Maracana

O país da meia entrada

É oficial: O valor dos ingressos para shows, teatro, futebol, entre outros é 50% do valor anunciado.

Eu custo a entender a lei da meia entrada, mas não preciso ir longe pra ver o que ela gera.  Hoje, especialmente no RJ, todo mundo estuda. É impressionante a quantidade de gente buscando melhorar sua formação nesse país.

Deve ser o lugar onde mais se estuda no mundo.

Sim, pois a lei é burra. E além dela ser burra, somos um país desonesto por natureza. Levir disse isso outro dia, não está errado, por mais doloroso que seja ouvir isso.

Dos 49 mil ingressos vendidos para Flamengo x Vasco na Copa do Brasil, por exemplo, 65% deles foram meia entrada.

Você entra no cinema com meia entrada e ninguém te pede identificação. É o valor oficial do evento. Metade do que se anuncia, porque você é estudante.

E se você não for? É otário. Porque basta querer não pagar inteira e você não paga.

Porque essa lei idiota não dá (se é que faz algum sentido a pessoa pagar meia porque estuda) essa vantagem por idade? Simples. Até 12 anos paga meia. Até 18 paga com 30% de desconto. E depois disso você vira homem e trabalha pra pagar seu ingresso.

Assim os ingressos podem custar o quanto valem e não se camuflar do dobro do valor pra compensar a lei estúpida que dá a todo e qualquer sujeito o  “beneficio” da meia entrada.

Mas não vamos brigar por isso. Afinal, somos parte do esquema. E como sempre digo, brasileiro não quer o fim do esquema, quer sempre estar nele. Ou, de fora, chama-lo de absurdo.

abs,
RicaPerrone

E foi pouco

O juiz errou grotescamente no primeiro gol do Flamengo. Ponto.  Mas ele aconteceria de qualquer forma pelo que estava sendo apresentado em campo.  Ao final do primeiro tempo, com 2×0 no placar, o “injustiçado” era o Flamengo. Não pelo juiz, mas pela bola.

O Fluminense jogou mais uma partida sofrível e dessa vez com o dedo de seu treinador, que tentou inventar um time tirando peças que funcionavam pra criar uma nova formação sabe-se lá baseada em que conceito.

Foi engolido pelo Flamengo do primeiro minuto de jogo até o final do primeiro tempo. Poderia ter tomado uma goleada ali mesmo, mas quis a bola que não entrasse e desse vida ao clássico na segunda etapa.

Ainda que com a bola, em nenhum momento o Fluminense controlou o jogo. Quando tinha a bola nos pés o Flamengo contra-atacava melhor. Quando não tinha, não conseguia armar um contra ataque.

Eu sei que após o jogo vem a euforia de ter que achar argumentos pra discutir com o amigo rival e nessa furia surgem lances duvidosos, detalhes “decisivos” que, hoje, não passam mesmo de “detalhes”.

O Flamengo foi muito melhor em tudo, o tempo todo. Se o Fluminense quiser caçar bruxas, que o faça internamente, contestando a vinda do Ronaldinho, a integração do Cícero, o Enderson, a escalação do R10 como titular, o que quiserem! Mas o juiz, embora parte do processo, tem sido um dos problemas mais fáceis de resolver.

São 8 derrotas em 10 jogos. Jogando mal os 10.  Pára de olhar pro juiz, ele está sendo a muleta de um time que se perdeu completamente no meio do caminho.

Do outro lado, aquela fé rubro-negra que a gente começa rindo e termina entendendo. Lá estão os caras perto do G4, na frente do rival, ganhando em sequência, embalando na hora certa e metendo casa cheia todo jogo.

O hepta ainda é delírio. O G4, realidade.  E sabendo que o Flamengo não lida com realidade e adora delírios, o hepta também não chega a ser um surto.

abs,
RicaPerrone

O dia seguinte

Nada no Vasco tem me incomodado mais do que o dia seguinte as derrotas.  Hoje é domingo, dia 6 de setembro, e o Vasco perdeu mais uma ontem a noite.

Sabe o que aconteceu? Nada.

Você tem a nítida impressão que o presidente vá pedir pra sair, que o técnico vai tentar mudar 9 titulares, que alguns jogadores serão dispensados, que a torcida fará um protesto de peso e…. nada.

Você olha pro Maracanã e não vê ninguém.

Nas ruas você pergunta pros vascaínos e nem eles tem uma idéia apaixonada e maluca de como reverter o quadro. Jogaram a toalha, e pior, não só pro Brasileirão. Pro clube a curto prazo.

Hoje é domingo, e Jorginho elogia o time e vê “melhoras” do 6×0 pro Inter. Pudera, se não melhorar daquilo toma de quanto? Oito?

O dia seguinte é mais triste e funebre do que os gols sofridos, a melancólica arquibancada e o clima de “já era” que ninguém quer assumir.

Morre atirando, Vasco. Pelo menos isso…

abs,
RicaPerrone

Os dias do Galo

Ontem, sábado, uma turma de torcedores do Atlético MG se reuniu para assistir aos filmes da Libertadores numa sala em Copacabana.  Era a “Cariogalo” fazendo barulho na zona sul do Rio de Janeiro sem mais nem menos, criando, exibindo e celebrando “O dia do Galo”.

Por algum motivo não muito claro, o Maracanã hoje não recebeu os tricolores para um duelo decisivo no Brasileirão. E decisão é uma palavra que não anda ao lado de Ronaldinho, mas acompanha o Galo há uns bons anos já.

Com considerável superioridade tática desde o começo o resultado do jogo foi construído e não achado. Algo que também não é muito claro pro Fluminense, que tem encontrado gols em lances individuais há meses, sem conseguir uma formação consistente e um futebol convincente.

Aqui, no Maracanã de ninguém, o Galo festejou seu segundo dia no Rio. E mais uma vez separou situações que costumam decidir campeonatos.

O que acredita e o que espera a final pra aparecer. O que joga como time e o time que joga pra alguns.  O que sabe o que fazer com a bola e o que sabe apenas como retoma-la.

O Galo não é mais time do que o Fluminense no papel. Mas é, hoje, muito mais forte, bem treinado e amparado por sua torcida.

Vitória incontestável de quem acredita em milagres e as vezes os faz. Contra quem anda acreditando em conto de fadas.

abs,
RicaPerrone

Tão longe e tão perto de se livrar do drama

Marcão e o toque que garantiu a vitória

Marcão e o toque que garantiu a vitória

Não acaba.  O Vasco consegue indicar surtos de reação em meio a sua pior crise e longe de ter em campo seu pior time não consegue evitar os piores resultados.

Era euforia, um bom primeiro tempo, chances criadas, controle da partida. Porque não, meu Deus?!

Porque diabos ela não entra?

E chega a ser tão óbvio quanto a “vitória” de quarta-feira.  O futebol é tão imponderável que as vezes se torna previsível.  Se a bola não entrasse em uma das 19 chances do Vasco, é claro que, tal qual contra o Coxa, uma bola sobraria pro Figueirense ganhar o jogo.

Todo mundo no estádio sabia disso. Só esperaram o último erro do ataque pra poder virar pro colega ao lado e dizer:  “Olha lá…. falei….”, e virar as costas.

E a cada semana se torna mais e mais difícil não “virar as costas”. Não pro clube, mas pra causa. Dos pontos simples e absolutamente possíveis recentes o Vasco era pra ter feito 6 contra Coxa e Figueira e mais 2 contra o Joinville. Ou seja, por descontrole emocional, zica do pântano ou meramente pela ruindade do Riascos em dominar uma bola, o time que hoje dorme longe de sair do Z4 teria, sem nenhum absurdo, 21 pontos e estaria em situação de reverter.

Vasco que só faz o mais difícil. Só ganha clássicos, só reage quando colocado sob a condição de azarão. Um momento coadjuvante pra quem nasceu protagonista.

Acabou?

Não. Ainda não. Mas está ficando tão previsível quanto o gol do Figueirense aos 48…

abs,
RicaPerrone

Sem espelho em casa

“Perdemos pra nós mesmos”.  Essa deve ser a frase mais comum no dia seguinte a um clássico qualquer. O time que perde o jogo não assume de forma alguma os méritos do rival e atrela a seus gols perdidos e defeitos na zaga o resultado.

Como se fosse possível enxergar algo além dos nossos 11 correndo em campo contra aqueles “cretinos”, sejam eles do clube que for.

Hoje cedo me perguntaram “porque o Flamengo perdeu”. Respondi que o Vasco é que ganhou. Porque na minha cabeça quando você acredita que “perdeu pra si mesmo”, você está começando a perder o jogo seguinte também.

Você pode querer saber onde errou o Flamengo. Acho justo.

E digo que não entendo a dificuldade que tiveram em ler o cenário sendo ele, Flamengo, o maior protagonista de casos semelhantes.  Que tipo de rubro-negro não sabe que, quando desacreditado, uma camisa pesada costuma responder a altura?

Como é possível, e eu vi, tantos flamenguistas “comemorarem” pegar o Vasco no sorteio pela fase do rival?  Ora, meu caro rubro-negro, você é a prova viva de que isso não existe. Como pode ser enganado?

Onde estava Emerson Sheik, que parecia mais disposto a provar ser “maior que o Vasco” (um absurdo sem tamanho, mas entendi como provocação) do que em ganhar o jogo? Porque tanto driblinho? Porque o chapéu? Porque a caneta e não o passe?

Vítima de si mesmo? Não, claro que não!

O Flamengo teve contusões durante o segundo jogo, uma torcida incrível no Maracanã ontem e um começo de jogo arrebatador. Mas em algum momento, de novo, ele achou que tinha o Vasco nas mãos.

Você quer mesmo saber onde errou o Flamengo?

Em olhar mais pra tabela do que pra camisa que tava do outro lado. Erro que todo mundo já cometeu com o próprio Flamengo e se deu mal.

Veja você, o maior dono de causas impossíveis não tem espelho em casa.

abs,
RicaPerrone

 

Um roteiro fácil

Talvez você seja mais um dos que perderão horas da sua madrugada tentando entender “como o Flamengo perdeu” o jogo.  Eu serei mais simples.

Tentarei entender o que faz de um time tão arrasado e pisoteado no campeonato brasileiro eliminar seu maior rival e transformar uma semana em meio ao caos em história. Tentarei buscar formas não táticas e técnicas de entender que força é essa que, em clássicos, impulsiona o time em pior momento.

Que Vasco é esse que entra em campo com a vantagem do empate e num simples olhar para as arquibancadas descobre que não é favorito antes mesmo da bola rolar?

Onde vai parar a arrogância das pessoas que acham que o futebol é um esporte lógico e administrável meramente com pessoas de terno e gravata dispostas a determinar de véspera quem é quem?

As duas partidas tiveram momentos bastante equilibrados e fatores de extremo desequilíbrio.  As camisas se prestam o devido respeito, mas havia no ar, desde o dia do sorteio, uma certeza rubro-negra de que o caixão seria empurrado neste mata-mata.

Certeza essa que pra mim inverteu a situação. Colocaram o Vasco, veja você, aquele mesmo Vasco de tantas glórias, na situação de franco atirador.

Ora, quanta burrice! Havia um só cenário para o Vasco e ele lhe foi dado de presente.  A certeza do outro lado, a mídia falando em “goleada”, a “zebra” no primeiro jogo e a confirmação no segundo.

Contusões, sorte, azar, a bola que entra de cá, que quica e sai de lá.  O marrento atacante que ao invés de ganhar queria um chapéu no adversário.  O intragável dirigente que venceu de novo.

Roteiro fácil.

O Vasco que não ganha de quase ninguém, também não bate em qualquer um.  Só em gente grande.

abs,
RicaPerrone

Treinou

Imagine você que passou pela cabeça de alguns que o Flamengo estaria com a cabeça na quarta-feira e por isso não faria um jogo duro contra o SPFC.

Pois estava mesmo. Tanto que treinou pra decisão jogando outra. Fez do jogo uma guerra por bolas divididas, uma correria até o fim sem se importar com a qualidade, apenas com o resultado. Que aliás, na quarta, é o que basta.

O resultado foi até injusto. O Flamengo teve tanta chance de gol que se saísse dali com uma goleada não teria sido absurdo. Mas até isso deu certo, porque conhecendo bem o Flamengo, se goleia ontem, capaz de meter o salto na quarta.

Sheik foi o dono do jogo. Armou, cavou, chutou, correu, driblou, irritou, fez o diabo! Tudo que não fez quarta passada, quando tentou dar olé no Vasco, fez contra o São Paulo no Maracanã.

43 mil pessoas. É duro não ter uma linha em todo texto pra citar essa relação bizarra entre o rubro-negro e sua torcida mesmo quando você não vê motivos para que estejam juntos num domingo qualquer.

Treinado e aprovado. O Flamengo de ontem ainda não é um time forte. Mas é diferente de quarta-feira e é o que espera o rubro-negro.

abs,
RicaPerrone

O joguinho que virou jogão

Santificado seja o tal do João de Deus! E vai gostar de futebol assim lá no céu.

Eu não vi nada além de um jogo onde o Paysandu foi melhor que o Fluminense e merecia até, quem sabe, vencer o jogo.  Um time organizado e limitado contra um Fluzão muito técnico e muito perdido com a bola nos pés.

É monotarefa.  Ou a bola vai pra alguém resolver no individual, ou abre pra alguém cruzar no Fred.  O Fluminense não articula uma jogada ofensiva.  Joga mal.

Mas se mesmo jogando mal vence, há duas formas de avaliar.  Uma é que tem dado sorte, a outra é que quando jogar bem, sai de baixo.

As alterações hoje foram todas por questões físicas, inclusive a que resolveu o jogo.

O pífio público para ver o Fluminense no Maracanã não se justifica de forma alguma pela fase, pelos nomes nem pela importância do jogo. Talvez, e isso é muito mais uma muleta do que um motivo, seja pela sequência de futebol bastante contestável que o time apresenta.

A má notícia é que o Ronaldinho não está evoluindo, ao contrário, participa cada vez menos. Que o Fred é 80% do poder ofensivo do Flu, e que com meias ou sem, o time não troca passes no chão pra criar o gol.

Tenho minha desconfiança quanto a qualidade do Enderson.  E nenhuma dúvida quanto a estrela do Flu.

Mais um “joguinho” que acabou “jogão”.

abs,
RicaPerrone

Estatísticas: Flamengo 0x1 Vasco

Em parceria com a Opta Sports, maior fornecedora de estatísticas de futebol do mundo, o blog mostra pra você alguns dados relevantes de Flamengo 0x1 Vasco pela Copa do Brasil.

O posicionamento médio estatístico dos dois times em campo.

Todos os passes de Emerson Sheik no jogo

Todos os passes de Emerson Sheik no jogo

Todos os passes de Jorge Henrique no jogo

Todos os passes de Jorge Henrique no jogo