Dedé

Coming soon

O Flamengo tem sido há algum tempo a propaganda de um filme de alto orçamento. O filme é bom, mas a propaganda é tamanha que invariavelmente as pessoas saem do cinema esperando mais.

E então dizem: “é ruim”, porque o ser humano é meio radical. Ou algo o surpreende ou ele acha uma porcaria. E o Flamengo se coloca ano após ano na condição consensual de frustrador de massas.

Quando ele se diz muito rico, espera-se um timaço. Qualquer bom time é rejeitado pela torcida porque o esperado era um Real Madrid.

Quando ele se posiciona como o novo Bayern do Brasil, até ser campeão brasileiro vira obrigação. E se sua glória é obrigação, sua vida se tornou um lixo.  Ser flamenguista tem sido buscar o básico, o alívio, não a consagração de tanto que juraram que ela viria.

O menosprezo ao que tem em volta torna sua vitória menor e seus fracassos ainda mais contundentes. A diretoria anterior se achava capaz de sobreviver com treinos entendendo e vendendo pra torcida que não precisava dos rivais pra ser enorme.

O rubro-negro comprou tudo isso, óbvio. E agora vê a fase 2 dessa auto destruição de noções de realidade com as novelas dos reforços expostas na mídia todo dia.

Você fica feliz com o Elias se não passarem semanas te dizendo que vem o Pogba. O Flamengo é o clube que frustra sua torcida até quando acerta, de tanto que vendeu sonho antes dos fatos.

Hoje o Flamengo e o flamenguista são exatamente o que foram São Paulo e os saopaulinos em 2008. Delirando numa soberba sem sentido, auto-destrutiva e que só serve para transformar glória em alívio. Ou fracassos em tragédias.

Só que em 2008 o São Paulo cometeu esse erro sendo campeão do mundo, da América e tri brasileiro. O Flamengo está cometendo sem ter ganhado nada recente.

O segredo do “bom filme” é a propaganda moderada.  O “bom Flamengo” está sendo anunciado há 6 anos todos os dias, em todos os lugares, de todas as formas. É óbvio que o “bom” se tornará “ruim” e que as glórias, quando vierem, serão apenas “missão cumprida” e não mais as deliciosas obras rubro-negras do imponderável.

Talvez Dedé, Renato e tantos outros escolham o que muitos escolheriam, mas que na cabeça recém domesticada com doses cavalares de megalomania injustificada do rubro-negro cause um sentimento de derrota.

A torcida que jurou ser favorita a tudo em 2018 começa 2019 louca por reforços. Percebe como é incoerente e hoje se registra com fatos que o favoritismo não era esse?

Os títulos virão. É óbvio que virão com essa nova era administrativa. Mas eles tem que ser um prazer, não um alívio.  Título se conquista, não se defende. Até porque eles não são seus.

RicaPerrone

Me ajuda a te ajudar, CBF!

Eu não carrego comigo nenhuma “raiva” da CBF como a maioria foi induzida pela mídia a ter. Entendo que ela é uma organização política e portanto qualquer exigência sobre sua motivação pró espetáculo é uma ilusão de quem não conhece o sistema e quer muda-lo pelo twitter.

Mas entendo que ela tem defeitos graves. Especialmente a falta de relacionamento entre marketing, presidência, futebol, comissão técnica, clubes.  Todas devem funcionar, afinal, a seleção é extremamente bem estruturada, respeitada e vencedora. Os patrocinadores sempre estão lá, o Brasileirão segundo 99% dos clubes é super bem organizado e portanto não há do que se reclamar.

Há sim.

Qual a dificuldade que a CBF tem em ver que houve uma burrice imposta por Globo, clubes, ela e Conmebol em permitir que a data FIFA caia próxima de uma semifinal?  É mais bonito fingir de morto do que assumir publicamente “erramos, vamos corrigir”?

Já nem deveria ter jogo em data FIFA. Mas a Globo quer jogo, paga, os clubes baixam as calças, pegam adiantamento e dizem amém. Depois vem na cara de pau na tv dizer pro torcedor que são vítimas do calendário. E nós, otários, acreditamos.

Mesmo assim, em casos como esses, a CBF poderia sim ter o bom senso de aliviar a antipatia sobre ela mesma, ajudar o futebol brasileiro que é seu dever, e zelar pelo seu torneio.

Quer convocar? Convoca! A gente fica feliz em ver nossos jogadores na seleção. Tira os caras da rodada do Brasileirão, ok.  Mas da semifinal?

Custa a humildade de reconhecer um erro e liberar os semifinalistas do segundo amistoso, por exemplo? O adiamento dos jogos eu duvido, a Globo não vai deixar e não tem calendário pra isso. Mas se está em suas mãos o meio termo de dizer pro torcedor que você o respeita, porque não?

Jura que é fundamental ter o Paquetá contra El Salvador? Que sem o Fagner não dá pra enfrenta-los? O Dedé não pode perder a chance de parar esse ataque?

Vocês sabem que não. Eu sei, todos sabem.  Mas a vontade de ficar calada diante dos erros é tamanha que invalida até mesmo as tentativas de entende-la, CBF.

Faz 4 dias que você poderia ter dito: “Erramos. Vamos liberar os jogadores das semifinais”.

Mas não. Vão gerar mais antipatia a entidade, a seleção e prejudicar um torneio fantástico em troca de que? De nada. Absolutamente nada.

As vezes a gente entende pela parte política, pelo sistema, pela burocracia. Outras a gente não entende nem fazendo esforço.

abs,
RicaPerrone

Completamente Cruzeiro

Um time campeão precisa de um bom goleiro.  Também precisa de defesa sólida.   Um líder em campo, outro fora dele.

Dizem que é preciso também estrutura e condições pra trabalhar.   E, as vezes, de um jogador pra desequilibrar jogos complicados.

Campeão tem talento. Mas quando precisa, ganha na raça.  Grandes times sabem a hora de trocar o calcanhar pelo bico.

Times como o Grêmio conhecem como poucos a hora de se postar atrás.  Outros, como o Cruzeiro, desconhecem esse método.

Por isso, sofrem pressão e sustos que talvez outros não tivessem sofrido esta noite.  Mas nem só de bailes vive a festa.  Hoje tinha que ser uma vitória à la Grêmio, se é que você me entende.

E foi assim que aconteceu. Na raça do zagueiro que sobe, na cabeçada do baixinho que surpreende.  Numa bola perdida, presa, disputada, brigada. Num lance improvável após os 40 do segundo tempo.

E com um dramático final com goleiro adversário na área e tudo mais que um bom roteiro tem direito.

Era o espetacular Cruzeiro sendo guerreiro e passando sufoco. O limitado e guerreiro Grêmio dependendo de lances de alta técnica de seus homens de frente para criar chances de gol.

As avessas do esperado. Com um final, pelo menos hoje em dia, muito previsível.

O campeão tem de tudo um pouco. E eu ainda não encontrei o que esse Cruzeiro “não tem”.

abs,
RicaPerrone

A boa fé de quem lê

Muito do que se interpreta vai mais da boa/má fé de quem lê do que de quem escreveu.  Dedé disse que não gostaria de enfrentar o Vasco numa entrevista, no mínimo, corajosa.

Há quem interprete como uma desculpa pra “não trabalhar”, há quem ache bela atitude, há quem entenda ser uma jogada de marketing.

Há também a verdade, e esta nenhum chutador de má fé alheia pode cravar. Não estou aqui pra julgar a intenção do Dedé, mas sim sua postura.

E gostei.

O Cruzeiro não disputa mais nada esse ano e é natural que o time vá fazer partidas menos duras daqui pra frente. Alguém decide contra ele? Azar de quem concorre.  É a lógica da tal “justiça” dos pontos corridos.

Dedé é o que é por causa do Vasco. Qual motivo deve fazer este rapaz querer entrar em campo para, por obrigação, sem qualquer objetivo válido, rebaixar seu formador?

Nenhum.

Dedé não briga por 3 pontos, por vaga, por nada. Pro Cruzeiro, pouco importa. É um amistoso de luxo que não vale absolutamente NADA.

A insuportável cegueira de quem defende o sistema atual não consegue enxergar que quando um jogo é decisivo apenas pra um lado a tal “justiça” foi pro ralo.

Porque o Grêmio ganharia do Flamengo em 2009? Pra dar um título pro Inter.

Deixemos de lado os hipocritas nerds de nova geração de comentaristas chupa-euro que acham que é “profissional” ir lá e ganhar o jogo. Vamos aos fatos.

Não tem porque ganhar o jogo que só premia seu inimigo. E então, você facilita.

Errado?

Não. Normal. Natural. Quase instinto.

Dedé não precisa jogar pra ajudar a rebaixar seu clube formador. Se pedirem, ele joga. Mas foi muito corajoso e nobre de assumir publicamente que tem opinião, posição e que não se importa com o que acham os maus interpretes da fé alheia.

A diferença entre o Dedé e o resto do time do Cruzeiro é que pra não jogar neste final de semana ele tem motivo. Os outros, só vontade.

abs,
RicaPerrone

#OMitodeAzul

Mito são narrativas utilizadas pelos povos gregos antigos para explicar fatos da realidade e fenômenos da natureza, as origens do mundo e do homem, que não eram compreendidos por eles. Os mitos se utilizam de muita simbologia, personagens sobrenaturais, deuses e heróis.

Não se compreende Dedé.

Um zagueiro de seleção que não quer a Europa, mas sim o Vasco. E quando pequeno sequer vascaino era, o que o torna ainda mais respeitável.

Não é uma antiga paixão sobrepondo a razão. É uma relação de gratidão e respeito que coloca Dedé na categoria “ídolo”.

Do baita zagueiro que não precisa ser discutido ao novato na seleção que busca sua vaga em meio a uma geração de grandes zagueiros, Dedé é qualquer coisa, menos covarde.

O jogador que tenta o gol quando não é sua função. Que se esforça pelo clube, que nao corre de decisão, que não foge da coletiva e que não é um cordeiro de assessor. Fala o que pensa, tem voz, personalidade, opinião.

Hoje, quase um pecado. Nunca escondeu que não queria sair. Nem que era preciso aceitar a venda.

Muitos diriam pra torcida do Cruzeiro que “sempre sonharam com este dia”. Dedé disse que queria ter ficado no Vasco, o que pra muito assessor e entendido de marketing é um erro.

Não é.

Se chama personalidade, honestidade, transparencia. Eu aposto o que for que quando Dedé beijar a camisa do Cruzeiro, se um dia o fizer, o cruzeirense saberá que não está vendo uma cena armada mas sim uma demonstração real de amor pelo clube.

Não mentir e fazer tipinho custa caro, mas tem volta. E Dedé só foi recebido hoje como foi em Minas porque o Cruzeiro e os cruzeirenses sabem que contrataram muito mais do que “um zagueiro”.

Talvez, de fato, um mito.

O tímido líder que não se esconde. O jovem que se coloca como veterano e tem a coragem de falar o que não se recomenda, mas se acredita.

Dedé merece cada aplauso que está recebendo. Dos que dizem “adeus” e dos que o recebem.

O Cruzeiro ainda não sabe exatamente o que comprou. O Vasco sabe bem o que vendeu.

abs,

RicaPerrone

 

O último de Dedé?

Poucas vezes uma negociação de um ídolo foi tão clara quando a saída de Dedé. Ele não foi ainda, mas vai. Anunciado pelo treinador quando assumiu, pelo clube e jogador que confirmam as propostas, só não confirmam o acerto, até porque, de fato não aconteceu.

Dedé, do Vasco, o Mito, pode ter feito hoje seu último jogo em Sào Januário com essa camisa que o consagrou. Marcou gol, venceu, cometeu pênalti.

Menos de duas mil e quinhentas pessoas foram dar “tchau” ao que ainda não sabe se vai. Mas se for, terá sido este o último ato em sua casa.

Dedé não pediu pra sair, não tirou o pé, não correu menos e nem se omitiu dos problemas do Vasco nos últimos anos. Foi capitão, campeão, vaiado com o time, aplaudido em pé diversas vezes.

Ídolos são cada vez mais raros e se confirmada a saída para um clube brasileiro inevitavelmente o Dedé do Vasco se tornará Dedé de algum outro lugar.  Não importa.

Sua saída é apenas mais uma bola que ele tira em cima da linha. Acabou a grana, o clube PRECISA de Dedé como moeda, hoje, mais do que como zagueiro.

Beijou a camisa, como quem diz o que não poderá mais dizer quando estiver sob outro manto.

Se o último ou “mais um”, só os próximos dias dirão.

Certeza só de seu futebol, sua postura e sua impecável relação com a camisa do Vasco.

Mais Dedés! No Vasco e em todo lugar.

abs,
RicaPerrone

Coisas que o dinheiro não compra

E juro, não fechei patrocinio pro blog com a Mastercard.  Apenas usei a famosa frase para ilustrar o que imagino ter passado pela cabeça de Dedé na última quarta-feira.

Corinthians, europeus e Cruzeiro querem levar algo impossível de São Januário e pra isso buscam dinheiro. A questão é que Anderson Vital pode até ter um preço, Dedé não.

O vascaíno não enxerga no Mito apenas um zagueiro. Vê um garoto forte, com cara de sério, líder e imponente por instinto, que se preciso muda de posição em campo mas não aceita a derrota com naturalidade.

Dedé, esse que é aclamado como um centroavante sendo beque, não pode sair do Vasco. E mesmo que queira, não sairá.

 

As vezes você escolhe um lugar pra trabalhar e nessa decisão pesa dinheiro, segurança, localização, férias, décimo terceiro, entre outros. As vezes, não.

E eu, você ou seu colega aí do lado não sabemos como isso funciona pois ninguém nos adora onde trabalhamos. E mesmo se adorarem, são poucos, são conquistáveis em outro lugar.

No futebol você carrega nas costas mais do que um emprego apenas. E este é o fator que te faz ganhar 200 vezes mais do que cidadãos comuns. Até porque, convenhamos, alguém adorado por 15 milhões de pessoas que não o conhecem não é comum.

Mudar de clube não é como mudar de emprego. É como mudar parte da sua personalidade.

Anderson Vital pode ser vendido em 6 meses.

Dedé, o Mito, fica no Vasco. Pra sempre.

abs,
RicaPerrone 

[colored_box color=” yellow”]Lembra da entrevista que fiz com o Mito no final de 2012? Não ouviu? Então ouça agora!

Clica ai do lado!  [/colored_box]