galo

Os treinadores

Após a infeliz idéia de Eurico Miranda em anunciar um treinador no dia da maior tragédia do esporte nacional, Fluminense e Galo fizeram o mesmo, só que com um dia a mais pra “aliviar”.

Vamos ao que penso sobre os três nomes:

Roger – Melhor escolha do momento. Fez do Grêmio um time coletivo e moderno, com toque de bola, contra-ataque ensaiado e uma boa noção do que é o futebol hoje.  Gosto muito do nome. Embora não seja ainda um campeão, esse Grêmio finalista é muito dele também.  Ótima escolha.

Cristovão – O Vasco pega um time “velho” e cheio de marra e dá nas mãos de um cara que tem por característica a peda do vestiário. Eu juro que tento, mas é muito difícil entender o Eurico as vezes.  Não faria.

Abel Braga – A volta ao Flu é uma dose de relacionamento com falta de ousadia.  Abel não é um nome da “nova safra” de treinadores que entende o futebol de uma nova maneira. É antigo, mas é um sujeito vencedor, querido, bom no que faz. Eu, novamente, não contrataria. Mais pela óbvia renovação tática que o jogo exige hoje do que qualquer outro motivo.

Acho que é isso. Menos do mesmo e mais ousadia com firmeza. Não adianta contratar jovens nomes pra demitir na primeira crise. É preciso força, comando e confiança.  Os velhos métodos vão gerar sempre os velhos resultados.  Hora de variar.

abs,
RicaPerrone

Os malditos resultados

Toda vez que alguém ganha alguma coisa no futebol essa pessoa é elevada a um patamar que normalmente não merece. Quando perde, mesma coisa. Vira um “lixo” que também não é justo.

Marcello Oliveira é mais um dos treinadores julgados no Brasil por uma mídia especialista em FIFA Soccer.  Achamos que quando ganha um time, é um cara que vai lá e faz ganhar. E que quando perde, ele que errou e apertou o botão errado. Não é bem isso. E se o futebol fosse avaliado por DESEMPENHO e não por resultados, muito treinador cairia antes da hora e outros tantos seriam mantidos mesmo perdendo.

Marcello fez no Galo o que fez no Palmeiras: nada.

Seu time joga um futebol tosco, sem nenhum entrosamento, nenhuma jogada trabalhada e é 100% dependente de jogadas individuais. Marcello não acrescenta nada de novo ao futebol brasileiro, e o conceito moderno tático e coletivo passa longe da cabeça dele.

“Ah mas ele ganhou…”. Ok, legal. Outros tantos ganharam e isso não diz nada. O que diz não é apenas o resultado mas sim o desempenho.

Eu costumo dizer que um trabalho de treinador é bem avaliado quando o time vai melhorando. Quanto mais ele trabalha com aquele grupo, melhor o time joga. Marcello fez alguns times jogarem bem e piorou todos eles ao longo do tempo. Mesmo no Cruzeiro, quando bicampeão, terminou o segundo ano jogando só com bola na área.

É o que sempre critiquei no Muricy no tricampeonato. O SPFC de 2005 voava. Ele assumiu em 2006, o time foi bem. 2007, ok. 2008, se arrastou pra chegar.  Em 2009 acabou de vez.

Isso é avaliado como trabalho ou resultado?

Marcello tinha que ter sido cobrado há meses, questionado toda semana pelas atuações do Galo e demitido contra o Juventude.  O Atlético esperou demais os resultados com medo, talvez, do que a mídia diria.  Pois agora falam do 3×1 em casa, e nem pelo resultado, mas pelo “baile”.

Acertou. Tarde mas acertou. Marcello não tem nada de novo.

abs,
RicaPerrone

Gostamos

Gostamos de decisões.

Gostamos que os astros façam os gols decisivos e para que sejam decisivos tem que haver uma decisão.

Gostamos de rojões no hotel do adversário, dos sinalizadores em volta do estádio na chegada dos times, da casa cheia e do cheiro de final.

Gostamos de falar que tem cheiro de final porque só alguns profissionais do ramo “sofredor” tem o poder de identifica-lo.

Gostamos de gols bonitos, de dribles humilhantes e de jogadores que sentem o jogo e reagem a ele.

Gostamos de Jesus chamando alguém de “cuzão” ao vivo na TV.  Não porque é certo ou errado, mas porque é o que nós faríamos. E se faríamos, gostamos.

Gostamos do olé no final, da falta de objetividade quando já resolvido e da desculpa escrota de que “só segurei a bola” quando todos sabem que era pra humilhar o adversário.

Gostamos de redes soltas que ficam com a bola. De estádios que nos permitem ficar em pé e de gandulas que seguram a bola quando necessário.

Gostamos de empurra-empurra, de jogo corrido, de chamar o craque “deles” de viado.  Não somos homofóbicos, apenas gostamos disso.

Gostamos de reclamar do juiz. Gostamos da fila pra entrar, do perrengue pra sentar e da correria pra sair rápido pra não ficar no transito.

Gostamos de abraçar quem não conhecemos. Gostamos de perder nosso status social por duas horas e nos transformarmos em parte de uma massa.

Gostamos de achar que o repórter torce contra, que o comentarista não sabe nada e que o juiz estava claramente contra nós.

Gostamos de sofrer. Gostamos de vencer e gostamos de perder. Sim, gostamos! Tem seu valor aquela noite mal dormida pelo time do coração que um dia lhe servirá de argumento numa mesa de bar para medir sua paixão e fazer inveja aos seus iguais.

 

 

Gostamos de passar horas falando “aquela bola… se ele toca mais pro lado…”, como se pudessemos refazer o lance.

Gostamos de demorar a pegar no sono agitados com o jogo que acabou agora.

Gostamos de escrever sobre isso. Gostamos de ler sobre isso. Gostamos de saber que nossa semana não se resume mas poderia ser só isso.

Gostamos de futebol.  E se gostamos, gostamos de Atlético x Palmeiras.

O último jogo decisivo que não decidia o título em 2016.  O campeão ta ali, mas não pode comemorar.  E até disso, acredite, gostamos.

abs,
RicaPerrone

Arena Congonhas

Sabe o que tem de tão especial nas imagens de Congonhas com o Palmeiras partindo pra Belo Horizonte? A liberdade.

A liberdade do torcedor em ser torcedor sem se tornar um cãozinho adestrado por um país que pune a arma e não quem atirou.  A liberdade de festejar, agitar uma bandeira e até usar fogos para deixar mais bonito o espetáculo.

Uma área livre, próxima ao seu time e com o direito de poder dizer do ladinho deles que “confio em você”.

Congonhas foi o que gostaríamos de ser nos estádios. Foi a casa do palmeirense sem regras estúpidas de “segurança”.  O saldo? Ninguém se feriu.

Quando tratado feito um idiota, a tendência é agir feito um.  Quando tratado como adulto, o ser humano tende a agir como adulto.

Isso que vocês viram em Congonhas é o que está dentro de nós, torcedores apaixonados por futebol, que nos foi tirado porque a justiça no Brasil tem vídeos, fotos e até o endereço de quem comete os crimes, mas prefere punir todos nós, que no fundo somos vítimas.

O Palmeiras viajou conhecendo uma torcida plena, sem proibições. E teve que fazer isso só no final do ano e, pasmem, tendo um estádio incrível, foi ver num aeroporto.

O abraço foi dado. O time viaja muito mais forte do que se encontrasse esse saguão vazio.  Torcida não ganha jogo, dizem.

“Só se for a sua”.

abs,
RicaPerrone

Nunca o contrário

Assisti Atlético MG e Ponte hoje com aquela certeza irritante de que os 2×0 construídos com um futebol convincente e de forma bem imponente não cabiam a quem os fez.

Embora melhor em campo, em boa fase e em casa, a Ponte Preta é sempre a Ponte Preta, o Galo sempre o Galo.  As vezes a gente esquece e, durante um jogo, aceitamos que “as coisas mudaram muito”.

Acho que desde o momento em que o Galo achou o 2×1, todas as pessoas que esqueceram a discrepância de peso nos trajes tiveram que procurar desculpas para explicar o óbvio que viria a seguir.

O Atlético empataria. Como empatou.

Poucas vezes vi um gol que deixasse o segundo tão óbvio.  O Atlético se classificou quando fez o 2×1. O gol de Robinho era mais previsível que o mau futebol coletivo do Galo de Marcello Oliveira.

O Atlético é um time que tem o imponderável a seu favor. Ou, o talento. Como preferirem.

Sabe aqueles times que não precisam de treinador? Então.  Tá aí a prova.

abs,
RicaPerrone

Qual o problema com o cheiro?

Das mil formas de polemizar no futebol, as que mais me irritam são as que condenam a risada no boteco segunda-feira.  Tire do torcedor tudo que você quiser e puder, mas não faça isso com o direito dele ter no futebol seu lazer e não o seu “problema”.

Quando nós da imprensa tratamos do assunto, tratamos como trabalho. Burrice, porque como estamos nos comunicando devemos pensar no consumidor final, não no nosso meio e nos tapinhas nas costas em prêmio merda no fim do ano.

O torcedor vê futebol no lazer dele, não por obrigação.  E se pra nós parece chato, burocrático, técnico, cheio de poréns, pra ele, não.  E quando fazemos ele pensar com a nossa cabeça não fizemos de um torcedor uma pessoa consciente. Perdemos um torcedor.

Não há NENHUM ganho para NENHUM lado quando tratamos de “time da CBF”, atrelamos dirigente corrupto a time campeão, ou quando discutimos os limites do humor entre torcedores. Todos perdem. Especialmente o burro que gerou a discussão.

O “cheirinho de hepta” não é um título, nem mesmo uma forma da “imprensa carioca” comemorar antecipado, e blá blá blá… Pára! Porra! Vocês estão malucos?

Que brincadeira mais bacana e inofensiva uma torcida pode fazer do que brincar que está começando a ter um “cheiro” no ar de título? Qualé o problema? Onde tá o pecado em sacanear o rival, abrindo precedente para ser sacaneado de volta em caso de derrota?

As vezes eu acho que além de não entender o que é o futebol em sua essência, tem muita gente trabalhando nele que também não conhece as torcidas e seus perfis. O carioca é debochado por natureza. O flamenguista é debochado, arrogante e maioria. É óbvio que ele vai criar algo assim, tipo como quando fez do Obina um craque.

Quem perde com isso? Ninguém! É bom pro futebol, pro campeonato, pra nós, pra eles, pros times, pra todo mundo.

Então porque diabos tem tanto paulista discutindo essa porra de “cheirinho de hepta” como “desrespeito” ao Palmeiras?  Que doença é essa que faz de uma piada uma debate sobre valores, ética, etc?

Senhores, lembrem-se todos os dias: futebol é algo que as pessoas assistem para se divertir.  Se você assiste futebol para ficar irritado ou por obrigação, você não é torcedor, mas sim doente. Procure ajuda.

E você que, como eu, trabalha e vive disso, se não conseguir rir de uma brincadeira dessas ou achar que é do caralho o torcedor passar a segunda-feira fazendo piada disso ao invés de discutir o Del Nero, numa boa… vai se fuder!

abs,
RicaPerrone

A história com fim

Frederico é, pra mim, o maior jogador da história do Fluminense.  O campeão, o que bateu no peito, o que veio da Europa e quis ficar. O capitão, o polêmico, o decisivo.

Odiado, amado. Adorado. Apedrejado. Defendido.

O que o Atlético Mineiro leva é um puta centroavante. O que o Fluminense perde é bem mais do que isso.

Todos nos bastidores do clube sabem o quanto a relação Fred / Fluminense se desgastou com a vontade não assumida do presidente em tomar algumas decisões.  Sempre gostei muito do Peter, mas ultimamente venho notando que suas convicções mudam muito rápido. Sua relação de fidelidade com as pessoas mais rapido ainda.

Fred é caro, mas o que é caro de verdade? Um Magno Alves a 100 ou um Fred a 800?

Mário, Simone, tantos outros que eram “de confiança” e que passaram a culpados.  Curioso é que o Fred ganha o que o Fluminense lhe ofereceu. É sempre bom lembrar que não houve uma arma na cabeça por parte do jogador tentando roubar o clube. É um acordo.

Acordo esse que “ficou caro” e, sem coragem de assumir, fez com que Peter empurrasse Fred pra fora aos poucos até conseguir “se livrar” do salário do ídolo.

Ambiente conturbado, cheio de problemas, ano de eleição. Odeio política em clube, mas a saída do Fred é política. Não dá pra fingir que não sei e tratar como uma escolha meramente nas 4 linhas.

Eu sei quanto valia o Fred por mes. E o torcedor do Atlético provavelmente não vai demorar pra descobrir. Trata-se do melhor centroavante do futebol brasileiro há pelo menos 6 anos, desde que Adriano deixou o posto.

Mas quanto vale essa história? Quanto valia cada pivete que não se vendeu ao “meu Chelsea” porque tinha em Fred sua referência, seu ídolo?

 

A palavra é responsabilidade. Fred adorava conduzi-la, mesmo quando não era sua, enquanto Peter tem pavor dela.

Sorte do Galo que, oportunista como seu novo centroavante, viu a bola quicando na área e fez um golaço. Tens agora os dois mais importantes atacantes do futebol brasileiro lado a lado vestindo sua farda.  És protagonista de véspera. E talvez isso valha o que “custa” um Fred.

abs,

RicaPerrone

 

Clássico é clássico…

revervr…e vice-versa, diria o filósofo e centroavante Jardel.

O que seria do resto deste domingo de páscoa não fosse o delicioso gosto de saber que o resultado deste clássico é discutível até terça-feira?  Que o goleiro pressionado errou como esperado, que o time desfalcado sentiu como previsto? Que embora tenha jogado menos, chutado menos e criado menos, o vencedor acertou um chute a mais.

Que “se tivesse expulsado…” teria sido diferente.  Mas não expulsou. Aí está seu alvará.  E não há nada que um torcedor goste mais numa derrota do que ter uma desculpa irrefutável da arbitragem.

Sim, o juiz errou ao não expulsar dois jogadores do Cruzeiro em questão de 5 minutos no começo do segundo tempo.  Pode ter errado em outros lances também, embora eu não considere nenhum dos demais tão indiscutíveis quanto as expulsões.

O que me deixou feliz neste Galo x Cruzeiro foi Rafael Silva.  Não pelo seu belo corte de cabelo, que aliás copiarei, mas pelo gesto divertido e provocativo ao fazer o gol da vitória.

Batendo asas, como um galo (ou uma galinha)  sacaneou a torcida rival e nem por isso foi pisoteado pelos adversários em campo.  Ao final do jogo, camisas, abraços e tudo certo. Afinal, é só futebol.

Pobre do sujeito que acha que a ignorância alheia é culpa da brincadeira inofensiva de alguns.  Mais pobre ainda o futebol quando condena atitudes que tornam gols épicos em busca de um ambiente enlatado e babaca.

O Cruzeiro talvez não tenha merecido vencer o jogo pelo que jogou. Mas Rafael Silva, este sim, pelo que fez após o gol, merecia.

abs,
RicaPerrone

 

“O cara” era outro

image (1)Cazares, Patric, Robinho, Pratto ou Luan?  Quem você queria ver hoje?

O gringo de boa movimentação, ótima estréia no primeiro tempo ou o “pedalada” no segundo?  O matador? O corredor?  O craque do jogo anterior?

Enquanto todos esses desviavam do brilho dos holofotes numa partida de 30 minutos muito bons, 15 razoáveis e 45 bem contestáveis, um rapaz de pouca mídia colocava o Galo nos eixos.

 

Mapa de calor: O dono do meio campo

Se na saída de bola, foi o jogador que mais vezes tocou na bola na partida (87). E ainda assim, pasmem, foi o que menos errou passes (94%).

Na defesa, o cara que retomou 14 bolas pro Galo.  No alto, o que ganhou todas que disputou.

O dono do meio campo, do time, do equilibrio entre um time que ainda oscila e não encontrou uma fórmula para evitar que, por exemplo hoje, perca mais de 50 posses de bola para o adversário.  E enquanto acontece, o reequilíbrio vem atrás daqueles que poucos correm pra entrevistar no final, mas que sem ele, talvez houvesse outro final.

Rafael Carioca, “o cara” de um Galo que ainda não mostrou “a cara”, mas que tem cara de que vai dar muito certo.

abs,
RicaPerrone

“O vencedor de 12 Oscars”

Robinho é como um filme bom. As vezes você só o assiste depois de todo mundo dizer que ele é o melhor filme do mundo e, então, se frustra.   “Vencedor de 12 Oscars, premiado em Berlim, recorde de bilheteria….”, você não vai ao cinema ver um bom filme, vai ver “o melhor filme da sua vida”. E talvez ele seja “apenas” um grande filme.

A diferença entre a sua expectativa e a qualidade do que filme não podem ser atreladas para avalia-lo.

Robinho é um jogador de carreira excelente! Um craque.  Foi o novo Pelé? Não. E isso não quer dizer que foi um fracasso. Apenas que nós exageramos.

Um cara com 100 jogos pela seleção, 30 gols, campeão no Santos, no Milan, no Real Madrid e na seleção, com prêmios individuais importantes durante a carreira e que aos 32 anos se torna facilmente o jogador mais importante do Brasil não fracassou.

O Galo paga caro porque Robinho tem que ser caro. Há quem considere que fazer sucesso na Europa é ser Neymar. Mas não, isso é só mais um delírio da mídia baba ovo que acha que ser campeão no Santos é menos importante do que ser titular da porra do Manchester City.

Em 2007, pelo Real, Robinho foi eleito o melhor jogador da Europa em sua posição.

Um jogador diferenciado, que respeitou por duas vezes sua relação com o Santos e que dessa vez optou por tentar ganhar uma Libertadores num outro clube, nem rival direto.

“Ele não ama o Santos!”. Não pira.  Em 2016 você ainda tá nessa de que jogador deve amar o clube e jogar lá por isso? Ele não tem 37 anos, tem 32.  Ele ainda joga em muito alto nível. Não é o fim de carreira pra abrir mão de uma puta grana e reduzir seu patamar podendo ainda, amanhã, assinar novos contratos. Sem contar que o clube deve dinheiro a ele.

Robinho é, a partir de agora, a maior atração do campeonato brasileiro. E se isso não basta pra justificar sua contratação, fiquem com vossa programação normal. E viva os nossos volantes que “erram pouco”.

abs,
RicaPerrone