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Oficializando os fatos

Flamengo e Luxemburgo formavam um casal que há 2 meses dormiam em camas separadas. O divórcio era óbvio e já havia acontecido, mas pra fora ainda pareciam um casal.

As divergências do “projeto Flamengo” eram evidentes, muito relevantes e separaram os dois lados. Luxemburgo quer participar de quase tudo, a diretoria do Flamengo quer que ninguém participe de quase nada.

Ao ponto de reforços serem negociados sem o treinador saber. Ao ponto dele descobrir e cobra-los por isso. Essa relação de confiança não existia mais há algum tempo.

Você não pode ter um projeto com um treinador se planeja o futuro sem consulta-lo.  Luxemburgo não faz parte dos planos do Flamengo. Ao perceber isso, a relação ficou insustentável.

Luxemburgo não está sendo demitido porque o time é ruim, pelas alterações que fez nos últimos 3 jogos ou pela derrota de domingo. O buraco é bem mais embaixo.

Tanto que, segundo notícias da Globo, o Rodrigo Caetano, diretor de futebol, não participou da decisão da demissão.  É mais um que amanhã ou depois pode não concordar em ser excluido de situações tão relevantes ao seu trabalho.

A filosofia rubro-negra de uma gestão mais profissional e séria passa por alguns conflitos culturais do futebol.  Se estão certos ou errados, só o tempo.  Mas muitos “luxemburgos” serão demitidos até que tenhamos essa certeza.

abs,
RicaPerrone

Como caiu Ricardo Drubscky

Foi uma contratação de risco. Na minha opinião, um erro.  Mas pra evitar outro erro a diretoria do Fluminense preferiu se colocar como “culpada” do que deixar o time perder mais jogos.

Explico.

O treinador cometeu um erro grotesco interno. Chamou o grupo, fez um discurso derrotista, disse que nem mesmo se ganhasse domingo saberia se ficava no cargo. Os jogadores reagiram muito mal, óbvio.  E entre várias coisas ditas, o que Ricardo conseguiu passar pro grupo foi: “Eu não sei como comandar vocês”.

A reação instantânea do time foi levar a insatisfação a diretoria, mesmo que informalmente.  E olhando o cenário após um 4×1 com um grupo que acaba de perder a confiança no treinador, tinham duas escolhas:

1) Esperar ele perder mais 2 jogos e colocar tudo nas costas dele e demitir “fazendo o que a torcida quer”.

2) Assumir o erro em contrata-lo e demitir agora, evitando talvez as próximas derrotas.

Erram, mas erraram sem covardia. E pensaram mais no clube do que no emprego deles, dirigentes. O natural era dar a corda pro Ricardo se enforcar e depois “agradar a torcida” com a demissão.  Acho que o Fluminense correu um risco ao contratá-lo, deu errado, mas parou na hora certa.

Segue o bonde. E alguém vai ter que pegá-lo andando.

abs,
RicaPerrone

Vai pra casa, Felipão!

Felipão, se eu pudesse dar um palpite na sua vida seria: “vá pra casa!”.

Esquece essa merda toda, vai gastar os zilhões que você conquistou sendo um dos mais vencedores do planeta nos últimos 30 anos e desliga a tv. Não leia jornais, não abra a internet.

Eu acho que você foi mal na Copa de 2014. Mas daí a achar sequer razoável o que o país faz contigo desde então, outros 500.  Brasileiro não tem memória curta. Ele sequer tem memória. Se tivesse, talvez aliada a vergonha na cara, Collor não estava ai, entre tantas outras aberrações.

No meu mundo ideal Felipão seria estátua, nome de avenida e um sujeito aplaudido onde fosse.

“Ah mas o 7 a 1!”

Porra, pelo amor de Deus! O cara é campeão de tudo, por onde passou, inclusive pela seleção.  Deu errado dessa vez, critiquemos, passou, pronto.

Foi pro Grêmio tentar fazer sei lá eu o que. Não foi por dinheiro. Mas com esse time não faria, e não fez.  Pediu pra sair, é melhor assim.

Você leva 20 anos pra construir uma história e 20 minutos pra destrui-la. Essa é a mentalidade do brasileiro em relação a futebol. Nosso complexo de vira-latas termina na entrada de um estádio. Dali pra dentro somos os donos de tudo, temos que fazer o impossível e ainda assim saímos reclamando que não tá bom.

Desiste, Felipão.

Você é parte da história do futebol brasileiro, portugues e mundial.  Mas agora não! Quando num caixão, único lugar onde um brasileiro reconhece um ídolo, terá os aplausos que merece.

Mas por enquanto, vai pra casa.  Aqui você não tem mais nada pra ganhar e muito a perder.

abs,
RicaPerrone

C.R. Perdidos

Dá pra dizer que o Flamengo é um time perdido em campo. A tabela indica isso com considerável folga pra interpretações ainda piores.  Mas fora dele, acreditem, parece estar tanto quanto ou ainda pior.

Não desconfio da boa fé de quem assumiu o clube, menos ainda da boa gestão financeira dos caras. Mas da capacidade de gerenciar futebol, tenho absoluta convicção que  não é a deles.

André Santos está mal desde que chegou. Anda em campo, se arrasta, parece estar fazendo o favor de jogar.  O clube tem 40 dias pra enxergar o óbvio do óbvio. Não enxerga, se faz de bobo, volta, vê tudo acontecer conforme previsto, espera uma agressão a um jogador para, então, tomar providencia.

E não me diga que não tem a ver. Claro que tem! André é cobrado há meses. Só no momento em que toma um pontapé covarde de um grupo é demitido?

E o diretor de futebol dando coletiva dizendo não saber do assunto enquanto o jogador já fala com a imprensa e conta da sua demissão? É um teatro dos mais patéticos que há.  Não tem necessidade alguma de chegar a esse ponto sabendo desde maio qual seria o roteiro de julho.

A demissão mais justa do Flamengo nos últimos anos acontece no único momento em que ela poderia ser injusta.

E acabou sendo.

André Santos tem agora 8 jogos, não pode atuar por outro clube, teve 1 mes pra ser dispensado, não foi e agora, agredido covardemente, está sem clube pra jogar.

Isso, em outros tempos, seria rotulado de amadorismo. Mas num ambiente que arrota profissionalismo fica parecendo “detalhe”.

As vezes eu acho que o Flamengo é aquele moleque de rua que mesmo quando tu dá um salário, um terno e uma gravata ele tira o sapato pra jogar descalço. Porque é só assim que ele sabe jogar.

abs,
RicaPerrone

Burro!

Felipão tem 65 anos, a idade do meu pai. Poderia ser meu pai.

É tecnico de futebol há muitos anos e não há qualquer exagero em citá-lo como um dos maiores vencedores da história do futebol brasileiro.  Não há qualquer contestação sobre a importância deste sujeito ao nosso futebol quando se coloca o cara no auge da história de clubes como Grêmio e Palmeiras, além de um título mundial pela seleção.

Dizem os mais “entendidos” que ele não foi bem na Europa.  Meu Deus! O que é isso? Ele pegou uma seleção que sequer se classificava pra Copas, levou ao quarto lugar de uma, a final de uma Eurocopa e foi o cara que mais treinou a seleção portuguesa em sua história.

É um ícone por lá.

Mas não. Ou ganha, ou ganha. Seja com o Criciúma ou a seleção brasileira. Só importa ganhar.

Ops, mas com o Criciúma ele ganhou uma Copa do Brasil.

Aliás, ganhou outras 3.

Felipão pode ou não levar sua simpatia e aprovação.  Mas seu respeito, é o mínimo.  Um trabalho ruim não pode tornar 30 anos de incontestável capacidade numa porcaria.

Se é assim que tratamos nosso futebol e seus protagonistas, de que estamos reclamando afinal?

Que saia, que se aposente, que assuma um clube ou que vá vender cachorro quente na praça em Porto Alegre. Mas que seja sempre lembrado e tratado, no mínimo, como um ídolo respeitável.

Porque se realmente passa pela cabeça de alguém que sentado numa mesa com um microfone ou um computador na frente sabe mais que o Felipão, é oficial:  Há um burro em pauta.

abs,
RicaPerrone

A crise que a imprensa criou

O Flamengo perdeu para o Fluminense e arrumou o motivo que queria para trocar de treinador.  Nada que nenhum outro clube não faça 2 ou 3 vezes ao ano.

Não abriu a boca para demitir Jayme e nem anunciar Ney Franco durante todo o dia. Mas sabendo da intenção, a mídia noticiou o que conseguiu apurar graças a alguém que vazou a notícia lá de dentro.

Só que a notícia correta é que o Flamengo estava negociando com Ney e demitiria Jayme mais tarde, não que ele havia anunciado a demissão do Jayme antes de falar com ele.

Durante o dia, como muitos, li que o clube havia anunciado a troca. E então, é claro, achei vergonhoso o treinador não saber disso.  Mas era mentira. Uma mentira colocada como oficial na maldade de criar uma polêmica entre técnico e clube para desestabilizar a situação e vender jornal.

As 18h30 o Flamengo ligou para Jayme e o demitiu. As 19h, anunciou para a mídia.

Não há absolutamente nada de errado com o que fez o clube. Demite-se um funcionário após falar com ele e ponto final. Vazou? Vazou. Mas até ai pode ter sido da parte do Ney, não do Flamengo. Vai saber.

É anti-ético falar com um treinador antes de demitir o outro? Não sei. Honestamente, não sei.  Mas anormal, digno desse auê todo, não é.

Aí, separadamente, vem a questão da demissão ser justa ou não. Que nada tem a ver com o fato da situação ter sido mal conduzida pela mídia. Ate as 18h30, a notícia de que o clube havia demitido Jayme sem ele saber não era verdadeira. Ele foi demitido as 18h30, por telefone, como qualquer pessoa seria.

Não me lembro de nenhum conhecido meu ter recebido uma carta pela manhã avisando que durante o dia ele poderia ser demitido.  Isso não existe. É utopia, hipocrisia e vontade de fazer barulho.

A demissão é justa?

Não acho. E aí sim, cabe discutir o conceito da diretoria.

Pra trocar de treinador toda vez que vai mais ou menos, pra pedir ao torcedor doações e não vender um produto de Socio Torcedor, pra colocar preços absurdos e piorar o time de um ano pra outro, pra se dizer diferente e fazer, no futebol, igual a todos, não precisava de terno, gravata e de tanto curriculo.

A diretoria do Flamengo é a consultoria financeira dos sonhos. Mas na área do futebol, é igualzinha a todas as outras. Perdida, acha que pode controlar resultados, acredita que futebol é um produto simples e comum, não entende a relação torcedor/clube e só enxerga números.

Você pode demitir o Jayme e anunciar o Tite. Poxa, seria uma justa tentativa de colocar alguém melhor no lugar.  Mas demitir o sujeito que perdeu o melhor jogador, alguns em contusão, não ganhou reforços e ainda pra colocar o Ney Franco?

Aí o torcedor tem todo direito de achar que está diante de uma diretoria “como as outras”. Pois é isso que fazem todas as outras.

Não é pelo Jayme, talvez. Mas sim pelo Ney.

Seis por meia duzia, com juros enormes cobrados pela mídia que fez da troca uma crise e transformou a diretoria dos sonhos em monstros cruéis.

Ou seja, a troca saiu cara de véspera.

Ney Franco é bom. Mas é comum. O Flamengo não é comum. E portanto…

abs,
RicaPerrone

Kleina não basta

Gilson Kleina tem 46 anos, é técnico há 13. Nunca fez nada de muito destaque, passou por 16 clubes sendo o Palmeiras seu primeiro grande.

Fez um ano de 2013 onde não  jogou uma boa Libertadores, nem péssima. Comum.

Um estadual comum. Nem chegou a final.

Um brasileirão da série B comum, campeão, com o maior número de derrotas de um time grande na série b.

Fez novo estadual comum, nem na final, e começa um brasileirão sem encontrar substitutos para incrível perda de “Alan Kardec”, que com todo respeito, não pode causar todo este transtorno a um clube como o Palmeiras.

Prestes a ver sua casa reerguida e imponente como deve ser, o Palmeiras precisa se enxergar como de fato é.

Grande, diferenciado, incomum.

Kleina não é ruim. É comum.

Não dá pra imaginar o líder de um clube dos mais vencedores do mundo na figura de alguém tão comum.

Para ser Palmeiras foi preciso se diferenciar ao longo da história até ter chegado ao fundo do poço, quando se tornou “mais um” temporariamente.  Não é este o destino, a história, menos ainda a expectativa.

Para um Palmeiras enorme, um líder no mínimo diferenciado.

Não era Gilson Kleina.

Que não foi mal. Foi comum.

Imperdoável num time grande.

abs,
RicaPerrone

Sobrou pro treinador

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Eu detesto política no futebol, especialmente levá-la ao torcedor. Acho que promove quem não interessa, tira uma dose de mística da coisa e joga muita verdade no que é mantido por sonho e paixão.

Não ignoro. Apenas não exploro.

Renato Gaúcho foi demitido hoje pela manhã e discute-se desde então se ele dava treinos ou rachão. Se era melhor com Sobis ou sem, e se o treinador dava o rumo tático ideal pra equipe.

Porra nenhuma.

A demissão do Renato é mais uma no natural processo de troca de ciclo que Flu e Corinthians se recusam a entender.  Todo time campeão após alguns anos pára de ganhar e não há treinador que arrume. Chama-se “acomodação”.

Não tem nada a ver com nada. Na real este grupo só não tem a mesma fome que tinha há 4 anos e nada os fará sair da zona de conforto natural que o ser humano entra após conquistar muita coisa.

Justifica a série B? Não.

Mas passa pela sua cabeça, torcedor, que o Fluminense tenha perdido de 3 pro Horizonte por algum problema tático?

Acho que não, né?

Abel, Luxemburgo, Renato. Pode trocar quantas vezes quiser.  Um departamento de futebol desgasta naturalmente e nenhum time, tirando o Santos de Pelé, ganhou mais de 5 anos (em média)  sem haver uma queda natural até encontrar um novo grupo disposto a recomeçar toda esta fase.

Não são “irresponsáveis”. É natural. Você talvez não tem idéia do que é um ambiente de grupo de futebol, com ego, treino, pressão, mídia, resultados, troca de diretoria, interesses de empresários, etc.  Não é o BBB. Há um desgaste muito forte.

O ciclo talvez tenha terminado. Talvez esteja passando por uma troca de líderes e referências, enfim.

Não é o Cristovão, o Joel, o Renato ou a puta que pariu que vão chegar com uma varinha mágica e resolver desde o problema de relacionamento entre Unimed e clube até a zaga que não se encaixa e o ataque que não se movimenta.

A demissão de Renato é fruto, também, – e eu diria que principalmente –  de uma pressão interna forte para que o Flu se posicione contra as intervenções impostas pela patrocinadora.

É um “recado”. Um posicionamento. Um “basta”.

Não é o rachão. É mais do que isso.  A demissão de Renato Gaúcho é uma ação política interna necessária para estabelecer limites de um dos lados.  Também normal. Acontece em toda co-gestão.

O sensacionalismo com que isso é tratado nem é maldoso.  As pessoas formadas para levar notícia até você não tem idéia do que é gerenciar empresa, negociar situações, gerir marcas, e principalmente administrar paixão.

Nada do que está acontecendo no Fluminense é estranho, pouco previsível e incomum. Ao torcedor vai parecer o fim do mundo, como aliás, toda derrota domingo parece.

Mas o torcedor não pensa, só torce. Quem deve pensar são os que administram. Quem entra no futebol tem que saber que ninguém vence o tempo todo e que nem todo problema é facilmente identificado e solucionado.

Ja faz mais de um ano que o Fluminense está tentando entender porque parou de funcionar. Desconfio não ser o treinador.

E apostaria alto que, no fundo, eles também.  Mas antes de tudo isso há uma satisfação a ser dada entre parceiros, um recado a mídia e uma justificativa pro torcedor.

Essa é tua, Renato.

abs,
RicaPerrone