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Só mais um Silva

Os Silvas são os pessimistas mais felizes do mundo. Eles nunca acham que vai dar certo, mas ainda assim estão sorrindo e festejando mais do que os que tem certeza.

Os Silvas renegaram a Copa até a bola rolar. Quando rolou se derreteram por ela como sempre acontece. Os mais azedos da família vivem o desespero de, talvez, não poder dizer “eu avisei” no final. E não há nada mais trágico para um pessimista do que não poder ter razão.

Os Silvas se juntam, bebem, festejam e vestem a mesma cor. São toscamente desorganizados, a família que mais dá trabalho na vizinhança. Festas até tarde, condomínio atrasado, filho rebelde, estaciona onde não pode.

Mas é inegável que ali tem algo especial. Naquela casa pode estar o mundo caindo e lá estão eles sorrindo. Tão rindo de quê, afinal?

Na verdade nós, Gallardos, Jimenez, Hernanez, Rodriguez, Flores e Muñoz, morremos de inveja dos Silva.

Eles tem o mágico poder de ignorar um vazamento no meio da sala e continuar o jantar. Afinal, a comida está boa.  Ô vocação pra celebrar que esse povo tem!

E lá, na Russia, veja você, nada mudou. O mais rebelde dos Silva resolveu tudo. Caindo, rindo, debochando, levantando e trocando o objetivo pela farra.  Porque eles são assim. Não adianta brigar, tentar entender e menos ainda copiar.

Os Silva são foda. Começando pelo tal do Neymar da Silva Santos Júnior.

abs,
RicaPerrone

México 1×0 Alemanha

O México foi à Copa com um treinador que levou de 7, contestado, brigado com a imprensa, com jogador acusado de envolvimento com trafico, uma polêmica orgia com prostitutas na véspera do embarque e pouco glamour.

A Alemanha é o nerd que senta na primeira fileira. Vai longe, papai se orgulha, mas não chega a ter uma vida divertida pra ostentar. Apenas resultados.

No confronto dos dois é óbvio a qualquer moderno comentarista de futebol que a Alemanha vá ganhar o jogo. Mas o futebol é apaixonante exatamente por isso.  Jesus não garante título aos fiéis, nem é aceitável imaginar que o diabo o faça com os de caráter duvidoso.

A bola entra, não entra, muitas vezes por acaso. Não fosse a burrice individual mexicana, poderia ter sido uma goleada. A quantidade de contra-ataques claros para marcar foi assustadora.

Seguindo a lógica, a partir deste resultado, Brasil x Alemanha se enfrentam nas oitavas.

Eu não tenho medo. Pelo contrário, acho que PRECISAMOS desse jogo. Elimina-los seria a morte de um fantasma, e perder pra eles seria “aceitável” por ser um grande time.

O México nos daria obrigação, favoritismo e pressão. Sem contar a sorte que esses caras tem contra nós.

Vem aqui, Alemanha! A gente tem umas contas pra acertar…

abs,
RicaPerrone

Essa é de vocês!

Não acabou o Mundial, mas acabou a obrigação.  O Grêmio 2017 é um absoluto sucesso, e a final de sábado é uma possibilidade de tornar tudo isso ainda mais épico. Mas obrigação e pressão não há mais.

Acabou hoje nos pés de Éverton. Aquele Grêmio que não podia perder a Libertadores porque terminaria o ano sem nada, ganhou. E o que não podia não ir a final do Mundial, foi.

Respira tricolor, tá tudo bem.

Esse sufoco de hoje foi pra você, ajoelhado numa padaria qualquer as 4 da tarde de dia útil em Porto Alegre.  Pra senhora que fez da sua filha uma grande tricolor.

Pra você que não pode se ausentar do trabalho mas que suportou as quase 3 horas olhando no celular.

Pra quem gastou o que tinha e não tinha para encarar um dia todo de viagem para estar em Dubai correndo risco de ter feito tudo isso e voltar pra casa sem sequer jogar a final.

É pra vocês, dirigentes e funcionários do Grêmio, que só aparecem quando tem que dar explicação por algo ruim.

Pra ti, garçom de churrascaria, que servia enquanto segurava o choro de ansiedade pela bola que não entrava.

Pra todos vocês que entendem o que é futebol, porque o amamos, o que ele nos dá de volta e o quanto vale a pena ser um enorme “imbecil” que gasta tempo, saúde e dinheiro com “22 caras correndo atrás de uma bola”.

Pra você, Renato, que mexeu brilhantemente, foi ousado, diferenciado, e venceu mais uma vez.  Pra ti, Jael. Corres uma barbaridade!

Pro Arthur, que comenta com a mesma calma que joga. E por mais que sua felicidade pela vitória amenize, nada tira desse menino a dor de não estar ali hoje.

Pra todo pai que um dia levou seu guri no Olímpico. Pra todo garoto que um dia agradeceu seu pai por isso.

E se você ainda não o fez, faça hoje. Ser gremista é nesta terça-feira ser o que todo mundo queria ser. E se és, agradeça ao responsável.

 

Parabéns! Acabou a obrigação. Agora é só pela glória!

abs,
RicaPerrone

Eu também iria

Osório parece ser um divisor na torcida do SPFC. Ou a pessoa o ama e acha que tudo que ele está fazendo é genial, ou odeia e acha que ele é um cretino aproveitador. Será que não há um meio termo?

Eu iria pra seleção do México.

Porque? Porque é uma chance enorme de disputar uma Copa do Mundo e só quem trabalha no futebol sabe o que é fazer parte de uma Copa do Mundo. É uma credencial eterna, um comprovante de competência, um atestado de profissionalismo. Um ponto gigantesco na carreira.

Qualquer um ia querer. Além da grana, que deve ser ótima, a chance do México é grande de estar na Copa. E é um emprego seguro, seleção joga pouco.  Eu iria.

O que eu não faria? Transformar isso numa novela de dentro pra fora.

Ah mas a imprensa pergunta!

Foda-se. Não responde. Não vá na coletiva.  Mas estão pedindo lenha pra queimar tudo em volta, você vai dar? Quem ganha com esse blá blá blá todo santo dia na mídia? O Santos, os demais adversários do G4, menos o SPFC.

Osório pode ser o cara que ele pinta ser e é maravilhoso que seja. Leva a esposa, diz que ta sofrendo, tudo bem! Mas diz isso la dentro, pro teu chefe, não pra mídia que fará disso uma novela idiota e sem beneficios pro clube.

Falta malandragem, jogo de cintura. Osório ou é muito puro ou muito marketeiro. Não vou avaliar sem conhece-lo, mas é um ou outro.

Seu trabalho é bom. Acho que todos queriam que ele ficasse. Ponto.

Daí a ser uma dádiva pro nosso pobre futebol, um exagero típico da imprensa brasileira que adotou o termo “importado” como “sinonimo de qualidade”.

Não é pela decisão, nem pela demora. É o teatro que está errado. Roupa suja se lava em casa, ainda mais quando a lavanderia da esquina é a imprensa esportiva brasileira.

abs,
RicaPerrone

Vencer o México é mais do que parece

Eu não sei exatamente qual a função da seleção mexicana no mundo.  Se amanhã cedo ela anunciar que nunca mais entrará em campo não mudará uma virgula do futebol mundial.

Mas eu sei qual a intenção dela no planeta.

Dos últimos 13 jogos contra o Brasil, portanto 15 anos, eles ganharam 7, empataram 2, perderam 4.

No mesmo período, por exemplo, contra a Alemanha nós ganhamos 4 e eles duas.

Contra a Argentina? 12 vitórias nossas, 6 deles.

Pode falar da “crise” que for, dos 7×1, da puta que pariu. Você não encontrará no futebol mundial alguém páreo pro  Brasil ao longo dos tempos. Mesmo que num passado bem recente, onde os profetas do apocalipse acham que viramos Honduras com grife.

Mas o México, não.

Esse time tem um poder inexplicável de fazer a seleção brasileira não jogar bola.  Já pensei que pudesse ser “a escola mexicana”. Mas que porra de escola mexicana? A única que ouvimos falar era do Cirilo, Maria Joaquina e Jaime Palilo.

É um daqueles casos tipo SP x Vasco em mata-mata, tipo Palmeiras x Bragantino, ou Vasco x Fluminense.  Não importa quem está dentro das camisas, elas vão te induzir pra um lado.

Então, se hoje não fizemos nada além do “básico”, acho muito bom o resultado.  Ganhar do México é quase um exercício de exorcismo.

Agora é mais um treino de camisa oficial e depois é pra valer. E quando é pra valer, na maioria dos casos, a gente é favorito e não decepciona.

Que venha a Copa América, torneio no qual a “agonizante” seleção que os especialistas teimam e matar de véspera ganhou 4 dos últimos 7.  Alem de ter ido a mais 1 final.

abs,
RicaPerrone

Reconsiderando atuações

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Quando terminou o Brasil x México eu não entendi bem o que o Felipão queria dizer com “evolução”. Pra mim o time havia jogado mal e mesmo sob os milagres do goleiro adversário, tínhamos que ter feito mais do que aquilo.

Essa maldita mentalidade de achar que jogamos contra cones nos trai o tempo todo. Foi preciso a Holanda, até então “o time da copa”, quase perder e ser dominada pelo México para entendermos que não empatamos com um bêbado.

Na real, deixamos de sofrer 90% dos sustos que a Holanda sofreu. E se foi isso que Felipão teve como meta, em troca de achar um gol na frente, conseguiu. A bola não entrou por detalhe, a deles, por falta de chances.

A Holanda tem uma coisa que me agrada muito. Ela perde, perde, perde e não muda seu jeito de jogar. Isso é personalidade, o que aliás nos faltou quando “vendemos” nossa alma pro 1×0 de bola parada desde agosto de 1982.

O futebol corrige ao longo do tempo todas as injustiças que comete. E não são poucas.

A maior delas, no entanto, ainda está pra ser corrigida. Talvez seja agora, talvez mais pra frente. Mas a Holanda é o maior time do mundo que não ganha nada.

É maior que Uruguai, Inglaterra, França, Espanha e Argentina. Toda Copa revela jogadores, tem seleções marcantes e não consegue o “maldito” título por detalhes do futebol.

Torço pra Holanda pela dignidade de saber que caso não possamos sair desta Copa com a taça, que ela vá pra quem merece e de fato joga futebol.

O México criou uma seleção de futebol com a única intenção de encher o saco da seleção brasileira. E faz muito bem o que se propôs.

Já tá feito. Pode voltar pra casa.

abs,
RicaPerrone

Tudo mudou

As vezes parece tão simples que chego a imaginar que somos gênios ou eles, treinadores, muito burros. É mais inteligente entender que eles enxergam algo que nós não e por isso tenham escolhas que não podemos entender tão bem.

A diferença do Brasil da estréia para o de hoje foi brutal. E vou apelar aos quadros estatísticos da OptaSports, exclusivo do blog na Copa, para mostrar isso.

Veja a diferença entre o posicionamento do time nos 2 jogos.

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Brasil x Croácia

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Brasil x México

Tirando a parte do quanto estivemos mais a frente por motivos óbvios contra o México, a distribuição do time lá na frente é praticamente outra.

Se num primeiro jogo Neymar jogou atrás do Fred com Hulk na esquerda e Oscar na direita, hoje tivemos Neymar na esquerda, Ramires na direita e Paulinho quase tendo que armar o time enquanto o Luiz Gustavo ficou mais preso.

Oscar, que foi o melhor do jogo pela esquerda na estréia, foi pro outro lado mais recuado.

Foi um novo time. Me pareceu até que fazendo testes, tamanha diferença tática dos dois jogos.

Mais um exemplo considerável é o mapa de toques na bola do Neymar nas duas partidas.  No primeiro jogo, mais solto, fez quase 10 jogadas pelo lado direito. Hoje, duas.

Neymar contra a Croácia

Neymar contra a Croácia

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Neymar contra o México

Longe de tentar ter entendido o que Felipão tentou fazer com Ramires aberto na direita, mas ainda mais confuso quanto a troca de Oscar e Neymar, que foram os melhores do jogo na estréia.

Num time que nem tudo deu certo contra a Croácia, pouca coisa ficou. E neste, de hoje, quase nada deu certo.

Não vi a melhora que o Felipão viu. Vi um time menos ameaçado atrás. Talvez nisso.  Mas na frente, mesmo que tenhamos feito do goleiro deles o melhor em campo, faltou bola no chão, movimentação e jogada.

O que vem na segunda-feira? O Brasil das Confederações com Neymar num lado, Hulk no outro? O da estréia? O de hoje? Ou uma nova tentativa?

abs,
RicaPerrone

Uma Copa brasileira (México 1×0 Camarões)

As últimas duas Copas do Mundo foram marcadas por uma série de jogos ruins e truncados no seu começo. Ainda é cedo pra dizer que será diferente, mas já é justo reconhecer que tem sido, e que tem nosso dedo nessa história.

Ao contrário dos estádios africanos e alemães, nossos torcedores não sabem curtir um esporte. Eles tem a necessidade cultural de tomar partido e, portanto, não assistem ao jogo sem empurrar um dos lados.

O futebol com torcida é absolutamente outro se comparado ao futebol com platéia.

Queremos mais! Eles sentem. Não é só um esporte, é uma questão de que lado estamos. E se de adotamos, corram por nós. Sabendo quem somos, arrisquem! Não vão nos conquistar burocraticamente.  Queremos ousadia, dribles desconsertantes e lances mágicos.

Somos brasileiros, oras!

Eles sabem que não podem nos encantar com carrinhos e laterais.

Diante dos Reis todo plebeu tenta algo mais. E não será diferente na Copa.  Se querem nossos aplausos, nos deem mais do que tática, correria e marcação.

Mexicanos e camaroneses entenderam isso e foram pra cima. Um pra surpreender após ameaça de greve e total descrédito. O outro para comprovar que pode vencer alguém no mundo além do Brasil.

Com erros de arbitragem que pra muitos coerentes plantadores de complôs insinuam a compra da Copa por parte de Camarões, o jogo foi bastante aberto, corajoso e bem jogado.

Aprovado! Padrão “Brazilian Art Football”.

Até aqui, dentro e fora, que puta Copa!

#TaTendoCopa

abs,
RicaPerrone