Palmeiras

Mascotes modernos

O ótimo ilustrador Eddie Souza fez uma releitura dos mascotes dos times brasileiros.  E olha que maneiro ficou! O do Bahia tem um detalhe genial! 

Curtiu? Eu também!

Boa, Eddie!
https://www.eddiesouza.com.br/

abs,
RicaPerrone

“Vexame” é nossa incoerência

Eu sou convencido pela idéia de que somos o melhor futebol do mundo.  Não vou mudar esse pensamento enquanto eu ver o Brasil lançar um Vinicius Junior, um Jesus e um Luan no mesmo ano quase. Nós somos a história, nós produzimos o futuro, logo, nós somos o futebol.

Uma coisa é ser a referência. Outra coisa é ser louco.  Nós ligamos a TV e repetidamente ouvimos que somos uma vergonha, que o futebol brasileiro é uma merda, que isso, que aquilo, inclusive de pessoas que já foram dirigentes e não fizeram porra nenhuma quando testados.

Aí um time brasileiro perde e é “vexame”. Ou a perspectiva é ruim ou é vexame. As duas coisas não tem como.

Qualé o “vexame” em ver um time perder nos pênaltis pra o maior campeão do Equador que, para vossa informação, venceu Estudiantes e Botafogo na primeira fase FORA DE CASA?

Esse time é ruim? Foi duas vezes a final da Libertadores. Ele é menor que o Palmeiras? Claro que sim! Mas se isso for um vexame, então porque é tão “do caralho” ganhar a Libertadores?

Porque diabos precisamos transitar entre a glória e a tragédia pra vender jornal? Toda derrota é uma vergonha, toda conquista é do caralho.  A única coisa que devemos manter é que sim, toda conquista é do caralho.

Mas não é possível que de 40 clubes apenas 1 tenha feito um bom trabalho.

Existem falhas a serem apontadas? Claro! Muitas. O Palmeiras contratou demais, errou a mão, não acertou o time esse ano e estar eliminado dos torneios indica isso.

Mas “vexame”?

Vexame é o 7×1. É tomar 4 em casa de um time pequeno, vexame é criar notícia pra conturbar clube e vender jornal. Vexame é defender político condenado. Vexame é se calar porque o patrocinador é o mesmo que o torneio X, ou até mesmo colocar a sua frustração pessoal de torcedor em tom de notícia para causar impacto.

Não houve qualquer vexame. Houve uma derrota, um jogo ruim, um time que deve ser contestado. E ponto final.

Parem de terrorismo. Por mais que não seja, ainda é só futebol.

abs,
RicaPerrone

 

Nunca aconteceu

Acabou. O nosso direito de conversar com amigos, brigar com a namorada, falar mal do chefe e dizer que de fato acha determinado local “uma merda”, acabou.

Sem nosso consentimento, diga-se.  Mas acabou.

Não sei se você já se deu conta que todas as brincadeiras racistas, homofobicas e aberrações machistas ditas entre amigos num boteco qualquer, hoje, estão arquivadas e podem leva-lo a julgamento.  Não o da justiça, esse é até tosco perto do massacre virtual que se faz.

Talvez você não perceba, mas tudo que você acha da mãe da sua mulher está também gravado. Tal qual o que você pensa sobre seu chefe, aquela amiga que você suspeita ser lésbica e aquela fofoca maldosa que “sem querer” você passou adiante.

Era tudo besteirinha. Agora é crime.

Eu não vou fazer o papel ridículo de fingir que não falo absurdos com amigos, nem falo mal de ninguém ou xingo pessoas para terceiros. TODOS nós fazemos. Em algum momento nós falamos que odiamos um lugar, uma pessoa, ou que queremos que fulano se foda.

Pegar isso e expor a público como uma “declaração” de alguém é de uma falta de caráter incalculável.

Quando Eduardo Paes falou de Maricá, falou o que amigos falam entre si numa mesa. Sim, Maricá é um lugar menos bom que Angra. A piada era essa.

“Como prefeito ele não pode dizer isso”. Ele não disse.  Ele disse como “Dudu”, ao telefone com um amigo.  E sim, ele pode. Do mesmo jeito que você pode falar que seu ex é um filho da puta broxa pra suas amigas.

Uma vez um jogador falou que em Belém não tinha muita mulher bonita.  Coitado, foi pisoteado.  Como se alguém numa conversa informal não registrada soltasse por aí: “Quer ver mulher bonita? Vá a Belem! Esquece Santa Catarina! Vá a Belem”.

Não, você sabe que não.

Porque a gente tem que fazer cara de assustado pra coisas que fazemos no dia a dia? Porque é tão assustador o Felipe Melo falar “tanto palavrão” num audio pra um amigo?  Tu não fala não? Ah, tá.

Queridos, sejamos honestos, mais tolerantes e menos hipocritas.  Se o whatsapp virasse amanhã um site aberto com todo seu conteúdo publicado, não haveria um casamento em pé, um emprego mantido, uma família unida e um só sujeito capaz de se achar no direito de atirar pedras.

Felipe falou pra um amigo. Não pro Cuca. E se ele disse isso no particular, nunca aconteceu.

Ou você consegue pensar na sua vida transformando tudo que você disse até hoje em “declaração pública”?

abs,
RicaPerrone

Diferentes

Cuca é meu “maluco” favorito.  Não há uma campanha de times dele que não tenha sido memorável. Onde passa, ganhando ou perdendo, o time vive um momento especial.  E pra mim isso é futebol.

Entre ser rebaixado ou campeão há o “nada”.  Cuca não frequenta essa zona. Ou ele se mata lá em cima ou tenta (e faz as vezes) o milagre lá em baixo. Mas sem ser notado ele nunca passou em lugar nenhum.

Ontem tirou o Prass.  Caraca, o Prass! Segundo ouço por aí, um dos melhores caracteres do futebol brasileiro. Não desconfio, onde esteve não fez nada que não fosse trabalhar e respeitar o clube.

Outros dariam piti.  Cuca o tirou, ele aceitou, o Palmeiras ganhou 1 ponto pelas mãos do goleiro reserva que ele ousou escalar.  E se o cara toma um frango?

Culhão. Tem que ter. A enorme maioria dos profissionais de qualquer área não tem. Cuca tem.

E ao lado do culhão tem que ter caráter para que a posiçào do líder não seja ameaçada por um complô covarde.

Palmeiras tem Cuca, Prass, Zé Roberto. Palmeiras tem um “maluco” no comando que faz o que precisa ser feito. E líderes que jogam do mesmo lado, mesmo que um dia preteridos.

É muito bem servido de vergonha na cara esse Palmeiras. Conquiste ou não algo até o fim do ano.

abs,
RicaPerrone

O fator Flamengo

Eu fiquei com pena do Bandeira.  Pelas ameaças, pela postura do torcedor em não saber pensar nem por um minuto antes de tratar o presidente da forma que ele merece, pelo emocional abalado, pelos lances polêmicos que criou em sua cabeça pra explicar um resultado normal.

Não houve “roubo” algum.  Se você quiser achar um pênalti ali, ok. Daí pra ter de fato um pênalti ou pra ser um erro do juiz há uma distância.

Empatar com o Palmeiras tendo perdido um penalti. Qual a anormalidade disso?

O Flamengo é quarto colocado. Perdeu 5 jogos no ano, e você pode até não gostar do futebol apresentado, mas daí a elevar o protesto pra esse nível, acho de um exagero absurdo. Mas entendo. E até imaginei que aconteceria.

O rubro-negro tem a megalomania mais divertida do mundo e isso faz do Flamengo um clube único. Deve ser o único torcedor que todo ano faz uma Libertadores ruim e entra se considerando favorito no ano seguinte.

Deve ser o único que espera título se entrar com os reservas em campeonato. E mesmo sabendo que não virá, protesta quando não ganha.

O único que ostenta uma faixa dizendo que um dos três campeonatos mais dificeis do mundo é “obrigação”.

Esse céu e inferno, essa velocidade em variar do bom pra crise é marca do clube. A diretoria do Flamengo se diferencia se tiver convicção do que esta fazendo, não se toda vez que um torcedor levantar e gritar ela mudar o rumo.

Não, eu não demitiria o Zé. Um treinador quarto colocado, com 5  derrotas no ano, após a campanha de 2017, com o Flamengo controlando quase todos os jogos que fez, não. De jeito nenhum.  Se ele se chamasse Cuca, Tite ou até Luxemburgo ninguém faria esse terrorismo em cima do cara.

Mas entendo. É previsível. Até domingo o Flamengo está em crise porque não perde, está em quarto, contratando, crescendo, se estruturando e fazendo a coisa certa.  Sábado, as 21h, após vencer o Coxa, Dubai volta a ser realidade, Bandeira mito, Diego homão da porra, e segue o baile.

Os exageros são parte do Flamengo. Não adianta discuti-los, basta aprender a conviver com eles.

Né? “Rica cuzão fica passando pano pra essa diretoria de merda e esse treinador Fdp! Seu Tricolor enrustido!”

Opa! Previsível.

abs,
RicaPerrone

Corinthians aceitou o que o corintiano não aceita

Se você disser pra um corintiano hoje que o time dele não é um grande time, ele logo lhe dará a tabela e ponto final na discussão. O elenco que ele mesmo rechaçou no começo do ano agora presta, e muito. Natural, a bola está entrando. E quando ela entra tudo é bom, quando não, tudo é imprestável.

Mas o maior mérito deste Corinthians que vai piorando o já sem graça sistema de pontos corridos é exatamente a noção de realidade.

Não há ali um time tecnicamente muito forte. Tem limitações em todos os setores, só que técnicas.  Você não tem em Jô e Romero uma dupla de ataque com qualidade técnica a ser exaltada. Mas sabendo disso eles jogam muito mais do que iludidos com a pose de super star que a tabela hoje lhes oferece.

Jadson, bem abaixo da sua primeira passagem, é tecnicamente bom. Mas está limitado a fazer o coletivo porque também entendeu que se tentar destoar quebra a idéia do Corinthians.

Aceitar sua condição e jogar como pode é uma qualidade.  O Botafogo fez isso em 2016, vem fazendo em 2017 e acho que está dando mais do que certo.

Por melhor que seja a campanha, o corintiano precisa continuar entendendo que o time não é tecnicamente condizente a sua condição na tabela. E isso é mérito, não defeito.

“O Corinthians é retranqueiro e joga feio”. Talvez.  Mas é o que ele pode fazer para estar onde está.

Se exposto, estaria fazendo lances mais bonitos, mas estaria com uns 4 ou 5 pontos a menos.  Simplesmente porque não tem elenco sobrando e tem ainda aquele mesmo time que você, corintiano, achou fraco quando montado.

O mérito é coletivo. É na percepção de qualidade técnica somada a intensidade e aplicação do que se pode igualar aos demais.

Quer Corinthians mais corintiano do que isso? Não dá na técnica? Vai na raça, no trabalho, no esforço.

Não há um prognóstico certo sobre o Corinthians antes do campeonato começar. Então os méritos são dele em surpreender, não um defeito de todos não esperar tanto dele.

abs,
RicaPerrone

“Cuca Experience”

Poderia haver um comercial de televisão:  “Se você está cansado do seu time andar em campo, se conformar com resultados, não te proporcionar momentos memoráveis e nem fazer do futebol uma constante análise de estatísticas e nada mais, você precisa conhecer a CUCA EXPERIENCE!

Por “apenas” XXX por mes você contrata o treinador e ele te devolverá tudo isso e muito mais!

  • Gols no fim
  • Viradas heróicas
  • Cenas para registro na beira do campo
  • Envolvimento torcida/time
  • Espírito guerreiro
  • A não aceitação passiva ao fracasso
  • E ainda um time que vibra como se fosse você, torcedor!

Não perca essa oportunidade! Ele já fez no Botafogo, no Galo, e até na China!

Começou ruim? Não tem problema! Num intervalo Cuca experience pode mudar toda a sua noite e fazer você se divertir a valer com toda a sua turma.

Não perca!

É toda semana, no Allianz Parque!”

É isso.  Vai misturar a qualidade técnica do que faz com a magia do futebol lá na puta que pariu. Monstro!

abs,
RicaPerrone

Você

Eu preciso escrever da a vitória do São Paulo sobre o Palmeiras.  Jornalisticamente, talvez eu devesse avaliar tática, falar do Prass, do Jean, achar “culpados” de lá, heróis de cá. Mas, foda-se.

Eu quero falar de você.

Tu sabe que eu te amo, né? A gente briga, passa tempo longe, as vezes flerta, mas no geral, sendo você o maior causador de alegrias e tristezas da minha vida desde 1978, é bem fácil perceber que te amo.

E eu assisti ao jogo de hoje como um marido que leva a esposa jantar após passar o dia com a amante. Não que eu conheça essa sensação, mas imagino qual seja.

Quarta fui ao Allianz. Hoje cedo à Arena Corinthians. E a tarde meu voo pro Rio me impossibilitava de estar no Morumbi pra te ver.  Porra, tu entende que é meu trabalho, mas mesmo assim me sinto meio filho da puta. Eu tinha que estar aí, né?

Eu sabia desde o começo da semana. Falei pra todas as pessoas: A gente ganha sábado.

Porque?

Porque é você.

Você não sabe ser saco de pancadas. Você não pode ser desafiado em sua grandeza dentro de sua fortaleza.  Uma vez acontece, duas, quem sabe? Mas hoje “PRECISAVA”.  E quando precisa, é você.

Tu fica ai nessa fase sem personalidade que já dura uma década e a gente cansa de você.  É um garoto tatuado, que vira roqueiro, depois entra pro samba, meses depois vira crente. Caralho, Tricolor! Quem é você?

Vai correr feito hoje? Vai jogar bonito feito na Florida? Vamos ser “o time da raça” todo vermelho que um asno branquinho inventou ou vamos ser o time que fomos desde a sua fundação e jogar futebol bem jogado?

Qualé a sua?

Eu to na sua. Sempre estive. E vou morrer abraçado a ela.  Mesmo sem saber qual é, sem entender o que você quer e pra onde você vai, é de uma irritante e absoluta verdade constatar que você ainda é boa parte da razão da minha vida.

Obrigado por hoje.  Levanta daí.

abs,
RicaPerrone

A arena que nasceu “velha”

Fui conhecer. Falavam tanto, pela tv parece tão bonita. Precisava conhecer e tinha que ser em dia de casa cheia, jogo valendo vaga, clima quente.

Já fui a quase todos os novos estádios do país. O que eles tem de moderno tem de frios e sem alma. Esperava o mesmo do Allianz, que já vem até com nome de marca pra impactar a modernidade e… não. Não foi o que vi.

Era o Palestra Itália. Reformado, incrível, assustador pro visitante. Com uma acustica que parece ter 130 mil pessoas lá dentro, mas ainda o Palestra.

Aqueles senhores de gorro, a torcida chata que cobra e no mesmo minuto se policia e volta a empurrar.  O corneteiro, a família, a organizada “dona da rua”, as barracas de pernil, o povo da Pompéia chegando a pé.  Há Palestra Itália no Allianz Parque.

E é uma alegria enorme encontra-lo após ver tudo ser destruído. E aí entra minha experiência pessoal. Eu morei na rua do lado do estádio quando derrubaram o antigo Palestra.  Vi da janela.  Era uma coisa bem dura pra um saudosista como eu.  Ainda mais porque a pessoa que mais amava na vida era meu avô, que morreu, e que era palmeirense.

Ver aquilo cair significava meio que sumir com o último monumento da cidade que me remetia a ele. E então eu fui morar no Rio e não vi ficar pronto. Passei em frente muitas vezes, mas ainda queria ir ver “o jogo”.

Fui pra ver o “novo”, mas o estádio do Vô tava lá ainda.  Sou capaz de jurar que ouvi um “Eeee, Parmera!”  na hora do gol…  Né, Vô?

abs,
RicaPerrone

Não há “outro Cuca”

Tem um cara no futebol que eu sou “apaixonado” em ver trabalhar porque ele é igualmente apaixonado pelo que faz. Esse cara deixou o Palmeiras em dezembro e naquele momento eu escrevi aqui que o elenco poderia ser o que fosse, não haveria substituto para o Cuca.

O Eduardo, coitado, “desfilou depois da campeã”.  Não adianta, nada será tão bom quanto. A Sapucaí está enlouquecida e nada que venha a seguir os fará surpresos.  No máximo, os manterá em pé.

O Palmeiras não demitiu o Eduardo sem saber o que está fazendo. Eu sou capaz de apostar que o Cuca está contratado, ou talvez outro nome da confiança dos caras. Mas demitir no meio do caminho sem ter nada consideravelmente melhor em mãos, não acredito que fariam.

Também não sou desses que vou achar um absurdo não.  Se me oferecessem o Cuca, eu demitiria até o Ceni.  É a melhor opção possível pra um time brasileiro com sobras.

Vou além. A avaliação de DESEMPENHO não é incontestável. Pelo contrário, o Palmeiras rende menos do que poderia/deveria e tem conseguido resultados na base do drama, não do time bem organizado que controla os jogos.

O Palmeiras fez algo “arriscado”, mas eu que sou capaz de apostar que fez com alguma garantia. Algum telefonema derrubou o Eduardo, e não a queda do Eduardo os fará ligar pra outros treinadores. Mero palpite.

abs,
RicaPerrone