diniz

Nunca esteve certo

O impulso jornalistico sempre te joga pra manchete que gera clique, que gera fama, que gera dinheiro. É compreensível. Mas no futebol existe uma coisa que qualquer idiota com 2 meses de estágio percebe: falta assinar.

E assinar, irmão, no futebol, é a única coisa que realmente fecha um negócio.

Basta um telefonema. Pronto, mudou. Proposta maior. Ele vai.

Ancelotti nunca esteve acertado com a CBF. Ele ouviu a CBF e disse que, quando fosse renovar com o Real Madrid, daria prioridade pra proposta da CBF por se tratar da seleção.

E aqui vão dois jogos. O da mídia de levar a informação vinda da CBF, que vai te pautar conforme o que convém pra ela, e o do treinador em deixar isso vazar pra ganhar aumento.

Porra, juvenil!

Claro que o Real ia oferecer o aumento. E é claro que ele usaria a maior seleção do mundo pra renovar o contrato dele.

A CBF do Ednaldo foi a mais absurda CBF de todas.

Mas e agora? Agora o Mourinho recebeu uma ligação. Se foi da CBF anterior ou da que vem aí, honestamente não sei e não farei sensacionalismo na manchete pra te prender. Mas se for da nova pode haver algo.

Diniz? Ou você dá 4 anos pra ele ou não dá nada. Todo mundo sabe que demora pra funcionar. E portanto ou você o garante o cargo ou nem começa.

Hoje quem se fode é o Flu, que monta o time de 24 sem saber o seu treinador. E pior: sem ter pra quem perguntar, porque nem presidente a CBF tem.

Haja mico.

Rica Perrone

Os “loucos” e o juri

A vida é como um jogo de futebol. Tem 50 pessoas fazendo acontecer, uns 3 mudando o mundo e 80 mil em volta aplaudindo ou vaiando como se pudessem fazer melhor.

Os “loucos” nem sempre vencem. Mas quase todo vencedor é “louco”.

Porque pra maioria mediocre é “loucura” o que você está fazendo até que termine de fazer. Não porque esteja errado, mas porque está acima da compreensão da maioria.

Óbvio, não fosse assim seriamos todos iguais. E não somos. Existem os que seguem o padrão e quem refaz o padrão.

Jobs não ouviu ninguém. Enzo Ferrari não ouviu ninguém. Aliás, 99% das pessoas de sucesso nunca ouviram ninguém e fizeram exatamente aquilo que elas achavam certo.

Talvez esteja ali a diferença brutal entre vencedores e perdedores.

Não necessariamente talento, mas coragem.

99% das pessoas que te julgam não tem ideia dos seus porques. 99% delas podem até concordar com você mas não tem coragem de assumir pois isso seria um atestado de covardia.

Os loucos mudam o mundo. Os normais só o mantém.

Manter a bosta que estamos, convenhamos, não deve ser um grande negócio.

Eu não sei se você gosta do Diniz. Eu mesmo tenho restrições ao trabalho dele em alguns aspectos. Mas ignorar que ele acredita no que faz mesmo diante do inimigo mais forte é tão ou mais covarde do que esperar a derrota para ataca-lo.

Sabe porque a maioria das pessoas pensa A e vê o mundo agir como se o que pensa a minoria fosse verdade absoluta? Porque as minorias são obrigadas a ser corajosas pra sobreviver.

Nem sempre ser corajoso é um ato inteligente. Mas menosprezar a coragem pra aturar sua covardia no espelho é o mais baixo que alguém pode chegar.

E chegamos. Todos os dias, em todas as áreas.

Talvez por isso a gente passe a vida criticando Romário, Neymar, Zagallo, Felipão e tantos casos de absoluto sucesso rotulados dia após dia por uma massa de fracassados.

Eu não sei se concordo com o que eles pensam. Mas eu respeito até a morte o fato deles fazerem o que pensam.

Ou você nunca ouviu a celebre frase “o Neymar é um merda”, dita por um vizinho que deve 3 meses de aluguel?

Então.

RicaPerrone

Pai, acabou!

Pai,

Espero que esteja bem onde estiver. Hoje trago a notícia que você mais esperou nos últimos 15 anos, e não, não é outro neto. É só a sua carta de alforria.

Sei que você, como eu, é um escravo de 4 de julho de 2008. Embora o senhor tivesse vivido a Copa de 50, sabemos que a dor de um bando é mais dolorosa que a dor de todos quando você faz parte dele.

Você saiu daquele jogo com lágrimas nos olhos mostrando uma fragilidade emocional que eu desconhecia. E hoje eu choro com seu neto no colo saindo do Maracanã, de onde acho que nunca saimos desde aquela noite.

Eu queria te agradecer, pai. Não fosse você eu não teria o Fluminense na minha vida. E não fosse por isso seu neto também sequer teria vivido a primeira insonia da vida dele ontem.

Foi parecido, pai.

Viramos jogos absurdos, passamos o rodo na primeira fase, jogamos pra frente, bonito, no chão, como você dizia que deveria ser.

Agora a final é uma só. Igual na Europa, só que aqui não dá certo. Ainda assim está mantida. Eles escolhem o local da final um ano antes e anunciam. Quando falaram “Maracanã” pra 2023 todo mundo olhou pro rival, mas a gente sabia que a história não estava ali.

Você empurrou daí o Valência, né? Eu quero acreditar que sim. Pelo menos foi isso que contei pro seu neto, que hoje o tem como herói do título pela intervenção.

Nosso Thiago Silva se chama Nino. Nosso Thiago Neves é o Ganso. Nosso Washington é o Cano, um argentino, quem diria?

O Renato de 2023 é o Fernando Diniz. Ele é maluco, pai! Tira zagueiro, coloca atacante, chegou a seleção até. Mas esse foi o primeiro título grande ele. Nós o adoramos, pai.

Eu daria o mundo pra te abraçar hoje. Mas ainda que não possa te tocar, posso ao menos tentar te contar.

E foi isso, pai. Ganhamos! Somos campeões da América.

Acabou. Pode descansar em paz. Você não estava maluco, o Fluminense foi mesmo campeão da Libertadores. Só que demoraram 15 anos pra confirmar o que a gente viu e disseram não ter acontecido.

Te escrevo de novo no Mundial. Quem sabe?

Saudades.

Dedicado a todos os tricolores que estiveram com seus pais em 2008 e não puderam abraça-los em 2023.

RicaPerrone

Sem pânico

Óbvio que também estou chateado. Mas não consigo entender o pânico midiático que parte dos torcedores caem pra venda de cliques.

Perdemos um jogo. “Oh meu deus! Que terrível”.

Jogamos muito mal. Mas o que há de tão absurdo num time limitado como o que temos numa troca radical de comando e filosofia de jogo diante de um grupo que tem de sobreaviso que o treinador não será esse?

A CBF cava seus problemas.

Se é por um ano, que fosse alguém mais parecido com o Tite. Se é pra ficar, que efetive.

Imagina a situação do Diniz estando ali sem projeto pra Copa do Mundo e tentando mudar a forma do time todo jogar? É uma gestão de grupo muito radical.

Eu odiei o que vi ontem. Principalmente porque os jogadores não tem a atitude de tomar as rédeas do jogo e compensar qualquer problema coletivo.

São muitos mocinhos, nenhum “bandido” e eu nunca vi poster de mocinho no futebol.

Precisamos de líderes. De raiva, sangue nos olhos.

Aquele time que não suporta perder. E esse, comprovadamente, suporta.

Gente que sabe perder aprendeu com a prática. Eu não confio em time que perde com naturalidade.

Mas essa pica não é do Diniz ainda. Vocês, jogadores, são ainda os responsáveis. Porque treinador novo nenhum manda errar passe de 3 metros…

RicaPerrone

Diniz requer confiança e persistência

Nunca foi do dia pra noite. Toda grande mudança vem com confiança e persistência.

Cuca, Telê, outros tantos, levaram anos para conseguir o resultado do que acreditavam. Conseguiram. Diniz tem uma proposta única, que gosto, discordo em alguns pontos, mas respeito na medida em que ele insiste nela.

Você não pode mudar de idéia o tempo todo. Pode fazer ajustes, repensar etapas, conceitos, mas não desistir é parte fundamental de uma mudança.

Se o SPFC ouve torcedor e parte da mídia e demite Diniz, prova que não sabe o que está fazendo e que não acredita no projeto. Tem que manter. E mais do que manter: deixar claro pro elenco que ele vai ficar. E se alguém não se adaptar, que saia.

É assim que dá certo. Só assim.

Pode ser no SPFC, pode ser em 10 anos. Mas eu acredito na idéia do Diniz. Uma hora os 10 centimetros que separam a bola na trave do gol vão sumir e então teremos um futebol bem jogado, protagonista e vencedor.

Não é isso que buscamos de volta? Pois então que se apoie.

RicaPerrone

Diniz? Sem muro!

Não sei se no lugar do Leco eu arriscaria tanto. Mas de fora, sabendo que o que está na reta é deles e não meu, gosto da escolha.

Diniz é 8 ou 80. Ele tem algo, porém, que me lembra o Telê.  Ele não abre mão do que ele acredita por causa do resultado. Telê foi chamado de burro e pé frio por 20 anos até chegar no SPFC e ganhar tudo daquela maneira.   Eu não sei se concordo, mas sei que gosto de quem acredita no que está fazendo.

O Fluminense jogava bem mais do que podia. A bola não entrava, o time perdia por um lance e falta de qualidade técnica. Mas o time comprou o barulho do Diniz.

Se o SPFC comprar, qualidade técnica tem. E talvez ali teremos um encontro de uma idéia nova com um time talentoso.

Porque não?

É um treinador de rápido diagnóstico. Você sabe rapidamente se o time comprou ou não. E se não comprar, pode demitir em 1 mes porque não vinga nem a pau.

Mas se comprar, com Hernanes, Daniel, Pato… gosto do que posso imaginar ver em campo.

RicaPerrone

Rumos


O que fode o futebol brasileiro é a troca de poder nos clubes. Fossem empresas com dono teriam direção, não sendo se tornam um avião sem plano de vôo.  Hoje pra leste, amanhã pra oeste, a gasolina nunca acaba embora seja mal administrada.

Na real esse avião é movido a paixão e por isso nunca cai. Caso contrário, meus caros, já teriam caído (e não me refiro a divisão) os 300 aviões que nosso futebol ostenta.

Flu manda Diniz embora. Quer Oswaldo.  Troca brutal de conceito. Questionamos. E a resposta é óbvia: o conceito Diniz não foi uma opção dessa diretoria. Logo, não há incoerência pessoal embora seja brutal a institucional.

O Flu? Não. Pessoas. É assim que o futebol brasileiro funciona.

Entre a dúvida do novo e o limite conhecido do antigo, sou sempre a favor do novo. Prefiro pegar um treinador da série B do que um medalhão. Mas a gente conhece o Celso e o Mário de longa data. Se eles pudessem o Flu estaria em campo hoje com Marcão, Thiago Neves, Thiago Silva e Fred.

Ele tem a idéia de que o medalhão é quem garante resultado. Justa, foi assim que ele ganhou 2 brasileiros. Desatualizada, na medida em que hoje o Flu não tem um time capaz de decidir na técnica individual.

Gosto do Oswaldo, um puta sujeito. Não acho que seja o cara que o Flu precisa. Nem compreendo o escandalo da torcida já que as outras opções pra mim são muito parecidas: Mano e Dorival. Mais do mesmo.

Não compreender a mudança brutal de direção do Flu é não compreender como funciona o futebol brasileiro. E se der certo, amanhã entra outra diretoria e contratam o Parreira. E 6 meses depois outro diretor chama o técnico da base. E assim seguimos, sem entender nada nas mãos de quem muito entende mas pouco se alinha.

Pra mim a única chance de um time mediocre fazer algo diferente é através de um comando inovador. Caso contrário, na certeza da mediocridade técnica e e também do estilo já conhecido técnico, nada de diferente acontecerá. E talvez seja essa segurança que o Fluminense esteja querendo.

Boa sorte a ambos. Vão precisar.

RicaPerrone

Não há “zebra” grande

Não é difícil, basta observar o futebol. Em janeiro Diniz chegou a um Fluminense que só pensava em não cair. Implementou um estilo de jogo, tornou o time uma atração nacional mesmo sem resultados expressivos.

Pois bem.

Passou o tempo, o clube mudou a diretoria, passou a pensar diferente. Foi buscar Nenê, surgiu JP, mantiveram Pedro, Wellington Nem e portanto o discurso de “vamos pra não cair” não entra mais na cabeça do torcedor.

A empolgação com a Sulamericana, somada aos altos da era Diniz e a chegada de reforços, mudaram o patamar de cobrança no clube.

E agora, veja você, não basta mais ser diferente. É preciso não ser o time da zona de rebaixamento sob nenhuma hipótese.

Talvez seja mais fácil o Diniz se adaptar ao futebol com um ajuste pequeno em sua filosofia do que tentar fazer todo clube se ajustar ao que ele acredita. Eu gosto, gosto muito. Especialmente quando o time não tem nada a perder.

Mas o Fluminense de janeiro não tinha, esse tem. Diniz não pode mais ser uma tese, precisa ser também um resultado. Sua queda ficou óbvia na medida em que o rebaixamento foi se aproximando.

Lamento. Mas compreendo. Time grande quando pisa na lama afunda cada vez mais exatamente pelo seu tamanho. Pequenos pousam na lama e saem com naturalidade.

O Flu sabe o que significa dormir na zona de rebaixamento e o que isso causa no torcedor, no ambiente e no elenco.

A troca é compreensível. Eu não sei se faria ou se insistiria mais um pouco. Compreendo, porém, que quem trouxe a idéia não é necessariamente quem hoje comanda o clube. Portanto não é obrigado a banca-la até o fim.  Também compreendo o ambiente insustentável após perder pro Goiás, empatar com o Ceará e perder pro CSA no Maracanã.

Diniz é uma atração.  O Fluminense, uma paixão. Quando os dois entram em conflito…

RicaPerrone

Entre o espaço e a posse

Outro dia estava conversando com o Fernando Carvalho, ex-presidente do Inter. Ele me disse uma frase que resumiu algo que eu não conseguia separar tão bem em palavras:  “no futebol você tem a bola ou o espaço”.

Sim, é isso.

O Fluminense opta pela bola. Todo time grande opta por ela. Mas tendo o tempo todo o adversário estará quase sempre organizado defensivamente. Pra passar por isso hoje em dia ou você tem um Messi ou um puta time. O Flu não tem nem uma coisa, nem outra.

A posse de bola no Brasil é defensiva. Pra não dar a bola pro rival. Mas é retomando e usando velocidade que você encontra espaços. O Fluminense tem um estilo de jogo que não lhe deixa qualquer espaço.

Sufocar o adversário é bom até a página dois. Ele está plantado. Posicionado. Não a toa das lendas do futebol a maior delas se chama “escanteio”. O lance de perigo menos perigoso do mundo estatisticamente e que ainda causa alguma expectativa quando acontece.

Zaga postada é muito difícil de superar. O Fluminense é lento, não toca a bola rápido pro gol pois isso lhe dá a chance de perder a posse mais rapidamente. Logo, me faz pensar se não é mais uma “posse defensiva” disfarçada de pressão.

Fato é que em casa, desse jeito, a história será repetida sempre. O rival se posta atrás, o Flu tem a bola e não fará nada com ela. Num contra-ataque ainda periga perder o jogo.

Ou mais veloz, ou menos posse e mais contra-ataque. O Fluminense joga bem, eu gosto de ver, mas é preciso reconhecer que pra usar esse sistema e ganhar ou você “obriga” o adversário a sair de trás, ou você tem um timaço.  Nos pontos corridos ninguém é obrigado a sair de trás.

Então… talvez seja hora de mudar um pouquinho a estratégia sem mudar a característica. É a bola ou o espaço. Os dois, só jogando contra crianças.

RicaPerrone