expulsão

Contra tudo e contra todos

Essa deve ser a frase feita mais fácil de vender pra um torcedor de futebol. Nos 23 anos que trabalho com isso notei que pra todo torcedor, em qualquer conquista, em qualquer campeonato, você pode vender pra ele essa idéia que ele compra em 10 segundos.

A mídia é contra, o juiz só rouba contra nós, a cbf quer dar o título pra não sei quem e, apesar disso tudo, eu ganhei. Viu como meu time é foda?

Semana passada o Flamengo se via massacrado pela CBF. Hoje colorados juram que o Flamengo é o protegido da entidade. Amanhã será o Palmeiras, o Vasco, tanto faz.

Mudam os anos, os torneios, e a incompetência brutal administrativa do futebol brasileiro – que passa pelo seu clube seja ele qual for – consegue validar sua idoneidade com erros distribuídos em cotas.

O penalti pro Flamengo? Eu não daria. Achei que ele deu vantagem e o Gabigol usou a vantagem pra finalizar. Mas aceito tranquilamente a idéia de que o lance num todo foi faltoso.

O colorado, óbvio, acha que foi um assalto. O rubro-negro acha que devia expulsar mais um.

Guerrero, o novo Dalessandro, resolveu surtar após um penalti não marcado. E foi.

O problema é que toda semana o jogo inverte. O palmeirense se achava injustiçado, convocaram vários rubro-negros.

Semana que vem será outra reação em massa da vitima da vez.

Todo torcedor no Brasil jura que seu time é perseguido, que a mídia prefere o rival, que a CBF quer te prejudicar e que vivem lutando contra tudo e todos, o que o faz diferente.

Diferença são as cores. O resto, muda só a data e os argumentos pra sustentar o combustivel mais velho do futebol.

Na falta de inimigos vencíveis, criamos os nossos.

RicaPerrone

VAR: Raniel merecia expulsão?

 

A imagem é de um jogador cometendo uma imprudência, no máximo. Ele não vê o jogador do Vasco, está olhando pra bola e portanto é óbvio que não há agressão.  Ainda recua a perna quando vê que vai atingir o vascaíno.

Se não há agressão, não deve haver o VAR. E constatando em 50 minutos perdidos olhando as imagens era pro juiz marombeiro ter entendido o óbvio: Se nem ele e nem os colegas com o vídeo chegavam a uma conclusão é porque não foi uma agressão

Assim, sendo, amarelo e fim de papo.

Errou.

RicaPerrone

 

Brasileirão 2018 – Vitória 2×2 Flamengo

Se no jogo de abertura o erro do arbitro não mexeu no placar do jogo, o segundo jogo foi completamente contaminado pela péssima arbitragem do senhor Wagner Reway.

O Flamengo faz 1×0 com 16 segundos. Com 10 minutos ele marca um pênalti inexistente e expulsa o Everton Ribeiro. Qualquer  bobagem que fizessem no segundo tempo não compensaria a perda do Flamengo.

Atuar 80 minutos com um a menos e tendo um gol sofrido ilegal é uma das maiores perdas possíveis num erro de arbitragem. E pior. Ele volta do intervalo provavelmente sabendo da merda que fez e tem a chance de corrigir uma parte num pênalti não marcado. Também não fez. Piorou seu erro.

Pra ser ainda pior a lambança, o gol do Flamengo (o segundo) estava impedido. Mas aí o erro é do bandeira. O Wagner Reway não teve a honra de fazer todas as cagadas do jogo sozinho.

Enfim. Dificil avaliar a proposta inicial de um time que com 10 minutos perde um jogador expulso e precisa mudar tudo que foi treinado. Entrou Arão, saiu Dourado. Desfigurou.

Mas ainda que com um a menos o Flamengo foi compacto, não deu ao Vitória qualquer momento de pressão no jogo e trancou bem a partida para não perder.

O resultado não é ruim. Lá é sempre difícil vencer, mas se torna ruim na medida que o Flamengo percebe que poderia ter vencido o jogo talvez até com facilidade não fosse o erro do árbitro. Erro, aliás, que é sequencial. O primeiro erro praticamente obriga o segundo. É uma coisa só.

Ainda não conhecemos o Flamengo do Barbieri. Mas eu desconfio que ele é melhor do que o anterior e também do que algum medalhão tipo Levir, Dorival ou outro “mais do mesmo” faria.

#DeixaEleTrabalhar

Percentual de posse de bola individual

Percentual de passes certos individual

abs,
RicaPerrone

Previsível e muito bom

O que eu espero de um clássico? (Sim, porque Derby é viadagem)

Espero tensão, apoio de torcida, mobilização, seriedade, jogo duro, nenhum pé fora de dividida e uma história foda pra contar ao final do jogo. Espero polêmica, choro do perdedor no final, alegria e deboche do vencedor. É pra isso que vejo futebol.

Convenhamos, independente de chegarmos à analise da razão ou não nas reclamações, tivemos tudo isso. Então, feliz estou.

Começa pela incrível presença de 10 mil pessoas num treino pra apoiar na sexta-feira. Passa pela memorável e honesta cena de Clayson e Felipe Melo não se dando as mãos pra agradar comentarista de terno e gravata.  Simples: não se gostam, não se cumprimentam.

O pedido pela hipocrisia e pelo teatro não é uma questão de educação. É uma questão de achar que o mundo é melhor quando se finge. Eu prefiro como ele é.

O jogo tenso, pegado, Romero alucinado.  Um golaço merecido pelo que apresentaram os times no primeiro tempo. E depois disso o jogo se entrega à polêmica.

Seria o mesmo sem a expulsão? Claro que não! Perdendo e com 10 é foda até pro Real Madrid contra o Getafe. Imagina um clássico. Foi justo? Hum….

Perguntei na rede social após o jogo pra sentir o tamanho do clubismo e do que de fato viram ali. Tirando os palmeirenses que juram não ter sido nada e os corintianos que acham que o Jailson tinha que ser preso, notei que os demais não envolvidos no jogo ficaram bem divididos.

Não é uma característica do goleiro do Palmeiras agredir ninguém. De fato ele estica a perna e usa pra tirar a bola. E faz isso inclusive porque um jogador impedido do Corinthians confunde sua saida do gol, o que pouca gente está notando. O fato dela tocar – e não ser chutada por ele –  no palmeirense antes tira o impedimento que aconteceu na origem do lance? Honestissimamente, não sei. Acho que não, mas posso estar errado.

Eu não daria o pênalti na hora. Como ele não deu. Avisado sei lá por quem, resolveu dar. Pelo VT há uma pernada. Mas se ela foi por maldade ou sequencia do lance, é de lascar a alma adivinhar.

Pontos que eu levantaria: se o jogador do Corinthians impedido vai no lance antes do choque, está impedido antes do pênalti, não?

E sendo assim, não marcaria pênalti.

Mas passo longe de achar roubo. É absolutamente difícil o lance.

Dali pra frente, tensão, Palmeiras sem ter muito o que fazer, outro pênalti, 2×0, fim de papo.

O Corinthians queria mais, precisava mais e merecia mais. Jogou mais. O Palmeiras aposta todo seu argumento numa polêmica, porque sabe que jogou menos que o adversário.

Amanhã só se discutirá esse lance. E portanto o clássico fez seu papel.

abs,
RicaPerrone

É a história

Eu sei que você espera mais um texto cheio de clichês sobre “a humanidade não deu certo”, “cenas lamentáveis”, “até quando…?”, etc. Mas não vai rolar.

Primeiro porque qualquer sujeito por mais estúpido que seja sabe que “lamentamos” a briga. Gostaríamos de um jogo sem a violência, embora ela seja tradicionalmente parte do show. E sim, toda vez que houver uma disputa de muita rivalidade e contato físico, haverá o risco de briga.

Na sua rua, no seu colégio ou na Copa do Mundo. Pessoas são pessoas e não há cargo ou faculdade que faça alguém ter total equilibrio sobre seus sentimentos e instintos.

A cara de “Ohhh que surpresa!” da mídia me irrita um pouco. Não é a primeira, nem a última. E qualquer pessoa que viva futebol sabe que isso acontece de vez em quando. Talvez não com tantos expulsos, mas eu já vi umas 10 brigas bem piores que essas.

Sou a favor do direito do jogador em provocar. E do direito do rival em reagir.

Como ele vai reagir? Não sei. Mas se ele agredir, cartão vermelho. Se só tirar satisfação, amarelo. Existem regras que protegem todos os tipos de reação. Basta arcar tanto com a provocação quanto com a reação.

Eu adorei as embaixadinhas do Edílson. E adorei o pontapé do Paulo Nunes. Simplesmente porque é parte do jogo você tomar uma atitude debochada, e também causar uma reação exagerada.

Não se trata de politicamente correto ou não. Trata-se de cobrar os cartões, condenar quem agrediu, JAMAIS condenar o direito a tirar um sarro na hora do gol, e segue a vida.

É feio. É lamentável. Mas em 10 anos expira o discurso de 100% das pessoas e numa mesa de bar todos dirão com a cerveja nas mãos: “Porra, lembra daquele Ba-vi?!”. E que esquecerá?

abs,
RicaPerrone

Nunca haverá “favorito”

Eu entendo que o termo “favorito” não indique um vencedor. Apenas um time que esteja naquele momento melhor para o jogo. O que nunca significou muita coisa, em clássicos, vai a “nada”.

Eu não assisti nem dez Palmeiras x Corinthians onde o “favorito” deita e rola.  É mais raro do que o não favorito vencer, aposto.

E a semana toda foram colocando o Corinthians na melhor condição do mundo:  a de “franco atirador”.  E isso não foi feito pelo Palmeiras, que fique claro. A montagem do cenário é criada sempre pela mídia. E toda vez que ela tenta enxergar um time jogar um clássico nessa condição, ela muda o clássico.

O Corinthians, em casa, é favorito contra qualquer time do mundo. Tal qual o Palmeiras no estádio dele, tal qual qualquer clube grande do futebol mundial. Em casa, ele é o protagonista.

O arbitro cometeu um erro grotesco, daqueles que nos faz aceitar a interferencia externa. Mas ele tirou só o Gabriel. Não foi má intenção, foi erro mesmo.

Fosse má intenção ele teria tirado a camisa do Corinthians, não um jogador.  Aí sim, teríamos um favorito.

abs,
RicaPerrone

Tem um “ministro” em cada um de nós

wferwfUm momento “divertido” de Ituano 1×1 São Paulo, tratado evidentemente com naturalidade num Brasil que clama por honestidade, mas que no fundo é “malandro” por inteiro.

Thiago leva o segundo amarelo. O juiz não nota num primeiro momento e então Ganso, que percebeu, grita pro treinador para “tira-lo” e manter o time com 11. Como se fosse possível que em 2016 com 200 cameras e analistas esse jogo não ser invalidado por isso na manhã seguinte.

Como se fosse terminar bem. Como se fosse preciso. Como se fosse “ser esperto” ao invés de na verdade se prestar a ser desonesto.

O pior tipo de bandido é o que rouba pouco. Esse faz porque faz. O que faz por muito tem ainda a prerrogativa, embora insuficiente para qualquer alívio de pena, da ocasião.

A malandragem está no dna do brasileiro e eu nem condeno isso culturalmente porque ninguém tem culpa de ter sido criado com essa mentalidade. A burrice é que me incomoda.

Onde o badalado treinador argentino, o Ganso e o Thiago acham que isso ia dar? Num fim de jogo tranquilo, numa semana normal e que eles seriam os fodões do grupo na segunda-feira? Que idéia cretina, inocente, baixa, típica de argentino, mas sugerida por brasileiros.

Paulo Henrique Ganso vive seu melhor momento no SPFC. Mas ontem, por alguns segundos, ao lado de Thiago e Bauza, exemplificou pro país todo que se pudermos ser Ministros pra escapar, seríamos todos.

abs,
RicaPerrone