jair ventura

Mais favorito do que antes

Se o empate fora parece um bom resultado, os 90 minutos de Flamengo e Corinthians contrariam essa avaliação.  Como cada vez mais comum no futebol moderno em virtude de sua força física, intensidade e espaços reduzidos, o time que abre mão do jogo consegue anular o que tenta jogar.

Na Copa foi assim, hoje também.

O Flamengo saiu vaiado por parte da torcida que está mais irritada e frustrada pelo empate do que observando o jogo em si. Foi intenso, bem escalado, com alterações que fizeram sentido e o time amassou o Corinthians a maior parte do tempo.

Se eu fosse corintiano comemoraria o empate e ficaria altamente preocupado com o que foi apresentado. Se eu fosse Flamengo estaria bem otimista com a volta mesmo sendo fora de casa.

Os números do jogo são constrangedores. É valido? É. Concordo? Jamais.

Time grande tem que jogar bola. Não me importa se com Juquinha, Messi ou 11 mancos. Sentar dentro da área e impedir um jogo não é condizente com o Corinthians.

Compreendo? Até que sim. Treinador novo, time fraco, etc.  Mas ainda assim, não concordo com o que foi proposto hoje.

Se havia um favorito antes do primeiro jogo era o Flamengo pelo time que tem. Agora pelo time  e pela covardia do adversário.  O Corinthians tem sua camisa e casa para acreditar. Porque futebol…

abs,
RicaPerrone

Novos treinadores: geração pontos corridos

A nova safra de treinadores do futebol brasileiro é ótima. Já cansei de fazer elogios aqui e pedir que os times parem de andar em circulos contratando velhos mediocres com tanta promessa de brilhantismo vindo de baixo.

Eles tem subido, ganhado espaço e melhorado nosso jogo. Mas tem uma característica em comum muito difícil de gostar: eles preferem a bola do que o gol.

A posse de bola é sim o objetivo numero um do jogo. O que você tenta ter o tempo todo é a bola, portanto não se pode ignorar o controle do jogo quando se tem a bola. Mas me parece que dopados pela Guardiolamania, os times brasileiros estão virando especialistas em pontos corridos.

Não há mais o motivacional extra do grande jogo. Eles pensam com a cabeça europeia de que “pago em dia, voce joga, ponto final”. Isso não funciona com latinos. É uma questão cultural e não profissional.

Os times não abafam no final. Não há coração, mas sim muita razão. E não, isso não é um defeito. A total falta do coração é que é.

O ímpeto pelo gol diminuiu. O drible despencou na medida em que “perder a bola” é o que o treinador menos quer ouvir falar. E portanto as jogadas de risco são menos comuns.

Note como vários times de novos treinadores tem características semelhantes nesse sentido. Todos muito organizados, cheios de toques curtos precisos, mas sem alma. Não tem o algo mais.

É tão bem treinado que parecem confiar mais no que foi ensaiado do que no talento. Eu prefiro que seja a maior parte no ensaiado, mas não tão pouco baseado no talento.

Nosso futebol é técnico e apaixonante. Inconsequente pro bem e pro mal. E tirar isso de nós é mais um passo nada inteligente a comparar com o futebol europeu onde, obviamente, perderemos.

O futebol pensado mais do que jogado nos desfavorece. O “craque” brasileiro é favelado, sem estudo, pouco inteligente. O europeu vem da escola, família boa, estudado e com muito mais capacidade de entendimento do que o nosso.

Tem que haver um meio termo. Ou vamos escalar, em 10 anos, a seleção com Enzo, Pietro, Marcelo Augusto, Pedro Paulo, Ramon, Heitor, Miguel e Valentino.

abs,
RicaPerrone

Mimimifobia

A internet é a prova mais irrefutável que o ser humano é meio imbecil.  Na real é mais que meio, mas a gente passa um pano porque “tamo junto” na imbecilidade.

Se as pessoas não tem opinião, são vendidas, covardes, manipuladas. Se tem, são racistas, xenófobos, filhos da puta, mau caráter, não deviam falar isso porque “são formadores de opinião”.

Ora, meu santo caralhinho voador do banheiro de Lima Duarte, quando se critica o Cristovão é racismo. Quando se fala mal de argentino é xenofobia. Quando se chama o Jean Willys de imbecil é homofobia.  Então tu não quer a opinião de ninguém, tu quer uma validação da sua.

O Jair Ventura é o novo alvo do mimimi virtual.  Porque ele acha ruim que o mercado interno esteja perdendo espaço para treinadores de fora, virou xenófobo.

Ora, vai procurar o que fazer.

Você, lendo isso, já falou quantas vezes na sua vida que “o brasileiro é isso isso e aquilo?”.  Aí quando um cara vem do seu lado e fala que “argentino é ignorante jogando bola”  é xenofobia?

Quando a imprensa clama por técnico gringo para melhorar nosso futebol não é uma forma de preconceito com os nossos? Aí quando um dos nossos diz que não gosta de ver os gringos tomando conta do mercado, é xenofobia?

Que merda de conceito é esse que só é um problema quando se fala de alguém que você quer defender?

Nós menosprezamos o Brasil o dia inteiro. Tratamos funkeiro como marginal, pobre como burro, rico como ladrão, e aí quando alguém fala do seu lado o que você não quer você cria um casinho na web?

Jair não acha legal estarmos buscando tantos treinadores gringos. Ponto. Opinião do cara sobre mercado.

Qualquer tentativa de rotula-lo como xenófobo por causa disso é mera idiotice, clubismo ou falta do que fazer. Quando não for as três juntas.

Ah! Só pra registro: Até outro dia pra jogar na Inglaterra tinha que ter X partidas pela seleção do seu pais. Xenofobia ou a base de um futebol que hoje é o “melhor do mundo”?

abs,
RicaPerrone

Não esqueçam o quão incrível é tudo isso

Oi, botafoguense.  Escrevo esse texto para não te deixar esquecer de algumas coisas e não exatamente para avaliar este ou aquele jogo.

Vejo euforia, e é justo que haja. Vejo todo prazer em falar em Dubai, título brasileiro, Copa do Brasil e o que mais vier. Sei o quanto é deboche, mas torcedor que sou ainda, sei que a gente sempre acredita.

Impossível não é. Improvável, continua. Mas ao tornar isso uma meta, diminui-se o feito, aumenta a cobrança e se perde no tempo a heróica caminhada deste Botafogo.

Trate-o como time grande, é claro! Espere título. Mas não coloque esse time na condição de devedor, pois o que ele tem até agora é absolutamente surreal, mágico, épico e inspirador.

Talvez o botafoguense esteja entrando no justo piloto automático de aumentar a cobrança conforme os resultados vem aparecendo, mas isso tira o glamour do que temos para aplaudir.  Entre esperar, cobrar e aplaudir esse Botafogo, não vacile: aplauda.

Se ele for eliminado de todos os torneios amanhã, aplauda em pé.  Porque mesmo que sua expectativa tenha triplicado, o resultado ainda é digno de algumas das mais belas páginas da história do clube.

O quase rebaixado está falando em Dubai. Não é provável, nem impossível.  Mas o que já foi feito isenta esse Botafogo de qualquer reação que não sejam os aplausos.

Não esqueçam disso. Nem por um minuto. Eles estão fazendo, no mínimo, o triplo do que o mais otimista de vocês esperava. Aplauda-o.

abs,
RicaPerrone