globo

Saudades, mundo!

Eu sinto muita falta do mundo real. Cada dia que passa eu me sinto mais enfiado num planeta virtual de pessoas que não existem ditando regras pra uma maioria covarde calada que as aceita em troca de paz.

Conseguiram achar homofobia numa piada que nem o cruzeirense se incomodou.

Nem mesmo a mais pura e acéfala paixão clubistica encontrou os problemas que a mídia caça no desespero por cliques.

Marcos Rocha chamou o Cruzeiro de “Marias”, apelido que os rivais usam pra tirar sarro do gigante Cruzeiro. E só.

Conseguiram colocar homofobia numa ligação dele e bota-lo na capa dos sites, as vésperas de ser campeão, de forma negativa.

As vezes acho que se o mundo fosse perfeito a imprensa não existiria. Ela é incapaz de extrair uma pauta de algo que não seja destruir alguém ou alguma coisa.

E segue o baile. Porque nós, que vivemos ainda em terra firme, achamos ridículo mas preferimos não confrontar a minoria doente e barulhenta que dita a sua vida hoje.

RicaPerrone

O jogo que não passou na tv

Existe um outro campeonato por trás de todos os campeonatos. E eu consigo afirmar que, pra quem trabalha nisso, é o campeonato que realmente importa.

Neste torneio você tem dois vencedores. O que ganha dinheiro e o que sinaliza virtude pra, em seguida, com isso ganhar dinheiro também.

Quando você vai a uma agência de publicidade hoje em dia você se depara com aquele universo paralelo igual um jantar de artistas. Gente de cabelo azul fumando maconha achando que os problemas do mundo serão resolvidos com amor.

Na verdade o grande problema do mundo é a burrice. Some isso a ganância oportunista e temos um caos.

O que é bom falar hoje? De mulher, gays e racismo. Ok, como minha marca engaja nisso?

Pra ajudar? Não, idiota. Pra lucrar e mostrar pros acionistas os numeros. É só isso que importa.

E quem está do outro lado da mesa quer a verba. E quem não vai receber a verba quer a virtude. Que amanhã se converterá em dinheiro, embora se digam quase todos socialistas.

É um show. Só isso. Ou um circo, melhor dizendo.

O produto futebol feminino é ruim e tem baixa demanda. Se eu aumento a demanda forçando expectativa eu trago as marcas que buscam essas causas pra perto. Vendo, encho o rabo de dinheiro, pressiono as meninas por algo que elas não podem entregar e… que se foda! O meu já ta no bolso.

Ah como eu amo a mulher! Mesmo que pra isso eu tenha que defender que homens entrem em campo com elas e as destruam no esporte.

Bla bla bla…

Foi só dinheiro e mais um episódio triste pro esporte. A venda do feminismo como negócio e a burra aceitação da esmola por algumas mulheres.

Enquanto você vê luta, eu vejo grana. E enquanto você não conseguir ver a grana, eles vão continuar te vendendo lutas das quais não fazem parte.

E segue o baile.

Qual será a próxima grande causa a movimentar milhões com discurso?

RicaPerrone

Rubinho por Rubinho

Numa ótima entrevista ao GloboEsporte.com, Barrichello falou sobre tudo. E ao passar pela relação com Michael e sobre a Áustria 2002, ele confirma os motivos pelos quais o respeito sem ser um admirador.

Ele acha que melhorou a F-1 ao fazer do seu acordo um circo. Eu acho que ele desrespeitou e ridicularizou a empresa que o pagava e ainda a deixou em situação impopular ao ponto de não poder sequer demiti-lo.

Foi a mesma coisa que o Ganso fez com o Oswaldo. Ele calculou a porrada e a blindagem. Usou o povo pela causa, esqueceu a hierarquia que concordou quando assinou seu alto salário e resolveu ser coitado.

Compreendo. Mas minha admiração por um esportista se determina exatamente aí. Eu não sou fã de quem tenho dó. Sou fã de quem fode a porra toda e, aí sim, muda a Fórmula 1.

Imagina se ele ganha a corrida, diz que recebeu a ordem e que não cumpriu porque vai peitar o Schumacher? Ganha apoio popular, ferra a equipe, mas teria sido coerente. Só entregar pra ser vítima me soa mais covardia do que ousadia.

E na cabeça dele, conforme dito na entrevista, ele se acha próximo do Michael. Algo que obviamente não é. Estamos falando de um bom piloto com zero perfil de campeão e de um campeão nato, aliás, o maior deles.

É confuso na cabeça dele, conforme a entrevista, a relação entre tomar uma medida populista e ousada. Fazer barulho não é ousado. Fazer o que acredita seria. E ele acredita que tinha que ganhar. Eu acredito que ele não tinha que ter renovado, portanto.

E se fez, em algum momento foi contraditório. E se foi, não seria ousadia. Mas sim rebeldia.

Sou a favor de que quando o esportista pára, as críticas acabam e ele se torna uma bela história. Portanto não cabe mais avaliar o Rubens, apenas tê-lo com carinho em nossa lista de notáveis.

Mas que essa versão de 2002 é bem contraditória, é. E insisto nela porque sou torcedor da Ferrari e me senti muito mais agredido do que ajudado. Talvez não se lembrem, mas ele trabalhava pra Ferrari, não pra F-1.

RicaPerrone

Nunca serviu pra nada

As emissoras, marcas e agências tem uma tendência simplista de ir na direção do que parece moda e ignorar os fatores individuais de cada produto. “É live!” então vamos fazer live. “É interatividade”, então mete o povo pra participar de tudo.

Eu costumo usar o exemplo da Copa de 2018 que aconteceu comigo. Foi um momento de “live” na internet. Mais de 10 empresas, via agências, me procuraram pra fazer campanhas com lives antes dos jogos do Brasil na Copa.

Jesus! Eu tive que dizer pra todas elas que era uma tragédia anunciada. Que uma hora antes do jogo numa Copa a Globo ta no ar com 20 cameras, 355 repórteres e todas as pessoas reunidas num churrasco na sala. Quem é o idiota que vai ficar numa live me vendo falar da minha casa?

O número seria exposto, o fracasso seria nítido pra mim e pra marca. Mas esse era pra ser o papel da agência, não o meu.

Mesmo cenário se aplica a emissoras. A leitura da rede social, da internet e da interatividade é absolutamente burra. Ela tem bem menos importância do que se imagina na medida em que 1% do total atingido reage a isso.

Ou seja, está na sua mesa: a enorme maioria das pessoas quer consumir e não participar.

Quem comanda as ações em massa na web? Adolescentes.

Existiu na história do mundo algum adolescente não idiota? Não. Então qual o ganho em se permitir grande interatividade?

O que acrescentam os comentários na web? Que tipo de votação popular tem resultados dignos e não manipulados por um grupo? Que votação de futebol não se torna imediatamente numa competição entre torcidas pra mostrar força?

Não é útil. É moda. São coisas diferentes.

A Globo, como um dos maiores canais de mídia do mundo, deveria ser um dos primeiros a perceber isso e não a replicar. Mais uma amostra do quão perdida está na era digital.

A interatividade é irrelevante. Todo conteúdo publicado tem em média 200 comentários para 30 mil visualizações.  É menos de 1%.

Ou seja, não é real que o povo queira participar. Uma dose insignificante dele quer. E nesta dose está primordialmente os desocupados, adolescentes e pessoas dispostas a aparecer.

Qual a chance disso dar certo?

A mesma de quem contrata o Sidão ter segurança no gol.

RicaPerrone

O que a TV ainda não sabe


A TV brasileira ainda não vê futebol como deveria e isso se mostra no dia a dia dos clubes. Bato nessa tecla há mais de uma década que ao regionalizar o futebol brasileiro e enfiar o europeu na goela do torcedor você é incoerente e prejudica o seu negócio.

Exemplo simples: Porque em SP eu nunca vejo jogos do Cruzeiro? Porque na cabeça imediatista da tv é melhor passar só paulistas pra SP, só cariocas pro RJ, e assim dá audiência e tá resolvido. Se fosse verdade que não há como aumentar a perspectiva do torcedor em relação ao que assistir não haveria jogo internacional na tv.

Então, sejamos ainda mais práticos: olha o Grenal de ontem. Foi só ele, sem que dividisse atenção com outros jogos um em cada estado. O que aconteceu?  Repercussão nacional. Todo mundo viu o jogo, todo mundo está discutindo o jogo e os dois times tendo uma exposição de mídia enorme.

O Galo e o  Cruzeiro decidem sábado. Vai acontecer a mesma coisa. E porque toda rodada do Brasileirão se enfia os melhores jogos na mesma hora?

Porque não se espalha os grandes jogos para termos 3 destaques nacionais ao invés de um regional por estado?

A rivalidade pode surgir entre times de estados diferentes, isso é nítido. Basta ver que tem pivete discutindo por causa de Barcelona na escola. Se a distância sumiu, porque insistimos nela internamente?

A final do Paulista devia ser quinta, a do mineiro sábado e carioca domingo, por exemplo. Teríamos tido 4 dias de total atenção a cada decisão, cada time, patrocinador, evento.  Mas vamos ter todos o mesmo mundinho de bairro no mesmo dia e hora.

Porque? Porque é mais fácil ter 30 pontos domingo e vender pra casas Bahia do que ampliar o futebol nacional, valoriza-lo, torna-lo mais caro e não poder pagar pra renovar.

RicaPerrone

Autodestruição

Bolsonaro é um cara bruto, pouco diplomático e muito disso o levou ao cargo que ocupa. Quando compra briga com a imprensa ele divide opiniões: metade acha que ele sabe o que está fazendo, a outra metade que ele está postando qualquer coisa.

Sou da segunda opinião. Embora eu tenha convicção de que na guerra eleitoral ele venceu a imprensa, na pós eleição tenho dúvidas se vale a pena ficar peitando ao invés de simplesmente ignorar-la.

Mas isso não é importante aqui. Meu ponto é outro, e talvez eu seja um dos poucos que possa dizer isso por não estar atrelado a emissora nenhuma e nem dever favor ou cargo pro coleguinha.

A imprensa é de esquerda. Alguns setores tendem a ser de esquerda porque vende-se a idéia de que estar deste lado é mais humano. O viés é claro. Não significa que não haja gente de direita, apenas que a grande maioria de professores de história, jornalistas e artistas sejam de esquerda.

Quando um cara de direita que grita abertamente contra a esquerda consegue o poder com toda mídia contra ele, há um inimigo declarado. Normalmente esse cara compraria o lado de lá. Daria lei rouanet pra artistaiada toda, contrataria uns 50 pra fazer campanha de vacinação na casa do caralho e encheria a imprensa de patrocinador.

Mudaria o viés do jornalista? Não. Mas o chefe dele, que é quem manda, iria mexer nas peças. O jogo de xadrez não é gritado, é pensado. Chefe de redação de TV contra o Bolsonaro não orienta a equipe a foder o cara. Coloca um esquerdista aqui, dois no esporte, sobe de cargo mais um ali e quando você nota estão todos alinhados sem que uma palavra seja dita.

Quem decide o que uma emissora acha é o comercial. E todo jornalista que acha que não está completamente equivocado.

A imprensa não quer Bolsonaro.

E essa questão tem três fatores simples: comercial, ideológico e ego.

O comercial porque ele está cortando a verba de publicidade. O ideológico porque ele é de direita. E o ego porque ele não venceu só o PT. Venceu a imprensa quando eleito. Decretou que a importância de um jornalista hoje é infinitamente menor do que foi um dia. E isso dói.

Ele é político há 30 anos. Se quiserem achar, vão achar. E enquanto ele estiver cortando a verba e peitando, vão procurar. O que a mídia quer é uma barganha, não a moral do país. Os mesmos caras que apertam 13 com o candidato dizendo “ser Lula”, ou seja, o líder do maior esquema de corrupção já descoberto, não pode falar em moral, ética ou compromisso com alguma coisa.

O que a mídia quer é tê-lo nas mãos pra ver se a grana volta. E ele quer peitar a mídia porque, assim como eu fiz há 20 anos, ele notou que as pessoas odeiam a imprensa e que a tendência natural é o abandono dela, como há 20 anos acontece culminando na eleição do próprio.

Só que ele deve satisfações ao povo, eu não. Então ele terá que atingir uma parte da sociedade via imprensa convencional e, se não o fizer, terá que explicar todo santo dia alguma insinuação desta parte ignorada por ele.

Sobre o Flávio? Sei o mesmo que vocês.  Está em investigação e cheira mal. Mas é tão cara de pau a orientação que no mesmo relatório que apontou 1,2 milhões suspeitos no gabinete dele havia outros de até 50 milhões suspeitos e ninguém abre uma linha pra citar o acusado, o partido, como andam as investigações.

Porque? Porque não interessa.

Imprensa e Bolsonaro estão em guerra, os dois tem bazucas nas mãos e ambos vão sair no mínimo muito machucados.

O que eu quero dizer aqui é que o Bolsonaro não é santo, e eu não boto um dedo no fogo por ele ou por político algum. Mas que estando do outro lado eu posso garantir que de cá, com microfone nas mãos, há menos santos do que lá.

E não, eu não ma refiro a menina do estadão. No áudio dela não há nada demais. Só uma jornalista dando a opinião dela em off pra um terceiro. E sim, ela tem o direito de lamentar se houver algo errado e “não der em nada”.  Como aliás, todos nós devemos ter.

Deixem que investiguem. A maior resposta que o povo “não petista” pode dar é se opor ao Bolsonaro em caso de alguma condenação. Mas ele não é réu, imagine condenado.

Embora ser condenado no Brasil para enorme parte dessa mesma gente seja motivo de apoio e não de repulsa.

RicaPerrone

Globo triplica audiência com a seleção

Redes sociais juntam todas as pessoas infelizes que até alguns anos atrás não saiam de casa, não tinham amigos e viviam amarguradas sem ter onde destilar sua infelicidade e também as pessoas normais. Essa mistura confunde, mas é fácil entender.

Quanto menos vida, mais você reclama. E não há nada melhor do que uma rede social pra reclamar. Lá, você jura que o MasterChef dá 20 pontos, que a NBA é um fenomeno de audiencia e que o Bolsonaro tem 95% nas pesquisas.  No mundo real as coisas não são assim.

Lá no muro de lamentações virtual é fácil você achar que “ninguém liga pra seleção”, que a Copa será um fracasso de atenção do torcedor e etc. Mas toda Copa se diz isso, e toda vez o mundo desmente.

Sabe qualé a audiência da Globo domingo as 11:30 da manhã?  Em média 9,8 pontos.

Sabe qualé a maior média de audiencia da Globo aos domingos? O Fantástico, em média 21 pontos.

O futebol dá uns 20. As vezes mais, depende do jogo.

A seleção brasileira em seu AMISTOSO domingo deu a Globo picos de 35 pontos.

Flamengo e Corinthians deu ótimos 28.

Há quem siga repetindo que o futebol no Brasil perde espaço, que as pessoas ligam menos e que não haverá comoção na Copa. E há a verdade.

Fique com a segunda.

abs,
RicaPerrone

Entendeu, Juninho?

A pergunta que eu mais respondo na vida é porque escolhi ser independente do que seguir a carreira tradicional de imprensa numa emissora.  As vezes, até pelo alcance que tenho, é meio estranho não querer estar numa emissora, que é o sonho antigo do jornalista.

Mas óbvio que já estive, óbvio que recebi convites e sondagens de diversas emissoras. E não porque eu sou foda, mas porque tem muita gente ruim e eu carrego algo que eles adoram: patrocinadores.

Eu nunca trabalhei pra Globo.com como hoje também não sou funcionário da BandNews. Eu faço parcerias comerciais no CNPJ e eu que levei 100% dos anunciantes onde estive até hoje.  Logo, se você tem em mente que eu sou alguém que discursa uma coisa e faço outra por ter tido um blog na Globo e uma coluna na BandNews, retire.

Juninho é um sujeito do bem. Eu o conheci, nunca falei com ele sobre política e talvez por isso tenhamos nos dado bem. Nesse processo dele virar comentarista achei absolutamente detestável sua postura e a maioria de suas opiniões.  Todas elas muito políticas, ligadas a uma cabeça esquerdista da qual discordo totalmente.

Mas, mesmo achando uma burrice enorme estragar uma imagem de simpatia de 100% das torcidas pela rejeição até mesmo dos vascaínos, entendi tudo melhor quando conheci a avaliação de quem o cerca.  Infelizmente Juninho não teve alguém muito inteligente pra orienta-lo nessa transição. Ao contrário do Roger, odiado por muitos enquanto jogador, hoje pra mim o melhor do Sportv.

O que há de fantástico nessa história toda é a mística.

Juninho fez comentários absurdos sobre o Flamengo e sua torcida, e lá permaneceu. A Flapress tão aclamada não o censurou. Mas bastou mexer nos coleguinhas …. aí fudeu.

Quando ele disse o que disse sobre setoristas, ele pode até ter errado em generalizar embora eu entenda que a generalização seja um mal necessário para o poder de síntese de qualquer teoria.  Mas ele não mentiu.

Existem, e não são poucos, jornalistas filhos da puta que perseguem pessoas pelo mero prazer de destrui-las. E sim, do lado de cá, afirmo: O fato de estudar e ganhar 1% do que o “analfabeto” do outro lado do microfone ganha muitas vezes gera uma raiva e frustração que é sim descontada com o poder do microfone.

Eu nunca quis fazer parte e sai cedo quando vi exatamente por entender que ali havia o meu ponto de discórdia. O clube, o jogador, o dirigente, nada disso é meu inimigo. Eles são a parte que me sustenta, não a que eu devo ter como alvo.

Jornalista ganha mal porque nenhuma aula explica pra ele na faculdade que quando se tem lados no entretenimento você não faz jornalismo. E se fizer, burramente, vai ser inimigo da galinha dos ovos de ouro. Morrerá pobre.  Ou, com sorte, de vida razoável e sem amigos.

Os mais espertos entendem rápido que trata-se de entretenimento e portanto qualquer perseguição, porrada forte, cara fechada e tratar um jogo como uma crise no governo é de extrema burrice, não serve pra ninguém e piora sua condição no mercado.

Repare que quase todo jornalista que se presta ao ridículo de ser sensacionalista e prejudicar clubes/jogadores tem dificuldade pra encontrar espaço após a terceira demissão quando a emissora/jornal entram em óbvia crise.

Juninho não mentiu. Pela primeira vez ele fez um comentário forte, justo, mas no alvo que ele não podia dar.

No Mundo existem diversos poderes. Nada se compara ao dado a pessoas com 4 anos de faculdade e um microfone na mão. Tanto não que o próprio Juninho fez uso dessa “magoa” ou seja lá o que for pra condenar uma zoeira de uma comemoração sendo que ele já fez gesto obsceno pra torcida.  E em seguida chamou uma torcida de preconceituosa por um jogador que não tem jogado nada ser nordestino.

Ou seja, Juninho tem tanta razão que ele mesmo fez o que condenava. Só que dessa vez bateu na única coisa que determina a relação dentro da imprensa:  o tapinha nas costas.

Ninguém liga se o torcedor gosta. Quem tem que gostar é o editor que babou ovo até chegar onde ele está. E se ele não gostar, você vai parar por ali.

Eles nunca vão brigar com o colega que vai na noite atrás do jogador pra causar problemas na vida pessoal do cara a troco de um clique. Mas pra cima de você quando revela o mistério da emboscada jornalística a um jogador que fulano não gostava, sim.

Olhe a quantidade de prêmios de jornalismo dados a pessoas que você nunca ouviu falar. Eles fazem o mesmo que outras dezenas que você sempre ouve falar. Mas fazem pro chefe, não pra falar com você, torcedor.

Essa relação está falida. Se você duvida, olha pro Desimpedidos que não opina sobre quase nada, não informa nada, apenas leva entretenimento e está ganhando espaço e tubos de dinheiro.  Ok, patrocinado! Mas qual emissora não é patrocinadora dos próprios programas?

Juninho, meu caro, você foi um péssimo comentarista. Um craque de bola. Mas sua passagem pela mídia pode ter servido pra muita gente ver algo que se negam e que é tabu dizer:  desagrade a quem for. Ninguém liga. Mas não mexe com a “turma”.

abs,
RicaPerrone

O dedo, não!

Senhoras e senhores deste país honesto, transparente, fofo, ético e cheio de bons costumes, me perdoem pela imagem acima.

Aliás, perdoem também o marginal Vizeu, que cometeu este crime em meio a um jogo de futebol repleto de senhoras, crianças, adultos, etc, etc, etc.

Eu fiquei estarrecido.  Assisti as imagens no Fantástico e notei algo para cobrir o gesto do jogador, como aliás vi em diversas emissoras sendo embaçada a imagem da mão dele. Ninguém pode ver um gesto daqueles na tv brasileira, senhores. Onde vamos parar se nos permitirmos ver uma pica de dedo?

Sexo de mãe e enteado na novela das 8, foda-se. Criança e adulto pelado no museu, foda-se. Drogas, putaria, sexo explícito em tv de madrugada, idem.  Mas a piquinha do Vizeu… aí não dá! Temos que parar o Brasil para discutirmos esse tema.

Onde já se viu duas pessoas jogando futebol discutirem? E uma delas, que fez um gol, perder a cabeça numa euforia boba, afinal o que fazer um gol em casa levando a Libertadores?

E neste momento de absurdo desequilibrio Vizeu, o marginal, faz o gesto mais censurável do mundo: manda uma pica.

Rodolpho chega a ter princípio de AVC, tamanha a agressão. E quando eles saem do campo abraçados como acontece em TODAS as peladas do país TODOS os dias, os de terno dizem na tv que “acharam mentira”, “rachou o grupo”, “agora fudeu”.

O Flamengo venceu, tá de volta a Libertadores neste momento, fez as pazes com a torcida.  Eu adoro quando a verdade da vida vaza com a camera no “on”.  Os hipocritas ficam malucos, os web-vivos surpresos e a gente dá risada.

Porque é assim. Como é.

abs,
RicaPerrone

Entre o clubismo a hipocrisia e os fatos

Há o rubro-negro que está puto com a suspeita e que a rejeita embora saiba que se fosse ao contrário teria a mesma desconfiança dos santistas.  Há o santista, que acha que é justo um não penalti ser marcado porque é um erro legítimo do juiz e isso torna o lance penalti.

Há toda a mídia fazendo de desentendida como se não soubesse e não fosse fonte desde a invenção do replay.  Juizes, bandeiras, treinadores e jogadores sabem, segundos após o lance, se houve ou não um pênalti. Basta olhar pra cara do repórter de melhor relacionamento.

Há interferência externa há algumas décadas. Elas só estão ficando mais rápidas, mais discutíveis e com mais arbitros em campo ficam mais fáceis de ser repassadas.

Foi o caso na Vila? Não sei. Mas desconfio que sim. Pelo histórico, pela distância, pela raridade que é um juiz 15 metros mais perto do lance consultar alguém que estava a 40 pra saber o que aconteceu. Enfim.

Não importa. Fosse o contrário o flamenguista estaria fazendo exatamente o que o santista está fazendo hoje. E no clubismo se perde a noção de que na real pouco importa pra que lado foi, mas que é preciso que seja claro todo jogo.

Ou pode ou não pode. E enquanto não puder será velado. Mas acontecerá.

Se você, juiz, sabe em 5 segundos que há um erro que muda o jogo e ainda pode evita-lo, você evita. E não oficializar isso com 30 reporteres atrás de cada gol e o replay quase instantaneo das tvs é hipocrisia.

Entre o clubismo de acusar ou negar conforme o lance, a hipocrisia de fingir que a tv não interfere e os fatos, prefiro me ater ao último e buscar a solução.

Há interferência. Há décadas. Cada dia mais.

Vamos assumi-las ou fazer do futebol o mesmo teatro que é a F-1 quando se finge que não há mais jogo de equipe.  Só se atrasa o pit stop “sem querer” de um e escolhe-se da mesma forma o vencedor.

Pra que mentir quando todo mundo sabe a verdade?

Quando a amante e a esposa sabem, aceitam, se conhecem… tenta um menage.  É melhor do que tentar continuando a mentir pras duas.

abs,
RicaPerrone