oitavas de final

Enfim, sem “poréns”

O Inter tem um bom time. Ao contrário do que muita gente diz, dá pra jogar bem e vencer. Não é um ou outro. Prova disso são jogos como o desta noite.

Não satisfeito em vencer, o Inter estava disposto a convencer. Sair de campo aplaudido em pé e sem “poréns”.

“Ganhou mas não jogou bem”. “Ganhou mas recuou”. “Ganhou mas…”.

Não tem “mas”. O Inter venceu lá como dava, aqui como quis.

Contra-ataques, chances de gol, movimentação, sintonia com a torcida. Noite de gala no Beira-Rio. Daquelas que faz a gente acreditar.

Se Flamengo ou Emelec, ainda não sei. Mas quem vier enfrentará o melhor Inter dos últimos anos.

Noites irretocáveis não se comenta, só aplaude.

RicaPerrone

O futebol está errado

Todo esporte do mundo muda suas regras com o tempo procurando privilegiar sempre a qualidade técnica à defesa. Talvez o futebol seja, até, o único esporte do mundo onde a defesa ganha do ataque na enorme maioria das vezes, já que as investidas são constantes e os “gols” raros.

Ainda assim, pelo fator imprevisível, o amamos.

Só que o esporte é sustentado por ídolos. Pela idéia de ver seres humanos como nós fazendo o que nós jamais faríamos. E toda vez que diminuimos esse ponto o futebol perde valor.

Não é mentira que tínhamos 30 craques por Copa e hoje lutamos pra achar 5. Não é saudosismo, é apenas a constatação óbvia de que o futebol se tornou um jogo muito mais coletivo do que individual, e portanto os craques perderam o fator determinantes nos vencedores.

Só que cabe a FIFA manter o futebol atrativo e os ídolos privilegiados. Não equilibrar o jogo meramente pelas questões táticas, físicas e até dimensões de campos para beneficiar o menor. Nivelar por baixo jamais é uma boa idéia.

Os laterais viraram escanteios. Os campos são todos pequenos, os times correm mais, compactam mais e tem uma enorme facilidade de anular um time com talentos individuais.

O coletivo é a arma do futebol atual. E o coletivo não é forte em seleção alguma, simplesmente porque trata-se de um time de pouco treino, formado rapidamente e que não goza do mesmo preparo para encarar defesas bem armadas.

Ao contrário dos ataques, armar defesas não é tão complicado.

O futebol hoje privilegia o grandão, o forte, o veloz, o tático, e por último o craque. A Copa é apenas a representação final disso tudo.

Em mais de 2 semanas de Copa tivemos raríssimos grandes jogos. E note, fácil: os grandes jogos foram onde seleções de patamar semelhante atuaram. Porque? Porque nenhuma delas pode propor apenas se defender. E então temos um  jogo.

Os craques estão decidindo contra times grandes, não contra os nanicos. Porque pra decidir é preciso poder jogar. O futebol está privilegiando o lado errado.

Eu e nem ninguém prefere um jogo intenso e corrido onde um time massacra o outro tentando jogar e o outro tentando evitar. Todo mundo quer ver um jogo onde quem JOGA mais tem vantagem sobre quem tenta não jogar.

Não é o que está acontecendo. Talvez seja hora de rever alguns conceitos mais profundos e antigos do futebol.

São mil alternativas. Mas elas precisam parar de dar vantagem a quem não quer jogar futebol. Especialmente porque não sabe.

abs,
RicaPerrone

O mundo podia acabar amanhã

Amanhã é sexta-feira, 7 de julho e não tem futebol. Dia ideal para que o mundo fosse atingido por um meteoro enorme e a humanidade fosse destruída parcialmente. Que ficassem poucos, os bons, e especialmente os dispostos a contar sobre este Botafogo.

Não sabemos se haverá uma quarta de final, uma semi, uma final. Talvez um jogo em Dubai. E hoje eu digo com todas as letras: porque não?!

A dúvida sobre o futuro nos faz querer eternizar o hoje. E hoje, meus amigos, ninguém é mais feliz que o botafoguense. O mundo explodiria em pedacinhos e ele sorriria pensando “foda-se!”.

Foram 4 títulos (3 do Olímpia, 1 do Colo Colo) para entrar na fase de grupos.  Ele passou.

Foram 6 títulos (4 do Estudiantes, 2 do Atlético Nacional) na fase de grupos, ele eliminou os dois e entrou.

Agora enfrenta mais 3 canecos, e foi lá e ganhou na casa dos caras.

“Ah mas os caras são…  “Cala a boca, viado! Tu sabe quem é Nacional do Uruguai, pivete?  Não tem no youtube não. Nem no FIFA.  É a história, um gigante, um time que carrega 3 mundiais nas costas e 46 campeonatos uruguaios. Não é Chelsea não.

Jogar lá com eles é ponto perdido. E num mata-mata, sempre foi “perder de pouco pra reverter”.  Aí vai o time do Roger e do Lindoso e volta com a vitória.  Outra, memorável, inacreditável, estonteante, promissora, eterna, foda.

Esse time não pode ser eliminado. Talvez seja, e se for estará sendo já muito acima de qualquer expectativa.  Mas ele não merece ser. Por ninguém, nem mesmo por alguém que mereça a vaga mais do que ele amanhã.

E por isso eu lhes digo que se houver alguém olhando por nós lá em cima e for de fato justo, que acabe com tudo agora ou lhes dê o título! Porque esse Botafogo não merece ser eliminado de nada. Nem mesmo se chegar a hora.

abs,
RicaPerrone

A hora que quiser?

O Atlético Mineiro tem o melhor time do país. Acho bem pouco discutível que entre os 11 titulares alguém tenha nomes como Fred, Robinho, Elias, Cazares, Leo Silva, Victor, Marcos Rocha. Enfim.  O que não significa que vá jogar ou ganhar algo por isso.

Entre o bom time e o bom futebol é um elo complicado de encontrar que passa obrigatoriamente com o tesão em fazer o que está fazendo. E futebol só se ganha com olho brilhando. Ainda mais mata-mata.

Atleticano sabe bem disso porque viveu na era Cuca o simbolismo máximo do que cito aqui. E hoje vive, com mais time, o sentimento inverso. Um time de potencial enorme, mas… “pica sonsa”.

A impressão que dá é que o Galo acha que ganha e faz gols a hora que bem entender. Eu nem chego a discordar, mas nunca vi isso dar certo. O time não vibra, toca demais pro lado, corre só quando precisa e não explode em momento algum da partida.

É o equilíbrio exagerado de um caixa de supermercado.  Ele pega, passa, cobra, próximo. Pega, passa, cobra, próximo.  É um processo repetitivo e sem tesão.  Feito pela mera obrigação de se fazer e sem a menor obrigação de ir além.

O Galo tem sim a obrigação de ir além. Se não na tabela, nos 90 minutos pela camisa que veste.  O mínimo possível não é compatível com as expectativas desse Galo.  Se um dia esse time se olhar na cara no vestiário e dizer: “Vamos ganhar”, dificilmente ele não vai ganhar.

Mas a impressão que dá de fora é que eles acham que vão ganhar quando bem entenderem. E a história é muito cruel com esse pensamento.

Já diria o filósofo Luxemburgo: “já comeu alguém com a pica sonsa?”.

E nem vai.

Bota sangue nesses olhos, Galo.

abs,
RicaPerrone

Nunca o contrário

Assisti Atlético MG e Ponte hoje com aquela certeza irritante de que os 2×0 construídos com um futebol convincente e de forma bem imponente não cabiam a quem os fez.

Embora melhor em campo, em boa fase e em casa, a Ponte Preta é sempre a Ponte Preta, o Galo sempre o Galo.  As vezes a gente esquece e, durante um jogo, aceitamos que “as coisas mudaram muito”.

Acho que desde o momento em que o Galo achou o 2×1, todas as pessoas que esqueceram a discrepância de peso nos trajes tiveram que procurar desculpas para explicar o óbvio que viria a seguir.

O Atlético empataria. Como empatou.

Poucas vezes vi um gol que deixasse o segundo tão óbvio.  O Atlético se classificou quando fez o 2×1. O gol de Robinho era mais previsível que o mau futebol coletivo do Galo de Marcello Oliveira.

O Atlético é um time que tem o imponderável a seu favor. Ou, o talento. Como preferirem.

Sabe aqueles times que não precisam de treinador? Então.  Tá aí a prova.

abs,
RicaPerrone

Justiça, coerência e paz

Caro alvinegro em sua noite do terror,

Imagino que não será fácil dormir. Entendo toda dor de uma eliminação sem perder e contra um time que foi duas vezes ao ataque e fez 2 gols.  Mas entendo que o mais importante desta derrota é a reação de vocês.

Não importa o que a mídia dirá amanhã cedo. Teremos aquele circo em alguns programas, outros tentando achar um vilão, outros destruindo a carreira do André. Seja como for, volte no tempo 6 meses.

Se alguém dissesse a você que vendendo todos os jogadores do time e mantendo apenas o Elias dos chamado “acima da média”, contando com um time de André, Marquinhos, Rodriguinho, enfim, nomes sem a menor expressão no futebol ainda, você pensaria em Libertadores?

Não. Em fevereiro, quando começou, o Corinthians era carta fora do baralho. As coisas caminharam, o time jogou acima do que podia tecnicamente, e por isso houve uma inversão de valores curiosa. Na véspera de um Corinthians x Nacional, que é um time muito grande, notamos o resultado ser tratado como “obrigação” e uma derrota como “surpresa”.

Senhores, sei que falo para uma das mais doentes torcidas do mundo e pedir par raciocinar em cima da dor é uma covardia, mas olha a escalação desse time, o futebol que ele joga, onde ele chegou sem perder e me diga que isso não é um grande resultado?

Esquecemos durante o período, mas o Corinthians não tem um bom time. Está formando e com peças mediocres, comuns.  Espera-se de um time comum resultados comuns.

Se na próxima semana você, corintiano, deixar a Arena, estará dizendo que concorda que futebol é resultado e nada mais.  Estará virando as costas pro fato incontestável de que um time bastante limitado chegou ao seu limite, mas que foi até onde podia ter ido.

Não faltou luta nem trabalho. Faltou qualidade. E se ainda tenho algum bom senso, ele diz que o Corinthians está com muito mais crédito com vocês do que devendo algo.

abs,
RicaPerrone

Entendendo Bauza

É um São Paulo estranho, sem dúvida.  Capaz de golear e ser goleado. De jogar como se não houvesse amanhã e como se não tivesse nem aí pra nada.  Capaz de ser campeão? Talvez.  De ser eliminado num vexame épico? Idem.

Bauza tem em seu histórico de Libertadores classificações na bacia das almas e uma constante: ganha em casa, sofre fora. Regulamento na mão, postura de time pequeno. Importa o resultado.

Eu não concordo com isso nunca, o que não quer dizer que não funcione. É um Muricy bom de mata-mata.  Mas a grande diferença entre LDU, San Lorenzo e São Paulo é que pela primeira vez ele não vai surpreender ninguém.

Aqui, ele dirige o time protagonista, não a surpresa. Aqui, ele tem que ganhar. Aqui, o favorito é ele.  Não que LDU e San Lorenzo sejam pequenos, mas jamais foram favoritos  de véspera e sequer cotados as Libertadores que ganharam.

Não dá pra ignorar o show de bola do Morumbi, nem a piaba do Audax e o jogo sonolento desta noite.  O São Paulo é bipolar e isso não é exatamente um defeito no mata-mata, desde que o lado brigador e bom de bola apareça numa proporção maior que o sonolento.

Mata-mata é isso. Você tem que ser suficiente melhor num dos jogos para não ser tão bom no outro. E Bauza arma o time pra isso: pra ter o resultado.

Repito: Essa mentalidade foi o maior problema do futebol brasileiro desde 1986. Colocamos o resultado acima do bem e do mal, não avaliando nada além disso. Não gosto.

O que não quer dizer que não funcione.

abs,
RicaPerrone

Tchau!

Foi-se! Não tem o que fazer nem na altitude do Everest. O massacre visto hoje no Morumbi é digno dos maiores bailes já registrados em partidas oficiais na história do clube e da competição.

Em 45 minutos havia 20 chutes a gol contra nenhum do adversário. E 2×0 no placar.  Era 75% de posse de bola, números Barcelonisticos contra um Tolouca Getafeante.

Ganso, descaracterizado pela roupa de jogo enquanto deveria estar de terno e gravata, lembrou o menino que em 2010 achamos que seria melhor que Neymar.

Os renegados Michel, Thiago e Centurion resolveram a parada e fizeram as pazes com a torcida. O goleiro que não inspirava confiança não jogou, e o provável titular no restante do ano pegou a vaga sem esforço.

O Morumbi viveu mais uma noite perfeita de Libertadores que só o saopaulino consegue entender. Tudo funciona. É inexplicável, mas eu diria que se o mesmo jogo fosse domingo a tarde por outro torneio seria um duríssimo 2×1.  Mas na Libertadores, num meio de semana a noite, o Morumbi brilha sem refletor.  É dia.

Dia de São Paulo. Aliás, poderia ser decretado que todo domingo é dia de futebol, todo sábado dia de missa, toda quarta, feijoada. Mas toda noite de quarta ou quinta-feira no primeiro semestre é dia de São Paulo.

A diferença entre as primeiras 5 rodadas e as últimas 2 partidas é simples:  Agora é pra valer.

abs,
RicaPerrone

Convincente

O Racing é um clube grande na Argentina e como tal deve ser tratado. Cobrar de um time brasileiro que vá até lá e vença o jogo com casa cheia num mata-mata é uma dose cavalar da tal arrogância que tanto condenamos em nós mesmos.

Mas jogar como o Galo jogou, ter o controle de parte do jogo, maior posse de bola, maior troca de passes, maior número de finalizações e as chances mais claras de gol indicam algo muito bom.

O Racing não conseguiu fazer em momento algum o que argentinos fazem de melhor: abafa.  Sabe quando o time dos caras começa a vir de uma maneira que você não consegue sair e quando vê eles cruzam 13 bolas seguidas na área e no bate-rebate uma hora alguém empurra? Não teve.

O Galo soube não apenas marcar o Racing como cadenciar o jogo no primeiro tempo. Não soube resolve-lo, porque quando se propôs a contra-atacar no segundo, poderia.  O 0x0 soa estranho quando “não é tão bom” por causa do gol fora. Mas é duro imaginar esse time do Atlético indo pra frente e não marcando gols.

É bom demais o poder ofensivo do time. Em casa, ela vai entrar.  É o melhor time brasileiro da Libertadores.  Basta lembrar-se sempre que é uma Libertadores e que ela não se trata apenas de futebol. Porque futebol o Galo tem pra busca-la.

abs,
RicaPerrone