Corinthians

Qual o problema?

Eu não gosto de torcida organizada. E não gosto com credencial, pois já fiz parte, apanhei, tive meu direito de entrar em estádio vetado por mais de um ano graças a marginais blindados por suas diretorias que resolveram matar quem tava do outro lado. Dito isso, separemos o não gostar com achar 100% ruim.

A Gaviões da Fiel fez um projeto pra arrecadar 700 milhões com sua torcida pra ajudar a pagar a Arena do Corinthians. Alvo de críticas, elogios e piadinhas, eu acho muito interessante e vou além.

Não será 700 provavelmente. Mas será uma quantia que ajuda a pagar as contas. E isso feito cria-se uma narrativa sobre a torcida ter pagado o estádio que daqui 100 anos será contada como parte da história do clube.

Aumenta-se o engajamento e a sensação de pertencimento do torcedor. Diminui a dívida e evita o vexame de ter seu estádio amanhã pago ou doado por algum governo corrupto disposto a ganhar voto em cima da sua paixão.

Você acha que se não pagarem algum político vai pedir de volta e perder os votos alvi-negros? Óbvio que isso iria virar a maior pizza de São Paulo. Ninguém mexe com torcedor tendo seu cargo baseado em aceitação popular.

Logo, por obviedade, que mal tem numa torcida se mobilizar pra ajudar seu clube? É dinheiro voluntário, não de impostos. É pra quem pode ajudar, não pra quem está em situação ruim. É liberdade e portanto é o que defendo como zero um na vida.

O Corinthians tem a torcida mais engajada do país. Sempre teve. Parte disso está no fato de ter a sua massa na cidade onde o dinheiro mais roda. E por consequencia é inteligente entender que dali pode sair o maior índice de participação de uma campanha desse tipo.

Parabéns aos envolvidos e a cada corintiano disposto a ajudar. Que mal tem comprar a casa própria? Talvez você não tenha a sua, como eu não tenho a minha, mas é bom demais saber que coletivamente temos “a nossa”.

RicaPerrone

Saldo de compra e venda dos últimos 10 anos

Nos últimos 10 anos os grandes clubes do Brasil alternaram momentos. Alguns em profunda crise, outros nadando em ouro, mas todos ainda tendo nas receitas de jovens uma grande parte do seu faturamento.

E portanto, considerando as temporadas 14/15 até a 23/24, fizemos um balanço de acordo com os dados do Transfermark sobre o fluxo de compra e venda de jogadores de cada um dos 12 grandes.

Claro que existem salários, luvas, “compras” sem repasse ao ex-clube por fim de contrato. Mas aqui consta apenas o que é valor final e oficial.

Quanto seu clube comprou e vendeu nos últimos 10 anos?

Algumas curiosidades sobre:

  • O Fluxo de compra e venda do Grêmio, somado a resultados, nos últimos 10 anos é muito bom.
  • O Fluminense segue vendendo suas jóias e comprando pouco tendo recentemente conquistado títulos em 2023.
  • O Flamengo é uma máquina de ganhar e gastar.
  • O Botafogo tem uma divisão de base terrível. Não gera quase nada ao clube.
  • O investimento do Vasco foi quase todo feito em 22/23.
  • A temporada de maior gasto foi a do Flamengo de 19/20, com 250 milhões em contratações.
  • A maior janela de vendas também foi do Flamengo em 18/19 com 483 milhões de reais.
  • Nenhum dos 12 grandes comprou mais do que vendeu no saldo dos últimos 10 anos.

Rica Perrone

Planejada 2019 #34

Todo começo de temporada os treinadores fazem um planejamento. Aí você pode perguntar: “Que diabos de planejamento é esse? Ele planeja perder? Não era pra tentar ganhar todas?”. Sim, era. Mas nem treinador é tão apaixonado e maluco de imaginar que vencerá todos os jogos de um campeonato como o Brasileirão.

Assim sendo, eles planejam uma forma média de atingir os pontos do último campeão, ou perto disso. E você pode se perguntar: “Qual critério ele usa pra saber onde pode perder ou onde tem que ganhar?!”.

Normalmente eles seguem uma linha simples. Ganhar todas em casa, bater nos pequenos fora, empatar com os médios e aceitam perder pros gigantes fora de casa. Esta soma dá o suficiente para você estar, no mínimo, brigando pelo título. A não ser que alguém dispare e quebre todo planejamento.

O mais afoito pergunta: “Mas se um time tem 20 pontos e o outro 18, com os mesmos 13 jogos, é óbvio que ele está melhor, não?!”.Não. E se o que tem 20 pegou 5 pequenos fora, 1 clássico e 7 grandes em casa? Significa que ele pegará os 7 grandes fora no returno. Talvez os 18 pontos conquistados sobre clubes mais fortes sejam mais valiosos do que 20 em pequenos.

Atenção:
– A conta busca uma fórmula de se chegar aos 74 pontos, que aproxima muito do título.
– Alguns times podem perder clássicos, outros não. Isso porque alguns tem 2 clássicos por ano, outros 6.
– “Ah mas se meu time perder um jogo que era pra ganhar, ja era?” Não. Você calcula por outro jogo que “não era pra ganhar” e equilibra. Compensa.
– Eu não entendi! Facilitando: O importante não é seguir a risca os resultados. É chegar a rodada X perto ou com mais dos pontos planejados pra rodada X. O percentual diz o quanto seu time fez de pontos perto do que DEVERIA ter feito até aqui para brigar pelos 74 pontos. Só isso.
– As tabelas são INDEPENDENTES entre si. Não as compare procurando o mesmo resultado pois não serão 11 campeões.
Enfim, aí está! Se você não entendeu, pergunta pro amiguinho do lado que ele explica.

Almeida voltou

Segue o Fluminense “inexplicando” o futebol.

O time que criava 30, hoje cria 3. O que não fazia nenhum, hoje faz um.

A sorte que se negava hoje sorri. Até frango tem pra ajudar.

Se João de Deus havia abandonado, Sobrenatural de Almeida voltou pra ajudar.

O Z4 que era fato até o final virou passado em 3 rodadas. E embora o medo exista e seja provável que por ali esteja até o final, nem mesmo com muito otimismo se imaginou fechar o turno fora dele.

Não, o Fluminense de hoje não joga mais que o do Diniz. Ao contrário. Joga consideravelmente menos. Mas a bola entrou em 2 dos 3 jogos.

E nos dois casos fazendo o que com ele faziam. Uma bola, um lance, fim de papo.

Talvez o Diniz seja muito azarado. Talvez o Oswaldo seja muito bom. Talvez seja o Flu e sua vocação pra deixar a história sem rumo.

Fato é que os 30 chutes a gol sem gol mudaram de lugar. Foram pro Morumbi.

Nas Laranjeiras, agora, basta uma chance.

Desde 2009 o futebol já sabe. Dê tudo ao Flu, menos uma chance. Porque se houver uma, ele vai usar.

RicaPerrone

Taças e mulheres

O Fluminense estava apaixonado. O Corinthians interessado.

Elas nunca dão bola pra quem as supervaloriza. Preferem aquele que é capaz de dizer que “nem queriam mesmo” do que os braços de quem não a negaria jamais.

São assim. Sempre foram.

Parecem escolher pela postura. Tem que desejar com uma dose de merecimento. Não pode parecer um sonho, tem que parecer natural. Elas gostam assim, fazer o que?!

Só na Disney que o magrelinho pobre rouba do bonitão. Na vida real ela quase sempre acaba nos braços do bonitão.

Querer muito é critério, mas não decide a escolha. Quanto mais grandioso você cria na sua cabeça, mais longe ela fica.

O Fluminense sonha com a Sulamericana. O Corinthians só acha que pode conquista-la e aposto que se acha até favorito.

Ela pode estar sendo injusta. Mas previsível.

Nunca entendemos as mulheres, imagina as taças.  Embora a gente saiba exatamente o que elas vão fazer em 90% dos casos.

RicaPerrone

Porque Santos e Fluminense merecem os elogios mesmo sem as vitórias?

Talvez o torcedor seja fácil de entender. Ele quer que ganhe, só assiste o time dele e nada que não for uma vitória do seu time é válido ou digno de elogios. Essa realidade é cada vez mais perturbadora na medida em que não ha “o jogo da tv”. O torcedor vê TODOS os jogos do seu time e portanto não é “forçado” a ver quase nada dos outros.

O mesmo torcedor termina o jogo e não ouve mais comentários superficiais e nem gerais sobre a rodada na TV. Corre pra ouvir o influencer torcedor do mesmo time que ele dizer tudo que ele gostaria enquanto torcedor.

Nessa nova era o que mais se tem é o nicho. E o que de pior acontece é a desinformação com voz.

Há 15 anos o Joãozinho podia não saber nada sobre política que ninguém ligava. Hoje ele é “Jonny Esquerda”, tem 40 mil seguidores e fala as mesmas merdas que falaria quando não tinha onde se passar por um entendido.

O futebol é a mesma coisa. Cada dia se vê menos futebol, mais o seu time e mais se opina sobre os outros. Logo, a opinião é bastante assustadora pra quem de fato assiste o todo.

Diniz e Sampaoli não tem os resultados mais incríveis, mas também não tem times incríveis. O que os dois tem em comum é uma direção.  E os clubes que sustentarem isso diante da ignorancia da torcida terão feito algo de fato diferente.

Na mídia chega a ser engraçado. Os mesmos que “derrubam treinador” são os que exaltam os trabalhos a longo prazo sem resultados no começo de times europeus que chegaram a algum lugar.

Santos e Fluminense não tinham perspectiva alguma em janeiro. Hoje são dois times sem grandes nomes que fazem as pessoas comentarem, assistirem e gostarem.

Há um conceito. E toda vez que você sonda o Dunga, liga pro Luxemburgo e fecha com o Abel você está deixando claro pro mundo que não tem A MENOR idéia do que quer. Sampaoli e Diniz sabem exatamente o que querem.

Nessa foto acima há outro cara que sabe o que quer. Embora tenha se traido um pouco desde a Copa, quando teve tudo pra ser demitido do Corinthians foi mantido. O resultado nós sabemos.

Trabalho bem feito começa com convicções. Ou você sabe o que está fazendo, pra onde quer ir e no que acredita, ou vai fazer mais do mesmo.

Convenhamos que no futebol brasileiro o que menos precisamos é mais do mesmo.

Diniz e Sampaoli representam hoje uma direção que o futebol brasileiro não tem. E portanto, são elogiáveis, importantes e referências. Se não pelo seu gosto tático, pela coragem.

RicaPerrone

Bom revê-los “jogar”

Fazia tempo. Nem me lembro quando. Talvez contra o Galo há uns dois anos. Mas uma das coisas que mais me encanta na torcida do Flamengo é o poder dela em mudar um jogo absolutamente do nada.

Torcidas são movidas pelos times. Eles colocam uma bola na trave e ela reage. As vezes algumas torcidas agem primeiro e o time reage a ela.

O novo perfil rubro-negro divide opiniões. Alguns adoram, outros não. Inegavelmente o público do Maracanã mudou demais nos últimos anos. Exigentes, exagerados e apaixonados. Mas condicionados.

Prontos pra cobrar. Hoje, quando o time pouco fazia, resolveram mudar.

Antes do Flamengo tomar o gol do Corinthians e a obrigação de vencer virar uma noite de eliminação, o som ambiente mudou. E com ele, o time.

Tem gente que acha que não faz diferença. Tem gente que nada entende de futebol. São as mesmas pessoas, inclusive.

A cobrança virou apoio. E o medo de perder virou força pra ganhar.

O Flamengo que teme o vexame flerta com ele. O que busca a glória é sem igual.  As vezes a torcida é quem decide qual vai ser.

E hoje foi pela glória. Já era hora.

RicaPerrone

Corinthians 0x1 Flamengo: Sobrando

Talvez seja só a questão técnica, mas não me convenço disso. O criticado Abel tem um time que atuou de forma madura e capaz de vencer bem contra o Peñarol e repetiu contra o Corinthians, ambos fora de casa, ambos decisivos.

Outra decisão foi a do estadual contra o Vasco. Em ambos os jogos o Flamengo passeou.

Talvez estejamos falando de um time que sabe onde correr, não necessariamente de um time que mereça as absurdas críticas que recebe como se estivesse jogando mal, perdendo todos os jogos e disputando a série B.

A megalomania faz parte da cultura de Corinthians e Flamengo. E ontem notamos que há um clube cumprindo a risca sua mania de grandeza e o outro um tanto quanto conformado com o mínimo possível.

O Corinthians não propõe. É facilmente controlado e colocado na condição do “menor que contra-ataca”. E não, não dá. O Corinthians não pode aceitar essa condição de jogo. Carille não chegou há 2 semanas e, embora tenha pouco tempo pra treinar, a camisa que ostenta merece mais.

Em 3 decisões o Flamengo em 2019 sobrou nas 3. Acho que as críticas são apaixonadas, não necessariamente justas. Algumas até desonestas.

Não joga o futebol que você rubro-negro espera. Mas alguém no mundo é capaz de suprir as necessidades apaixonadas e megalomaníacas do flamenguista? Fosse o Real Madrid de vermelho e preto haveria uma faixa: “O espanhol é obrigação”, após “vexame”  na Champions.

Com todas as críticas e crises exageradas do mundo, me parece que até agora o Flamengo vai muito bem, obrigado.

RicaPerrone

Diferenciado

Cansei de ver um time jogar um futebol ruim, ganhar e ter na figura do seu comandante um tom de deboche a quem “criticou” durante o ano.  A crítica é pesada, vira guerra, vira birra e em algum momento se quer revidar e não comemorar.

Natural do ser humano. Não condeno. Mas passei anos esperando que alguns treinadores falassem ao final de uma vitória grandiosa que “não está bom”. Porque futebol não pode se resumir a resultado, embora os mesmos especialistas que pedem isso façam do contrário uma regra.

Carille saiu do campo dizendo que “não está bom”, que “foi o menos merecido dos últimos 3”, e não deixou de exaltar a conquista. Mas deixou um recado pro grupo, uma voz de comando, uma visão crítica de quem consegue enxergar o que é dirigir um time protagonista que não pode “não jogar” como fez o Timão algumas vezes em 2019.

No lugar dele 95% dos treinadores daria na imprensa uma invertida. Ele até poderia, afinal, foi campeão. Mas entendeu que a crítica era justa – e neste caso é mesmo – e agiu com inteligência e coerência.

O tricampeão merece aplausos e correções. E só há expectativa de corrigir algo se os aplausos não sufocarem a análise.

Carille não fez do título um oba-oba. Talvez por isso ele tenha 3 e não um só “por acaso”.

RicaPerrone