ct

“Sabe de quem?”

 

Perdoe-me o ótimo Luis Roberto, mas eu não pensei em nada melhor.

Quando um grupo de marginais (torcedor é o caralho!) invade um CT, quebra patrimonio e vai conversar com jogador eu realmente não consigo ter outra reação que não a de perguntar pro coleguinha do lado: adivinha quem são?

Nem todo torcedor de organizada é violento. Mas todo caso de violência no futebol há uma organizada envolvida.

O que isso ajuda?  Acham mesmo que o Ganso vai olhar pro JP e dizer “vamos correr pq agora fudeu, a Young Flu ta puta”?

Cai na real, pelo amor de Deus. 2019 tem gente comprando influencer sem profissão, youtuber humorista fazendo militância, livro de “acredite nos seus sonhos” vendendo a rodo. E vocês, marginais qualificados de longa data, acham que isso dá algum resultado que não seja validar a rejeição a vocês?

Eu queria conhecer o diretor de marketing de uma organizada. Não há emprego mais difícil.

E segue o jogo. Porque eles acham que se ganhar do Grêmio reserva domingo foi porque “nóis colou nos cara lá, mané!”.  E todos vivem felizes pra sempre.

RicaPerrone

Feio é jogar de abadá

Uma vez eu fiz uma sugestão a uma integradora de operadoras de celular que inicialmente empolgou o chefe. Em seguida ele fez um projetinho pra apresentar, e na terceira etapa tentou levar um por fora.  Pulei fora. Nunca andou.

O projeto era em algo simples: Cada telefone celular neste país deve estar atrelado a um clube. Todo dono de telefone diz que time torce, simples assim. E cada operadora daria 1 real por mes ao clube proporcionalmente aos seus assinantes.

Em troca disso o futebol brasileiro daria em todos os seus torneios uma cota pra cada operadora alternando os torneios, formatos, etc.

Enfim. Uma mídia enorme em troca de uma base de sustentação em forma de patrocínio. Mas era só uma idéia.

Imagino eu que não cairia mal pro Vasco, por exemplo, ter 120 milhões de reais a mais por ano. Sempre procurei uma forma simples dos torcedores patrocinarem os clubes, já que o que temos mais do que europeus é gente.

Surge a campanha pelo CT do Vasco. Alguns acham ridículo, outros que é “feio” um clube dessa grandeza fazer vaquinha.  Olha, feio seria não ter com quem contar. Feio é ter 100 anos e não ter conquistado uma legião de fiéis. Feio é vender a camisa feito um abadá por migalhas.

Não há nada mais bonito, honesto e grandioso do que se erguer através de si mesmo. E quando conta-se com a torcida não é uma ajuda externa. A torcida é o clube. O clube, a torcida.  Trata-se de um movimento na mesma direção, apenas isso.

Que cada clube dê seu jeito de transformar seus milhões de torcedores numa mensalidade, num projeto de estrutura, base, pagamento de dívidas ou reforços. Tanto faz.

Mas, “feio”? Feio é viver de esquema e fechar o mes no vermelho. Feio é não pagar salário. Feio é ter diretoria corrupta. Feio é usar o clube pra fazer política.

Se eu fosse vascaíno, daria o que posso. Não sendo, simbolicamente, em nome do que acredito, farei uma contribuição para não ser hipócrita apenas. O que “posso” eu pago mensalmente há 40 anos pro meu São Paulo como sócio que sou.

Mas que seja o CT do vascaíno. Não sei se moderno, o quão equipado. Mas sei que será o mais “nosso” que uma torcida vai ter nesse país. E se isso é “feio”,  eu quero que  o futebol brasileiro seja um horror.

Ajude: https://www.kickante.com.br/vasco

RicaPerrone

Cuidado com o Raí

Normalmente são jovens que se dispõe a protestar. E normalmente jovens passam a se achar idiotas 10 anos depois. Eu compreendo porque já fui, e de alguma forma anda sou na medida em que daqui 10 anos me acharei hoje um idiota.

Saudável. Porque se você não achar que há 10 anos era um idiota a única conclusão que há é que você ainda o é.

Então, sabendo que são jovens em sua maioria que saem de casa para ir ao CT protestar, até porque já fiz isso quando adolescente, vamos ponderar uma coisa bastante importante nesse processo de insatisfação.

Cuidado com o Raí.

Talvez pra muitos de vocês ele seja um ex-jogador dirigente. Mas para quem viu a sua geração e a anterior torna-se até consideravelmente uma constatação de que trata-se do maior jogador de nossa história.

Com todo respeito ao nosso capitão Ceni, Raí foi o elo entre um SPFC regional e um SPFC mundial. Ceni foi o grande goleiro de um time já gigante. E por isso a idéia de importância dada sem números e comparações atuais.

Critica-lo é parte do show. Ele topou ser dirigente. Mas hostiliza-lo, não.

Estamos falando do cara que pegou nosso clube bicampeão brasileiro e o deixou campeão do mundo, bi da Libertadores e com mais um Brasileiro. E não porque jogava lá, mas porque decidiu quase TODAS essas finais, inclusive duas raras conquistas contra o Corinthians, onde normalmente não temos “sorte”.

Raí só não é um “Deus” no Morumbi e no dia a dia do futebol porque é quieto, culto, vive viajando e não se mete em nada. Não gosta de mídia, não dá declaração polêmica e portanto pouco interessa aos microfones.

Mas mesmo que ele venda o Antony e compre o Eder Luis de volta pelo mesmo valor, ainda assim, ele é o Raí.

Pros mais novos talvez isso não faça sentido. Pra quem tem quase 40 o que não faz sentido é não haver uma estátua deste sujeito no Morumbi.

Protestemos. O clube merece. Mas nesse caso, e somente nesse caso, com uma pé no freio. Raí não é dirigente, é o protagonista das mais belas páginas da história que estamos indo lá cobrar.

RicaPerrone

A locomotiva Flamengo

É com enorme atraso, mas ainda maior satisfação que o Flamengo entrega uma estrutura de treinamento digna de sua grandeza.  O Ninho do Urubu pode parecer um passo básico, até é, mas de importância nacional.

O Flamengo tem que ser, pelo número de torcedores, poder de nacionalizar marcas e audiência, a locomotiva dos valores no futebol brasileiro. Isso não significa que o clube deva ganhar tudo, mas sim que o seu valor de acordos será sempre a referência comercial do mercado.

Se o Flamengo cobra 100, o teto é 100. E essa leitura é feita no dia a dia do futebol com pesar toda vez que viamos o Flamengo devendo, quebrado, treinando em campos de merda e indignos de sua grandeza.

Quando a referência de valor de mercado cresce, crescem todos. E aí você vai dizer que “ah mas é um absurdo o Flamengo ganhar 100 e os outros 50”, e eu lhe digo que você está reclamando errado. Se 0s outros 10 se unirem e disserem “não”, não tem Corinthians e Flamengo.

Não partirá de marca nenhuma uma distribuição socialista no futebol. É mercado, capitalismo, negócio. O Flamengo vale mais. O Corinthians vale próximo. Os outros valem menos e alternam conforme suas fases e astros. Mas num geral, no resumo histórico, o fato do Flamengo deixar de ser um clube enorme com estrutura de time de série C é um negocio muito bom pro futebol e não só pra ele.

Entenda. Enquanto o patrocinador master do Flamengo custar 30, o seu jamais custará mais do que isso. E portanto é melhor pra todos que o Flamengo seja um clube valioso, estruturado e com receitas enormes. Se feito de forma inteligente, sem choro idiota e com união, os demais todos se beneficiam disso.

A locomotiva Flamengo enfim está andando em boa velocidade.  Pegue carona, corra trás, tanto faz. Mas não fique assistindo ou então…

abs,
RicaPerrone

“Mato um, mato cem!”

Ó, que surpresa! Torcedores organizados foram ao CT sábado de manhã e quebraram, roubaram, agrediram e invadiram.  Quem diria?

A camisa de uma torcida organizada no Brasil representa o direito a ser julgado coletivamente e, portanto, livrar-se de qualquer punição por suas atitudes enquanto cidadão.

Você se veste de organizada e vira “a torcida do”.  Mas não. “A torcida do” São Paulo sequer vai no jogo, imagine num CT sábado de manhã. Vamos falar a real, é molezinha!

Uma turma que berra pra quem quiser que mata, que cheira, que é isso, que é Talibã e mais não sei o que não pode ter transito livre em lugar algum. Diria eu que nem nas ruas.

Aí esses caras vão com hora marcada e uniformizados para um protesto e surpreendentemente invadem, agridem e roubam.  Oh! Quem diria?

Senhores, individualizem os crimes e punam TAMBÉM a torcida. Não dêem aos caras o direito de ser “a torcida do”. Eles não são. Saopaulino somos nós, que putos ou não, jamais destruiríamos o patrimonio do clube, menos ainda agrediríamos pessoas por futebol.

Isso aí é gangue. Marginal. Bandido. Gente que tem que ser presa mas que sob o argumento de “eles fazem festa” ficam com direito a tudo.

A polícia vai lá, separa, não prende um e coloca mais um episódio na conta da “torcida do”. A mídia diz “lamentável”, não acha o nome de um boi e segue a vida.

Sabe na real porque?

Porque pro clube é bom que isso aconteça. O jogador reage, a mídia tem pauta negativa que é o que vende e em bando a polícia não tem que caçar ninguém.  É só culpar “a torcida do”.

Amanhã tem jogo no Morumbi. Eu duvido que esses caras vão pagar ingresso pra ir lá. Duvido!

abs,
RicaPerrone

Wallace, o diferentão

Já falei sobre Wallace, o zagueiro, hoje cedo. Mas a história que eu realmente queria levar ao torcedor é de bastidor, não divulgada por clube e nem pelo jogador. Mas eu acho e faço questão de conta-la mesmo sem “autorização” de parte alguma.

Em 2015 alguns jogadores do Flamengo reclamavam muito da estrutura do clube. O Ninho, como sabem, está em obras e longe de ser um CT que dê aos jogadores a digna condição que merece um jogador do Flamengo.

Pois bem.

Os jogadores diziam que o vestiário do ninho precisava de um piso novo, uma reforma geral e até um toque de cuidado extra com fotos dos jogadores, logo do clube, etc.

A diretoria não podia bancar ou não quis priorizar aquilo naquele momento. E então Wallace foi a São Paulo comprar piso do bolso dele, pagou a obra toda e até ajudou a pintar. Mandou fazer poster dos caras, colocar tudo e entregou pro clube sem custo e sem mídia.

Paulo Vitor ajudou na reforma também, diga-se.

Meses depois Wallace sentiu que poderia contribuir com a base fornecendo uma biblioteca para os jovens do Flamengo e o fez, mais uma vez, do seu bolso e de sua iniciativa.

O clube usa hoje o vestiário que ele reformou, os meninos usam a biblioteca que ele criou.

Entendo todas as vaias do mundo. Mas você acha mesmo que é mimimi ou no lugar dele também ficaria chateado?

O torcedor não tem obrigação nenhuma em saber disso, até porque não foi pra mídia. E ele, como jogador do clube, menos ainda em ter feito algo do tipo.

Vaias são vaias. Elas vem e vão. Mas se você recusar a Cléo Pires porque é casado e ao chegar em casa sua mulher der um escândalo porque a toalha molhada ta em cima da cama, você não fica puto?

Então, ele disse não pra Cléo Pires. Reclama da toalha, mas sem escândalo…

abs,
RicaPerrone