convocados

Entre absurdos e fatos

Tite não tem se ajudado. Aliás, uma característica que muita gente na CBF meio que desistir de tentar reverter o cenário e se adaptar a ele. Infelizmente o futebol brasileiro não tem culhão pra mudar porque trata-se de um meio político e não profissional.

Mas vejamos e sejamos razoáveis.

Se não leva o meu melhor jogador, é sacanagem. Se leva, é sacanagem.

É tão difícil assim ver que a “sacanagem” é o seu time assinar o calendário da CBF que permite 4 meses de estadual pra ficarmos apertados em datas FIFA tendo que prejudicar nossos campeonatos enquanto o mundo pára pras seleções jogarem?

Vamos jogar o sofá fora de novo?  A mudança não é a convocação desse ou daquele. É a data FIFA que PRECISA ser respeitada num calendário decente que dê aos torneios seus valores de fato.

Ou seja, 1 mes pra estadual, Brasileirão ano todo aos finais de semana, e parando em data FIFA. Simples assim. Como o mundo faria. Aliás, faz.

Mas o voto é de federação. Federação é eleita por clube. E clube pequeno quer jogar estadual cheio. E aí por política chegamos a esse cenário ridículo do torcedor ficar puto com a convocação ao invés de comemora-la.

Todas justas, afinal.

O que é injusto é a gente não ver que quem tem o poder de veto a este cenário é o nosso clube e continuarmos discutindo com a CBF como se ela, representante politica deles, fosse mudar algo.

O cenário é transparente pra quem sabe olhar.

Agora, jogar titular ou reserva de time principal pra sub-17 não, né? Desnecessário. Retrocesso pro jogador, que está em outro patamar, e ruim pro clube, que formou e mal vai usar.

Se ajuda, CBF.

RicaPerrone

Aos 23

Caras, hoje é o melhor dia da vida de vocês.  Estar entre os 23 eleitos para representar o país onde mais nos orgulhamos, esperamos algo e somos referência mundial não é um sonho de jogador. É um sonho de todos nós. Até porque ser jogador é o primeiro sonho de todo menino.

99,9% deles não conseguem. Dos que conseguem, 0,02% chegam a times grandes. E destes, 1% chegam a vestir essa camisa amarela. Numa Copa do Mundo, nem 0,0001% destes.

Se vocês estão embarcando nesse vôo, não sejam tolos de carregar na mala o peso da responsabilidade ou do medo. Levem com vocês apenas a esperança, o sonho e o prazer de terem chegado até ai.

Em 2014 um medo de todo jogador de seleção foi assassinado publicamente:  o que vai acontecer se perdermos?  Pois bem. Perdemos em casa da pior forma possível. Aconteceu rigorosamente nada. Críticas, rótulos, todos no vôo seguinte pros seus países e salários em dia, brilho na Europa, conquistas por clubes… nada mudou.

Ou seja. Perder não mata ninguém.

E toda vez que que saímos daqui com obrigação de ganhar, perdemos. Porque a obrigação tira o prazer. E não há prazer maior do que ser campeão do mundo pra um jogador de futebol.  A obrigação não existe.

Existe a oportunidade. Talvez a responsabilidade.  Mas por nos representar bem, não por nos fazer melhores. Somos os melhores, isso nunca mudou. Nem mesmo o 7×1 mexe nesse óbvio fato de sermos os donos do futebol, a referência dele no planeta e a maior fábrica de talentos do mundo.

Caras, não deixem que nossa mídia e nossa ansiedade transformem o sonho em obrigação. O que vocês tem é nada, e o que podem ter na volta é absolutamente tudo. Não tem como voltar com menos do que estão indo. Então viagem sorrindo, leve, felizes.

A gente precisa de educação, saúde, políticos menos filhos da puta e segurança. Não precisamos ganhar a Copa. Nós QUEREMOS ganhar, é diferente.

Ao contrário de 2014, onde corriam para evitar o pior, corram pra fazer gols, divirtam-se, driblem, façam dancinhas, pagode no vestiário e não leiam jornais.

Nós bordamos 5 estrelas nessa camisa sorrindo e não jogando por medo e pressão. Vocês são nossa esperança de algo bom em 2018, não nossos escolhidos para evitar uma frustração.

Sou ateu, mas vocês não são. Que Deus os acompanhe, os abençoe e lhes protejam. Nós queremos ser representados, não necessariamente coroados. Algumas das melhores seleções que tivemos não venceram, mas jogaram futebol.

Levem com vocês apenas a certeza de que a única hora que esse país é referência é quando se coloca uma chuteira nos pés. E isso não é “culpa” de vocês. É graças a vocês.

Boa sorte! Não pra vocês. Pra “nós”!

abs,
RicaPerrone

A compreensível lista de Dunga

A separar antes de qualquer coisa que gostar ou não do Dunga é uma coisa, avaliar suas ações é outra.  Então, um pouco de calma porque essa coisa de massacre de véspera, ou achar que porque não gosto de alguém tudo que ele faz é errado é um dos problemas do país atualmente.

Eu adoraria ganhar a Copa América do centenário. Seria minha prioridade porque acho Olimpíadas um evento que nem deveria ter futebol.

Porque futebol não é esporte? Não. Na verdade é porque o futebol é maior pro mundo que a soma dos outros esportes. Logo, tê-lo ali ofusca quem de fato interessa naquele evento e ainda desmerece o próprio ouro, porque é sub 23 e não os times principais.

Mas tem. E tendo, entendo que o Brasil queira ganhar em casa. Por não ter, por ser aqui, o escambau.

Assim sendo, Dunga chamou um time misto que testa garotos para as Olimpíadas enquanto disputa a Copa América.  Não vai ajuda-lo a se segurar no cargo, mas hoje ficou claro que ele não está nem aí pro cargo.

Convicção. Isso é chave de qualquer sucesso.  Se Dunga convocasse hoje Ganso, Thiago Silva e Marcelo, ele mostraria que não tem certeza do que está fazendo e acabaria ali.  Ao convocar o time olímpico ele não só mostra que tem um objetivo como também se coloca como alvo em caso de uma medalha que não seja ouro no Rio.

Nos últimos anos ganharam as Olímpiadas Nigéria, Camarões com seus times sub-35.  Também México, Argentina, União Soviética, Espanha (92)… ou seja: ninguém que tenha levado algo adiante. É um título que não condiz com o futebol real.

E Dunga sabe que, se ganhar, “não será parâmetro”, e se perder “que vergonha não ganhar esse ouro”. Logo, faça o que acredita até o fim. Porque o fim é óbvio.

A lista:

Goleiros
Alisson (Internacional), Diego Alves (Valencia), Ederson (Benfica)

Zagueiros
Miranda (Internazionale), Gil (Shandong), Marquinhos (PSG), Rodrigo Caio (São Paulo)

Laterais
Daniel Alves (Barcelona), Fillipe Luís (Atlético de Madrid), Fabinho (Monaco), Douglas Santos (Atlético Mineiro)

Meio-de-campo
Luiz Gustavo (Wolfsburg), Elias (Corinthians), Renato Augusto (Beijing), Coutinho (Liverpool), Lucas Lima (Snatos), Willian (Chelsea), Casemiro (Real Madrid), Rafinha (Barcelona), Douglas Costa (Bayern)

Atacantes
Hulk (Zenit), Gabriel (Santos), Ricardo Oliveira (Santos)

abs,
RicaPerrone

Coerente e previsível

Dunga não é o perfil do treinador que inventa um nome bombástico 2 dias antes da lista final. Pelo menos até hoje não foi. E mais uma vez foi coerente com suas convocações anteriores, manteve todos os convocados e o grupo que formou.

É bom? É. É o que tem.

Faltam protagonistas. Isso me incomoda. Mas aí não é culpa dele, é o momento. Num futebol onde cada vez mais importa o coletivo nós temos que readaptar a mentalidade e cultura de um povo até equilibrarmos isso. Leva tempo.

Destes todos, acho que Robinho, Neymar, Elias  e Coutinho são protagonistas em times grandes. O restante ou joga em time menor ou joga em grande sem o papel de destaque.

No time que eu imagino em campo, Robinho e Neymar atuam de titulares. Elias, idem.

Cabe um Fred ali? Por mérito, cabe. Artilheiro de tudo que disputou desde a Copa. Aliás, assim como costumava fazer antes dela. Mas tirar o Tardelli, que vem bem na seleção, também seria sacanagem. Então segue o jogo.

É time de transição. Safra mediana, longe de ter cara de Brasil. Mas o futebol não é mais técnico, não privilegia mais a qualidade e menos ainda a individualidade. Vamos ter que nos adaptar a um novo conceito de seleção, buscando grupo e não mais 23 nomes incríveis fazendo o torcedor sonhar com um futebol de 1982/1970.

Dá pra ser campeão. Aliás, onde não há Alemanha e Itália, o Brasil é sempre favorito.

Goleiros: Jefferson (Botafogo), Diego Alves (Valencia) e Marcelo Grohe (Grêmio);
Zagueiros: David Luiz, Marquinhos, Thiago Silva (Paris Saint-Germain) e Miranda (Atlético de Madrid);
Laterais: Marcelo (Real Madrid), Filipe Luís (Chelsea), Danilo (Porto) e Fabinho (Monaco);
Volantes: Luiz Gustavo (Wolfsburg), Fernandinho (Manchester City), Elias (Corinthians) e Casemiro (Porto);
Meias: Everton Ribeiro (Al Ahli-EMI), Douglas Costa (Shakhtar Donetsk), Willian (Chelsea) e Philippe Coutinho (Liverpool);
Atacantes: Neymar (Barcelona), Diego Tardelli (Shandong Luneng), Robinho (Santos) e Roberto Firmino (Hoffenheim).

abs,
RicaPerrone

Dez Copas

Em 1978 a lista para a Copa não tinha nenhum jogador que atuava fora do Brasil.

Em 82, Dirceu e Falcão destoavam da maioria por atuarem na Europa. Ainda assim em clubes médios, como Atletico de Madrid e Roma, respectivamente.

Em 1986, do Torino e da Udinese vieram Junior e Edinho. Os demais, todos atuando aqui.

Até que em 1990 surgem os europeus para comprar nosso futebol e levamos apenas 10 jogadores atuando no Brasil.

Em 94, campeões do mundo, levamos 10 novamente.

1998, ano da França, e fomos a final com 8 “brasileiros” no grupo.

Em 2002, campeões, tivemos 12 convocados atuando aqui conosco.

No ano e 2006, do quadrado mágico, foram só 3 convocados daqui.  Em 2010, mesmo número.

Este ano Felipão chamou 4 “brasileiros” para o grupo inicial e pode aumentar ou diminuir isso conforme alguma necessidade de corte. Mas, a principio, desde 2002 não tinhamos tantos jogadores atuando aqui numa seleção de Copa.

Confira a lista ano a ano:

2014 – Fred (Fluminense), Victor (Atletico MG), Jefferson (Botafogo), Jo (Atletico MG)

2010 – Robinho (Santos), Gilberto (Cruzeiro) e Kleberson (Flamengo)

2006 – Rogério Ceni (SPFC), Mineiro (SPFC), Ricardinho (Corinthians)

2002 – Marcos (Palmeiras), Ricardinho (Corinthians), Gilberto Silva (Atletico MG), Belletti (SPFC), Anderson Polga (Gremio), Kleberson (CAP), Vampeta (Corinthians), Juninho (Flamengo), Edilson (Cruzeiro), Luizao (Corinthians), Rogerio Ceni (SPFC), Kaká (SPFC)

1998 – Taffarel (Atletico MG), Jr Baiano (Flamengo), Carlos Germano (Vasco), Zé Carlos (SPFC), Gonçalves (Botafogo), Zé Roberto (Flamengo), Bebeto (Botafogo), Dida (Cruzeiro)

1994 – Ricardo Rocha (Vasco), Branco (Fluminense), Zetti (SPFC), Zinho (Palmeiras), Leonardo (SPFC), Mazinho (Palmeiras), Muller (SPFC), Ronaldo (Cruzeiro), Viola (Corinthians), Gilmar (Flamengo)

1990 – Taffarel (Inter), Bismarck (Vasco), Acácio (Vasco), Bebeto (Vasco), Renato Gaucho (Flamengo), Mazinho (Vasco), R. Rocha (SPFC), Tita (Vasco), Mauro Galvao (Botafogo), Ze Carlos (Flamengo)

Atuavam fora do país:

1986 – Edinho (Udinese), Junior (Torino),

1982 – Dirceu (Atletico Madrid), Falcão (Roma)

abs,
RicaPerrone

Meus 23

Se eu fosse o Felipão?  Estaria tomando rivotril a cada 2 horas, certeza. Não pela lista, mas pela incrível possibilidade de ser um herói nacional que está perto dele. Não deve ser fácil dar os 23 nomes que carregarão nas costas duas coisas.

Para a imprensa, a obrigação de nos salvar de um vexame.

Para nós, a chance de se tornarem heróis e nos dar uma enorme alegria.

Espero que carreguem com eles a segunda, pois Copa do Mundo é “obrigação” só na cabeça de jornalista retardado que acha que futebol é Fifa Soccer.

Pra publicar os que seriam meus 23 convocados vou usar a ótima plataforma que a Globo.com fez pra que escalássemos o time.

Os “porquês”:

–  Não gosto do Daniel Alves. Acho que marca mal, o considero meia ou ponta, nunca um lateral. Cruza pra ninguém e me parece pouco confiável. Prefiro o Maicon.

– O Robinho? Sim. Olha pro meu time. Tem 2 caras abertos nas pontas rápidos e dribladores. Se perder um deles, faz o que? Muda a forma de jogar no meio da Copa?  Não dá. A convocação também tem que ser coerente com o seu sistema de jogo.

– O Coutinho? Joga muito. Mas existem meias que carregam a bola e que param a bola. O Coutinho mais carrega e a seleção precisa de pelo menos um meia reserva que consiga parar. Alem de achar meio injusto levar um cara só na ultima sem ter testado.  Fica pra 2018.

Acho que fora essas duas não tem polêmica. E o Felipão sabe o que faz. Ele é o tipo do cara que se anunciar o Alan Kardec amanhã eu vou primeiro tentar entendê-lo para depois pensar em descer a lenha.  Se fosse outro, a ordem seria inversa.

Parabéns Kaká, Ronaldinho e Adriano por não estarem na lista da Copa onde vocês três seriam protagonistas.

abs,
RicaPerrone