empate

Preocupante?

O Brasil tem uma relação com o futebol sem igual. A paixão, que nem é por ele mas sim pelos seus resultados, cega de forma tão brutal que nem mesmo o próprio discurso se mantém em pé.

De um lado torcedores que passaram a perseguir a seleção por todos os erros cometidos por CBF e Tite nos últimos anos. De outro um treinador que de adorado foi a questionado e hoje beira o rejeitado.

Como tudo isso aconteceu? Com a mesma velocidade e falta de critério de sempre.

Aqui é Brasil, porra! Nunca haverá critérios, qualificação na crítica e menos ainda alguma coerência nas respostas.

Acabamos de ganhar a Copa América. Fomos à Copa voando, lá caimos de rendimento mas fizemos um torneio “ok”, com uma eliminação injusta, jogando melhor. Enfim, nenhuma tragédia, nenhum espetáculo. Copa Ok.

Então Tite e CBF resolvem peitar o futebol brasileiro – de quem deveriam cuidar – e fazer do negócio seleção algo mais importante que os clubes e campeonatos nacionais.  Usando a loucura do jogador por estar de verde e amarelo para vencer a disputa sem fazer esforço.

A seleção dá lucro. Os clubes, prejuizo. Mas a CBF não é uma empresa, ou não se posiciona assim. Em meio a diversas boas iniciativas pré-copa, se perdeu no pós em busca sabe-se lá de quem com atitudes como a de ir buscar na FIFA o direito de desfalcar times brasileiros pra jogar torneios sub 20 como se alguém se importasse com eles.

Ela se importa. Vende, revende, lucra. Mas e o futebol?  E nossos clubes, diga-se, todos coniventes.

Eu não dou a mínima pra resultado de amistoso ruim com estádio vazio pra cumprir tabela e encher cofre. Estamos longe dos torneios, a seleção nunca foi constante e ainda que em má fase, perde muito pouco.

Minha preocupação é com a relação clube/seleção. Com o que o Tite acreditava e passou a acreditar. Com as mudanças bruscas de posicionamento das pessoas que de fora criticavam, de dentro brigam pelo erro.

Trocar de treinador? Agora? Porque empatou com Nigéria e Senegal? Seria tão ridículo quanto demitir o técnico do Atlético PR por não estar no G6 após ganhar a Copa do Brasil.

O problema não é o Tite. É a idéia.

RicaPerrone

A continuação

Acabou como se fosse um turno. Descansa-se, prepara e volta pro mesmo torneio, do mesmo jeito, com o mesmo favoritismo e o mesmo futebol.  O Grêmio estreou na Libertadores de 2018 jogando exatamente como em 2017.

Óbvio, isso não pode ser ruim.

O time viaja pro Uruguai e tem 79% de posse de bola. Toques curtos, mais de 700 passes trocados. Número atingido hoje por Bayern, Barcelona e se não me engano City. O restante do mundo troca menos de 500 por partida em média.

O Defensor, pra se ter idéia, trocou menos de 200 passes.

Não se transforma esses números em placares elásticos porque é parte da limitação técnica do Grêmio essa forma de atuar. Inteligente, sabendo que no confronto aberto tem time mas não tem uma seleção imbatível, ele fica com a bola e tenta errar pouco.

O baile de números não se transforma em gols. Nem dá. Falamos de Cícero, Everton, Ramiro.Na frente só tem um jogador de fato goleador: o Luan. E que hoje atua mais recuado. Mas exatamente por ter nestes jogadores o toque de bola e a movimentação, troca-se passes o tempo todo até achar o espaço.

O Grêmio volta com um ponto e é bom. Poderia sair com 3 mole, não fosse a bobeira de deixar um jogador cabecear sem sair do chão dentro da área.  Um erro grotesco de marcação que custou 2 pontos.

Mas são 2 pontos num cenário pouco perigoso. O Grupo é ruim, o Grêmio vai se classificar e portanto não fará tanta falta.

A estréia do Tricolor é a continuação de 2017.  Quem sabe os resultados também sejam?

abs,
RicaPerrone

Mais do que o previsto

Um ar de frustração toma conta do Maracanã após o empate entre Flamengo e Botafogo. As duas torcidas não comemoram, é compreensível, mas friamente deveriam.

Porque a expectativa criada em cima de uma superação não pode ser estabelecida como “mínimo” dentro de um contexto maior.  O Flamengo entrou no Brasileirão nem falava em G4. Tava todo remendado, caindo diretor, treinador, tudo!

O Botafogo então, coitado, estava praticamente fadado a brigar pra não cair. Não havia expectativas. Os dois times seriam, mesmo em situacões diferentes, figurantes no campeonato.

Então um deles engrena e não apenas “não caiu” como briga por Libertadores. O outro, que era a irregularidade em forma de time, se torna numa equipe regular que joga o campeonato todo brigando por título.  E no final, quando os dois deveriam estar comemorando a superação, vivem o momento da frustração.

O Botafogo tem hoje uma situação “confortável” no G6, mas que a vitória de hoje lhe daria quase certeza dele. O Flamengo não. Esse achava que hoje era ganhar ou ganhar, caso contrário estaria fora da briga. E discordo. Ao ponto de questionar o treinador no fim do jogo.

O Palmeiras não jogou ainda. Se perder amanhã, por exemplo, o Flamengo terá tirado mais um ponto. Para saber se foi um resultado a se lamentar é preciso que o rival também jogue.  No final das contas, pelas mudanças propostas pelo Ricardo, o Flamengo quase acabou perdendo, isso sim.

Porque na lógica simples faz sentido encher o time de atacante pra achar o gol. Na minha, quando você não cria, pode meter 10 finalizadores ali que o efeito mais comum imediato é o espaço pro adversário e não que passe a criar porque agora tem mais finalizadores.

O Botafogo quase ganhou o jogo. O que, aí sim, seria trágico pro Flamengo de véspera.

Com a expectativa atual deturpada pela superação, entendo as caras feias. Mas de maio a dezembro, os dois times devem sair do Maracanã hoje muito felizes com o que conquistaram até aqui.

abs,
RicaPerrone

O cheiro e os fatos

É bem verdade que o Flamengo faz uma campanha quase “milagrosa” sem estádio, viajando toda rodada (milhares de km a mais que os outros) e estando regularmente em segundo até aqui.  O cheirinho, de fato, existe.

Mas também é verdade que ganhar do São Paulo no Morumbi jamais será algo comum. O empate lá, portanto, está bem aceitável dentro do imaginário realista e pouco cheiroso.

O futebol apresentado demonstra queda do Flamengo nos últimos jogos, o que pode ser facilmente atrelado ao desgaste físico de final de temporada de quem viajou muito mais que os outros.  O que não é tão aceitável do outro lado, já que o SPFC tem seus problemas mas nenhum que justifique o futebol apresentado.

Ou melhor, a falta dele.

Não há jogadas, é tudo no individual. O time parece se conhecer no vestiário e a considerar a campanha do Botafogo pós Ricardo Gomes, encontramos um caminho sedutor para a conclusão.

Jogo ruim. Abaixo do que os dois podem, especialmente o Flamengo, que hoje pode muito mais que o São Paulo.

Mas entre a discussão técnica do jogo e o resultado há um fato incontestável. É tão aceitável pro décimo empatar com o segundo quanto o Flamengo empatar com o SPFC em pleno Morumbi.

Então, “segue o enterro”.

abs,
RicaPerrone

Corrigir ou aceitar?

Assim somos.  Desde o primeiro coco que rolou numa praia qualquer, o brasileiro reage emocionalmente de forma muito decisiva. Em qualquer aspecto, em qualquer ocasião.  O brasileiro coloca a emoção acima de tudo, é nosso jeito de ser.

Jeito esse que conquista, cativa, nos faz péssimos favoritos, insuportáveis azarões. A idéia de “contra tudo e todos” ainda é o melhor discurso motivacional do país. O conceito de favoritismo não é bem aceito por nenhum brasileiro.

Ontem o Brasil fez um grande primeiro tempo contra o Uruguai. Compacto, atacando com 10 jogadores, sem posição fixa, movimentação, liberdade criativa…. tudo como queríamos.  2×0.  É baile!

O Uruguai empata numa bobeira nossa e então tudo se reverte. Nosso time parece travar os pés na grama. David Luiz parece não conseguir conviver com o 7×1 e se divide em dois jogadores. Um, que até Brasil x Alemanha ninguém lembra mas era eleito “o melhor jogador da Copa” até então, e outro, após o 7×1, que se perde em lances absolutamente simples pra um jogador de seu nível.

E então o time trava, não corre mais riscos, todos tentam o lance salvador sozinhos, as jogadas não são mais naturais e os sorriso dão espaço a cara de pânico, aos pontapés e cartões idiotas.

O Brasil nunca conseguiu controlar suas emoções em campo. Este sempre foi o grande espaço encontrado pelo mundo para nos vencer. Após o 7×1, onde em 5 minutos conseguimos ter a maior crise de pânico da história do futebol e tomar 4 gols, nosso peso é ainda maior.

A seleção não é exatamente um problema. Mas talvez reflexo dele. Somos pouco auto-confiantes, exigimos de nós mesmos o melhor sempre, mas nos julgamos incapazes.  Somos o único vira-lata do mundo que nunca se compara ao cachorro ao lado, mas sim ao da mais elegante madame do bairro, exatamente para termos mais argumentos para nos menosprezarmos.

A seleção brasileira é bem brasileira. E por isso eu não sei se torço pra ela se ajeitar ou se pra chegar em 2018 sendo uma piada, um azarão de luxo.  O que aliás aconteceu algumas vezes, e em todas elas nós saímos campeões do mundo.

abs,
RicaPerrone

Um Fla-Flu dos “sonhos”

Os 73 mil torcedores que foram ao Maracanã não devem estar arrependidos. Embora nenhum deles tenha saído de la com a vitória, o que viram valeu cada centavo.

Não, eu não concordo com a decisão do árbitro em expulsar o Felipe Melo no fim. Achei lance pra amarelo. Mas concordo menos ainda com o amarelo que “intimidou” Thiago Silva após o primeiro gol.  Portanto, sem chororô. Arbitragem errou pros dois lados.

A provocação de Thiago Neves antes do jogo fez efeito. “Putos”, ao som “créu” vindo da torcida rival, entraram com uma vontade exagerada, até passando do ponto em alguns lances. Mas os 2 gols em 25 minutos não sairam por acaso.

Sheik e Robinho não podem ter a liberdade que Thiago Silva e Marcelo deram a eles pelo lado esquerdo. Tiveram e fizeram aquela pintura. Em seguida a bola aérea e novo vacilo do Flu.  Quem não sabe que o Vidal sobe tudo aquilo de cabeça?

Aí entra o mérito do capitão. Thiago Silva com a bola debaixo do braço gritando com o time antes de recomeçar o jogo explica muito do que vinha em seguida.  Seu gol de coxa, empurrando a bola entre os zagueiros do Flamengo levou o Maracanã e o clássico para outro patamar.

De deixar qualquer um maluco os dois times não terem descido pro vestiário no intervalo. Nunca vi o Maracanã pulsar daquela forma com a bola parada.

E rendeu. Pro jogo, e mais ainda pro Fluminense.

Eu não gostei da alteração quando feita, mas o Wellington Nem deu velocidade e acabou resolvendo o jogo.  A cabeçada do Cícero foi de cinema. Perfeita, no angulo de Julio Cesar.

Ainda tem a polêmica discussão entre Diego e Robinho, companheiros novamente, agora veteranos e de vermelho e preto. Eu acho tempestade em copo dágua. Em campo você cobra, é assim mesmo.

Um grande jogo. E o Flamengo que reclamou da “sorte”, precisa agradecer a ela. Sábado que vem, contra o Santos na Vila, Neymar tomou o terceiro amarelo e não joga.

abs,
RicaPerrone

Este jogo não aconteceu. Mas poderia ter acontecido se você não apenas torcesse pelo seu time mas também fizesse parte dele. Clique aqui e saiba como transformar este jogo em realidade.