Fagner

Me ajuda a te ajudar, CBF!

Eu não carrego comigo nenhuma “raiva” da CBF como a maioria foi induzida pela mídia a ter. Entendo que ela é uma organização política e portanto qualquer exigência sobre sua motivação pró espetáculo é uma ilusão de quem não conhece o sistema e quer muda-lo pelo twitter.

Mas entendo que ela tem defeitos graves. Especialmente a falta de relacionamento entre marketing, presidência, futebol, comissão técnica, clubes.  Todas devem funcionar, afinal, a seleção é extremamente bem estruturada, respeitada e vencedora. Os patrocinadores sempre estão lá, o Brasileirão segundo 99% dos clubes é super bem organizado e portanto não há do que se reclamar.

Há sim.

Qual a dificuldade que a CBF tem em ver que houve uma burrice imposta por Globo, clubes, ela e Conmebol em permitir que a data FIFA caia próxima de uma semifinal?  É mais bonito fingir de morto do que assumir publicamente “erramos, vamos corrigir”?

Já nem deveria ter jogo em data FIFA. Mas a Globo quer jogo, paga, os clubes baixam as calças, pegam adiantamento e dizem amém. Depois vem na cara de pau na tv dizer pro torcedor que são vítimas do calendário. E nós, otários, acreditamos.

Mesmo assim, em casos como esses, a CBF poderia sim ter o bom senso de aliviar a antipatia sobre ela mesma, ajudar o futebol brasileiro que é seu dever, e zelar pelo seu torneio.

Quer convocar? Convoca! A gente fica feliz em ver nossos jogadores na seleção. Tira os caras da rodada do Brasileirão, ok.  Mas da semifinal?

Custa a humildade de reconhecer um erro e liberar os semifinalistas do segundo amistoso, por exemplo? O adiamento dos jogos eu duvido, a Globo não vai deixar e não tem calendário pra isso. Mas se está em suas mãos o meio termo de dizer pro torcedor que você o respeita, porque não?

Jura que é fundamental ter o Paquetá contra El Salvador? Que sem o Fagner não dá pra enfrenta-los? O Dedé não pode perder a chance de parar esse ataque?

Vocês sabem que não. Eu sei, todos sabem.  Mas a vontade de ficar calada diante dos erros é tamanha que invalida até mesmo as tentativas de entende-la, CBF.

Faz 4 dias que você poderia ter dito: “Erramos. Vamos liberar os jogadores das semifinais”.

Mas não. Vão gerar mais antipatia a entidade, a seleção e prejudicar um torneio fantástico em troca de que? De nada. Absolutamente nada.

As vezes a gente entende pela parte política, pelo sistema, pela burocracia. Outras a gente não entende nem fazendo esforço.

abs,
RicaPerrone

A lista só tem um defeito

Tite foi como sempre coerente. Competentíssimo, levou o que avaliou em todo o período pra Russia sabendo que não está sendo injusto com ninguém.  Ele seria se não levasse Geromel. Os demais são todos bem argumentáveis.

Alguns dos argumentos faço pelo Tite, inclusive.

Arthur – Perdeu a vaga por contusão. Era dele, mas como tudo na vida funciona assim, o ruim de se machucar é exatamente abrir espaço pra outro. O Fred entrou, treinou muito bem, ganhou a vaga e ficou. É do jogo. 90% dos jogadores quando ganham posição são em cima da contusão do outro. Ele estará na próxima.

Taison – Eu não vejo o Shakhtar jogar. Ao contrário dos outros 99% dos jornalistas esportivos, sou capaz de dizer sem me sentir menor por isso: eu não vejo o campeonato ucraniano.

Luan – Não se encaixa em posição nenhuma da formação da seleção.  O 4141 do Tite não tem espaço pra um meia/atacante de pouca recomposição e centralizado. O Luan infelizmente, pra esse esquema, sobra. Mas, poderia ter ido pelo exato motivo que encontro o defeito da convocação.

Cássio – É um grande goleiro. Acho o Grohe em melhor fase, mas não tem nenhum absurdo em ele preferir o Cássio. Normal.

Fagner – Justo. É o melhor lateral do Brasil. E se precisar dele, joga e dá conta.  /

Enfim, esses são os “polêmicos”. Dito isso, vou para o que achei um erro.

A seleção reserva é um espelho da titular. Tite tem absoluta certeza que esse time jogando dessa forma irá vencer a Copa. Se precisar do centroavante alto que ele tanto buscou, não tem. Um meia mais central de frente pro gol (Luan), não tem. Ele tem 11 e mais 11 reservas que atual na mesma função.

Uns mais pra cá, outros pra lá. Mas você não vai olhar pro banco e ver uma chance de mudar o jogo pra bola alta, pivô, um cara que entra driblando mais pelo meio. É o banco do que se tem em campo. Vamos trocar 6 por meia duzia e rezar pra meia duzia estar numa tarde mais feliz.

Esse é o erro pra mim. A seleção não tem opção de surpreender ninguém. Todos sabem como ela joga e ela jogará exatamente dessa maneira.

Tem dado certo. Mas acho que não custava ao menos um jogador pra quebrar isso. Seja um Luan pelo meio, um Talisca pra bater de fora ou até um William José pela bola alta.

Como em 2010, se olhar pro banco estará olhando pro campo. De resto, nada a contestar sobre a lista e o ótimo trabalho da comissão técnica da seleção desde que assumiu.

abs,
RicaPerrone

Sem pânico

Primeiramente, lamento muito a contusão do Daniel. É nosso melhor lateral, deve ser uma pena ficar fora de uma Copa pra um jogador ainda mais aos 35 anos e tendo jogado o 7×1. Ele com certeza sonhou com essa redenção e não terá. Lamento muito.

Daí pra frente a discussão é o tamanho do estrago.

Daniel é um grande campeão, um grande vencedor, um grande jogador. Pra mim sempre foi um cara uns 30% acima do que de fato joga por estar nos times que esteve na hora em que esteve. Tanto que na seleção por exemplo nunca fez metade do que fazia nos clubes.

Fará falta? Sim, porque mesmo aos 35 era o melhor que nós tinhamos e já é titular há uns 8 anos.  É insubstituível? Hoje, aos 35, não.

Há algum tempo os jogos da seleção tem no Daniel seu ponto fraco defensivo. É pra mim disparado o jogador de defesa nosso de pior rendimento. Portanto, não acho um absurdo perde-lo.

Perder o Neymar muda o cenário. O Paulinho, talvez. Peças chave do time. O Daniel, hoje, não me causa nem 10% do pânico que tenho lido por aí.

O Fagner, se controlar sua mania de dar pontapés, está jogando muito, em time grande, acostumado a pressão e aguenta. Danilo aguenta. Mariano talvez.  Seja quem for, inclusive o Rafinha, nós perderemos em nome, alguma técnica, mas ganharemos na questão física e talvez na defensiva.

Hoje lamento muito mais pelo Daniel do que pela seleção.  Nosso lateral fundamental, em ótima fase, que pode decidir jogos, atua do outro lado, e com a 6.

abs,
RicaPerrone

Goleada se discute?

Futebol é um jogo tão cafajeste com a lógica que nem mesmo o mais massacrante placar pode tornar-se incontestável.  4×0, em casa, fim de papo, ué!?

Fim de papo?

Não. Só o começo para toda uma partida de 90 minutos que, a partir da derrota, se resume num lance pro derrotado e num tempo só pro vencedor.

Flamengo e Corinthians poderia ter terminado 3×0 pro Flamengo ontem. Poderia.

Poderia ter terminado 5×0 pro Corinthians, também.

Simplesmente porque os dois times jogaram 45 minutos cada contra um adversário perdido. Um fez os gols, o outro não.  Ponto. É o que diferencia os dois times num jogo onde ambos tiveram um tempo muito bem jogado.

“Mas e o lance do Ederson?”, clamam os rubro-negros.

Falta. Amarelo.  Segue o jogo.

Errou o juiz? Errou. Mas expulsão? Não sei. Ele vai na bola e erra o tempo da bola. Claramente mira a bola tanto que na sequencia é tão forte a entrada que acerta.  Heber foi sem critério, tanto que em seguida amarela o Ederson por um puxão de camisa.

Errou.

Mas o fato de dar uma falta e um amarelo justifica exatamente o que num 4×0?

Que o Corinthians fez um segundo tempo brilhante, que o Flamengo foi engolido em 45 minutos da mesma forma que dominou os primeiros 45 e não fez o gol.

Fosse a falta ao contrário, todo rubro-negro vivo, óbvio, estaria repetindo que “um amarelo bastava. Ele foi na bola”. Simples assim.

Discursos controversos de quem venceu e quem perdeu se resumem a um grande jogo onde cada um teve 45 minutos e um dos dois foi altamente capaz de transformar isso em resultado. O outro, a exemplo de jogos anteriores, não foi.

Heber é parte polêmica do clássico. Não a decisiva.

abs,
RicaPerrone

Sangue, suor e nenhuma lágrima

Um dos momentos mais importantes da história do Corinthians foi a derrota para o Tolima. Naquele dia o clube, a torcida e os dirigentes entenderam que este torneio se joga com muito mais cabeça e coração do que com técnica.

Desde então, além do título invicto, não é mais um fantasminha no Parque São Jorge o “jogo contra sulamericanos”. Ao contrário, conseguiram achar até algum prazer em encontrá-los.

E nesta noite, quando Sheik facilitou, Guerrero complicou. A tal “burrice” imperdoável na Libertadores se fez presente e o Tolima rondou a cabeça dos torcedores ali presentes.

Nenhum deles disse, sequer confessaram pra eles mesmos. Mas todos pensaram.

E numa lição aprendida também contra o Tolima, Tite não foi afoito, nem os jogadores. Entre esperar o gol e salvar o “1×0” e buscar o segundo sabendo que o regulamento “pune” quem se arrisca em casa, eles esfriaram o jogo enquanto Sheik preparava uma expulsão pra lá.

Felipe fez 2×0, um colombiano foi expulso e o Corinthians fez mais duas pinturas que o colocam na próxima fase da Libertadores.

Porém, nenhuma vitória alvinegra, mesmo por 4×0, será incontestável aos seus rivais. E então o “gol anulado do Once Caldas” vira a discussão da quinta-feira.

Bem anulado.

Se os dois jogadores não estão correndo na direção do gol, o Cássio sairia ou o corintiano não precisaria se antecipar. Afinal, antecipa-se a alguma coisa. No caso, ao jogador impedido.

Houve participação. Pra mim muito clara e portanto bem anulado o gol dos colombianos.

Um 4×0 que deixa mais do que a mão na vaga. Mas um recado muito bem dado pra quem vier pela frente: eles aprenderam a jogar isso.

abs,
RicaPerrone