galo

Quando tá valendo…

A piada é velha, mas o contexto é novo. O Cruzeiro que é candidato a melhor time do país em 2018 enfrentou o rival, que vive um ano de poucas expectativas até por não estar na Libertadores, e tomou 3×0 no primeiro tempo, aliviando pra 3×1 no segundo, mas evitando tomar mais uns 2 ou 3 no segundo tempo.

Se quiserem falar em bola parada, que digam. Mas o Atlético jogou mais do que o suficiente pro placar que fez. A forma que sairam os gols não muda o fato do Galo ter conquistado a vitória e não achado numa bola qualquer.

Resolvido? Não, claro que não.  O Cruzeiro pode fazer 2×0 em qualquer time do mundo e não será nada anormal. Imagine num clássico.

Mas do primeiro turno pra final, a brincadeira foi séria. “Quando tava valendo….”.

A diferença de foco na temporada existe. Mas naqueles 90 minutos eu duvido que justificou. O Galo é mais um time de um treinador novato jogando um futebol de fato novo e crescente.

O Cruzeiro tem um grande time, joga bem muitas vezes, mas a realidade é que jogou 2 partidas que importavam em 2018. Perdeu as duas.

Tem sim diferença. O Cruzeiro precisa vencer um jogo importante, não só os protocolares. O Galo venceu o único que precisava (até aqui) no semestre. Tem jogo que vale, tem jogo que não vale.

E quando tá valendo…. tá valendo.

abs,
RicaPerrone

Claro que faz diferença

Eu adoro o Robinho. Não o conheço pessoalmente, mas como personagem e jogador, gosto muito.  Carinhosamente o chamo de “Nego Robson” nas minhas postagens e não sei o quanto acredito num estupro envolvendo seu nome.  Mas, hoje, ele está condenado pela justiça italiana por isso.

Eu não tenho a menor condição de julgar, e tal qual 99,9% de vocês, só posso respeitar uma decisão da justiça e entender que mesmo cabendo mil recursos, há um processo bem ruim para o jogador em andamento.

Enquanto acusação, ok. Quando condenado, muda de status e sim, tem que mudar mesmo. Não é possível que a gente tenha que ser radical pra um lado ou outro e achar que ele é um estuprador, nem mesmo insinuar que uma condenação de estupro não interfira na sua imagem profissional.

É natural e aceitável que clubes rejeitem a idéia de ter Robinho, como era com o Bruno. Como talvez seja em outra proporção com o Breno, por não envolver terceiros em seu crime. Mas ter uma condenação muda sim o status de qualquer pessoa. E deve mudar. É natural.

Robinho é um jogador diferente. Caro, mas que vende, joga bem, é carismático. Eu sempre gostei da idéia de tê-lo no meu time. Hoje eu pensaria. Porque sim, amanhã você pode ter um condenado por estupro no seu time tendo que estampar a porra da foto em tudo que é jornal com a camisa de voces e seu patrocinador.

Sim, tem um peso.

Eu espero mesmo que ele seja inocente e que seja um erro da justiça italiana. Mas enquanto isso não mudar, é realmente complicado contratar o jogador.

E por mais que cobrem da imprensa um massacre como fizeram com o Bruno, é compreensível o pé atrás em falar sobre. Amanhã pode haver uma segunda decisão e ele ser absolvido. Mas falamos de hoje. E hoje ele foi condenado.

Que merda. Mas é isso. Hoje, é isso. Infelizmente.

abs,
RicaPerrone

O í”cone” da injustiça

Não convém fazer de Fred um jogador do tamanho que ele merece.  Talvez porque não seja de um dos times mais populares do país, talvez porque parte da mídia tenha vergonha de reconhecer o exagero no massacre de 2014.

Seja pelo motivo que for, Fred coleciona títulos, artilharias, números e argumentos que só mesmo um desequilibrado pode contestar.  Mas esses não faltam. E ontem Fred escreveu mais um capítulo na história do futebol brasileiro que será citado com menos entusiasmo que um gol de Benzema em Madrid.

Passou Zico, encostou em Edmundo e Romário. O artilheiro do Galo deve encerrar a carreira perdendo, talvez, só para o Dinamite, artilheiro maior da competição.

E quando ultrapassar Romário usarão uma nova mentira para menosprezar o melhor 9 que tivemos desde a curta carreira de Adriano.

Gostemos ou não, Frederico não tem culpa de não estar na linhagem Careca, Romário e Ronaldo. O que não faz dele menor, apenas não lhe dá a condição de gênio.

Sabe aquele filme muito bom mas que você sai frustrado do cinema porque você criou uma expectativa sobre ele ainda maior? Então. A culpa normalmente não é do filme.

Pelé teve média de 0,57 gols por jogo no Brasileiro.  Zico de 0,54. Edmundo 0,48. Fred tem 0.53.  Longe de ousar compara-los, mas será possível que a gente vá passar a carreira toda desse cara contestando e colocando “poréns” ao invés de curtir a história sendo escrita e poder dizer, em alguns anos, “Eu vi o Fred jogar”?

abs,
RicaPerrone

Isso não é da sua conta

O Galo segue o fluxo e também quer o estádio próprio. Infelizmente está provado que dá um retorno bem mais alto tê-lo e a tendência natural e triste é ver Pacaembu, Mineirão e Maracanã virarem pontos turísticos.

A MRV é uma empresa privada e em parceria com o Atlético fará o estádio, aprovado ontem em conselho.

Vejo “condições”, “poréns”  e insinuações preocupadas com a legalidade das coisas.  Então, resolvi lhes lembrar que isso não é da nossa conta.

Se a MRV quiser comprar tinta laranja e pintar a parede do prédio dela, ela pode. Se ela quiser doar toda a empresa, idem. E se quiser fazer um investimento bom ou ruim, também pode.  Nós não temos nenhuma preocupação com isso. Ou não deveriamos ter.

O Mineirão é problema nosso. O Maracanã é problema nosso. A Petrobras é problema nosso.

A raivinha clubistica não pode dar espaço para tentarmos ser fiscais de dinheiro privado alheio. Que bom pro Galo que ele tem a MRV. Que bom pro Palmeiras que tem a Crefisa.

E se você for fazer algum discurso moralista sobre isso, pense bem na sua adoração por clubes de fora e seus donos criminosos.  Lá sim, “tem a ver”.  E ainda assim, alivia-se. Porque “o clube não tem nada com isso”.

“Mas e se amanhã a MRV tiver algum problema com a lei…”.  Problema da MRV.

Os nossos problemas só se agravam. E quando alguém resolve o dele e para de ser parte do nosso a gente reclama?

Parabéns, Galo. Boa sorte. Triste de ver o Mineirão te perder, feliz em ver você crescer.

abs,
RicaPerrone

Torcidas, torcidas e torcidas

O grande erro dos jornalistas esportivos é fixarem demais numa região, num clube ou no dia-a-dia aceitar a máxima de que “torcida é tudo igual”.  Não são iguais. Passam longe de ser, mas você tem que ir lá tentar entender as diferenças.

Vem da origem, do social, cultural. As vezes nem mesmo paramos pra pensar os “porques”, mas tem. E toda torcida é coletivamente diferente de outra.

Conheço a dos 12 bem. E tem 4 que são parecidas em um quesito que as outras 8 nunca vão entender quando explico, simplesmente porque tem características diferentes.

Não se trata de ser melhor ou pior. Se trata de ser diferente apenas.

Atletico, Corinthians, Grêmio e Flamengo tem uma coisa muito difícil de explicar, muito apaixonante, e muito parecida.  Eles elevam a importância dos jogos. Deturpam a verdade pra mais e pra menos e acabam transformando o dia a dia dos clubes deles mais intensos.

Repito: é dificil explicar.

Mas a impressão que tenho é que se você pegar um jogo cheio e for na porta do estádio perguntar porque você está aqui, você ouvirá: “É Libertadores”, “É final”, “Time precisa”, “É contra fulano”.  E se você perguntar nesses 4 que eu citei a resposta é “Porque sim”.

Claro que como “massa” as pessoas se mobilizam mais e menos pra jogos conforme importância. Mas o ponto não é a carga de ingressos, mas a intensidade com que aquilo é vivido por quem está ali.

O jogo do Atlético MG é completamente diferente do jogo do Botafogo, por exemplo. E isso se você colocar dois jogos com o mesmo público na mesma importancia. São experiências completamente diferentes.

É o que temos de mais rico, eu diria. Embora seja mais fácil achar que “é tudo igual”.

Hoje em Belo Horizonte eu notei algo incomum. Poucos times tomam a cidade toda pra si quando jogam. O Galo é um desses raros times.

Quando acordei e desci na rua hoje, Belo Horizonte já era apenas a cidade do jogo do Galo.  Esse poder de inverter os fatores e fazer da cidade o lugar do jogo e não o jogo um evento na cidade, poucos times tem.

O Galo tem. Foi dia de Galo. Mesmo perdendo, pouco importa. O dia em Belo Horizonte teve apenas duas cores do começo ao fim.

abs,
RicaPerrone

A hora que quiser?

O Atlético Mineiro tem o melhor time do país. Acho bem pouco discutível que entre os 11 titulares alguém tenha nomes como Fred, Robinho, Elias, Cazares, Leo Silva, Victor, Marcos Rocha. Enfim.  O que não significa que vá jogar ou ganhar algo por isso.

Entre o bom time e o bom futebol é um elo complicado de encontrar que passa obrigatoriamente com o tesão em fazer o que está fazendo. E futebol só se ganha com olho brilhando. Ainda mais mata-mata.

Atleticano sabe bem disso porque viveu na era Cuca o simbolismo máximo do que cito aqui. E hoje vive, com mais time, o sentimento inverso. Um time de potencial enorme, mas… “pica sonsa”.

A impressão que dá é que o Galo acha que ganha e faz gols a hora que bem entender. Eu nem chego a discordar, mas nunca vi isso dar certo. O time não vibra, toca demais pro lado, corre só quando precisa e não explode em momento algum da partida.

É o equilíbrio exagerado de um caixa de supermercado.  Ele pega, passa, cobra, próximo. Pega, passa, cobra, próximo.  É um processo repetitivo e sem tesão.  Feito pela mera obrigação de se fazer e sem a menor obrigação de ir além.

O Galo tem sim a obrigação de ir além. Se não na tabela, nos 90 minutos pela camisa que veste.  O mínimo possível não é compatível com as expectativas desse Galo.  Se um dia esse time se olhar na cara no vestiário e dizer: “Vamos ganhar”, dificilmente ele não vai ganhar.

Mas a impressão que dá de fora é que eles acham que vão ganhar quando bem entenderem. E a história é muito cruel com esse pensamento.

Já diria o filósofo Luxemburgo: “já comeu alguém com a pica sonsa?”.

E nem vai.

Bota sangue nesses olhos, Galo.

abs,
RicaPerrone

O dia de Victor

Victor Leandro Bagy, ou, Victor. Hoje, 30 de maio, comemora-se o dia de Victor.  Nesta data, há 4 anos, ele jogava seu pé esquerdo contra a bola para fazer o maior milagre da história de Minas Gerais. Talvez um dos maiores da história da América do Sul, porque não?

Entre o sofrimento, a fé e a frustração de uma multidão, Victor não se revoltou quando o arbitro apontou para a marca do pênalti. Ele saiu andando em outra direção, calmamente, com a bola nas mãos.  De longe parecia não acreditar, mas hoje sabemos que era só uma ansiedade natural para seu processo de canonização.

O processo é simples, requer o milagre e a morte. Victor não está canonizado apenas pelo segundo item.  Em algumas décadas será “São Victor”.

Naquele dia eu vi torcedores de diversos outros clubes do pais comemorarem uma defesa que nada lhes dizia a respeito. Vi em minha própria casa gente que nem sabia que ia ter jogo pular do sofá quando o milagre aconteceu.

Eu chorei. E nem sei bem se por emoção, alegria, dó daquela gente que se frustrava de novo, ou pela glória que é trabalhar com isso. Mas Victor foi protagonista de um dos momentos mais religiosos da minha vida.

Hoje é 30 de maio.

Dia do futebol. Dia da explicação do porque somos loucos por ele. Dia do Galo. Dia de Victor.

abs,
RicaPerrone

“O time” da Libertadores

É evidente que não lhe dá nada além de “pressão”.  Mas é incontestável, notável e hoje gritante em números que o Atlético Mineiro é o time mais forte da Libertadores.

Pelo peso que não carrega com os títulos recentes, o elenco campeão que tem, o time recheado de jogadores com passagens por seleções e uma torcida que já entendeu há algum tempo que Libertadores não se  discute, se apóia.

Pode buscar na Gávea e na Barra Funda. Você encontrará dois grandes times, um elenco até melhor do que o do Galo em São Paulo, mas 11 titulares iguais a esses ninguém tem.

O Galo cumpriu seu papel de favorito pouco festejado pela mídia que só o enxerga quando o resultado é iminente.  Mas fez. Com ataque avassalador, primeiro do grupo, melhor campanha.

Óbvio que pra alguns maus leitores isso quer dizer que se amanhã o Galo for eliminado é um time de merda.  Mas na real a condição do Atlético é o ponto aqui. E não é de postulante apenas, mas sim de “time a ser batido”.   Ou você tem notícias de outro time onde 10 dos 11 titulares tenham passado por seleção nos últimos 4 anos?

abs,
RicaPerrone

O Galo pulsa

As pessoas costumam colocar toda discussão sobre futebol na questão de títulos. Quando sai disso, “torcida”. E quando passa isso, apelam pra qualquer coisa que coloque seu clube acima do rival.

Nem mesmo o maior atleticano renegaria: o Cruzeiro é bem mais vencedor que o Galo, é internacionalmente mais conhecido e mais tradicional.  Tudo isso é parte do inaceitável mérito alheio que só se aceita em casa no banho. Mas, sabemos.

Clubes tem características e eu as respeito. Gosto quando torcidas as entendem e levam adiante. Tenho preguiça de torcidas que tentam forçar rótulos que não cabem para sacanear adversário. É o botafoguense falando em casa cheia, o alteticano falando em títulos nacionais, o sapaulino (como eu) falando em torcida fiél.

Ultimamente o Atlético esteve mais presente nacionalmente em decisões. Eu não quero fazer comparações que menosprezem esse ou aquele, apenas que os separem.

O Galo parece representar um sentimento e o Cruzeiro a glória.

Lutam pelo título, estão lá pela decisão, espalham suas conquistas. Também o faria se cruzeirense fosse. Mas não sei o que faria se fosse minoria e com um rival mais vencedor que eu.

Talvez eu fosse menos fanático, ficasse mais calado, ou talvez fosse apenas chorão e revoltado. Mas eu queria mesmo era ser como um atleticano.

Embora não possa, e aqui não vai nenhum deboche, porque meu time é amplamente vencedor, eu consigo sentir sintomas de inveja quando estou em BH ou quando vejo sua torcida pela tv.

Ela pulsa.

O grito de “Galo!” no meio do nada nas ruas de Belo Horizonte é uma das coisas mais inacreditáveis do futebol. E é real. A pessoa grita, do nada, no meio da rua: “Galoooo!”. E alguém responde: “Galooo!”. E segue o dia.

Eles se impõem.  No grito, na camisa, na ostentação ao que tem e talvez até ao sofrimento.  Mas de alguma maneira o Galo consegue bater num peito menos estrelado e fazer mais barulho do que outras constelações.

Hoje recheado de craques, com elenco farto e marra de títulos recentes, soma a paixão do sofrimento ao sorriso maroto das glórias. E gritam, do nada, no meio do que for… “Galooo!”.

E sempre tem outro maluco pra responder.

Galooo!

abs,
RicaPerrone

 

#Galo109

Eu diria que é “uma vida” mas vidas acabam e o Galo, sabemos, é infinito.  Tal qual sua relação pouco explicável com seu torcedor. Se um dia os dois pudessem se falar olho no olho, chorariam, se abraçariam, se entenderiam e se surpreenderiam.

-Talvez eu demore muito pra te dar alegrias.
– Eu espero.

-E se um dia eu cair?
-Eu subo com você.

-Mesmos se ficarmos muitos anos sem ter grandes motivos pra sorrir?
-Eu fico do teu lado.

– E quando eu virar chacota e rirem de mim pelos momentos ruins
– Eu não vou rir. Eu vou ficar.

-E quando eu for tentar ganhar o que nunca ganhei?
– Eu vou te empurrar.

-E se em algum momento não der mais pra seguir a diante?
– Voce vai seguir.

-Porque?
– Porque eu acredito.

-E se eu duvidar?
– Eu grito até você lembrar.

-E se o juiz der um pênalti aos 45 contra nós?
-Eu acredito. Tu vai pegar.

-E se nevar?
– Tu ganha no gelo.

-E quem não gosta de mim?
-Treme.

-E se tiver quase acabando e você ver que não vou conseguir?
– Voce vai.  Eu espero até o fim. E se não conseguir,  te aplaudo.

-E o que você queria de mim que não posso te dar?
– Queria que você fosse um ser humano por um dia

-Pra que?
– Pra eu poder te dar um abraço e agradecer você ser parte da minha vida. Pra não dizer a razão dela.

Parabéns Galo! Tem time que é movido a título, outros a craques, outros a polêmica. Você é um dos que vive de alma. Um dos raros que não se julga pelo que tem, mas sim pelo que é.

E olha que se quiser ser pelo que tem, tem também!

abs,
RicaPerrone