Palmeiras

Jogai por nós

Pela nossa honra, dignidade e tradição. Pelo verde que ostenta e pelo amarelo hoje representado sem uniforme. O Palmeiras moralizou o futebol brasileiro em diversas categorias numa só partida. E daqui, deste blog, saem apenas os aplausos.

Se quiser uma dose de ar condicionado, hipocrisia e o conceito de que a vida é uma rede social, passeie por elas. Está cheio de gente julgando Felipe Melo, dizendo que ele não deveria dar o soco, ou que o treinador não pode falar assim com a imprensa.

Ora, meus caros. Olha nos olhos de quem vos fala. É o Palmeiras, não um qualquer. Um time que acabara de virar um 2×0 do Penarol lá! Que teve o mesmo final previsivel de quase toda vitória brasileira nos países vizinhos: pancadaria e intimidação.

E então surge Felipe Melo, que é o vilão mais heróico do mundo, e senta a porrada na cara do poodle que corria em sua direção.  O coitado do rapaz estava só correndo porque tinha um time atrás dele. Sozinho, óbvio, não faria. E quando se aproximou, não bateu. Levou.

Quando eu tinha 12 anos meu pai me ensinou que “se a briga fosse inevitável, desse a primeira”. Eu não ousaria imaginar que essa cambada de retardado de rede social que acha que pode pautar o mundo por ali possa entender, até porque para essa gente quando se briga é só dar block.  Mas na vida real é diferente.

Felipe Melo fez o que eu faria. Diante de iminente agressão, se defendeu.  Aliás, só um covarde não faria o que ele fez. E tá cheio.

Covardes como os meus colegas que mentem sob o uso da “preservação da fonte”. A lei mais estúpida das leis, que permite um sujeito denegrir outro sob o argumento de ter uma fonte sem ter que revela-la.  Ou seja, é casa da mãe Joana.

Quero que se dane se foi Juca, alguém da Sportv ou da Globo. Não faz diferença. Assim como generalizamos todos os dias há décadas “o jogador brasileiro”, “o treinador brasileiro”, “o dirigente brasileiro”, eles também podem.  “A imprensa esportiva” é uma merda.  Sim, é.

E a noite palmeirense foi tão memorável, hiponotizante e contagiante que eu diria que há alvinegros e tricolores hoje indo dormir de verde.

Pois eles jogaram pelos 3 pontos deles. Mas brigaram por muito mais do que isso depois. A causa é nossa, o futebol brasileiro é vítima desses dois terroristas: o descaso da Conmebol com nossos times fora de casa e a imprensa que cria problemas e destrói pessoas para sobreviver.

O Palmeiras ganhou as 3 batalhas numa só noite. E com esse volante, essa torcida engajada, esse treinador com sangue nos olhos e os incríveis jogos da primeira fase… quem dirá que não dá pra ganhar a guerra no fim?

abs,
RicaPerrone

Mais do que tática, eu acredito em histórias

Tem formas de se analisar futebol. Embora eu adore táticas, observar jogos de maneira crítica, a vida foi me ensinando a olhar pra história sendo escrita e não necessariamente para a caneta que era usada.

O Palmeiras não se acertou em campo ainda como se espera. Mas títulos, especialmente a Libertadores, se conquistam com um roteiro.  Ninguém ganha esse torneio “de pica sonsa” como diria o Luxemburgo.

Quando o Diego Souza perdeu o gol contra o Corinthians, o campeão ficou claro. Quando o Victor pegou o pênalti do Tijuana, sabíamos que daria Galo.  Esse jogo ainda não aconteceu pra ninguém em 2017, é óbvio.  Mas o Palmeiras tem um começo de Libertadores que nos remete a isso.

Eu respeito demais o cenário. Tem time com cara de poster, time time com cara de lista de dispensa.  As histórias vão sendo construídas, o semblante dos jogadores ao entrar e sair de cada partida vão mudando e as reações da torcida vão tomando dimensões pouco condizentes com os resultados.

E então você tem os candidatos a título.

Eu não quero fazer qualquer avaliação tática ou técnica desses favoritos neste post. Quero apenas observar que há no Palmeiras uma história sendo escrita de forma dramática, apaixonante e marcante.

Uma história de campeão.

Se vai, outros 500.  Se for, ao que tudo indica, será um daqueles de mandar enquadrar e pendurar na sala.

abs,
RicaPerrone

Salve-nos, Felipe!

Eu já não via esperanças quando ele voltou.  Achei que estavamos fadados ao futebol de Sandys de chuteiras, os gols todos marcados pelo nosso senhor Jesus e mais nenhuma irreverência, ousadia e alegria.

Ou melhor, “ousadura”.

Felipe é a melhor coisa que tem acontecido por aqui. Não exatamente pelo que joga, embora seja muito bom jogador, mas pela coragem de não ser o merda que esperam que ele seja.

Sim, uma pessoa que é o que esperam que ela seja é um merda.

Entre acertos, exageros e erros grotescos, Felipe destoa por ser comum.  Assumir o sangue quente, reconhecer que perde a cabeça, manda jornalista pra aquele lugar quando acha que tem que mandar e segue o jogo.

Alguns processam. Felipe responde.

Eu não vou entrar no mérito indiscutível da década que é sobre o mimimi. Mas ver um negão ganhar um jogo, meter o dedo na cara de um racista e mandar que ele tomou chifre de um negão é MUITO mais moralizador pra sociedade do que qualquer processinho.

E a coragem de arriscar ser mal interpretado? E as consequências?

Dane-se as consequências! Ele é isso, e vai errar muitas vezes. Mas vai errar sendo o que ele é, não o que a mídia espera que ele seja ou que tem como manual o bom exemplo.

Felipe, você que nos “fudeu” em 2010, está nos ajudando muito em 2017.

Quem diria?

O Dunga, talvez. Aquele… Outro que não é o cara que você queria e, talvez por isso, você o odeie.

Eu não gosto de algumas pessoas. Mas gosto tanto de não gostar delas por elas serem o que eu não esperava que quase as amo.

abs,
RicaPerrone

Faz de novo?

Fim de um clássico, uma grande virada, jogo cheio de chances de gol, goleiros pegando tudo e… pau no Felipe Melo.

“Porque um jogador não pode incitar a torcida”.  “Porque ele provoca”. “Porque ele desrespeita”. “Porque ele isso”. “Porque ele aquilo”.

O que ele fez? Comemorou, debochou do rival, fortaleceu o time dele e meteu pilha sobre o tamanho do estádio no fim do jogo. Isso tudo além de ter ganhado a partida, é claro.

Eu transito as vezes em mesas de bar com colegas jornalistas e eu nunca vou conseguir entender o que se procura.  A reclamação é enorme: “Eles so falam a mesma coisa. Antigamente que era bom, tinha o Tulio, o Edmundo…”.

Ai o cara faz o que eles faziam com o microfone e… porrada! Uai?! Tu quer cobrir santo vai fazer a turnê da Sandy.  No UFC nego provoca é “promoção de espetáculo”. No Palmeiras é indisciplina só porque ele não arrega pra imprensa e é meio maluco?

Eu acho muito bom jogador. Mas mesmo que não fosse, atitudes como as do Felipe Melo hoje só fazem bem ao futebol, a mídia, aos dois times, ao torcedor, a quem quer que seja. Só promove o jogo, gera brincadeira e assunto no outro dia. Mais nada.

Todo o resto que existe em torno disso quem cria são os mesmos caras que, ao final de um jogo 0x0 com “se deus quiser os tres pontos positivos” surge diz que “tá tudo igual. Saudades do Edmundo”.

Faz de novo, Felipe!

abs,
RicaPerrone

Nunca haverá “favorito”

Eu entendo que o termo “favorito” não indique um vencedor. Apenas um time que esteja naquele momento melhor para o jogo. O que nunca significou muita coisa, em clássicos, vai a “nada”.

Eu não assisti nem dez Palmeiras x Corinthians onde o “favorito” deita e rola.  É mais raro do que o não favorito vencer, aposto.

E a semana toda foram colocando o Corinthians na melhor condição do mundo:  a de “franco atirador”.  E isso não foi feito pelo Palmeiras, que fique claro. A montagem do cenário é criada sempre pela mídia. E toda vez que ela tenta enxergar um time jogar um clássico nessa condição, ela muda o clássico.

O Corinthians, em casa, é favorito contra qualquer time do mundo. Tal qual o Palmeiras no estádio dele, tal qual qualquer clube grande do futebol mundial. Em casa, ele é o protagonista.

O arbitro cometeu um erro grotesco, daqueles que nos faz aceitar a interferencia externa. Mas ele tirou só o Gabriel. Não foi má intenção, foi erro mesmo.

Fosse má intenção ele teria tirado a camisa do Corinthians, não um jogador.  Aí sim, teríamos um favorito.

abs,
RicaPerrone

Inesquecível Carlos Alberto Silva

A maior atuação que eu vi um time ter por 90 minutos foi em Palmeiras 5×1 Grêmio em 1995.  Por ironia do destino o resultado eliminou o Palmeiras, que havia sido goleado em Porto Alegre no épico jogo da briga.

Eu me recordo bem que o mundo dizia que fazer 5 gols no time do Scolari era absolutamente impossível. O Palmeiras era um bom time, mas não era o timaço de 96 ainda. Que aliás, foi o que vi jogar mais bonito na vida. Mas voltemos a 1995.

Naquela noite o Grêmio ainda fez a covardia de sair na frente. Com aquele gol, mesmo tomando 5 a vaga era dele e, portanto, o jogo estava decidido.  Talvez você pense, então: “a goleada veio porque o Grêmio tirou o pé”. E não, não é verdade. Os dois times entraram em campo num nível de ódio pela briga generalizada da semana anterior que um grenal parecia amistoso.

Havia orgulho, problemas pessoais, a vaga, o que foi dito pela mídia, enfim, tudo em jogo naquele dia.

Era 2 de agosto. O Palmeiras conseguiu em 60 minutos (15 do primeiro e mais o segundo tempo) fazer 5 gols na defesa impenetrável do Grêmio.  Movidos por raiva, vingança, vergonha na cara e o que mais fosse, eu nunca vi um time jogar tanto.  E me refiro a tudo, não apenas a parte técnica ou tática. Mas o fato de se entregarem naquele nível em busca de algo absolutamente impossível que chegou a se tornar possível no fim.

O técnico era Carlos Alberto Silva, que faleceu ontem aos 77 anos.

Eu não vou fazer nenhum texto que crie no falecido um mito que não foi, nem mesmo ficar explicando seus feitos porque acho que é o mínimo de quem ama futebol conhece-los.  Carlos Alberto não foi um dos melhores que eu vi, nem mesmo naquele Palmeiras fez um trabalho brilhante.

Mas naquela noite, mesmo que eu nunca tenha conseguido descobrir detalhes do que houve naquele vestiário, eu tenho certeza que ele foi parte responsável de uma das maiores partidas da história do nosso futebol.

Vá em paz, professor! Foi um prazer.

abs,
RicaPerrone

Felipe Melo, o vilão

Dizem que custará cerca de 600 por mes, considerando luvas e prêmios.  Dirão também que é um absurdo em virtude da birrinha criada entre imprensa e jogador desde 2009, quando Dunga o bancou na seleção contra tudo e todos.

Mas em 2010, onde era nosso melhor jogador, fez uma bobagem e foi expulso. Felipe comete 3 “erros” dos quais 1 deles é imperdoável.
– Perde a cabeça
– Fala o que pensa
– Não afina pra imprensa

O terceiro é um crime sem perdão. E Felipe não só tem problemas com os jornalistas por não ser o padrãozinho “tres pontos positivos se deus quiser”  mas também porque brigou com o ótimo PVC no ar, onde, diga-se, considerei de extrema infelicidade a pergunta do colega no minuto seguinte ao sujeito ser convocado pra uma Copa do Mundo.

Essa falta de sensibilidade faz a relação jogador/imprensa deturpar cenários. Felipe é um jogador de sucesso, renome internacional e muito bom nível.  Só que ele é “maluco”.  E as pessoas, ainda mais nesse mundo chato, não suportam seres humanos que não sejam a Sandy perante um microfone e uma camera.

Errou em 2010. Errou.  Criticamos, ponto. Segue.  É destemperado. É.  E aquela velha frase que adoro encerra meu raciocínio:

“É melhor segurar um louco do que empurrar um imbecil”.

Bem vindo ao futebol brasileiro, Felipe! Ótima contratação do Palmeiras.

abs,
RicaPerrone

Insubstituível

O Palmeiras monta mais uma vez um grande elenco. Deu certo em 2016 e pouco temos de argumentos para achar que não dará certo em 2017.  A idéia “muito jogador bom dá errado” é parecida com o “2×0 é um resultado perigoso”.  Basta querer olhar o lado ruim.

Guerra, Michel Bastos, possível vinda de Felipe Mello, com todo respeito ao clubismo que movimenta esse mercado, é de deixar qualquer um com inveja. O atual campeão se reforça, isso significa que ele não deitou no resultado.

Mas de todas as peças do quebra-cabeças palmeirense a mais importante não é Gabriel Jesus e nem tem como repor. A perda de Cuca é irreparável.

O Eduardo pode fazer um bom trabalho e até acho que fará. Mas entre Tite, Cuca e o resto, há uma distância ainda. Os dois sobram na turma e nos que prometem chegar nesse nível não está Eduardo ainda.

A parcela que se dá a um treinador é muito grande no Brasil. Mas ainda que se reduza muito, o Cuca tem um fator incrível na motivação do time, na capacidade de tirar o máximo do jogador e de trazer a torcida pra perto.  Eduardo é muito mais frio, mais tático que pessoal, quase o extremo oposto.

Esse choque pode fazer com que, daqui alguns meses, diga-se que “contratou errado o elenco”. E não. Não contratou.

O time era bom, o elenco forte, hoje é fortíssimo e pode melhorar ainda mais. Não há um time de estrelas pra dar show, mas há uma capacidade de reposição e mudança de jogo única no país.  Michel e Felipe eram titulares de Copa do Mundo em 2010. Guerra o melhor da América em 2016.

Futebol não tem receita. Se tivesse todo mundo seguia e ninguém acabava na série B. Mas de todas as escolhas do Palmeiras para 2017, o treinador me parece bem mais vulnerável que o elenco.

abs,
RicaPerrone

Compreensível

Não faria. Porque? Porque eu hoje não vejo no mercado nada de muito promissor e então buscaria na base, onde muito se estuda, numa geração que vê futebol diferente, uma alternativa ao ótimo Cuca.

Mas entendo. Porque não tô ali pra decidir. E se tivesse, talvez fizesse o mesmo. É mole dizer daqui que arriscaria num jovem desconhecido tendo uma Libertadores pela frente, enormes salários pra pagar e uma torcida exigente que não aceita nada menos do que vencer, vencer e vencer.

Pra essa pressão, talvez seja o caso de alguém mais experiente. O Palmeiras não é lugar pra “teste”, mas por outro lado testa-se na base. E se hoje o mercado diz que os “velhos nomes” não podem preencher o que precisamos, também não cravam que os nomes serão solução.

Difícil ser dirigente. Daqui do meu computador é mole meter o dedo e dizer que eu contrataria esse ou aquele. E embora Eduardo não seja meu preferido pro cargo, acho bem compreensível sua escolha. Não tem outro que mescle um conceito mais novo com uma boa experiência pra aguentar o que vem aí.

Eduardo fez “sucesso” em dois times menores. Não foi bem no Flu, o que lhe dá a credencial de técnico surpresa. Aquele que faz bom trabalho onde ninguém espera por isso.  No Palmeiras o bicho pega. Vejamos.

abs,
RicaPerrone

Aê, Jesus!

O moleque! Deixa eu te dar um papo.  Eu não sou religioso, de modo que talvez essa seja minha primeira conversa com um “Jesus”.  Assim sendo, considere-se especial por me cativar a fazer isso.

Eu sei que você tá ansioso, que tudo na sua vida é absurdo. Você é um “pivete”, ta com a 9 da seleção, tá rico, indo pra Europa a pedido do técnico mais badalado do mundo e acaba de deixar o Allianz Parque sendo o nome mais forte da conquista.

Eu sei o que você está vivendo sem ter a menor idéia do que é viver isso.  Mas sei uma coisa que você ainda não sabe, e que o tempo vai te mostrar.  Antes de entrar naquele avião, saiba que hoje você viveu algo que dificilmente se repetirá.   Não foi o maior dia da sua vida porque você será hexa pela seleção numa Copa e nada vai superar isso.  Mas não será igual.

Um estádio cheio de gente que realmente vive essa “merda”, que de fato dá tudo que pode por isso e que “canta  e vibra” dessa maneira, lá tu não vai encontrar. Talvez, sendo você o craque que esperamos, você nem chegue a voltar. E assim sendo, hoje foi a última vez que você viu um estádio de futebol lotado de torcida.

A partir de agora conviverá com “fãs de futebol”, que tem todo seu mercado e valor, mas não são como o que você viveu aqui. Amanhã você jogará pra investidores, hoje joga por uma história.  Nos próximos anos, se cumprir seu contrato, essa será a maior camisa que você vestiu em clubes.

Eu também iria. Te entendo.  É um dinheirão, um time pequeno que tá buscando espaço, vai te dar mídia e o campeonato dos caras é muito maneiro.  Mas aê, moleque! Igual hoje… não mais.

O City vai te dar muito dinheiro e fama instantânea, embora a 9 do Brasil já tenha te dado isso em doses cavalares.  Mas o que o Palmeiras te deu hoje você não terá de novo.  A chance de ser mais do que rico e famoso. Ele te deu um nome na história das vidas de milhões de pessoas.

Vá com Deus, guarde com carinho e NUNCA cometa o erro que muitos cometem de achar que você deu um título ao Palmeiras.  Foi ele quem te deu o futebol, não o contrário.

Parabéns! Seja muito feliz. E não seja tão “profissional”.  O futebol não ama profissionais. Ama jogadores de futebol. Seja o Jesus do Palmeiras pra sua vida toda e terá vivido hoje o maior dia da sua vida.

abs,
RicaPerrone