fla-flu

Na dúvida, olhe pro cometa

As vezes a gente passa tempo demais discutindo o que não precisa ser discutido.  Entre observar um cometa e passar os raros minutos possíveis em vê-lo teimando se “é ou não é”, não vacile: olhe pro cometa.

Eu não sei o que esse Flamengo vai ganhar. Mas sei que isso também não é nem perto de ser “tudo”. Tolo é quem acha que futebol se basta num resultado, numa relevância de um torneio. Pouco entendido até, eu diria.

Basta ver que o coração de tricampeões da América pararam por uma “batalha” na série B.  Que o time campeão do mundo ajoelha até hoje diante de um gol na final do estadual contra um pequeno.

Outro tetracampeão brasileiro chora ao falar do milagre do não rebaixamento. E os maiores campeões do Brasil se apaixonaram por um time que só levou um estadual.

Talvez o Flamengo não ganhe a Libertadores, o que na cabeça megalomaníaca e arrogante de muitos será um absurdo. Talvez ele seja campeão. O Brasileiro é protocolo. Só um absurdo sem precedentes tira o título do Flamengo e me arrisco dizer que bem antes da última rodada.

O que importa neste momento não é exatamente saber até onde vai o cometa, quem o criou, porque está ali e nem quando volta. Mas sim olhar pro céu e registrar na mente algo raro que acontece de tempos em tempos e que levamos os intervalos relembrando.

Quer ouvir contarem ou assistir?

O Flamengo jogando futebol hoje é um cometa. Um time que encaixou como aqueles que citamos no nosso saudosismo diário. Ganhando ou não, falaremos dele um dia.

É competitivo. É inteligente. Parece emocionalmente forte. E é bonito demais de assistir.

Pare de discutir o cometa. Assista-o. Ele demora a passar de novo.

RicaPerrone

Um irrelevante clássico memorável

Um Fla-Flu maravilhoso desses precisa terminar com discussão sobre arbitragem. Não há clássico sem empurra-empurra e pelo menos um dos lados reclamando do juiz.

E desde já lhes digo que, com ajuda do VAR, o arbitro acertou em todos os principais lances do jogo.

O primeiro gol do Fluminense estava impedido sim, e o lance do Renê não é um novo lance. Ele está reagindo a bicicleta e não dominando facilmente pra sair jogando.

Os pênaltis, pênaltis!

As expulsões indiscutíveis.

O que se discute, então?

O Flamengo fazendo gracinha com 10 do segundo tempo e um a menos? Sim. Pediu pra tomar.

Mas aí se classificando, com o contra ataque aberto, o Flu não usa e recua até o Flamengo sufoca-lo no fim.

Roteiro fácil. Previsível.

Um Fla-Flu pra história. Um jogo que consegue se sobrepor a falta de importância que o regulamento tosco conseguiu criar.

Por mais força que façam os dirigentes, um Fla-Flu nunca será “só um Fla-Flu”.

RicaPerrone

Sessão da tarde

Era pra ser uma linda homenagem, e foi. Mas ainda que fosse um jogo histórico por toda a tragédia que envolvia a partida, ainda era um Fla-Flu.

Apático no primeiro tempo, dramático no segundo. Precisar do empate é um convite a dormir com a derrota. O Flamengo tem mais time, sabia disso, tentou mais, mas existem mais coisas que determinam resultados no futebol brasileiro do que o valor investido.

O Fluminense não equilibrou o jogo, nem dava. Mas fez uso do desconhecido para vencer os notáveis do Flamengo.

Se todo mundo sabe o que vão fazer Diego, Vitinho, Everton e outros consagrados jogadores, ninguém tem idéia do que virá do outro lado.

E mesmo sendo “surpreendente”, tem seu lado “previsível”.

Um grande Fla-Flu, uma partida decisiva, Flamengo favorito, Fluminense em minoria no Maracanã… esse filme é quase a Lagoa Azul.

Vai passar sempre. E de novo, e de novo….

RicaPerrone

Quem diria? Eles.

O Flamengo foi eliminado de dois torneios, vendeu seu principal jogador e vive uma crise política. Em qualquer clube do mundo isso seria um sintoma ruim.  Mas não no Flamengo.

Iludidos com título quando no Z4, imagine próximo a ele.  Rubro-negro sofre da ausência crônica de bom senso esportivo e por isso é tão fascinante.

As últimas duas atuações do rubro-negro são pra iludir qualquer um, imagina eles.

Bom volume de jogo, muitos gols, nenhum sofrido, domínio completo da partida. E tudo isso porque o treinador novo, que tem um processo contra seu novo antigo empregador, colocou um volante.

O que é o futebol. Todo mundo briga com treinador pra ir pra cima. O Flamengo queria recuar um pouco pra dar certo. E deu.  Com todo respeito ao Barbieri, me parecia óbvio.

Faltam 9 jogos, há um tom meio imbecil de parte da imprensa que noticia que “O Flamengo ainda sonha com o título”.  Porra, e quando é que ele não sonha?

Se estivesse a 12 pontos do líder teria flamenguista fazendo conta no simulador pra achar uma forma de ser campeão. Imagine a 2 pontos do líder.

“Sonha”?

Esse sonho é tão real. Especialmente pelo enredo.

Se eu acredito? Não é esse o ponto.  Como sempre digo, o Flamengo não é um time para se acreditar. É apenas um time para nunca se duvidar dele.

abs,
RicaPerrone

A Cinderela nem sempre encontra o principe

As histórias que o mundo ostenta são quase todas educativas. No final da trama o vilão se dá mal, a princesa sai feliz, o mocinho é lindo e os mais humildes saem exaltados. A Disney é maravilhosa.

Mas não é ela quem faz todos os roteiros do mundo, embora reconheça que se fosse o caso viveríamos muito melhor.

Hoje o moço mal não teve dó, nem medo das “viradas da vida”. Se debochar com 3×0 é “desrespeito”, com 1×0 é um pedido formal com firma reconhecida para se dar mal.

O Flamengo flertou por 90 minutos com o final mais previsível do mundo. E de tão marrento, tão ousado e folgado, o driblou.

Abel escalou mal. O Fluminense entrou em campo pra ver o jogo e não pra jogar. Por um tempo, viu. O Flamengo fez 1×0, mandou no jogo e a partir do momento que fez o gol passou a fazer o que adoramos ver, mas que condenamos quando não funciona.

Toquinho, drible, provocação e nem sempre na direção do gol. Era claro a tentativa de desestabilizar o Flu. O Flamengo quis ser malandro, jogador machucado voltando pro campo, aquele passe com risadinha olhando pro outro lado.

Mas o futebol é um filho da puta.

Fosse em qualquer outro cenário no mundo o Fluminense voltaria melhor, viraria o jogo e os “humilhados seriam exaltados”, “o mundo precisa de humildade”,  “esses meninos pensam que são o que?”, entre outros óbvios discursos encerrariam a quinta-feira com uma “lição”.

O Flamengo pediu pra sofrer o empate, foi no fio da navalha e mesmo batendo na bola com “nojinho” fez o segundo.

Porra, cadê Deus? Tudo que aprendemos dizia que o final era outro. Os marrentos debochados arrogantes sofreriam o empate. O combinado era esse, não?

Não.

O combinado é que você se torna um babaca quando já vencedor humilha os derrotados. Estava 1×0, eles fizeram o tempo todo. Foram talvez irresponsáveis. Mas não foram covardes.

E se esse estádio se chama “Mané Garrincha” é exatamente porque nos orgulhamos de como jogamos e encaramos o futebol.

A Cinderela não é virgem, o principe deve ter amante e aquele sapatinho nem era de cristal.

abs,
RicaPerrone

Roda gigante

Algumas coisas no futebol acontecem para manter a ordem. Algumas partidas parecem ser jogadas como que num roteiro para que não se quebre a escrita, a tradição e as mentiras bem contadas que movem o futebol.

É claro que o Flamengo empolgado pela Libertadores seria o ideal pro Fluminense. Que auto-afirmação haveria em bater no rival cambaleando? Eles gostam assim.

Do centenário, favorito, em maioria. Se há uma receita para o Fluminense vencer o Flamengo é a inferiorização de véspera. E não, ela não pariu do rubro-negro. Partiu dos fatos. E contra eles, azar deles.

Só há um clube no mundo que faz a megalomania rubro-negra desaparecer. Está no hino, no ar, na cidade inteira. O Flamengo ostenta uma marra deliciosa de assistir. Ela está presente contra o Barcelona no Camp Nou. Mas nunca está presente no Fla-Flu.

É o dia do ano que rubro-negro olha de frente e não pra baixo. Seja quem for do outro lado, se com aquele uniforme, eles respeitam. É uma das relações mais bonitas do futebol mundial. E toda vez que o Fluminense ameaça se apequenar, é diante do Flamengo que ele se reafirma.

Pois se és tão grande, poderoso e independependente, porque tanto lhe incomodo? E incomoda. É fato. Nem mesmo Zico recusa.

Há no Fla-Flu um ingrediente sobrenatural. E ele com certeza veste 3 cores.

Se ser o Fluminense do Flamengo não é um sinal de grandeza infinito, não sei o que pode ser.  E sim, pro Flamengo só há um Fluminense. O resto ele esnoba, com ou sem razão.

abs,
RicaPerrone

Chatos pra caralho…

De todas as coisas boas e ruins que a internet nos deu, uma das que não contribuem é a velocidade com que se cobra uma opinião de alguém.  Você tem um lance, 5 segundos pra pegar o celular, 5 pra escrever e postar. Nem o replay se foi, mas você já acha coisa pra caralho.

E depois de achado, agredido, confrontado e devolvido, você vai morrer achando aquilo. Não porque acha, mas porque já entrou na briga. Talvez eu nem odeie algumas das pessoas que eu mais “odeie”. Mas eu aposto que tive que brigar com muita gente pra ir contra essas pessoas, logo, passei a odia-las.

O problema raramente é a banda. O difícil de aturar é o fã clube.

O jogo foi bom. Não concordo com a situação em que o torcedor do Flu se coloca comodamente quando não vence de dizer que “torcida menor”, “menos dinheiro”, “menos time”, e portanto surpreendemos. Porque se você acha isso, você acha que o clássico é de um time maior contra um menor. E não, você não acha isso. Então não enche o saco.

Também não concordo com o rubronegrismo de achar que é pra ir pra cima e engolir o Fluminense, clube do qual o Flamengo tem historicamente dificuldade de vencer. Logo, falta de noção de realidade, tambem conhecida como megalomania, não é algo pra se colocar em pauta na hora de avaliar.

O Zé Ricardo é culpado de todos os problemas do país. Talvez do Mercosul.  Eu nem concordo com as últimas escolhas dele, mas calma lá! Tem muito nego ai jogando bem menos do que pode.  E nas mãos dele, nos últimos meses, muito jogador nota 5 jogou nota 7.  Se o time vocês chamam de “frouxo” é porque vocês botam tudo na bunda de um só. Então, que responsabilidade esperam deles se o culpado é o lado mais fraco como sempre?

Aí vem o gordo e convida a mulher que ele está afim pra ir na praia.  É o torcedor do Fluminense após os clássicos com o Flamengo.

Gordo, porra! Tu sabe que praia não te ajuda. Leva no bar! Não se boicota.  O que tem de constrangedor no Flu nos clássicos recentes? A torcida. O que ele quer se vangloriar?  Da torcida.  Jesus! Tua barriga é grande, gordo! Vai no cinema! Não fala em dieta nesse encontro. Tu ta pedindo pra notarem seu ponto fraco.

É o Botafogo fazendo campanha na tv com o Seedorf dizendo que veio “pela magia da torcida”, o São Paulo tentando encher estádio na crise segunda a noite, o Flu querendo falar de torcida com 5 mil pessoas num clássico e 10 numa final.  Daqui a pouco vem o Flamengo e faz campanha dizendo que é vergonhoso pra um clube ter um de seus membros presos.  Me ajuda a te ajudar!

Olha, eu amo futebol. Amo a magia que envolve. Mas o Cristiano Ronaldo não tem caspa, o Seedorf nunca saiu do Milan falando: “To louco pra pegar aquele Engenhao lotado”.

A Globo não é consultada pra ajudar o Flamengo. O Fluminense não faz tapetão porque cai todo ano, nem o Palmeiras é um clube corrupto por ter hoje mais dinheiro que o seu. Se o Corinthians tivesse “roubado o povo” pra ter estádio, ele não estaria fodido de dívida pagando o estádio e ainda sendo lesado com possível super faturamento e não ajudado.

Não vamos chamar o próximo Brasileirão de Taça Jean Willys, vamos?

abs,
RicaPerrone

Rei do Rio

Há uma lenda nacional sobre “a torcida do Flamengo”.  Dizem que são terríveis, que fazem diferença, que cantam muito alto, que empurram o time, etc, etc, etc.

Os rivais dizem que é tudo mentira. Mas eu adoro uma lenda.

Sou capaz de apostar que o Saci Pererê era um neguinho manco e que o transformaram naquilo tudo.  Que o Pé Grande era só um urso com pé inchado, e que os mais incríveis milagres dos mais aclamados santos não foram “bem assim”.

Mas eu adoro que sejam. Porque se nós contarmos as histórias da vida exatamente como elas são, que graça teria viver e porque diabos faríamos tanta questão em contar?

Eu vou ao Maracanã e fico olhando pra torcida do Flamengo até me lembrar de tudo que ouvi sobre ela. Então eu me concentro em viver o que queria estar vivendo, estejam eles no mesmo clima que eu ou não.  É como se eu procurasse um Zico, uma geral e tentasse ver a minha volta tudo que meu pai me contou a vida toda.

A tal da magia, a tal da energia, o tal do Maracanã e a porra da “nação” que tanto falam. Era um Fla-Flu, meu jogo favorito.  Eu queria ter tido mais gente do outro lado para mentalizar uma mentira bem contada e guardar comigo o meu “maior Fla-Flu”. Mas, não consegui me enganar com tanta gente vestindo a mesma roupa.

Era um jogo do Flamengo.

E como todo jogo do Flamengo, a torcida deles toma conta do estádio. E quase como sempre eles encontram uma maneira de transformar um jogo numa grande história. Seja uma tragédia ou uma glória, as histórias escritas pelo Flamengo raramente são previsíveis.

Tinha que ser aos 40 do segundo tempo. E tinha que ser uma vitória, por isso haveria mais um no final. Para que nem houvesse apito, para que a festa fosse determinada pelo gol e não pelo árbitro.

Para que fosse marcante até mesmo quando subvalorizado.

“Ninguém liga pro estadual”. É verdade, eles estão falidos, desmoralizados, estuprados por federações estúpidas e regras absurdas. Mas o Fla-Flu decisivo transcende o estadual.  Não era pela taça, era pela glória.

Em duas decisões o Flamengo se fez favorito, tomou iniciativa, buscou o gol, fez do estádio a sua casa e das arquibancadas suas cores.  Invicto, vencedor das duas finais, pouco deixou para ser discutido.

E embora ainda discutam, a lenda continua. O Flamengo é o Rei do Rio.

abs,
RicaPerrone

 

Ai, Jesus!

Esperei até terça pra escrever do jogo.  Queria ter certeza de que o silêncio quebraria o tradicional ritual rubro-negro do otimismo extremo em virtude das cores que se postam do outro lado.

Eu sei que o rubro-negro talvez renegue o respeito por puro despeito, mas que tem, tem!

Fosse contra Botafogo ou Vasco os flamenguistas estariam cantando vitória mesmo se tivessem perdido o primeiro jogo. É parte do rubro-negrismo a megalomania, a auto confiança extrema e o bullyng de véspera.  Contra o Flu, não. Aí, não.

É de um respeito mútuo o Fla-Flu que me espanta. Na terra mais debochada do país, nem mesmo o mais abusado dos torcedores arrisca se dizer campeão embora o empate lhe sirva no próximo domingo.

Porque? Porque é Fla-Flu. O maior dos jogos, o mais didático jogo para quem acha que grandeza é torcida, títulos, algo palpável.

Abel Braga viu na não goleada do Flamengo sua melhor oportunidade. E disse, abertamente: “Eles perderam a chance de matar”.  É verdade. E quarta-feira tem Libertadores pra um deles, o que pode pesar muito no domingo.

A vitória do Flamengo contra a Universidad dá ao time total liberdade de perder domingo sem “crise”. E isso é tão raro na Gávea que deve ajudar.  Mas um empate, um milímetro de pressão, e sabemos como o Flamengo reage quando “obrigado” a confirmar um resultado.

A decisão começou domingo, termina só no próximo. Mas tem Fla-Flu na quarta-feira. E como todo Fla-Flu, é melhor não comemorar nada antes do apito final.

abs,
RicaPerrone

São vocês que “querem” assim

O campeonato Carioca chega a um momento dramático. Fla-Flu, última rodada, vem aí as semifinais da Taça Rio e nenhum dos jogos vale alguma coisa.

É surreal. Mas é real.

E se você acha que subindo uma hastag está fazendo a diferença, está pensando como eles. E eles, no caso, são os clubes. Vou morrer insistindo que as federações e confederações apenas refletem a vontade política do futebol. E estão lá pra isso.

Quem pode dizer “não”  são os 12 grandes e mais ninguém.

Eu fico comovido com o clubismo do sujeito que defende seu clube quando ele briga pela FERJ e esse regulamento.  Tem que ser muito apaixonado para não se emputecer com o próprio time, afinal, insisto, quem tem a força de propor uma reviravolta é ele.

Ah mas o Flamengo…. Pára! O Flamengo propõe uma resistência sim, mas o conceito do Flamengo de coletividade e grandeza é absurdo. Ele não tem NENHUM direcionamento para o melhor do esporte. É apenas Flamengo. E como tal, suas propostas não seduzem parceiros para a guerra.

O Flamengo fez a Primeira Liga, ele mesmo acabou com a credibilidade dela. O Fluminense entrou na dividida com o Fla, e na calada da noite mudou de idéia.  Eurico é fechado com os amigos, não com o melhor pro Vasco, imagine pro Futebol. E o Botafogo se abstém de posição.

Ninguém vai a lugar algum.

Domingo tem semifinal que não vale. Depois final que não vale.

Aí os jogos que valem por um torneio que pouco vale.

Mas valeu 200 reais de alguns otários que foram assaltados hoje em Cariacica.  Mas você, cheio de marra, acha que está protestando certo contra CBF, FERJ e outros representantes da mentira bem contada que é o vitimismo dos clubes diante dessa merda toda.

abs,
RicaPerrone