guanabara

Preto no branco

Se fora do campo tudo ficou confuso, dentro dele foi bastante claro.

O Fluminense tem a bola e, como disse desde o jogo contra o Flamengo, terá quase sempre. Seu objetivo é a posse. Sua forma de não ser pressionado é essa. E se você eventualmente entender a posse de bola do Flu como uma arma ofensiva, entendeu errado.

Quanto mais você tem a bola mais você tem obrigação de criar. E se mesmo assim cria muito pouco, maior a sua inoperância ofensiva. O Fluminense joga mais do que se esperava dele no papel, muito menos do que se faz dele a cada partida do estadual.

Contra os fracos ter a posse significa criar. Contra time grande significa ser pouco pressionado.

O Vasco fez um turno muito bom e venceu merecidamente. Não porque chuta mais ou menos que o Flu, mas porque precisa de 10 minutos de posse pra fazer o que o adversário faz em 40. Isso é diferencial.

E entenda que não acho ruim o que o Diniz propõe, apenas não me iludo com a posse.

Entre contratos, dados, argumentos e entrevistas desnecessárias, o Vasco teve mais do que razão: teve o título.

E embora ele não valha mais nada porque a FERJ é tão estúpida que conseguiu desvalorizar o formato mais simples e antigo do Brasil, ainda é evidentemente melhor do que não ganhar.

De quinta-feira até o apito final do jogo o Fluminense falou, discutiu, prorrogou, analisou, argumentou… o Vasco vendeu ingresso e venceu o jogo.

Serei prático  já que qualquer letra que eu postar vai gerar ataques de clubismo dos dois lados.  Acho que tendo mando o lado era do Vasco. Não tendo, do Flu. Havia.

E em campo, o Vasco jogou pra ganhar o campeonato enquanto o Fluminense joga pra ter a bola.

Futebol se joga pra levar a bola a algum lugar. Não para tê-la apenas.

RicaPerrone

Pelos seus 452 anos

Querido Rio de Janeiro,

Eu tenho feito tudo que posso para amenizar as bobagens que vocês fazem por aí e dar à terra de meu filho a melhor condição possível. Infelizmente não posso fabricar dinheiro para cobrir rombos de políticos, nem mesmo mandar reforço policial para resolver o problema da violência.

Mas pude fazer o mar, as praias, os lindos morros que vocês tem e alguns traços dessa gente que destoa da humanidade pelo sorriso estampado.

Nestes 452 anos, pouco tenho a oferecer após toda a paz olímpica e na Copa. Mas não vou deixar vocês sem “uma lembrancinha”.

É carnaval, sua semana favorita. Lhes mandei de volta Portela e Império Serrano. De quebra, devolvi a Mocidade ao topo, até em virtude de um meio ateu chato pra caramba que só lembra de mim em apuração, pênaltis e turbulência que tem aí. E é paulista o desgraçado.

Enfim.

Não pude conter os problemas, a violência, as coisas todas que fazem vocês teimarem com a minha vontade e não permitirem ser o Rio de Janeiro o lugar mais perfeito do mundo.  Mas quero que vocês terminem as festas sorrindo, e por isso lhes mando também um maravilhoso Fla-Flu.

Vai ter gol de todo jeito, emoção até o fim, paz no estádio e eu mandei derrubar a liminar das torcidas. Onde já se viu? Separar vocês? Pelo amor de mim mesmo…

A discussões sobre o vencedor foi complicada aqui em cima. O João de Deus tem crédito, São Judas Tadeu também. Mas no final optamos pelo tempo de casa. E então, com todo respeito ao Flamengo, time de meu filho como já provado em outros tantos milagres,  mas dessa vez o aniversário é temático e “retrô”.

Acompanhando Portela e Império, além da vaga que dei ao Botafogo na Libertadores, resolvemos por ti, Fluzão.

Mas com emoção, empatando, sem ninguém sair chateado. Ok?

Feliz aniversário, Rio! É só uma lembrancinha, mas é pra tu não esquecer do quanto te amo e do quanto gostaria que você se cuidasse mais.

Ah! Quarta-feira lhes devolvo o Maracanã. É que não deu tempo…

Deus.

Insuportáveis fatos

Odeio fatos. São contraditórios, incontestáveis, irritantes.

Oswaldo Oliveira nunca me convenceu, sua liderança é calma, em tom amistoso, quase deixando dúvidas sobre o que está tentando fazer.

Não deve funcionar, porque os argumentos todos dizem que nada disso funciona.

A torcida vaia, o centroavante que ele inventou é um cone com rodinhas, mas ele segue lá, teimando, até quando todos duvidam do sucesso.

E aí, sem mais nem menos, o contestável torna-se senhor da razão.

Hoje, após um “massacre” no Vasco e vindo de outro no Flamengo, não tem um sujeito no mundo, por mais botafoguense e depressivo que seja, capaz de contestar o que foi apresentado.

Venceram sem a vantagem. Venceram no contra-ataque e depois contra uma retranca terrível.

Deu Botafogo de todos os jeitos, incontestável, quase nem parecia o Botafogo.

Cheio de segurança em campo, postura de vencedor desde o primeiro minuto. Um time com fé, não com síndrome de coitado.

Um Botafogo que dá esperança, não por ser brilhante, mas por se impor.  Aquela derrota pro Flamengo no turno pode ter sido o grande ponto de partida pra um time mais marrento, menos “mauricinho”, vencedor.

Com a elegância que os acompanha desde sempre, mas enfim com cara de mau, o Fogão conquistou o Rio primeiro em 2013.

Incontestável.

Daqueles que odiamos adorar não poder mais contestar.

Por uma semana, eu sei. Que seja.

São fatos. E contra eles, apenas a nossa insuportável capacidade de ir do céu ao inferno com o futebol.

A favor deles, o contrário.

abs,
RicaPerrone