ferrari

Aqui é Francisco, FIA!

O pau que bate em Chico deveria ser o mesmo que bate em Francisco. Nunca foi, e por mais que o mundo moderno clame por hipocrisia, nunca será.

A punição ao Vettel no Canadá mostrou que Francisco pode apanhar também. Embora não tenha merecido.

A da Áustria mostrou que Francisco está sem moral com o pai.

Outro Chico, outra dúvida, a mesma decisão. Ambas contra Francisco.

Preocupa a quantidade de decisões fora da pista. Todas elas poderiam ter seguido sem interferência externa, são lances de corrida. Mas a partir do momento que Francisco apanhou há 15 dias por um motivo, é justo imaginar que ele verá Chico apanhar também agora.

Não viu.

E na mais completa inversão de papéis que o ditado sugere, Chico leva vantagem e Francisco prejuízo.

Uma hora alguém terá que lembrar que além de injusto e desnecessário, uma coisa é errar contra Chico, outra contra Francisco.

Chico tem um monte. Franciscos, nem tanto.

RicaPerrone

Esse cara não é você

O problema e também uma parte do charme da F-1 é exatamente a dificuldade que temos em dar ou tirar méritos dos vencedores.

Quem dirá que Vettel, tetracampeão, chega aos pés de Alonso, bicampeão? Os números nunca dirão. E então surge a discussão do carro, da condição, e ela é absolutamente relevante. Ninguém ganha nada na F-1 sem carro.

E hoje em dia, ou há algumas décadas, ninguém chega na F-1 sem dinheiro. O que já transforma a briga em algo um tanto quanto contestável.

A mídia italiana, ferrarista apaixonada, está detonando Vettel. Pudera. Eu também estou fazendo isso na frente da TV como torcedor que também sou da escuderia. Um tetracampeão não tem as mesmas expectativas de garotos estreantes ou até de bons pilotos no grid. Ele tem que brilhar. Ser bem acima da média.

E não é.

Um Damon Hill, um Villeneuve, talvez um Button. Mas um bom piloto que consagrou seu nome exageradamente em cima de uma condição.  Não deixa de ser notável, mas não condiz com o absurdo número de 4 títulos mundiais.

Leclerc pode ser genio. Mas independente dele ser ou não, Vettel erra sozinho há tempos. Tem muito menos capacidade do que Hamilton e por mais que isso pareça distante a quem acompanha de longe a F-1, a Ferrari não é uma equipe. As outras são.

O mundo assiste F-1. As pessoas amam a Ferrari, não uma marca de energético ou de algum outro carro menos lendário e sem comoção popular em seu país de origem. A Ferrari é um Flamengo, um Corinthians. Só que nesse campeonato não existem sequer Palmeiras, Cruzeiros, Grêmios.

A paixão está toda numa só. O resto é conforme o piloto, não conforme o time.

Para ser o número 1 da Ferrari você precisa ser mais do que tetracampeão. Você tem que ser “o cara”. E “o cara” hoje guia na Mercedes, o outro cara acabou de se aposentar da F-1 e então esperamos pelo “carinha”.  Porque “O cara”, definitivamente, o Vettel não é.

RicaPerrone

Preto no branco

Talvez a manchete lhe pareça um pouco forte se você pensar na cor de pele do vencedor e do autor da cagada do dia. Mas que seja, tanto faz. Lewis é o melhor piloto do grid hoje, desde que Alonso foi guiar uma carroça.

O Vettel busca seu quinto título porque está no carro certo na hora certa. É bom piloto, muito bom. Mas deveria ser impossível um piloto como ele ter o número de títulos do Prost, do Senna, do próprio Hamilton.

A fórmula 1 hoje deixou muita coisa clara.

  • Quase sempre que o Vettel vence a corrida a Ferrari está melhor que a Mercedes. Nem sempre quando a Mercedes vence o carro é melhor que o da Ferrari.
  • Jogo de equipe é comum, faz parte, sempre fez, e carinha de espanto com isso em 2018 é desconhecimento do esporte.
  • É comum que torçam por equipes como times de futebol e não por pilotos fora do Brasil. Não se espantem com a torcida alemã ter comemorado a batida do piloto alemão.

A Fórmula 1 está emocionante, com 6 carros brigando por vitória e em tese vive um grande campeonato. O que eles que organizam não entenderam ainda é que não nos importa exatamente que 10 carros possam ganhar. Basta que o piloto faça diferença e então teremos ídolos e portanto audiencia.

Esporte é movido a ídolo. O ser humano assiste esporte pela curiosidade e admiração em ver um outro humano fazer algo que em tese ele também pode e não conseguirá.  Ao tirar isso da F-1, tira-se também a nossa vontade de assistir.

Saudades do Alonso. Embora o Vettel seja também muito bom.

abs,
RicaPerrone

Diferentes e tão iguais

Massa, Rubinho, tanto faz. Muito esperamos e pouco nos devolveram. Não por culpa deles, já que não nos prometeram nada. Foram até a Ferrari, é um caminho brilhante, indiscutível.

Os dois demitidos e rotulados como coadjuvantes. Não fossem brasileiros, lembrariamos deles como de Irvine, Patrese, Coulthard ou outros tantos figurantes na F-1.

Sim, sou ferrarista. Torci pelos dois mesmo não concordando com o status de “piloto da Ferrari” em ambos os casos.  Em especial, Barrichello, piloto pelo qual tenho considerável rejeição desde que se prestou a fazer tipo pra torcida na Austria contra sua equipe.

Massa não é como Rubens. É menos talentoso, mas muito mais transparente. Jamais fez de sua condição natural de segundo piloto um crime cometido pela equipe onde ele era a vítima. Assinou, aceitou, ponto final.

Rubens era um chorão sem causa.  Assinava, renovava, fazia cara de surpreso quando o óbvio acontecia porque nunca foi capaz de aceitar sua condição de coadjuvante. Que bom seria se isso fosse combustivel pra uma reação. Mas não.

Na Austria, quando fez  a cena que fez, o mundo sentiu pena dele. E eu tenho muita pena de quem tenta gerar pena.

Massa sai da Ferrari porque seus resultados são comuns, a equipe disputa o título praticamente com um piloto só e porque um campeão do mundo está disposto a voltar. Não há muito o que argumentar.

Nos dois casos, coadjuvantes de um gênio.  Em um dos casos, um fiel escudeiro de pouca competência que aceita ser o que é. Em outro, um infiel pseudo revoltado que reclama, chora e assina de novo.

Massa não guiou mais pela Ferrari que Barrichello. Mas não fez mal a imagem da equipe e nem se fez de moleque quando assinou contrato.

“Chegar a Ferrari”  é do caralho. O que se faz nela depende do que foi proposto.

Massa foi lá ser figurante e quase foi campeão. Rubens disse que seria protagonista e passou longe de qualquer conquista.

Valeu, Felipe!

Pelo que guiou? Nem tanto. Mas pela honestidade com que lidou com a sua condição dentro da equipe.

abs,
RicaPerrone