galo

O pacote Gabigol

É impossível negar me conhecendo um pouquinho que eu adoro o Gabigol. E eu adoro desde seus defeitos até suas virtudes, talvez por entender que o combo que um ser humano carrega seja fascinante mais do que a mentira bem contada de que há quem não cometa erros.

Gabigol é um ser humano que joga bola. E eu desconfio e não gosto de jogadores que são também humanos.

O pacote Gabigol é honesto. Você sabe o que está levando e desde que isso fique claro não tem ninguem sendo enganado.

Ele vai falar alguma coisa que não deveria, talvez vista a camisa do rival numa noite de resenha qualquer. Vai te decepcionar em alguns momentos, mas vai ser o Gabigol em todos eles.

E se isso lhe parece discutível a curto prazo, note que os maiores nomes da história são pessoas que suportaram os questionamentos sendo o que são e depois sairam ovacionadas por não terem se curvado.

Alguém aí acima de 35 não se lembra que o Silvio Santos já foi chacota? Que o Renato Gaucho era um “idiota” ou que o Fabio Jr era cafona? Então. Mantiveram, hoje os 3 são referencias de personalidade e vitórias.

Poderia citar 400 aqui. Mas o fato é que o Gabigol age muito parecido desde sempre. Marrento, decisivo, decepcionante, empolgante, protagonista, bom jogador e debochado. E se há um combo que movimente mais o futebol do que isso me apresentem pois desconheço.

O futebol é um produto que habita no nosso imaginário. Os fatos são poucos relevantes a partir do momento em que respiramos isso 7 dias para ter 90 minutos de fatos apenas. Gabigol é uma representação gigante do que move o futebol.

Você não sabe o que esperar. Mas espera. E se você espera, o futebol vende e vive. O cara que xingou o Gabigol há meses por causa da camisa rival é exatamente o mesmo cara que aos prantos erguia os braços ontem e gritava seu nome.

Confesse, você odeia amar o Gabigol. E acredite: ele é mais importante pro futebol do que pro Flamengo, embora decida títulos atrás de títulos.

Vivemos de Deyversons, Riascos, Gabis, Renatos, Romários, Violas e Tulios. De modo que beiro acrescentar que Messis são cerejas de um bolo feito pelos citados. Não pelo futebol, jamais, mas pelo imaginário que sustenta nossa paixão.

Você sabe o que o Messi vai fazer domingo e espera por isso. Você espera e não tem idéia do que os outros que citei farão. E isso vai de um lance de Messi a uma expulsão absurdamente boba. O que gera as horas na segunda feira no bar, a briga no grupo de whatsapp e as interminaveis questões do futebol.

Gabigol é futebol. Simplesmente porque domingo que vem ele pode fazer mais 3, ser expulso, sair na porrada, perder um penalti ou até mesmo nem pegar na bola. E é por isso que você vai passar a semana esperando pra saber.

Eu adoro o Gabigol. Eu me divirto com a capacidade do torcedor em fazer malabarismo pra destruir as proprias teorias quando a bola entra. E se há algo mais apaixonante e sem sentido do que você gritar o nome de quem você “odeia”, me apresente que eu troco de profissão.

Futebol é um esporte humano forjado por “cientistas” imbecis que tentam transforma-lo numa planilha. Gabigol rasga todas as planilhas, inclusive as que lhe favorecem.

Dito isso, ou tudo isso, eu prefiro ter um Gabigol na minha segunda-feira do que 12 gols do Halland.

Porque semana que vem o Halland fará mais 10. O Gabigol… a gente nem sabe como ele termina a segunda-feira dele.

RicaPerrone

“Querendo demais”

Tirando ex-prostitutas e ex-presidiários, a maioria das pessoas sabe que o passado de todos importa. E se você discorda disso liga pro seu cartão de crédito e pede o triplo de limite, vê se ele vai te dar.

O passado é uma credencial conquistada. O Coutinho e o Hulk tem essa credencial. Um pelo conjunto da obra, o outro pelo passado. Mas curiosamente as expectativas geradas no futebol brasileiro giram mais em torno do passado do que dos fatos.

Coutinho pode errar, jogar mal, não tem problema. É fase, mesmo que longa, a gente sabe o quanto ele joga bola. Mas tem dias, como hoje, que o desenho fica tão claro na nossa frente que é preciso emoldurar.

Hulk é o principal jogador do Galo há anos. Jogou bem na Ásia, aqui, na seleção, enfim. Carreira firme, grandiosa, regular e ativa. Coutinho jogou mais do que ele. Em 2017. E desde então despenca com raros surtos de bom futebol.

O passado nos atormenta mas também nos motiva. O torcedor sabe que não terá o Coutinho de 2017, mas espera ter surtos dele. Ou, na pior das hipóteses, o posicionamento de líder dessa jornada.

Lucas em 2023 entrou no São Paulo meteu a bola embaixo do braço e levou o time ao título. Hulk já é campeão. E não, eu não acho que o Coutinho tinha que ter levado o Vasco a final. Acho outra coisa.

Qual a maior característica do Coutinho? O chute de média distancia. Quantas vezes ele tentou isso mesmo num campo molhado?

Enquanto o Hulk usa créditos da sua dívida pra lá de paga no Galo pra brigar por cada lance e pedir a bola até quando não precisa, Coutinho se escondia esperando a bola perfeita.

A bola perfeita era pra você achar, não pra receber.

É penalti. O batedor de faltas da seleção na Copa de 2018 não vai tentar bater, se oferecer pelo menos? Não vai arriscar nada diferente? Nem mesmo liderar o time na armação das jogadas de desespero onde se costuma jogar a bola “nas mãos do Jordan”?

O Hulk pediu 20. Recebeu uma e tentou o lance improvável. O Galo está na final.

Pro Galo hoje era plano B. Pro Vasco, a vida. Pro Coutinho, imagino eu, uma rara oportunidade de se firmar como um jogador de destaque e referência onde ele “queria demais” estar.

Hoje era dia de deixar tudo em campo. O suor, os erros, as tentativas, a iniciativa de liderar o time.

Eu não me importo e nem me frustro com erros. Me frustro com quem erra pouco porque tenta pouco. Eu achei que hoje veríamos um rascunho de Coutinho em busca da glória. E vimos os fatos, de novo, pisando na história.

Hulk já tem e quer mais.

Coutinho é craque. Hulk é ídolo.

Todo craque quer ser ídolo. Nem todo ídolo é craque.

O Hulk não é melhor que o Coutinho.

Mas isso se baseia em história ou fatos? Porque nem eu consigo me convencer mais disso após tantos anos assistindo o contrário.

Coutinho, ainda há páginas em branco. Escreva-as se expondo. Ou um Ribamar qualquer vai passar errando tudo e virar o ídolo de fato dessa gente que te ama a troco de quase nada, ainda.

RicaPerrone

O Flamengo é melhor

Lá vai o atleticano passar pela noite mais comum do futebol sulamericano: tentar entender e encontrar motivos para não ter vencido o Flamengo mesmo tendo jogado uma boa partida.

Esse é o dilema de quase todos. Como vencer um time que precisa de 5 bolas enquanto você precisa de 25 contra ele?

Como parar um ataque com 5 jogadores fora de série e ainda conseguir levar perigo ao gol adversário?

Como que, durante o jogo, eu posso resistir a pressão se do banco podem vir 3 ou 3 jogadores de seleção?

O Flamengo, hoje, de novo, menos do que em 19, mas ainda é irresistível.

O Atletico não funciona há 1 ano e meio. Já foram vários treinadores e nenhum fez acontecer. Talvez o Felipão seja culpado, mas eu duvido que ele tenha a maior parcela de um time que não engrena de jeito nenhum.

Hoje, melhor. Inverteu os atacantes, deixou um volante mais fixo, soltou os laterais. Bom jogo. Nem merecia perder. Mas, como Renato dormiu na quarta, dorme hoje o Felipão: Dá pra ganhar do Flamengo sem que eles estejam num dia muito ruim?

Não sei. Sei que o bom jogo de hoje pode indicar mais uma noite de pesadelo ou uma esperança de evolução clara em relação aos jogos anteriores pro Galo.

Pro Flamengo, que ainda busca reforços nem ele sabe pra quê, segue o baile. Literalmente.

RicaPerrone

Futebol é no campo

Atrapalha, ajuda, é verdade. Mas futebol sempre foi disputado no campo e atrelar resultados a administração, honestidade e transparência nem sempre é muito inteligente.

Basta ver que a maioria dos grandes clubes do mundo tem em seus momentos mais gloriosos algumas de suas diretorias mais corruptas e/ou incompetentes. Tal qual a CBF, hoje muito menos desonesta do que já foi um dia, ganha menos títulos com a seleção do que ganhou um dia.

Ajuda, atrapalha. Mas não é determinante.

O Cruzeiro entrou em campo atolado em uma crise que envergonha seu torcedor. Ao deixar o Mineirão o cruzeirense sentia orgulho. Foram 90 minutos, nada mais.

Um baile? Não chega a isso. Mas uma paulada muito bem dada. Com golaços, raros sustos e um cenário de deixar atleticano assustado.

Nem a dignidade de um destempero o time do Galo teve. O que pra muitos é virtude pra mim é sintoma de fragilidade. Ninguém perde clássico, toma olé e sai de campo sem nem fazer uma falta mais dura, perder a cabeça com um companheiro ou algo assim.

Uma noite de “tanto faz”. Outra de “faz de conta”.

O Atlético não teve vergonha de aceitar a derrota. O Cruzeiro teve vergonha do que falam dele. Entrou pra rasgar, pra mostrar que ali, em campo, ninguém tem nada com isso.

E o Galo, idem. Porque era isso que parecia. Que ninguém ali tinha nada com isso…

RicaPerrone

Ao menos o DNA

Mal em campo por boa parte do jogo. Claramente não funcionando como esperado e prestes a rever o treinador. Esse é o Galo que transformou uma boa classificação na pré-Libertadores em uma campanha de alto risco.

Em casa desde sempre o time joga menos do que pode. Fora, com espaço, mais. Mas time grande não pode viver de contra-ataque pois a iniciativa é dele.

Levir? Não sei se só ele. Mas com certeza ele é um dos que eu não apostaria para um time em 2019.

Se a bola não apareceu, se o time não funcionou e o jogo foi bem pior do que o esperado, ao menos o DNA atleticano na Libertadores foi respeitado.

O senhor dos milagres fez mais um. Ok, não era o Boca, era o Zamora. Mas virar um 2×0 em meio tempo na Libertadores ainda é coisa de raros clubes.

Amanhã? Demitiria comissão, mudaria peças, sei lá! Mas hoje o Galo quase morto respira. E respira com peito estufado. Não pelo desempenho, mas pela alma.

As vezes o torcedor perdoa um resultado quando vê seu clube representado em campo. As vezes ele sente um vazio numa vitória por não enxerga-lo ali.

A bola não foi de Atlético. Mas a virada, muito!

RicaPerrone

 

Eu não sei do que vocês estão falando

As vezes eu vejo tv em programas esportivos. Não gosto, vejo 99% das vezes pra rever gols e lances, mas a gente pesca uma coisa ali, outra aqui.  Ao Galo ouvi críticas. Fui numa rede social e li criticas.

Não entendi bem.

Assisti apenas a 4 jogos no ano, é verdade. Mas foram 3 de Libertadores, um no estadual com time titular. Eu gostei do que vi. Teve altos e baixos, normal. Estamos em fevereiro. Mas o Atlético fez dois jogos na Libertadores onde o primeiro tempo parecia um treino.

Se enrolou no segundo.

Hoje, de novo, parecia dono do jogo. O campo parece sempre mais largo quando o Galo ataca. As chances surgem, o time adversário tem raros surtos no jogo e o controle é quase todo do Galo.

Mesmo fora de casa, mão na vaga de novo.

No estadual, embora ninguém se importe, é líder com melhor ataque e defesa.

Há momentos de muito bom futebol. Há também alguns apagões. Mas não há motivos para críticas e cobranças exageradas.

O Galo vai muito bem, obrigado.

RicaPerrone

O eterno “vexame”

Todo ano acontece a mesma coisa. Nós olhamos a tabela, os elencos, achamos que estamos na Espanha e decretamos que tal time não vencer é vexame.

Ignoramos o fator “formador”, que nivela muitas vezes pelos jovens talentos, o fator campo, a pressão, o estilo de jogo em cada país das Américas e no final tentamos jogar pros clubes a “vergonha” que fizemos ao avaliar o cenário.

Passa o Galo? Sim. Todos achavam. Mas aí começa a palhaçada de achar “vexame” se não passar. A mídia transforma a glória em alívio, a vontade em pressão e o jogo se torna um inferno.

Vamos sim perder algumas vezes em pré Libertadores e em semi de Mundial. Porque? Porque somos passionais, a mídia transforma nossos jogos em obrigação e quando erram ao invés de reconhecer que “não era tão fácil”, dizem que “quase foi vexame”.

É uma puta tática. Funciona. Mas de covardia ímpar.

Jogo de Libertadores é duro. Sempre foi, e embora hoje seja menos do que já foi um dia em virtude dos campos padronizados, a proibição das festas e a palhaçada de se achar europa que a mídia sempre apoiou (essa pica ninguém assume né), ainda há um fator de equilíbrio muito forte.

Há favoritos, mas não “vexame”.

O Galo foi só o primeiro a ver uma “conquista” virar  “obrigação” e virar um quase “vexame”. Outros virão.

Porque pode até ser uma “zebra” perder pra um time menor. Mas repetir a mesma avaliação arrogante e equivocada ano após ano eu chamo de “vexame”.

RicaPerrone

Inter: Vaias são injustas e derrota compreensível

Fim de jogo no Beira-Rio. O Atlético Mineiro motivado pela disputa pela vaga na Libertadores vence e parte dos colorados sugerem vaias ao time.

Não, não merecem.

O Inter não tem um timaço e nem joga um futebol acima da média. Acabou de voltar da série B e embora seja grande o suficiente para ser candidato a tudo que disputa, nem os que vaiam hoje esperavam o Brasileirão que o clube fez.

É natural que o Inter se desmotive. Quem brigou de baixo pra cima vem numa pegada, quem brigou em cima o ano todo e acabou de saber que não tem mais pelo que brigar é afetado de outra forma.

O ano foi bom. As vaias não cabem, mas se explicam pelo mesmo motivo da queda do time hoje: a frustração.

O Galo está brigando. O Inter passou a cumprir tabela.

abs,
RicaPerrone

Suas idéias não correspondem aos fatos

Quando o Galo abriu mão dos titulares na Sulamericana o recado era claro: não dá pra disputar 3 campeonatos, vamos focar em dois. Sendo óbvio que a Copa do Brasil é o alvo mais realista e bem pago.

Compreendi. Faria também. Acho a Sulamericana um torneio fraco e superestimado por ser “internacional”. Mas entendi que aquele era o claro recado de que o time jogaria o tudo ou nada contra a Chapecoense hoje.

Não foi o que aconteceu.

Em diversos momentos chegou a ser pressionado, não controlou o jogo e seu ímpeto ofensivo foi o de quem jogava pelo empate, não pra vencer.

Na real o Galo que deveria ir babando pra cima da Chape foi lá pra não perder. E não perdeu. Nem se classificou.

Agora o time reserva da Sulamericana será mais contestado, o time ainda que líder do Brasileirão, pressionado a fazer grande campanha onde não era esperado que fizesse.

E veja você, a Chape, que nada tem com isso, segue sendo o time pequeno de maior vocação para o protagonismo em todos os tempos.  A fama a procura. Os feitos dramáticos idem.

Talvez ela nunca aceite o papel, mas nunca poderá dizer que lhe faltou oportunidade. O futebol ama a Chapecoense.

E o Galo vai ter que usar todo pragmatismo desta partida no chato pontos corridos, onde, diga-se, ser pragmático funciona.

abs,
RicaPerrone