma dúzia de imbecis dispostos a quebrar patrimonio alheio por causa de futebol, não.

Esses acham o Diego um merda.  Para eles, por ser a personificação do “new Flamengo”, ele deve pagar a conta. Já escrevi sobre isso. E mesmo entendendo que alguns pensem assim, é absolutamente inexplicável o destempero humano que acompanha o Flamengo.

Seu torcedor é o mais fácil do mundo. Ele se convence que o Diego não presta na mesma velocidade que o pede na Copa do Mundo. Hoje, após o episódio do aeroporto, Diego fez o que a imprensa não consegue fazer há 50 anos. Separa-los.

Eu vou me usar de exemplo pra não atingir terceiros. Eu provavelmente no lugar dele mandaria a torcida tomar no cu após o gol. Não porque eu ache certo, mas porque meu nível de vingança e “fala agora seus cuzão!” estaria tão alto que eu seria incapaz de pensar em algo fofo, inteligente e de frutos imediatos.

O cara correu o campo e um destemperado como eu já pensava: “vai manda rola pra torcida…”.

Mas não. Ele foi lá e abraçou os caras. Porque?

Porque ele é assim. Ele pensa, as vezes até demais. Ele calcula, tanto que nem se identifica com a loucura que é ser Flamengo. Ele tem calma, coisa que rubro-negro nenhum no mundo tem.

Ele sabe que bastava um gol, duas vitórias e em 1 semana o Flamengo pode estar líder do Brasileiro, classificado na Libertadores e encaminhado na Copa do Brasil.

E aí é “aeroFla”, cheirinho, hepta, a porra toda.  Porque mais inteligente do que a maioria de nós, ele não quis desabafar. Ele quis ser o marco de qualquer possível conquista deste Flamengo católico de 11 filhos únicos.

Se funcionar, ele será o cara que abraçou a torcida na hora do racha. Se não funcionar, ele será aliviado porque não reagiu, ajoelhou e deu à nação o que ela mais adora: o status de soberana no clube.

Diego é um craque. Se não com a bola, com a cabeça. E não me refiro ao gol.

abs,
RicaPerrone

118 anos em 90 minutos

O fundo do poço não havia chegado.  As quedas não foram suficientes para levar o vascaíno ao mais constrangedor momento de sua história, que foi ver um Maracanã lotado pedindo por um clube pequeno de São Paulo salva-lo de um vexame.

Naquele momento misturava-se a raiva, a paixão, a frustração e o medo. Guardado no peito estava o orgulho que por motivos óbvios não podia ser exposto ali.

O time do Vasco fez um primeiro tempo para selar o pior momento dos seus 118 anos. Apático, andando em campo, perdendo, dependendo de terceiros para voltar a série A.  Torcida xingando, gritando por ídolos do passado e sem nenhuma perspectiva de ídolos futuros em campo.

O intervalo será um segredo eterno da história desde 118 anos. Mas alguma coisa ali aconteceu, e em poucos minutos o Vasco viu o Maracanã vermelho de vergonha se tornar alvi-negro de orgulho novamente.

O jogo virou, o orgulho saltou da garganta incontrolavelmente e toda a raiva ficou escondida pelo amor. Torcedor de futebol é a coisa mais bonita que existe. Ele consegue tirar de onde ninguém mais consegue um sentimento puro e incondicional.  Este sim, incondicional. O dos seres humanos entre eles mudam conforme atos, situações, oportunidades. Esse não muda.

E o semblante dos vascaínos retratava tudo que podia ser dito sobre on Vasco em 2016.  O cara que com as veias saltadas de ódio xingava no intervalo chorava abraçado à camisa e fazia juras de amor ao clube.

Ele sabe, racionalmente, que o Vasco fez o básico do básico e fez muito mal feito. Mas racionalizar futebol é como enxugar gelo.  Além de não fazer sentido, não tem motivos para tal.

O jogo acabou, o sentimento não para, o Vasco voltou. Os problemas continuam, a administração tosca idem. Os jogadores talvez em sua maioria também sigam ali. Mas também tudo que foi construído em 118 anos se mostrou intacto no Maracanã.

Enquanto houver essa quantidade de pessoas com aquele sentimento pelo Vasco, é inabalável sua grandeza. Embora brinquem com ela, ainda passa longe de vê-la derrotada.

O Vasco é enorme.  E se muita gente ali não merecia subir, aquela gente toda que não faz parte DESSE Vasco mas são a razão dele existir, sim. Essa gente merece.

abs,
RicaPerrone

Porque queremos Lugano

Uruguay Diego Lugano

Lugano é um jogador fraco. Eu sei que o saopaulino não suporta essa verdade, mas tecnicamente Diego é limitado e até violento. Mas é ídolo, comprometido, líder e tem vergonha na cara.

Daqueles que se importam com o resultado, com o clube, com a carreira.  Lugano é um raro jogador de futebol, especialmente no Brasil onde desvalorizamos os grandes e exaltamos precocemente promessas que nem sairam das fraldas.

Aos trinta e tralalá, porque trazer Lugano, que ninguém quer?  Se fosse bom estavam brigando por ele, certo?

Existem jogadores que trazem com ele algo mais do que sua função em campo.  Sou capaz de apostar que 90% dos sãopaulinos não querem o Lugano para fazer cobertura do Tolói ou do Lucão. Querem a figura do Lugano no elenco.

É diferente.

Toda vez que o Ganso anda com aquele ritmo de quem ganhou duas Copas do Mundo e 3 bolas de ouro da FIFA, lembramos de Lugano.  Porque no sonho mais puro do tricolor, o uruguaio daria um soco no Ganso.

É óbvio que não esperam isso dele. Mas esperam que o Luis Fabiano não se sinta mais o dono do clube. Que o Ganso entenda que precisa correr, que o Bruno não dê um chapéu por jogo pra pontuar no cartola e que outros tantos ali tenham um espelho de profissional vitorioso, ídolo, e que ainda quer algo com o futebol.

Lugano não fará gols decisivos. Mas na nossa cabeça, de longe, de torcedor, o time voltaria outro do intervalo quando perdendo.

E é por isso que queremos Lugano.

abs,
RicaPerrone

Os confrontos

É mata-mata, olho no olho, futebol como deve ser. Sorteados os confrontos das oitavas da Copa do Brasil, que passa a ser o foco de pelo menos 6 clubes brasileiros nas próximas semanas.

Entre eles, dois classicos regionais. Mas pra mim, e isso não tem a ver com uma aposta sobre resultados, o que se saiu melhor foi o Vasco. Explico individualmente por confronto.

– Internacional x Ituano  – Em tese, um jogo fácil pro Inter estar nas quartas. Em tese.

– São Paulo x Ceará – Ao contrário do Ituano, o Ceará tem um poder de fogo em casa muito maior. Uma torcida maior, pressão, enfim. SPFC é amplo favorito mas tem que tomar cuidado. Não é moleza.

– Cruzeiro x Palmeiras – Jogaço! Porque parte da torcida do Cruzeiro contestava Marcello Oliveira pela fraqueza dele no mata-mata. A que não queria sua saída, condenava o time.  E agora?  Não poderia ser melhor pra ambos.

– Flamengo x Vasco – Esse jogo é disparado o mais polêmico de todos. Pelo que houve no estadual, porque o Eurico vai tentar criar mil factoides pré jogo, até mesmo levar pra São Januário, não duvide. Mas enfim. Achei o melhor sorteio possível pro Vasco. Porque? Porque se ele perde pro Flamengo do jeito que está, nada muda. É previsível. Mas e se passa? Pode estar ali uma oportunidade única de reverter um cenário no clube.  Ser muito favorito num clássico é ruim. E o Flamengo vai confrontar seu pior inimigo: o favoritismo.

– Fluminense x Paysandu – Parece fácil mas não é. Assim como o jogo do SPFC, o adversário faz uso da casa, tem torcida forte e transforma o jogo lá em parada dura. Tem que caprichar no Maracanã.

– Grêmio x Coritiba –  Pelas fases, o Grêmio é bastante favorito. Mas novamente lembro que é um time de torcida forte em casa. E mata-mata isso pesa.

– Atlético-MG x Figueirense – Acho que o Galo passa sem grandes problemas até pelo que vem jogando em mata-mata nos últimos anos.

– Corinthians x Santos – Clássico, com leve favoritismo ao Corinthians que embora tenha mais time e esteja melhor, tem o foco dividido. O Santos pode jogar tudo na Copa do Brasil. O Corinthians, vice líder do Brasileirão, não.

Não vou dar palpites de quem passa por enquanto porque ainda é cedo. Mas o sorteio da Copa do Brasil já é uma das coisas mais legais do futebol e que movimentam o esporte em dia sem jogos.

Gostei muito dos confrontos, especialmente porque moro no Rio e poderei viver de perto essa “loucura” que será o Flamengo x Vasco.

abs,
RicaPerrone

Tem coisas…

Se o Ceará estivesse perdendo aos 49 do segundo tempo teria um botafoguense dizendo: “Calma que ainda não acabou”.

Mas era o Botafogo, e portanto não tinha mais gente na sala pra ver.  O twitter é uma ferramenta cagueta que indica o real nível de satisfação em tempo real. No futebol ele serve pra registrar sua mudança de opinião em questão de segundos, mas ainda assim é divertido.

A derrota era certa. Em campo e fora dele.

Quando aos 49 a bola entra, nem o próprio time do Botafogo comemora como quem ainda enxerga uma chance.  Porque de fato não enxergam, e pra ajudar, a história diz que não.

O Botafogo que não paga, hoje recebeu.  História, uma noite memorável, uma nova página heróica  e uma perspectiva.  Não dá pra ser campeão brasileiro, você sabe disso.

Mas da Copa do Brasil… porque não?

E tente, botafoguense, mudar a pergunta após esta vitória. Não se questione “porque pode dar certo”, mas sim “porque não?”.

Afinal de contas, tem coisas que….

abs,
RicaPerrone

Os confrontos – Copa do Brasil

As vezes as lendas do futebol se tornam fatos. Dizem que o Flamengo é sortudo, o Botafogo azarado.

Dizem que o Cruzeiro, quando em boa fase, não passa perrengue e ganha tudo com enorme facilidade. Dizem também que o Grêmio é copeiro, o Santos, nem tanto.

Talvez para acabar com algumas delas, talvez para alimenta-las, o sorteio da Copa do Brasil colocou o Botafogo com a certeza de que, se passar, pega um grande nas quartas. E o Flamengo com o caminho sem um dos grandes até as semi.

O que significa que o Botafogo está em situação mais complicada. Ou talvez o Vasco, que pode ter o Cruzeiro logo em seguida.  Mas na real também implica no favoritismo rubro-negro, o que jamais foi exatamente uma garantia de sucesso.

Entre lendas e mitos, segue a Copa do Brasil. Hoje, o mais empolgante campeonato do país.

Gremio x Santos – Jogo igual. Grande confronto, uma pegada diferente. O Felipão, rei do Mata-mata, contra um Santos que não costuma se dar tão bem nesse formato quanto o tricolor. Mas que hoje tem, com a chegada do Robinho, um time um pouco melhor que o Grêmio.

Botafogo x Ceará – Não é o que parece. O Ceará tem um time ajeitadinho, o Botafogo um time sem salários e tendo que se matar no Brasileirão pra evitar o pior.

Cruzeiro x Santa Rita – Quando a fase é boa pode chover Pelé que a Xuxa cai no colo, hein?

Vasco x ABC – Vasco favorito, deve passar, mas… não dá pra chamar de sorte pegar o Cruzeiro na próxima fase, dá?

Bragantino x Corinthians – Jogo tranquilo. O Bragantino não jogou bem contra o SPFC em nenhum dos dois jogos. Venceu pela vagabundagem do time do SPFC em campo. O Corinthians deu sorte.

Palmeiras x Galo – Sorte que o Palmeiras não teve, nem o Galo. Mas hoje, se olharmos rapidamente para os dois… o Galo deu mais sorte que o Palmeiras.

Atlético Pr x América RN – Um raio pode cair duas vezes no mesmo lugar? Dúvido.

Flamengo x Coritiba –  Olha só, o Fla é favorito. Se passar pega o CAP provavelmente, onde já não se torna tão favorito assim.  Se há um lugar no mundo que o Flamengo costuma encolher é no Paraná. E lá pode se definir a  Copa do Brasil pra ele.  Se por um lado escapou dos grandes até as semi, por outro encontra um de seus maiores “pesadelos” não oficiais.

O que espero?

Da Copa do Brasil, só surpresas. É o que ela nos ensinou nos últimos anos.

abs,
RicaPerrone