copa do brasil 2014

Hoje é fácil ser cruzeirense

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Estamos a algumas horas do maior jogo da história do futebol mineiro. Qualquer pessoa desprovida de vaidade ou não exposta a torcida rival confirmaria o óbvio: trocaria tudo pra ganhar hoje.

O atleticano não tem saída.  Está encurralado pelos fatos e nem mesmo o mais mentiroso deles pode se esquivar do tamanho do jogo desta noite.

O cruzeirense tem. E usa.

Pra todo cruzeirense que perguntei, “não! O Brasileirão é mais importante.”.

Me arrisco a dizer que é a mentira mais bem intencionada e facilmente compreendida da história do futebol brasileiro. Porque é óbvio que é um argumento de resguardo para não atestar uma eventual derrota como “algo maior” do que a conquista anterior.

E não, a Copa do Brasil não “vale mais” que o Brasileirão.  O jogo de hoje é que vale mais que a Copa do Brasil e o Brasileirão somados.

E minta, seu cara-de-pau! Minta até que o Everton Ribeiro faça o gol do título e você saia nas ruas enlouquecido como nem passou perto de estar domingo.

Porque foi brilhante, mas já foi. E foi contra todos, não contra “eles”.

O Atlético assumiu por falta de opção a importância exata do jogo desta noite. O Cruzeiro faz uso do alvará conquistado domingo para uma eventual derrota.

Normal. Também fariam os atleticanos se pudessem.

Mas que é mentira, é.

abs,
RicaPerrone

Atestado de óbito

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Nome:  Futebol brasileiro
Sexo: Ambos
Estado Civil: Separado
Naturalidade: Brasileira com recente naturalização inglesa

Data e hora do falecimento: 12/11/2014,  às 22 horas
Local: Belo Horizonte, Minas Gerais

Causa da morte: Depressão.  O paciente tinha por finalidade principal entreter e divertir pessoas. Desde que se tornou um objeto de guerra e se viu vencido pela minoria inconsequente, não encontrou mais alegria para viver e então se suicidou.

Seus constantes apelos para que fosse tratado com mais carinho e leveza não foram bem interpretados.  Dos seus pais a seus mais apaixonados filhos, ninguém mais se importava com ele. Na verdade, sem rumo, ele virou apenas uma semente de ódio entre pessoas sem controle de seus atos.

Impedido de se tratar por covardia da maioria, entregue a um massacrante julgamento da mídia, se deprimiu ainda mais e não conseguiu mais sair.

Teve sua morte cerebral quando determinaram que clássicos não eram mais pra duas torcidas, escolhendo quem pode ou não assistir a seu time em virtude de 30 ou 40 marginais que todos sabem quem são mas que o governo não consegue identificar.

Os aparelhos serão desligados no próximo dia 12 de novembro com um dos envolvidos no maior momento da história de uma relevante parte sua não puder entrar para acompanhar.

Procuraram por anos as causas na “base”, e a vacina na Europa. Nunca enxergaram que trata-se de um assassinato, não exatamente de uma morte natural.

O remédio é amor. Neste caso, respeito, carinho e cuidado com o paciente.  Mas felizes com a notícia de sua morte e a venda de jornais no dia seguinte, a mídia sequer contesta o tratamento.

A família, ainda que pequena, tenta evitar que desliguem os aparelhos na quarta. Mas o estado parece ter concordado e não deve mudar de idéia.

O enterro acontece em 2 semanas, no Mineirão. Também com público selecionado.

abs,
RicaPerrone

Eles acreditam

Hoje a tarde encontrei um garotinho de camisa rubro-negra no sinal. Ele vendia balinhas e eu brinquei com ele: “Vai ganhar hoje, moleque!?”.

– Claro, tio!

Esnobe. Me senti até meio discriminado por aquele ser tão convicto de sua fé. E contestei, menti, só de sacanagem!

– Mas você viu que o Everton e o Gabriel não jogam?
– E dai?
– Como “e dai”?  São os melhores! (exagerei)
– Tio, aqui é Flamengo.  Vai uma bala pra ajudar?
– Não, obrigado. Mas você vai ao Maracanã?
– Vô nada, tio! Tenho dinheiro não.
– E vai assistir o jogo onde?
– Sei não senhor. Essa hora to no onibus voltando pra casa.
– Vai ouvir?
– Não precisa não, tio. Vai dar Flamengo.
– Tudo bem, mas você não vai nem acompanhar o jogo?
– Quando eu chego em casa tá acabando. Aí eu vejo o final. É sempre esse horário. Vai uma bala, tio?
– Não, obrigado. Essa merda não anda. Abriu e fechou o sinal e nada…
– Deu ruim ali na frente, tio. Tá tudo parado! Leva uma balinha ai pra ajudar, tio…
– Po, cara. To sem dinheiro nenhum mesmo! Nem moedas! Só se eu te encontrar na volta. Só tenho cartão.
– Tudo bem, tio.  O senhor é Flamengo?
– Não, sou São Paulo.
– Ih, é paulista, é?
– Sou.
– Vixi…
– Que foi?
– Lá é ruim.
– Já foi lá?
– Fui nada.
– E quem te disse que é ruim?
– Se é bom porque o senhor tá aqui?
– Você é esperto, moleque. Mas hoje vai dar Galo, viu? (só pra sacanear antes de ir)
– Aê, tio! Se o Flamengo ganhar tu compra 5 balas amanhã?
– Taí. Compro! Gostei da confiança. Mas… e se perder?
– Perde não, tio. O Flamengo não perde….
– Tchau, garoto! Até!
– Aê, leva uma bala ai…
– Não, tô sem dinheiro trocado…(interrompido)
– É de presente ai, tio. Você é legal.
– Valeu garoto. Boa sorte no jogo hoje, tá?
– Até amanhã, tio! Mengo!!!

E quando ele grita bem alto “Mengo!” e sai do vidro do meu carro o rapaz do carro atrás abre o dele, chama o garoto, aperta a mão dele  e diz: “Dá 5 balas aí, flamenguista!”.

Ele me vê fechando o vidro e grita: “Ae tio! Tá vendo? Esse não vai ter que voltar amanhã!”.

E sim, eu vou voltar.  Claro que vou.  Como se ele não soubesse disso desde as 14h desta quarta-feira…

abs,
RicaPerrone

E você? Duvida?

Já faz mais de um ano, nem parece que “foi ontem”. O novo Mineirão parece ter surgido com vocação para registrar o imponderável.  Desde a Libertadores do Galo, passando pelo doloroso 7×1, a noite desta quarta-feira, enfim. Virou um palco de milagres.

O que aconteceu nesta noite foi a aula prática do que diferencia um vencedor de mata-mata para um estratégico campeão de pontos corridos.  A frigidez não será perdoada num torneio onde você não torce contra seu adversário, mas sim o confronta.

Tardelli jogou ontem e estava em campo. Elias não.

O Galo tomou 1×0 e foi pra dentro como quem tivesse certeza que, se não virasse, ao menos um estrago faria.  Tardelli não quis sair, e quem saiu machucado chorou no banco de reservas.

Frios, os corintianos buscavam regulamento. “Só pode tomar mais 1”. E tomaram, óbvio.   Quatro, aliás.

Porque nem sempre o futebol está disposto a premiar aquele que pensa.  Na verdade, quando consultado, ele sempre prefere eternizar aquele que está disposto a fazer algo mais.

O Atlético MG virou o porto dos milagres. Não há mais placar irreversível, pênalti no fim que estrague a festa ou jogo resolvido antes dos 49.  Não há mais o que duvidar desde que eles gritaram que “acreditam”.

E acreditam.

Não a toa. O Galo é o time que faz uma torcida gritar que “acredita” e outra, quase sempre no fim, com as mãos na cabeça dizer, bem baixinho, devagar… “Eu não acredito!”.

abs,
RicaPerrone

Acreditem: É possível!

É exagero protestar contra um time que briga por Libertadores e está bem na Copa do Brasil.  Mas não é exagero cobrar mais de um time que tem Elias, um volante fantástico.  Renato Augusto, um raro meia brasileiro que ainda joga de cabeça erguida. Guerrero, o melhor atacante grosso do país. Entre outras figuras não tão notáveis mas que podem dar a este Corinthians mais do que uma sequência de jogos sonolentos em busca do meio a zero.

O Galo joga por Tardelli. O Corinthians por Guerrero.  Tardelli tem mais recurso que Guerrero.  Mas o corintiano não tem vergonha de ser grosso. E isso faz dele tão importante quanto o atleticano.

É possível que o sonolento Corinthians dos domingos se torne outro time nas emocionantes quartas-feiras de mata-mata.  São campeonatos muito diferentes, que colocam rebaixados como campeões e campeões como eliminados.

Na Copa do Brasil ouso dizer que o Cruzeiro não é “o favorito”. Sem dúvida, “um deles”. Mas só isso.

O justo 1×0 virou um resultado incrível numa falha do goleiro Victor. Dois a zero em casa é muito bom, uma vantagem das mais confortáveis que te dá a vaga num golzinho praticamente.

Mas a medida que se tornou difícil pro Galo, também se tornou sedutor. O Mineirão que cobraria uma vaga vai tentar jogar por ela. E temos um passado recente que nos confirma que lá, quando acreditam, é ruim de duvidar.

E agora que o corintiano acredita na Copa do Brasil e o atleticano numa virada histórica, temos um jogo épico a seguir.

Que só seria mais incrível e histórico se não acontecesse. Se os times fizessem greve, não fossem a campo como protesto por perderem seus jogadores pra seleção justo numa decisão.

Mas não. Nesse sonho, nem eu acredito.

abs,
RicaPerrone

Os confrontos – Copa do Brasil

As vezes as lendas do futebol se tornam fatos. Dizem que o Flamengo é sortudo, o Botafogo azarado.

Dizem que o Cruzeiro, quando em boa fase, não passa perrengue e ganha tudo com enorme facilidade. Dizem também que o Grêmio é copeiro, o Santos, nem tanto.

Talvez para acabar com algumas delas, talvez para alimenta-las, o sorteio da Copa do Brasil colocou o Botafogo com a certeza de que, se passar, pega um grande nas quartas. E o Flamengo com o caminho sem um dos grandes até as semi.

O que significa que o Botafogo está em situação mais complicada. Ou talvez o Vasco, que pode ter o Cruzeiro logo em seguida.  Mas na real também implica no favoritismo rubro-negro, o que jamais foi exatamente uma garantia de sucesso.

Entre lendas e mitos, segue a Copa do Brasil. Hoje, o mais empolgante campeonato do país.

Gremio x Santos – Jogo igual. Grande confronto, uma pegada diferente. O Felipão, rei do Mata-mata, contra um Santos que não costuma se dar tão bem nesse formato quanto o tricolor. Mas que hoje tem, com a chegada do Robinho, um time um pouco melhor que o Grêmio.

Botafogo x Ceará – Não é o que parece. O Ceará tem um time ajeitadinho, o Botafogo um time sem salários e tendo que se matar no Brasileirão pra evitar o pior.

Cruzeiro x Santa Rita – Quando a fase é boa pode chover Pelé que a Xuxa cai no colo, hein?

Vasco x ABC – Vasco favorito, deve passar, mas… não dá pra chamar de sorte pegar o Cruzeiro na próxima fase, dá?

Bragantino x Corinthians – Jogo tranquilo. O Bragantino não jogou bem contra o SPFC em nenhum dos dois jogos. Venceu pela vagabundagem do time do SPFC em campo. O Corinthians deu sorte.

Palmeiras x Galo – Sorte que o Palmeiras não teve, nem o Galo. Mas hoje, se olharmos rapidamente para os dois… o Galo deu mais sorte que o Palmeiras.

Atlético Pr x América RN – Um raio pode cair duas vezes no mesmo lugar? Dúvido.

Flamengo x Coritiba –  Olha só, o Fla é favorito. Se passar pega o CAP provavelmente, onde já não se torna tão favorito assim.  Se há um lugar no mundo que o Flamengo costuma encolher é no Paraná. E lá pode se definir a  Copa do Brasil pra ele.  Se por um lado escapou dos grandes até as semi, por outro encontra um de seus maiores “pesadelos” não oficiais.

O que espero?

Da Copa do Brasil, só surpresas. É o que ela nos ensinou nos últimos anos.

abs,
RicaPerrone

Sem grandes jogos

trofeu-copa-do-brasil-2013A Copa do Brasil 2014 já tem sua tabela definida até a terceira fase, onde entram os times da Libertadores e formam 16 clubes, 8 jogos.

Até lá, conforme o cruzamento anunciado hoje, os 7 grandes que disputam a competição desde o começo não terão nenhum grande confronto.

Os cruzamentos apontam para, no mais “perigoso” dos casos, o Bahia enfrentando o Corinthians.

O São Paulo, que começa diante do CSA, enfrenta no máximo o Figueirense. Enquanto o Palmeiras pode encontrar o Avaí, na pior das hipóteses.

O Peixe pode enfrentar o Criciúma, enquanto o Inter, que começa com o jogo mais complicado diante do Remo, não deve cruzar ninguém mais “assustador” até o final da terceira fase. No máximo o Ceará.

Os cariocas tem caminho também sem grandes pesadelos. O Vasco pode cruzar com o Paraná, enquanto o Flu, na pior das hipóteses, contra o Náutico.

A Copa do Brasil começa no dia 12 de março.

Confira aqui a tabela da primeira fase.

abs,
RicaPerrone