demissao

O Papai Noel ideal

Dorival é um cara maneiro. Eu nem conheço, mas tá na cara que ele é um sujeito muito gente boa. Bom pai, bom filho, bom marido. Deve ser um avô do caralho, se for.

Mas quando o jogo termina e ele vai pra coletiva em meio ao caos naquela calma, com aquele ar fofo, cheio de clichês, calmo, sereno, em paz.

Porra, Dorival! Chuta a porta! Mete a mala ai e diz quem tá te fritando.  Tu vai cair, Dorival!

Se por incompetência ou “boicote”, tanto faz.  Tu vai com sua fofura pra casa jajá.

Ah mas o grupo apoia.

Claro, porra!

Tu quer que o grupo vá lá e diga: “infelizmente nosso treinador é pica sonsa, anda com sono, tem o carisma de um pão integral e evidentemente o time é reflexo do comandante.”?

Time que quer ajudar o técnico corre. O teu não corre.

Esse papinho mole na coletiva, a reação absolutamente fria e calma no pós jogo só piora. O torcedor não se enxerga em você, e tenha certeza que a diretoria que te mantém lá também não.

Diretor não entrega cargo, Dorival. Troca quem tá no seu.

Você é um cara maneiro, professor. Deve ser irado ter você pra ser o Papai Noel no natal. Mas pra treinador é f…

abs,
RicaPerrone

Quando não interessa de quem é a razão

Eu não liguei pro Valdir, nem pra nenhum diretor do Grêmio. Tenho no Valdir um amigo, nunca neguei, é meu professor, um cara incrível. E tenho pelo Grêmio um respeito e carinho gigantesco.

Um dos motivos de eu torcer tanto pelo Grêmio atual é saber o quanto esse cara ama aquele clube. Quantas vezes ouvi ele dizer que “lá, eu iria quando chamassem”.  É o time dele.

E ele é a história desse time.

Eu não quero saber quem tem razão, porque como em toda briga os dois devem ter alguma.  O que me importa é acreditar que em momentos assim se olham nos olhos e entendem que tem algo muito maior do que isso em questão.

A Beth Carvalho não pode deixar a Mangueira. O Zico não pode ser dispensado do Flamengo. O Renato só pode sair do Grêmio em comum acordo. E o Espinosa não pode ser “mandado embora”  do Grêmio.

Ainda mais agora, na cara de jogos decisivos, de um ano mágico, de um momento histórico.  Qualquer problema que exista é menor do que a hipótese de ter Renato e Espinosa juntos levando o Grêmio a um título de Libertadores mais uma vez.

Isso é a história, é o Grêmio. É o DNA da porra toda.

As vezes a gente tem razão, as vezes a gente erra. As vezes, ou na maioria delas, temos um pouco de cada.  Mas pelo Grêmio, pelo momento, pelas pessoas pelas quais o clube de fato existe, resolvam isso.

Não me importa quem tem razão quando todos saem perdendo.

abs,
RicaPerrone

Quem é Roger, afinal?

Quando Roger deixou o Grêmio levou com ele os méritos de ter montado um time que tocava bem a bola, fazia contra-ataques fulminantes e perdia pouco.

Pois então os gremistas diziam nas redes sociais: “Ele é bom. Mas o time dele é morto. Não tem tesão de jogar bola. Não define”.

Achei que pudesse ser papo de ex.

Então Roger ficou pra mim e muitos como a melhor opção nova no mercado de 2016 para 2017. E o Galo, melhor time, o contratou.  A expectativa não poderia ser melhor.

Passados 7 meses o Atlético alternou momentos, jamais se firmou, e sofre de “falta de tesão crônica”. E aí pode ser coincidência,  quem sabe?

Mas o Grêmio recebeu o Renato no lugar do Roger e melhorou o que já era bom, tornou todo potencial de controle e posse de bola em gols e ainda vibra.

Teria o gremista uma visão mais clara do professor? Seria o Roger um frígido comandante de times protocolares e sem aquele “algo mais”?

Veremos.

O Roger que imaginamos está mais pro  que os gremistas viram do que nós, de longe.  Mas só o próximo trabalho dele e a sequência do Galo sem ele nos dará essa resposta.

Demissão é justa. O time do Galo pode, e deve, no mínimo, estar entre os 3 primeiros do Brasileirão.

abs,
RicaPerrone

Mais um “culpado”

Rogério Ceni caiu. Era um roteiro simples, bastante comum, previsível até, embora a gente sempre torça para que Renatos e Grêmios aconteçam mais do que Dinamites e Vascos.

O ídolo comandando o clube. A inversão total do sucesso anterior parece simples, mas nunca foi.

A tentativa foi válida, mas surreal quando descobrimos que havia uma multa de 5 milhões pra fazer um teste.  Que teste é esse, meu Deus?

O São Paulo é um clube perdido sem direção desde 2007, quando Juvenal e sua turma assumiram o clube para ganhar campeonato de pontos corridos jogando um futebol de bosta enquanto faziam o que bem entendiam lá dentro.

Os gols camuflam qualquer coisa. O sãopaulino não é diferente da maioria, não vê além do placar. E enquanto os canecos eram erguidos, foda-se tudo.

Eu não sei mais como joga o São Paulo, qual a índole, a linha, os princípios e o norte do clube.  Eu só o reconheço pela camisa e pela casa.

Rogério é mais um encontro do nada com coisa nenhuma.  O clube que não sabe qual a sua filosofia com treinadores que chegam lá e encontram filosofia nenhuma. Logo, em questão de meses, nada dá certo.

A Taça de bolinhas que “sequestramos”, o futebol que deixamos de jogar, as tradições que deixamos de honrar e até mesmo a escrota vontade de ser o que não é, como o “vermelho cor da raça”.

Ninguém sabe quem é esse clube.

Rogério, Dorival, Leco, Juvenal. Tanto faz. Pode trocar mais 200 vezes, em todos os setores e direções.  A única coisa que dá certo no São Paulo é ser São Paulo.

Pegamos uma geração de filhos de conselheiros deslumbrada com o “soberano” e transformamos em “soberba”.  Uma torcida mimada que vê duendes, um estádio que ficou pra trás, um cenário político tosco, com corrupção e expulsão de presidente.  Um time que joga por jogar, que não faz novos ídolos e vive de tentar busca-los de volta.

Podem trazer o Tite, o Papa, o Padre Marcelo. Tanto faz.

Não é quem está ao nosso lado. O problema está conosco.

abs,
RicaPerrone

Não há “outro Cuca”

Tem um cara no futebol que eu sou “apaixonado” em ver trabalhar porque ele é igualmente apaixonado pelo que faz. Esse cara deixou o Palmeiras em dezembro e naquele momento eu escrevi aqui que o elenco poderia ser o que fosse, não haveria substituto para o Cuca.

O Eduardo, coitado, “desfilou depois da campeã”.  Não adianta, nada será tão bom quanto. A Sapucaí está enlouquecida e nada que venha a seguir os fará surpresos.  No máximo, os manterá em pé.

O Palmeiras não demitiu o Eduardo sem saber o que está fazendo. Eu sou capaz de apostar que o Cuca está contratado, ou talvez outro nome da confiança dos caras. Mas demitir no meio do caminho sem ter nada consideravelmente melhor em mãos, não acredito que fariam.

Também não sou desses que vou achar um absurdo não.  Se me oferecessem o Cuca, eu demitiria até o Ceni.  É a melhor opção possível pra um time brasileiro com sobras.

Vou além. A avaliação de DESEMPENHO não é incontestável. Pelo contrário, o Palmeiras rende menos do que poderia/deveria e tem conseguido resultados na base do drama, não do time bem organizado que controla os jogos.

O Palmeiras fez algo “arriscado”, mas eu que sou capaz de apostar que fez com alguma garantia. Algum telefonema derrubou o Eduardo, e não a queda do Eduardo os fará ligar pra outros treinadores. Mero palpite.

abs,
RicaPerrone

Ceni, a mídia e o futuro

“Ah mas a mídia protege o Rogério Ceni!”. Sim, é verdade.  Temos medo de falar mal dele porque ele é um verdadeiro maestro da torcida saopaulina e ao responder um de nós, joga toda a massa tricolor contra aquele sujeito. Temos medo dele.

Não é como um treinador que você contesta, elogia e segue o jogo. É alguém que você não pode errar. Um alvo fácil que só tendo muita coragem vai te fazer atirar.

Seu trabalho é bom? Não muito. Começou empolgante, virou conturbado, hoje é bem contestável. Mas entre o massacre ao capitão e as opções há um meio termo. O bom senso.

Goste ou não do que está fazendo o Rogério, ele tem que ficar lá.

Porque? Você é maluco?! Qualquer outro teria caído hoje após o jogo!

Sim, mas o Rogério passa quilômetros de ser “qualquer outro”, convenhamos.

E se o cara foi colocado ali por acreditarem no projeto, na idéia nova, nos conceitos de quem conhece o clube, blinda-se no cargo pelo histórico e pelos gringos que vem com ele, então mantenham!

O Corinthians ganhou tudo porque manteve o Tite quando era óbvia sua demissão. Não comparando, mas é a hora que você sai da mesmisse.

Qualquer clube demitiria o Rogério.  O São Paulo não é qualquer clube e se quiser fugir do lugar comum de fazer “qualquer ano”, é importante que siga correndo o risco que bancou há 4 meses.

Morra abraçado a uma tese, mas morra tendo feito uma aposta. A aposta já foi feita, e recuar agora é excluir uma filosofia ainda nem implementada totalmente para ir buscar… um Mancini? Um Doriva? Um Roth?

Não. Definitivamente, não. Deixa lá o capitão.

abs,
RicaPerrone

Desempenho acima do resultado

Cobra-se do futebol um melhor critério de avaliação na hora de demitir pessoas. Eu concordo, tanto concordo que acho a demissão do Micale justa.

Porque ele não merecia créditos após o ouro olímpico? Não. Porque a seleção conquistou o ouro sem jogar um bom futebol.  Acontece? Sim, pra caralho, o tempo todo.

A gente tem “pena” de analisar qualquer coisa fora do placar do jogo e na mesma frase ainda cobramos que “resultado não é tudo”. Não é mesmo! Treinador é parte do processo, e o time precisa ter padrão, posse de bola, oferecer perigo e correr poucos riscos. É pra isso que se trabalha numa seleção brasileira.

Micale tem muito futuro, mas não fez o time jogar bem. Ele ganhou, é diferente.

Não adianta muito vir reclamar de “7×1” quando se faz do Muricy e seu futebol horroroso uma referência de sucesso. Ou quando se coloca Parreira, Renê Simões e outros em patamares surreais por algo que o talento dos jogadores lhes deu.

Time bem treinado joga bem. Não precisa dar espetáculo, mas joga bem.  E o Brasil do Micale não jogou bem nas Olimpiadas e ficou fora do mundial. Demissão é justa e coerente.

Ele chegou lá com justiça, mas também sai justamente.

abs,
RicaPerrone

Os malditos resultados

Toda vez que alguém ganha alguma coisa no futebol essa pessoa é elevada a um patamar que normalmente não merece. Quando perde, mesma coisa. Vira um “lixo” que também não é justo.

Marcello Oliveira é mais um dos treinadores julgados no Brasil por uma mídia especialista em FIFA Soccer.  Achamos que quando ganha um time, é um cara que vai lá e faz ganhar. E que quando perde, ele que errou e apertou o botão errado. Não é bem isso. E se o futebol fosse avaliado por DESEMPENHO e não por resultados, muito treinador cairia antes da hora e outros tantos seriam mantidos mesmo perdendo.

Marcello fez no Galo o que fez no Palmeiras: nada.

Seu time joga um futebol tosco, sem nenhum entrosamento, nenhuma jogada trabalhada e é 100% dependente de jogadas individuais. Marcello não acrescenta nada de novo ao futebol brasileiro, e o conceito moderno tático e coletivo passa longe da cabeça dele.

“Ah mas ele ganhou…”. Ok, legal. Outros tantos ganharam e isso não diz nada. O que diz não é apenas o resultado mas sim o desempenho.

Eu costumo dizer que um trabalho de treinador é bem avaliado quando o time vai melhorando. Quanto mais ele trabalha com aquele grupo, melhor o time joga. Marcello fez alguns times jogarem bem e piorou todos eles ao longo do tempo. Mesmo no Cruzeiro, quando bicampeão, terminou o segundo ano jogando só com bola na área.

É o que sempre critiquei no Muricy no tricampeonato. O SPFC de 2005 voava. Ele assumiu em 2006, o time foi bem. 2007, ok. 2008, se arrastou pra chegar.  Em 2009 acabou de vez.

Isso é avaliado como trabalho ou resultado?

Marcello tinha que ter sido cobrado há meses, questionado toda semana pelas atuações do Galo e demitido contra o Juventude.  O Atlético esperou demais os resultados com medo, talvez, do que a mídia diria.  Pois agora falam do 3×1 em casa, e nem pelo resultado, mas pelo “baile”.

Acertou. Tarde mas acertou. Marcello não tem nada de novo.

abs,
RicaPerrone

Missão cumprida

O que queria o Inter quando chamou Celso Roth era óbvio. Você coloca o acertador de defesas a curto prazo, pontua um pouco em no máximo 10 jogos e em seguida é queda livre.  Os 10 dessa vez foram 4, o Inter voltou a despencar e esperaram quase um turno inteiro pra demitir Roth, que em 2001 era ultrapassado, hoje tomou 2 voltas da maioria.

Se na matemática é simples –  basta superar o Vitória – na realidade a coisa não é tão agradável. Faltam 3 jogos, o Inter deve enfrentar um Corinthians que ainda olha pro G6 enquanto o Vitória pega time já rebaixado em casa.

Depois, em casa, o Cruzeiro. Mas o Vitória pega o Coxa, também de férias.

Na última rodada, onde tudo indica que o Palmeiras estará de ressaca, o Vitória joga em casa e resolve sua vida. O Inter pega o Flu, fora, talvez ainda brigando por algo.  Imaginemos que os 2 times ganhem as 3 partidas, o que é difícil imaginar pra quem não bate Santa Cruz e Ponte em casa.

O campeonato seria resolvido no saldo. Hoje, por menos gols pró, o Inter cairia. E infelizmente após Argel, Falcão e Roth, não dá pra chamar de “azar” e nem se fazer de assustado.

O Inter fez escolhas que o levaram até onde está. E boa parte delas foi feita exatamente por não acreditar ser possível viver o que está vivendo.

O que mais dá esperança não é tabela, jogador, centroavante, treinador e nem macumba. É a camisa.  Se não pelo peso dela, o Inter hoje não tem nenhum motivo para fazer seu torcedor acreditar que continuará sendo um dos “incaíveis”.

abs,
RicaPerrone

Scarpa não mantém cargo de Levir

Porque há algum tempo dá pra olhar pro campo e notar que o Fluminense não tem grande coisa. E se não tem no papel, tem menos ainda no coletivo treinado.

O time em 8 meses de Levir é a mesma coisa: Scarpa.

Ele cobra, ele cruza, ele acha um lance. Quando não acha, um drible qualquer desequilibra.  O Fluminense é uma vítima dos sorrisos simpáticos que blindam um treinador de criticas no Brasil.

Costumo dizer, até porque já cansei de ver:  Seja simpático com jornalistas e 80% do trabalho estará feito e reconhecido. Os outros 20%, só sendo bem ruim pra não conseguir manter.  Levir é muito simpático, e por isso seu trabaho durou até aqui sem grandes contestações.

Olhando pro Galo nas mãos do Marcello Oliveira, notamos talvez que não seja o Levir, mas sim o Galo. Afinal, troca o treinador, mexe no time e os caras se mantém fortes e brigando por tudo.

Levir fechou duas pontas importantes: a imprensa e o chefe.  Ajudou a derrubar Fred, desejo antigo do Peter, e só lhe faltou um time bem treinado. Após 8 meses os bonus pelas duas relações favoráveis acabaram e, enfim, foi cobrado pelo tosco futebol apresentado.

É tarde. Talvez não adiante mais.

No saldo, Fred saiu, Levir ficou, o time não foi a lugar algum e começa 2017 buscando um novo projeto, porque desse aqui nada se leva. Uma demissão mais do que justa.  Levir não apresentou nada no Fluminense.

abs,
RicaPerrone