melhor do mundo

Cristiano – Não são os números

É comum hoje em dia defender teses sobre futebol dando números. Eu gosto de números, os uso, mas no futebol ainda os entendo como biquini: mostram tudo menos o que interessa.

Cristiano pode ter 120 mil gols, ou 600. O que faz dele um dos maiores de todos os tempos não é matemático.  Você só sabe que se trata do melhor do mundo quando olha pra ele.

Não, não! Sem viadagem. Me refiro a postura do sujeito. A confiança, a forma com que chama pra si a responsabilidade e a alergia que ele tem a ser coadjuvante em grandes jogos.

O craque normalmente, em algum momento, se encosta no fato de ser craque. Talvez por ter se feito muito mais do que nascido craque, Cristiano não se acomoda. Ele atua num limite irritante o tempo todo e nem mesmo o peso de ser cobrado como o dono do time lhe afasta de ser, de fato, o dono do time.

É impressionante. Jogos como os de hoje deixam a gente sem saída ao tentar encontrar “poréns” que o desqualifiquem da lista de maiores de todos os tempos.

E por mais que os números comprovem isso, eu diria que os números são os que menos me impressionam. Não há dado estatístico capaz de medir o que significa um sujeito pegar uma bola aos 40 do segundo tempo, morto, após ter feito 2 gols, e cavar uma falta, cobra-la com perfeição e resolver mais um jogo.

Desta vez não era o Getafe. É a Espanha e numa Copa.  Nos clubes a gente faz ídolos. Nas seleções se determina quem são os super heróis.

abs,
RicaPerrone

Os próximos capítulos

Talvez há alguns dias para alguns tenha acontecido apenas uma virada emocionante do Barcelona sobre o PSG.  Talvez um grande jogo do craque brasileiro. Enfim.  Vi algo mais do que isso e os próximos capítulos podem revelar mais do que um jogo.

Neymar é inteligentíssimo.  Chegou no Barcelona, ficou amigo do chefe, nunca peitou, esperou a hora e correu um risco enorme. Mas pegou a bola e bateu a falta e o pênalti sem olhar pro Messi.  Fez os dois, virou o jogo e virou herói.

Nas lojas do clube é tudo mais Neymar que Messi e não é de hoje. E é óbvio que o argentino está vendo esse quadro.  Mas pela primeira vez, em campo, alguém pegou a bola e mandou no Barcelona sem ser ele.

Pra mim o Neymar começou a ser melhor do mundo naquele momento. Quando disse “eu resolvo” sem olhar pro melhor do mundo e resolveu.  É assim que os grandes fazem. Não perguntam se pode. Lamentam que não sabiam que não podia depois de feito.

Mas e o Messi?  E a relação chefe/novato? Ela se mantém? Não haverá ciúmes do argentino em ver alguém se tornar o xodó da torcida que o idolatra?

Eu tô bem mais curioso em ver os próximos capítulos dessa relação do que as quartas de final da Champions League. Apesar de que elas podem dizer muito sobre essa disputa pelo protagonismo.

abs,
RicaPerrone

Incontestável

Num futebol nivelado e que hoje divide suas atenções entre 2 ou 3 craques no máximo em todo planeta, Cristiano Ronaldo e Messi disputam ano após ano o título de melhor do mundo.  Chega a ser monótono.

Mas é realidade fácil de perceber que não há uma “falta de craques” no Brasil mas sim no planeta. O jogo físico, tático, coletivo e com menos espaços tirou muita técnica de campo e deixou a possibilidade de brilhar muito acima da curva pra quem joga na Espanha que, por coincidencia ou não, disputa um campeonato fraco fazendo números absurdos.

Em 2016, não há dúvidas. Cristiano foi melhor.

Não que esse prêmio seja a coisa mais criteriosa e justa do mundo, já que Messi conseguiu ganhar melhor da Copa outro dia sem jogar mais nem que o Mascherano.  Vota-se muito também pelo nome, pelas conquistas coletivas. E mesmo Cristiano não tendo sido tão brilhante na Eurocopa, o Real Madrid ganhou tudo e com ele no comando.

Messi segue sendo um jogador melhor tecnicamente, enquanto Cristiano é resultado de esforço e treinamento.  Num par ou ímpar pra escolher time pra pelada, escolheria o Messi, apesar de sua nacionalidade (#paz).  Mas trata-se da eleição de melhor do mundo de 2016, e este foi Cristiano Ronaldo.

abs,
RicaPerrone