independiente

Bom resultado e só

O Santos que nada jogava agora consegue, ao menos, resultados. Se ainda passa longe de ser um time de bom futebol e algum favoritismo a títulos, pelo menos já tem uma proposta de jogo e uma noção mais clara de suas limitações.

Não posso achar bom um time desse tamanho jogar uma partida de Libertadores sem dar um chute a gol. Mas posso ver alguma coisa nesse time que há 1 mes tomaria 2×0 lá e também não chutaria no gol provavelmente.

O time argentino é bem comum. Mas o discurso não é determinante quando o do Santos hoje também é. E é.

Um jogo de camisas, de muita pegada e pouco futebol de ambos os lados. Mas é evidente que a volta no Pacaembu dá ao Santos uma possibilidade maior de classificação.

E assim sendo, o resultado na Argentina é bom. O futebol não. Mas o resultado, sem dúvidas.

abs,
RicaPerrone

Eles fingem que sofrem

É tudo mentira.  Eu estive lá algumas vezes em 2016 e 2017 e lhes afirmo: é uma farsa.

Esse drama que eles fazem, a cara de medo enquanto o jogo acontece e a lamentação por ter sido sofrido, tudo mentira.

Eles sabem que vão ganhar. E se pudessem escolher como, escolheriam exatamente como hoje.   O baile de Lanus é maneiro, mas eles gostam é da porra da Batalha dos Aflitos.

Se fosse 4×0 hoje eles sairiam de lá felizes. Sendo nos pênaltis um perrengue do cacete, eles sairam de lá de alma lavada.

Ao final, pelas rampas da Arena ou nos bares na frente do estádio, se abraçam e dizem artisticamente que “quase morreram”  de nervoso. Mentirosos! Eles sabiam.

Eles sempre sabem.

O ritual pré jogo, a tensão do jogo, o desespero na prorrogação. Tudo combinado. Eu tenho alguma convicção que gremista se reune antes do jogo e combina a cena.

E segue tudo como sempre foi. Copeiro, guerreiro, sofrido e campeão.

Renato, Grohe, a calma do Luan, as maravilhosas entradas no limite do duro e violento do Geromel.  O Grêmio tem seu ritual.

E como todo ritual, sabemos o final.

abs,
RicaPerrone

Punir o clube é punir o futebol

Eu nunca entendi bem a relação segurança/clube no futebol.  O clube é responsável pelo jogo mas a segurança é feita pela polícia, logo, não é dele. E embora ele seja o organizador, a parte fundamental de logística de segurança ele não determina.

Então de quem cobrar?

Vou usar exemplos simples:  Quando o Grêmio é expulso da Copa do Brasil por racismo, comete-se um erro brutal.  Se dá o poder a 20 elementos de eliminar o sonho de milhões e o trabalho honesto de um clube, grupo, elenco, diretoria, etc.  Se há o vídeo, se há como saber de onde partiu, porque eliminar 3 milhões de torcedores e não procurar os 20 ou 30 elementos?

“Pra dar exemplo”.

Que bosta de exemplo! Punimos todos porque somos incapazes de identificar e prender aqueles que todos nós sabemos quem são. Exemplo de incompetencia do estado. É o único que foi dado.

Quando acontece dentro do gramado, aí é um problema mais ligado a organização do evento. Ok. Vamos relevar problemas como Boca x River, por exemplo.  Até cabe a discussão de punir o clube.

Mas quem é que cuida da segurança de uma possível invasão ao estádio? A polícia, até onde sei. E então como você pune 30 milhões de pessoas porque 300 das quais sabemos de onde vem, que roupa usam, onde combinaram e até onde ficam na arquibancada, invadiram um local?

Até que página o Corinthians é responsável por um torcedor levar um sinalizador e soltar na Bolívia?

“Ah mas se punir o clube esses marginais vão ter que parar porque está prejudicando o time deles”.

Jura que vocês acham que esses caras tem algum critério de amor a clube que possa fazer dele um “não marginal”?  Essas regras são aplicadas há decadas. Se tira mando, torcida, pune, multa, elimina…. e?  Nada.

Porque diabos não se usa a primeira a simples opção: identifica uns 40, prende e não solta. Jogo seguinte, prende mais 5 que fizeram merda no estádio e não solta.  Quer ver como eles param rapidinho?

São como deputados. Roubam porque tem mil formas de escapar. O problema é social e atrelado a impunidade. Não a Flamengo, Vasco, Santos, Gremio… Eles só usam o futebol e a multidão para esconderem seus crimes.

Quando você dá uma punição esportiva a eles, você dá o direito de que 200 marginais representem e tomem de sequestro uma entidade esportiva que carrega milhões de pessoas de boa índole. É a vitória maior deles.

O que aconteceu é absurdo, lamentável, etc. Mas me diz: Como o clube poderia evitar que 300 marginais sem ingresso invadissem o Maracanã além de avisar a polícia que aconteceria?

Eu honestamente não entendo essa relação. São todos liberados, a polícia dá porrada pra todo lado sem o menor critério e tudo bem, os bandidos respondem em bando e ficam todos livres e o clube perde mandos.  Resolvido!

Mas que puta solução idiota.

E segue o enterro. Ou você acha que o futebol é capaz de se blindar de um problema social? Num estado em guerra, uma cidade onde há aplicativos para avisar onde tem tiroteio, a polícia mal recebe, os moradores de comunidade pedem ajuda a traficante e não a polícia por segurança, e você espera que o Maracanã esteja livre de invasão de marginais?

Meus caros, eles vão fazer mais 300 vezes até que a justiça os torne João, Pedro, Rogério, Marcos, e não mais “a torcida do….”.

Punir clube é punir a gente que ama futebol. E seja você um doente torcedor rival louco pra ver o Flamengo “se fuder”, não seja bobo, amanhã 30 marginais da sua organizada atiram uma pedra num dirigente e quem tá fora do campeonato é você.

Eles só mudam a camisa.  O que a justiça no Brasil não consegue entender é que eles USAM o futebol pra cometer crimes e não os cometem por serem amantes do futebol. Punir o futebol não atinge esses caras.

Mas atinge a nós, torcedores de bem.

abs,
RicaPerrone

Ah, moleques!

Saio do Maracanã com a certeza de que o título esteve nas mãos de quem mereceu.  O Flamengo poderia, teve chances, não fez, foi derrotado por um time bem inferior tecnicamente ao dele. Talvez o Diego pague o salário dos 11 do Independiente.

Talvez o Flamengo esteja muito focado em algo que é culturalmente contra ele. Aliás, se tem algo que o Flamengo hoje desvia é sua história.

Ingressos caros, jogadores comprados mais valorizados que os criados em casa, a preferência pelos pontos corridos sendo um clube tradicionalmente de chegada. Vai entender.

Mas entende-se. Nem tudo pode dar certo num ano onde você tem que lidar com crise, desfalques, câncer, dopping, goleiros em má fase, entre outros tantos.  As 3 finais disputadas e a vaga na Libertadores do ano que vem não fazem de 2017 um ano “ruim”. Mas talvez um pouco frustrante.

O que me chama atenção neste fim de ano é que Paquetá, Vizeu, Juan, Vinicius Junior e César se tornam mais protagonistas do que Diego, Arão, Everton Ribeiro…

Será que é mesmo o segredo do futebol encher o cofre e contratar tendo no Brasil o maior celeiro de craques do mundo?  Porque 3 goleiros tendo o César? Ninguém viu o César?

Não há um lateral esquerdo na base melhor que o Trauco?  Será que o Guerrero faria os gols que o Vizeu fez na fase final? E se faria, seria o caso de investir umas 900 vezes mais?

O Flamengo derrotado na Sulamericana com um empate em casa é tão aceitável quanto perder a Copa do Brasil nos pênaltis. Detalhes que decidem finais. Simples assim.

O Flamengo que foca em dinheiro pra comprar, comprar e comprar, talvez não esteja tão certo assim. Pois o Everton Ribeiro nada fez, o Diego é um grande “oito” com fama de “dez”, Trauco, Pará, Arão… nada demais.

Quem fez o Flamengo de 2017 não ser um fiasco foram os meninos.  E em 2018 vamos comemorar borderô, encher o peito pra falar do faturamento e repetir os erros da era Djalminha, Marcelinho e companhia para comprar mais quantos?

abs,
RicaPerrone

Sobe pra ver

Eu sou jornalista, embora tenha vergonha de dizer e a exata noção de que não o pratico bem.  Não estou atrás da verdade, mas sim da paixão. Não busco furo, busco histórias fodas pra contar.  Torço, não sou isento, não quero fuder o entrevistado e nem mesmo aplaudir o adversário se ele for merecedor.

Não tenho amor pela profissão. Tenho amor pelo futebol. E se você ama jornalismo mais que futebol, você é meio bobo. Mas ser bobo não é crime. Então relaxa aí.

Quando eu não tiro minha carteirinha de imprensa para pagar ingressos e viajar com torcida é pela escolha simples de nunca deixar de ser um deles.  Pois quando deixo, meto um terno, ligo o ar e vou na TV dar aula do que já não sei mais o que é.

Eu vou pecar pelo exagero 300 vezes, outras 2 mil vezes pela paixão. Mas nunca vou cometer o absurdo que é tratar paixão com frieza ou tentar racionalizar futebol.  Não serei o porteiro da Disney avisando a criança que é um anão chinês dentro do Mickey. Deixa ele sonhar, caralho! Ele pagou pra isso.

Eu ouço todo dia que eu sou um fazedor de média com a torcida X ou Y.  São escolhas e a minha é simplesmente viver intensamente a paixão que tenho por futebol.  Então, se o Grêmio for a final da Libertadores, eu vou lá com eles e vou torcer junto. Talvez eu não esteja certo, mas com absoluta certeza eu volto de lá sabendo falar com o torcedor do Grêmio melhor do que quem ficou na cabine cagando regra.

Há quanto tempo você jornalista não paga ingresso pega fila e sobe lá? 10 anos? 20 anos? O que você ainda lembra de passar perrengue pelo seu time e tomar porrada sem saber de onde veio pra ver um jogo de futebol?  Tem “fortes emoções” no estúdio da TV?

Quantas viagens de onibus chegando num país diferente pela Libertadores você fez pra saber o que é? Quantas pedradas você levou?

É uma pica jogar fora do Brasil.  É pedrada, hostilidade, polícia jogando água, escolta mal feita pra deixar a gente apanhar, torcida encurralada, horas e horas presos no estádio.  E aqui, Arenas! Hoteis espetaculares em silêncio, translado 5 estrelas e nenhum perrengue.

Olha, meus caros. Existe uma diferença entre ser educado e o gordinho bobo “paga lanche” da escola.

Eduque o seu filho pra ser o “paga lanche”. Não tentem educar uma sociedade confundindo os bons modos com ser otário.  Talvez por serem otários vocês adorem tanto uma seleção que comprou uma Copa, nos dopou em outra e se neguem a torcer pra nossa por “isenção”.

Isso é ser otário.

Sem violência, mas com pressão e nenhuma simpatia. Porque é assim que somos tratados. Vocês, de terno, chegando de carro da emissora, não sabem o que é passar 1 hora tendo que se esconder nas cortinas pra não tomar uma pedra de 1 metro na cabeça.

Não desejo. Mas as vezes acho que vocês precisam.

O país das maravilhas que você vive não é o nosso, “Alice”.  Duvida? Então tira a credencial e sobe lá pra ver.

abs,
RicaPerrone

Entre o santo e o bobo

O Independiente da Argentina é um time grande, mas argentino. E como tal, sabemos, vai usar tudo que puder dentro ou fora do esporte, para ganhar o campeonato.  Se for preciso chamar de macaco, farão. Se precisasse prender a torcida até as 4 da manhã, fariam. Se pudessem perder a chave do vestiário, perderiam. E se pudessem tirar qualquer conforto do Flamengo, o fariam, e fizeram.

Tá certo? Nao. Acho nível futebol argentino. Mas, há uma discussão maior do que essa e mais simples. Você quer ser pai do mongol que apanha no intervalo mas não revida porque mamãe disse pra ele que ele era especial ou do cara que ninguém sacaneia porque respeita?

Somos pais do mongol.

Nossos clubes jogam esses torneios sulamericanos a base de passar perrengue. E quando chegam aqui, só amor.

Afinal, somos evoluidos. Mas ser evoluido e trouxa são coisas muito conflitantes as vezes. É bonito o discursinho de alguns intelectuais que “devemos agir como maiores”, etc.  Mas pro filho deles eles não falam isso quando ele apanha na escola.

Então sejamos práticos. Não é pra bater em ninguém.  Só não manda flores.

Se tiver rojão no hotel, foda-se.  Deixa ter. Se perder a chave do vestiário, que pena! Entra faltando 20 minutos. Se não puder aquecer no campo, não pode. E se puder nem deixar reconhecer gramado, o faça.

Quando um rival te dá um tiro você não pode ir pra cima dele com as mãos gritando que acha covardia a arma. Ele vai te matar.

Pára de tratar quem nos trata como macacos com tapete vermelho. Se é ambiente hostil, então também sabemos fazer.

Gosto da lei de Mané Galinha em Cidade de Deus. “Sou bom de paz. Mas se precisar…”.

Pressão nos caras! Sem violência, mas sem qualquer facilidade. Ou o moleque leva o seu lanche e você ainda volta pra casa chorando e com fome…

abs,
RicaPerrone

Maior que a taça

A Copa Sulamericana é presenteada constantemente com alguns marcos históricos que não merece.  Pro bem e pro mal, diga-se. De finais históricas que não terminam como o tosco jogo do SPFC em 2012 ao acidente da Chapecoense, esse torneio teima em não firmar mesmo que a vida insista contra ele.

Campeonatos vão ganhando peso pela sua história, não pela premiação. A Supercopa da Libertadores foi o melhor torneio que já fizeram no continente e não tinha vaga pra nada, dinheiro algum. Era só pela grandeza de quem participava e toda edição foi espetacular. Até que a Conmebol percebesse que ali havia um rival pra Libertadores, então o destruiu.

O Flamengo não estava nem aí pra Sulamericana, como ninguém está enquanto ainda puder ter um grande ano em outros torneios. É sim a “sobra”. Mas a sobra é melhor que passar fome, sempre.

Esse Flamengo bunda mole precisa muito mais de um título de superação do que de uma conquista técnica e regular.  Talvez a esse elenco seja mais importante um perrengue mesmo. E pra diretoria, que contrata tanto, seja importante aprender a olhar pra casa.

Sem Guerrero, Rever, Muralha… os meninos resolveram.  Não foi uma grande atuação, mas foi à lá Flamengo. Na medida em que ficava “impossível” aos olhos críticos, mais possível aos olhos deles.

Diria que se tivesse um expulso seria 3×0, tamanha a vocação pra gostar de passar perrengue.

Assim sendo, que perca na Argentina o jogo de ida. Porque Flamengo que é Flamengo não pode decidir nada por um empate.

A Sulamericana ganha mais um presente da vida. O mais popular do Brasil contra o maior campeão do continente que há anos não ganha nada.  Final de gente muito grande e com muita fome de vencer.

Quando o jogo em si é maior que o torneio.  Mas não é pelo torneio. É pela glória.

abs,
RicaPerrone