manaus

Riascos e as crianças

Quando o Flamengo entrou em campo domingo ele tentou explodir sua torcida a seu favor.  A idéia da bandeira, da entrada sem protocolo, etc, é tudo muito legal.  Eu mesmo na hora achei divertidíssimo.  Mas de fato havia as crianças.

Crianças que foram ignoradas por uma atitude que, legal ou não, quebrou o combinado.  Fosse uma entrada em campo seguida de uma explosão da torcida e um gol no começo, as crianças não seriam notadas até hoje. Mas Riascos zelou por elas.

Toda a tentativa do Flamengo de entrar num clima de decisão acabou ali. Dali pra frente o time correu o que dava, tentou o que era possível e tudo bem.  Mais um jogo, mais um clássico, mais uma derrota. Tanto faz.  Aliás, o Flamengo hoje é um time que “tanto faz”.

Mas para as crianças, não é “tanto faz”.  Fazia toda a diferença dar as mãos a um “herói”.

Erraram. Não na idéia, mas na execução. Poderiam ter combinado com as crianças, dado algo a elas, levado no vestiário e compensado antes da entrada em campo. Falta dialogo entre futebol e marketing no Flamengo.

Agora, sejamos justos.  Não fosse Riascos, um gol do Guerrero com 15 minutos, quem se importaria com as crianças?

abs,
RicaPerrone

Jogo é jogo, clássico é clássico

Nos últimos 10 anos o futebol brasileiro faz esforço para rasgar sua identidade.  Faz-se tudo para que os jogos sejam todos uma questão de pontos na tabela, torcidas com “mandante e visitante”  mesmo em clássicos, menores campos, ingressos caros, arenas de mármore e entradas em campo toscas em casalzinho como se fossem padrinhos do juiz, o noivo.

E no vestiário antes de um clássico muito do jogo se decide pelo que se diz.  Não porque devemos acreditar que uma bravata bem colocada seja melhor do que treinamento. Não é isso! Longe disso! Mas o treinamento é para ganhar jogos, não para ganhar clássicos.

Nessa hora você acrescenta tudo que puder e então torna o jogo diferente. Por ser diferente, equilibrado e imprevisível. E por ser tão especial, você não tem o direito de entrar nele com a mesma atitude do dia-a-dia.

O Vasco entrou pra eliminar o Flamengo com ódio. O Flamengo entrou pra jogar mais uma partida e “se deus quiser, com ajuda dos companheiros….”.

Adivinha quem ganha os clássicos desde a volta do Eurico?

Porque o Eurico é bom pro Vasco? Porra nenhuma! Mas porque nesse dia, onde o futebol ainda teima em resistir aos modernos números e métodos, o que ele acredita faz diferença.

Não é o que determina o resultado. Mas ajuda, faz parte do jogo.  Eurico eleva um Flamengo x Vasco ao patamar que merece. Muricy e o Flamengo/empresa o desmerecem a 3 pontos.

Já são alguns jogos desde que essas duas filosofias se confrontam. Os resultados são bem claros. Falta ao Vasco o pragmatismo financeiro do Flamengo atual.  E ao Flamengo, pasmem, falta a gana vascaína em enxergar um clássico como o que ele realmente representa.

Se a final tivesse que escolher um dos lados, pediria o Vasco. Porque ele a queria muito mais que o Flamengo. E não “encontrou”.  A conquistou. É diferente.

abs,
RicaPerrone

Acelerados

Ô joguinho sem vergonha! Mas não me causa espanto, era praticamente estréia na temporada pra ambos.  Longe de esperar alguma coisa, imaginei que veria apenas um jogo lento pela falta de ritmo.

Mas não. Me enganei. Aliás, eles me enganaram.

Numa tentativa de jogar o “futebol moderno” que não é bem o nosso estilo, Flamengo e Vasco correram e tentaram resolver todos os lances em no máximo 4 toques na bola.

Velocidade! Velocidade! Velocidade!

Calma, porra! Alguém pára essa bola pelo amor de Deus. Olha em volta, espera o time armar um ataque do princípio. Mas não. Todos os lances do jogo eram baseados em retomadas de bola e velocidade.

O Flamengo tem um time mais acertadinho, mas ainda assim exageradamente voltado pra contra-atacar.  Quando se fala em “futebol moderno” é bom lembrar que estamos falando de um jogo de pouco risco, bem rápido, cheio de movimentação mas com raríssimas tentativas de fugir do toque de 3 metros.

O brasileiro não sabe fazer isso. É da natureza do nosso jogador procurar a jogada mais ousada, nunca a mais óbvia. E na medida em que se tenta isso em velocidade a bola volta mais e mais vezes pro adversário por erros individuais.

Uma troca de favores. Todos os lances do jogo foram de bolas retomadas.  Um jogo corrido, mas sem direção.

O que também não é de se causar espanto pra uma estréia na temporada.

abs,
RicaPerrone

Novidade no “protocolo” em Manaus

Campeonato Brasileiro 2012

O torneio Super Series acontece dos dias 21 a 25 de janeiro em Manaus, com Vasco, São Paulo e Flamengo. Até aí, ok! Um torneio novo, uma pré temporada legal, alternativa aos estádios novos, etc.

Vai ter protocolo.  Os times entrarão juntos, com as crianças, padrão FIFA! Mas com um toque especial brasileiro que até onde eu me recordo será inédito.

Os times ficarão perfilados, com as bandeiras para a execução do hino.

E então, com todos em pé, toca-se o hino do CLUBE!!!!

Sim! O protocolo dos jogos terá os hinos dos clubes para serem cantados por torcedores e os jogadores enfileirados. Uma iniciativa, no mínimo, diferente. E que eu, particularmente, adotaria em todo jogo grande por aqui.

Dia 21, as 22h, Flamengo e Vasco abrem o torneio. E estréiam a novidade! Fique ligado!

abs,
RicaPerrone

Acaba logo com isso!

wefrrggr

O fim.  O objetivo de todo botafoguense, dia após dia, é o fim.  Da atual administração, dos jogos, do campeonato, do ano, do sofrimento e da dúvida.  Seja um final triste ou feliz, que logo acabe.

Quando a bola entra, antes mesmo de comemorar, se olha pro relógio pra ver “quanto falta”.  E falta muito ainda pra poder respirar.  Sabendo disso, as semanas do botafoguense tem tido no mínimo 20 dias.  Nunca chega o próximo jogo, imagine o final dele.

Quando a bola rolou em Manaus hoje o rubro-negro se divertia na rara condição de franco atirador. Com reservas, focado na Copa do Brasil, o time foi sem peso e ainda assim, por Flamengo ser, havia fé na vitória.

O desespero de uns, a diversão de outros tantos.

Quando seu time está na situação do Botafogo você não sabe se torce pra ser logo rebaixado ou se pra levar o drama até o último jogo.  Lá, se der errado, a dor será infinitamente maior do que se administrada em doses homeopáticas desde já.

Mas não tem escolha. Quando a bola rola seu coração sobrepõe a razão e lá está você, de novo, quantas vezes precisar, rezando pra santos que sequer acredita em troca de uma vitória que lhes dê fôlego pra continuar.

Um drama. Mais 7 dramas, talvez, na melhor das hipóteses.

E o “morto” se recusa a morrer.

Outro dia anunciaram, num surto administrativo e conflitante, que havia morte cerebral.  Mentira.

O morto abriu os olhos e sorriu.

Hoje, conseguiu falar.  Em algumas semanas estará em pé ou sendo velado.  E como todo drama, a família vai sofrer junto até o último minuto do lado de fora.

Desacreditado por especialistas, vive o Botafogo. E sabe-se lá como.

Não havia remédio pra cura. Mas sempre houve fé.

Um milagre?!

Não. É “só” futebol.

abs,
RicaPerrone

Chupa, botafoguense!

torcida-do-botafogo-festeja-no-engenhao-durante-partida-contra-o-cruzeiro-pelo-campeonato-brasileiro-1319924100411_300x30Confessa! Eu sei que você não acreditou até o juiz apitar.  Eu posso apostar que com esse time sem salários, com 4 demitidos, com as duas derrotas seguidas e o Corinthians que bateu o Cruzeiro, nem no seu íntimo delirante você acreditou que poderia.

Quando o juiz deu pênalti, você pensou: “Só falta errar…”.

Quando entrou, você pensou: “É cedo, eles empatam”.

Quando deu o intervalo, você pensou: “É, mas o juizão vai querer dar um pênalti pra eles…”.

Quando o terceiro goleiro fez o décimo milagre dele no jogo, aos 43, você pensou: “É a cara do Botafogo tomar esse gol no fim…”

E não minta! Você pensou tudo isso e duvidou da vitória até ela ser inevitável.  Talvez porque o Botafogo faça de tudo pra que você duvide dele, talvez porque sua fé seja insuficiente.

Mas hoje, diante de uma atuação memorável de quem sequer jogou bola, o Botafogo calou a boca de muito botafoguense já rebaixado.

Evitar a queda é muito difícil.  Não receber salários e correr por mera vergonha na cara é quase assustador num futebol como o atual. E você, botafoguense? Vai duvidar mais 10 rodadas ou tentar fazer parte da reação que eles estão propondo comendo grama?

O Corinthians foi mero figurante hoje. Qualquer time do outro lado perderia o jogo por 1×0, suado, sofrido, com goleiro na área no último minuto. Foi assim que o Botafogo determinou que seria.

Eu não sei o que é ser botafoguense, mas desconfio. Sei que algumas torcidas já evitaram rebaixamentos junto de seus times e acho que há um convite no ar.

Aceite-o, botafoguense! Não venda barato outro rebaixamento.

Morre, mas morre atirando e não correndo.

abs,
RicaPerrone

Perto da final (Itália 2×1 Inglaterra)

Das 17 Copas que a Itália disputou, terminou 12 na final ou na primeira fase.  É disparado a maior “deixou chegar, fodeu” do mundo.  E hoje, no primeiro dos dois duelos que devem definir sua classificação, fez 3 pontos, deixou 2 para se matarem na semana que vem e ficou perto da vaga.

Por lógica, coerência, história e responsabilidade jornalística, devemos dizer que Brasil e Alemanha disputam a outra vaga na final.

Enquanto isso, Inglaterra e Uruguai disputam um último balão de oxigênio que estará disponível na Arena Corinthians na próxima quinta-feira, feriado, palco da primeira grande guerra sem aspas da Copa.

É vencer ou vencer. Especialmente pro Uruguai, que sabe que na rodada seguinte terá a Itália enquanto a Inglaterra pega a Costa Rica.

Tudo vale. Saldo, gols pró. Tudo!

Neste sábado o jogo mais esperado da primeira fase não decepcionou. Ao contrário, Itália e Inglaterra estão tão contaminados quanto os demais pelo ar brasileiro e jogaram no chão, sem bico, retranca e cruzamentos.

Os dois armadores são volantes, num curioso dado que pode explicar muita coisa no futebol moderno.

Mas serviu para adiantarmos o serviço. Salva alguma grande zebra, a Itália é a primeira finalista da Copa de 2014.

O exclusivo mapa que determina estatisticamente a posição de cada jogador em campo pela OptaSports:

abs,
RicaPerrone