Palmeiras

Das coisas que o dinheiro não comprou

O Palmeiras tem um investidor porque dá retorno. É simples, incontestável, de clara inveja alheia a quem contesta. Talvez alguém tenha feito um estádio pra ele com recursos privados e comprado um timaço pela logica simples dele ser um bom negócio. Talvez seu clubismo não veja assim.

De tudo que o Palmeiras pode comprar, algumas coisas não estão a venda. E veja você, é quase sempre o que o torcedor mais gosta.

Ele gosta de criar em casa. Ou de achar dentro dela alguém de quem pouco se esperava. Ela gosta de Jesus, de Jailson, de esperar mais pelo investimento e menos pelo mesmo motivo.

Quem colocou o Palmeiras na final antes do jogo foram jornalistas irresponsáveis. Não o clube. Ele não foi arrogante, o tom veio de fora. Em campo,  jogou menos do que pode, mas ignorar o fator do clássico para cobrar desempenho por mero investimento é chamar Palmeiras de Chelsea.  Não, não é o caso.

Falamos aqui de um time com investimento e camisa. Camisa que ajuda cá e lá. Por isso o Santos venceu o jogo hoje. Porque não se joga só com a grana. Há mais do que isso por trás de um clássico.

Mas nem mesmo se pudesse o investidor poderia comprar a noite de hoje. Pelo que investiu esperava vencer por 3×0 com gols dos seus reforços caríssimos. O futebol é mágico, e o nosso não está a venda numa prateleira.

Prova disso é que a noite de hoje será eternizada na memória de cada palmeirense pelo não retorno do investimento em campo. Ou seja, pelo fato de não haver garantias. Dos badalados, outra vez salvou um não comprado. E do esperado passeio veio mais um drama nos pênaltis e história pra contar.

Pudesse comprar com esse roteiro, o Palmeiras compraria. Mas não se vende história, se faz. E mais uma vez o Verdão dramatizou um roteiro de final até previsível, mas nunca garantido de véspera.

Salve Jailson, o velho Pacaembu, os penaltis sem favorito e o peso da camisa. As vezes a vaga vem sem nenhum centavo pra explicar.

abs,
RicaPerrone

O futebol, o mundo e a má fé

Há homofobia no futebol. Há racismo no futebol. Ha violência no futebol.  Há corrupção no futebol. Há tudo que há de errado no mundo no futebol.

O futebol não promove a guerra entre países. Mas a guerra continua pelo mundo.

O futebol junta países comovidos por uma tragédia. Mas esses países não lutam juntos contra a fome, por exemplo.

O futebol une pobres e ricos num abraço improvável há um século. Fora do estádio eles nem se olham.

O futebol transforma pessoas em “massa”, e portanto dá a todos a mesma condição quando num estádio.  Fora dele ninguém se tornou menos preconceituoso por isso.

Qualquer lógica levará você a saber que o futebol é reflexo do mundo que vivemos, não o contrário.

Você não vai acabar com a violência no futebol enquanto o mundo for violento. E qualquer pessoa que achar possível, viável ou travar uma luta em cima disso está se promovendo usando a dor alheia.

Haverá machismo, homofobia, racismo e tudo que há de ruim no mundo dentro de um estádio. Afinal, o estádio está dentro do mundo, não o contrário.

O que move essa discussão é o tom e o oportunismo.

Porque se é aceitável por exemplo que você ofenda um nordestino, a mãe de fulano, um japonês, um gay, então você não pode punir um clube por um torcedor racista.  Ou então você estará cometendo discriminação, que aliás, é pior que preconceito. Você está escolhendo quem pode ou não ser ofendido. Veja você que absurdo.

Se fulano vai no estádio e chama a bandeirinha de puta, o adversário de todos os palavrões que ele conhece, o gringo de “argentino de merda”, o nordestino de “paraiba filha da puta”, e quando ele chama alguém de “viado” ele está fodido, ou estamos selecionando quem “merece” ser defendido ou sendo, mais uma vez, hipocritas.

O “bambi”, pra MIM, é uma brincadeira com o status de times de elite. O rico sempre foi rotulado de “fresco”, e a “frescura” sempre foi viadagem. Por isso a brincadeira cai sobre os times mais elitizados do país: São Paulo e Fluminense.

Mas Rica, tem homofobia no futebol?

Claro, porra! Em que lugar não há? E sabemos que toda ignorância e agressividade humana é acentuada quando em grupo e/ou anonimato, que dá quase no mesmo.  Portanto em qualquer jogo de futebol o risco de ser agressivo nas palavras é muito maior.

Não só pelo grupo. Mas também pelo clima, pela competição, pela paixão, pela loucura que é estar ali.  Óbvio que quem frequenta sabe que não necessariamente há má fé no que é dito. Normalmente é só tentativa de desestabilizar o adversário. Já vi gays chamarem o adversário de “viado” o jogo todo.

Se estivesse necessariamente ligado a crença de que do outro lado há um homossexual, não seria o Renato Gaucho o maior alvo do coro “viado” de todos os tempos, convenhamos.

Então, sobra o argumento de que “viado” é uma forma de ofender.  E não discordo que pra muita gente tenha essa intenção. Mas discordo que pra todos seja com essa intenção.

 

Discordo principalmente de escolhermos quem blindar. É inaceitável que você brigue por respeito a pessoas e escolha qual tipo de pessoa pode ou não ser ofendida. Então, meu caro, ou você transforma o estádio numa sala de cinema ou espera o mundo mudar de fora pra dentro do futebol.

O que não dá é pra você entrar numa arena lotada de palavrão, competição, paixão, loucura e descontrole e dizer: “Você pode xingar o gordo, a puta, a mulher, o japones e o nordestino. O viado, não”.  Com um detalhe irônico: o japones é japones. O nordestino é nordestino. O gordo é gordo. O viado,  em 99% dos casos, não é gay.

Quer lutar? Faz direito. Briga por todos e não só pela parte que te dá mídia. Luta contra toda e qualquer coisa que ofenda uma pessoa.  Ou então tenha a sensibilidade de entender que o problema está lá fora, não dentro do estádio. É mero reflexo. Você está batendo na ponta do iceberg fingindo que está tentando mudar o mundo. É mentira. E você sabe que é mentira.

 

Eu tenho minhas teorias sobre o porque do futebol ser a paixão mundial que é. E uma delas é pelo “direito”  que o futebol te dá de ser o pior e o melhor de você.

Você pode inibir a demonstração do seu pior lado ou então de fato fazer com que ele não exista mais. A “censura” ao problema não educa. Apenas aumenta a raiva interior do agressor ao grupo que o calou. A educação e o tempo mudam a cabeça das pessoas. Uma regra muda apenas o que ela pode expor.

Eu também já mudei. Já fui homofóbico, já fui mil coisas das quais não me orgulho. Mas todas elas foram um processo. Toda vez que alguém me proibia de fazer piada com “viado” eu não repensava o preconceito. Eu aumentava a raiva dentro de mim. Porque não estava sendo educado, estava sendo censurado.

Não adianta NADA proibir pessoas de gritar “viado” se dentro delas isso ainda for uma ofensa. Se eu fosse negro, não me sentiria melhor por um racista me olhar e não PODER me chamar de macaco. Eu só teria um mundo melhor se ele nem sequer pensasse em me chamar de macaco.

Calar a boca de alguém não muda o que ia sair de lá de dentro. Se você mudar o que tem lá dentro talvez não precise calar a boca de ninguém.

O futebol leva o ser humano a expor o seu pior e seu melhor. Você pode usar isso para notar, entender e reeducar, ou censurar para não ver o problema.

Problemas eu enfrento. Outros cobrem.  São escolhas.

Nenhum torcedor homofóbico deixou de ser homofóbico nesta sexta-feira. Diversos deles se tornaram mais homofóbicos ainda pela forma com que tentaram censura-los.

Se você acha que assim resolve… é um caminho.  Eu não deixei de ser homofóbico porque me obrigaram. Mas porque tolerantes gays me ensinaram que não havia diferença e nenhum problema ali.

abs,
RicaPerrone

Constrangedor

Há uma diferença técnica, tática, mando de campo, fase, o que mais você quiser. O que não pode haver é uma diferença na postura em busca do resultado. E há. Gritante. Humilhante. Constrangedora.

O Palmeiras jogou um primeiro tempo como treina todos os dias. Só que ao invés de cones do outro lado tinham jogadores do São Paulo.  Mais fácil, cones não erram passes.

O toque de bola dentro da área adversária empolga o palmeirense, humilha o saopaulino. Por sorte e prudência em virtude da vaga garantida e da Libertadores, o Palmeiras não quis jogar mais meio tempo.

Se quisesse, sabe-se lá como sairia do Allianz Parque o time do SPFC hoje.

O torcedor sai de qualquer clássico derrotado pela arbitragem. Nunca o adversário foi melhor, é uma norma.  Mas quando o adversário nem sacaneia, quando você sai do jogo e nem argumenta, é porque a coisa ultrapassou limites.

Eu sou saopaulino. E durante o jogo os meus amigos palmeirenses não estavam me sacaneando, mas sim me consolando.  É o cumulo da humilhação.

Me odeiem, porra! Pisem em cima. Sou eu! Lembra? O cara do tri mundial.  Não fica com pena, não! Eu não mereço.

Ou mereço?

São pelo menos 12 anos sem jogar um bom futebol, 10 sem títulos, sendo que o conquistado não teve segundo tempo. Ao longo desse tempo o futebol do SPFC só piora, a superioridade do Palmeiras só aumenta.

O que houve hoje no Allianz foi a confirmação de uma nova era.

O São Paulo que era forte. O Palmeiras que era mais fraco. O Morumbi que era o melhor estádio. O soberano que era modelo.

Já era.

O São Paulo não se reconhece mais. E o Palmeiras há tempos não se via tão parecido com o que de fato é.

abs,
RicaPerrone

Previsível e muito bom

O que eu espero de um clássico? (Sim, porque Derby é viadagem)

Espero tensão, apoio de torcida, mobilização, seriedade, jogo duro, nenhum pé fora de dividida e uma história foda pra contar ao final do jogo. Espero polêmica, choro do perdedor no final, alegria e deboche do vencedor. É pra isso que vejo futebol.

Convenhamos, independente de chegarmos à analise da razão ou não nas reclamações, tivemos tudo isso. Então, feliz estou.

Começa pela incrível presença de 10 mil pessoas num treino pra apoiar na sexta-feira. Passa pela memorável e honesta cena de Clayson e Felipe Melo não se dando as mãos pra agradar comentarista de terno e gravata.  Simples: não se gostam, não se cumprimentam.

O pedido pela hipocrisia e pelo teatro não é uma questão de educação. É uma questão de achar que o mundo é melhor quando se finge. Eu prefiro como ele é.

O jogo tenso, pegado, Romero alucinado.  Um golaço merecido pelo que apresentaram os times no primeiro tempo. E depois disso o jogo se entrega à polêmica.

Seria o mesmo sem a expulsão? Claro que não! Perdendo e com 10 é foda até pro Real Madrid contra o Getafe. Imagina um clássico. Foi justo? Hum….

Perguntei na rede social após o jogo pra sentir o tamanho do clubismo e do que de fato viram ali. Tirando os palmeirenses que juram não ter sido nada e os corintianos que acham que o Jailson tinha que ser preso, notei que os demais não envolvidos no jogo ficaram bem divididos.

Não é uma característica do goleiro do Palmeiras agredir ninguém. De fato ele estica a perna e usa pra tirar a bola. E faz isso inclusive porque um jogador impedido do Corinthians confunde sua saida do gol, o que pouca gente está notando. O fato dela tocar – e não ser chutada por ele –  no palmeirense antes tira o impedimento que aconteceu na origem do lance? Honestissimamente, não sei. Acho que não, mas posso estar errado.

Eu não daria o pênalti na hora. Como ele não deu. Avisado sei lá por quem, resolveu dar. Pelo VT há uma pernada. Mas se ela foi por maldade ou sequencia do lance, é de lascar a alma adivinhar.

Pontos que eu levantaria: se o jogador do Corinthians impedido vai no lance antes do choque, está impedido antes do pênalti, não?

E sendo assim, não marcaria pênalti.

Mas passo longe de achar roubo. É absolutamente difícil o lance.

Dali pra frente, tensão, Palmeiras sem ter muito o que fazer, outro pênalti, 2×0, fim de papo.

O Corinthians queria mais, precisava mais e merecia mais. Jogou mais. O Palmeiras aposta todo seu argumento numa polêmica, porque sabe que jogou menos que o adversário.

Amanhã só se discutirá esse lance. E portanto o clássico fez seu papel.

abs,
RicaPerrone

O(s) segredo(s)

Qual o mistério que faz Cruzeiro e Palmeiras levarem gente ao estádio enquanto todos os demais clubes tem suas torcidas ignorando os estaduais?

Aliás, seriam os estaduais?

Não. Claro que não.  Palmeirenses e cruzeirenses estão indo ao estádio ver seus times, viver expectativa de um grande ano e curtir a boa fase. Não tem absolutamente nada a ver com o jogo.

Não há um palmeirense no mundo que acordou domingo e disse: “Opa! Contra o Novorizontino? Não posso perder!”.

Os dois tem em comum cerca de 60% do público formado por Sócios torcedores.  Isso indica competência do clube ao criar os planos. O sócio que vai no jogo passa a achar util ser sócio.

Não são duas torcidas que compram crise. Palmeirenses e cruzeirenses são chatos, extremamente exigentes e acostumados com timaços. Eles não “curtem” o drama. Curtem a vitória, o show de bola.  São perfis diferentes que raramente um torcedor de um clube nota, pois só enxerga o dele.

O Cruzeiro baixou o preço pra algo justo num estadual horrível. O Palmeiras segue usando o fenômeno que é o interesse de sua torcida na nova casa.  Aliás, paulista que sou, até encontro uma justificativa a mais: paulista adora coisa “premium”, “gourmet”.

Mete um “gourmet” na porta do podrão e eles lotam. É um perfil comum em São Paulo pagar mais por coisas mais novas e modernas.  Diferente de Bh, RJ, por exemplo, que são mais “butequeiros”  do que degustadores de cervejas artesanais.

Mas o caminho é simples: Interesse.

Quando seu time joga bem e tem ídolos, destaques, jogadores capazes de te gerar a dúvida do que você irá ver, vale a pena.  Ninguém paga pra ver 11 caras que você sabe que vão se esforçar pra ficar no óbvio.  Você paga pelo ídolo, pelo inacreditável, tal qual o gol de Arrascaeta.

Futebol é simples. Quando marketing e clube entendem o que estão fazendo, a torcida responde. Ou você acha que eu não sairia da minha casa se pudesse ir ver Fred, Thiago Neves, Arrascaeta… ?  Ou ver Lucas Lima, Borja, Felipe Mello?  Espetáculo se faz pelas atrações. E o jogo em si, no Brasil e no mundo, hoje não é mais um espetáculo por si só.

Que Palmeiras e Cruzeiros se multipliquem em 2018.

abs,
RicaPerrone

A “patrocinadora”

Parte da mídia é bastante incoerente e pede apoio ao esporte quando se nega a falar os nomes envolvidos nele. Mas existe uma parte que fala, e a torcida, que não pensa no editor chefe na hora de dar opinião.

Se tem algo que a Crefisa não está fazendo é rasgar dinheiro.  Para o rival, é “mamãe crefisa”, mas isso porque ele é órfão e obviamente está morrendo de inveja. Foi assim com Parmalat, Unimed no Flu.  Os titulos aparecem, o rival procura uma forma de diminuir.

O mesmo rival que torce pro Chelsea, por exemplo. E eu pergunto a você, chorão: é melhor um time vendido pra um bandido internacional ou patrocinado por uma empresa privada?

Meio óbvia a resposta se você tiver alguma vergonha na cara.

A Crefisa é centro de debates, falada todo santo dia, leva créditos por contratações que nem são dela, o carinho do palmeirense e o retorno na venda dos que comprou. Se uma negociação durar 1 mes, ela é falada por 1 mes.  Em campo, o reforço usa a marca, e fora dele o rótulo de estar lá por causa dela.

Quando vendido o dinheiro volta. E a mídia toda foi feita em doses cavalares.  Isso é bom pro clube, bom pra Crefisa. E pra quem não conhece, muito prazer, chama-se “negócio”.

Não há doação. Não há absurdo, nem mesmo motivos para insinuações idiotas do tipo “tem que ver isso aí”…. Não tem que ver nada. É privado, problema deles.

Acho bizarro jornalista que defende o PT desconfiar de esquema numa relação comercial de empresa/clube. Mas tem. Ô se tem…

Enfim. Queria eu ter uma Crefisa no meu time. Aliás, em todos eles. Teríamos um futebol forte, os clubes ainda nossos e não tendo que ter donos mafiosos para ter dinheiro pra competir.

Mas se a Crefisa fosse alemã e o Palmeiras o Borussia, aposto que seria “modelo de parceria” pra todo jornalista brasileiro.

abs,
RicaPerrone

Vai malandro…

Jogador de futebol é normalmente um cara pouco preparado pra vida. E essa tese vem de um dirigente que notou isso com considerável razão.

Ele cresce num CT rodeado de gente pra fazer sua comida, dizer que horas come, que horas corre, que horas dorme. Um empresário cuida de todos os negócios dele, alguém da família é o “faz tudo”, e os amigos puxa-saco arrumam até mulher pro cara.  Ele não faz nada. Não aprende a se virar com nada. Tudo lhe cai no colo.

Ao virar profissional, piora. Alguem pega suas malas, leva até o onibus, que o leva pro aeroporto. Lá, alguem faz o chek-in dele. Sobe, dorme, acorda pra comer quando mandam. O levam pro estadio, joga, o empresário responde por ele.  Treina, come, dorme, tudo na hora que estipulam.

A mulher normalmente cuida de tudo pela ausência do pai constante, e ele só chega em casa, descansa e o faz tudo trocou até a lampada pra ele.

É um processo que imbeciliza o ser humano. Mas ele nem culpa tem, pois quem recusaria isso tendo os deveres que eles tem? Diriam até que “é o mínimo”, diante de ser pressionado por milhões de pessoas duas vezes por semana.

Mas aí vem a hora da transferência, entra o empresário, as vontades de terceiros, o brilho no olhar por mais dinheiro, e foda-se como você chegou até aqui. Foda-se quem pagou tudo isso que você passou pra chegar aqui. Quem carregou suas malas, quem gritou sem nome antes mesmo de você estrear. E quem te deu uma camisa grande o suficiente pra te tirar do anonimato.

Scarpa me parece um jogador inteligente, e por isso me espanta o que está acontecendo.  Ele sabe sua limitação, sabe que não é craque. Ou sabia até outro dia.

Agora ele simplesmente “abandona” o clube que o tem sob contrato?

Deve. O Fluminense tá muito mal das pernas. É fato.  Mas aí você larga tudo, manda o empresário resolver e some?

O que o futebol precisa aprender com urgência é que o William Arão vai deixar o Fla na justiça se puder. É que o Scarpa vai forçar transferência amanhã no novo clube se puder. O Rodrigo vai te foder quando quiser trocar de clube ou tiver insatisfeito. E o Sheik vai causar um puta tumulto quando tiver no banco do seu time. Porque atitudes se repetem quando não repreendidas.

Clubes brasileiros deveriam não contratar jogadores que fazem isso. Pois assim não fariam.  Scarpa só esta fazendo a palhaçada de “sumir” e foda-se porque sabe que amanhã tem uma proposta na mesa dele.

Se não tivesse, se fossem clubes minimamente organizados e com noção coletiva das coisas, ele estaria treinando de cabeça baixa feito um bom menino.

Mas… em terra onde não manda ninguém, todo mundo se acha malandro.

E vamos ver quem será o “malandro” a apoiar um jogador que abandona o clube sem atender telefone e amanhã, fatalmente, repetirá a dose. Só que em você, malandro…

abs,
RicaPerrone

Indiscutivelmente discutível

Quando um juiz comete um erro o torcedor fala em “assalto”, a imprensa tenta repetir frases como “o arbitro não tem 20 cameras”, “está na hora da tecnologia…”, blá, blá, blá.

Não há qualquer discussão. O lance acima está impedido. É indiscutível. É uma imagem.

O que se discute, e deve-se discutir é o direito ou não de induzir a paixão do torcedor a rotular um profissional que erra como um sujeito mal intencionado. Um ladrão.

Erro é erro, roubo é roubo.  Você desconfia de erros grotescos, e com bom senso trata erros complicados.

A TV levou mais de 15 minutos pra perceber que havia impedimento. O lance pausado em camera privilegiada mostra um joelho e um ombro a frente.  Repito: impedido!

Daí a considerar a hipotese de sugerir ou insinuar um roubo, que me perdoem os corações machucados deste domingo, mas pra “roubar” 30 cm tem que ser de uma competência inacreditável.

O pênalti é também polêmico. Embora eu também tenha dúvidas, acho que daria.  E sendo duvidoso até as 20h de domingo, não é roubo.

O arbitro errou. Por 30 centimetros. E essa é a unica coisa que temos para dizer sobre o jogo de hoje em arbitragem.

Ou, como sempre digo, se acha mesmo que isso tudo é armado e ainda assiste e discute, és um tremendo idiota.

abs,
RicaPerrone

Saber amar

Todos os clubes passam por momentos ruins dentro de uma temporada.  Alguns passam a maior parte do tempo, outros um curto período. Seja qual for, é suficiente para inflamar a torcida contra ele.

Em 99% dos casos se “cobra” mesmo diante de um time que não merece. Em 1% dos casos se faz diferente, e por isso faz diferença.

Quando o corintiano meteu 30 mil pessoas pra ver o treino há 4 jogos sem vencer, deixando o maior rival encostar na tabela foi o entendimento do cenário que só raras relações de cumplicidade são capazes de proporcionar.

Entre o “não entreguem essa taça pra eles ou eu mato vocês” e o “NÓS não vamos entregar”, o corintiano escolheu a segunda. E talvez por isso a taça esteja tão mais perto agora.

O primeiro tempo do Corinthians não foi de um time pressionado a não errar, mas sim de um time empurrado a acertar.

“Vamos, vamos Corinthians…!”, e eles indo.

Tiveram tudo para perder hoje pressionados pela mídia e ver o rival chegar. A crise rondou, bateu na porta, mas a chave estava com a fiel torcida.

Hoje é dela. Os 3 pontos de hoje vieram de Josés, Matheus, Andrés, Leonardos, Priscilas, Fernandas, Rodrigos… e também de Jôs, Romeros e Cassios.

Quando a vida pergunta de que lado você está, ela só quer saber se você é oportunista, traira ou fiél.

E alguns rótulos não existem a toa.

abs,
RicaPerrone

11 “crises” e uma reflexão

Tente imaginar que dos 12 grandes do futebol brasileiro 11 deles estejam terminando um ano conturbado e com “crise”.  É quase inacreditável, mas é real.  Com a fase do Corinthians e as cobranças, apenas o Grêmio tem um ano de paz. Todos os demais conseguiram curtir suas crises e terminar o ano com alguma insatisfação.

Veja a tabela. O líder hoje é contestado. O segundo colocado há 2 semanas vivia crise e anunciava seu terceiro técnico no ano. O terceiro colocado mandou o treinado embora sábado.

O quarto, o Grêmio, nem sequer disputa o Brasileirão. E é quarto.

O quinto há 2 semanas teve pressão de torcida no aeroporto e cobranças. O sexto até agosto era “fora mano” o dia todo e o time não prestava. Salvo pela Copa do Brasil.

O Flamengo tem na avaliação de sua torcida “um ano ruim”. É sétimo. O Vasco, também com 3 treinadores no ano, chegou a falar em rebaixamento por diversas vezes.

São Paulo, Galo e Fluminense, nem precisamos desenvolver o assunto. Anos ruins.  Crise.

O Inter, subindo, tomando vaias e com o time rachando com a torcida a um jogo da volta à série A.

E assim vamos encerrando a temporada. Com 11 dos 12 times grandes tendo suas torcidas insatisfeitas com o desempenho de seus clubes.

E eu lhes pergunto com a absoluta certeza disso não ser normal: Seria o reflexo de um ano onde todo mundo vai mal ou de uma nova mentalidade equivocada que compara o desempenho aos grandes da Europa e  esquece-se que aqui não tem 2 times ganhando 90% dos jogos?

O que estamos vendo é um erro de avaliação ou um padrão de exigência que não aceita apenas os pontos, mas também cobra desempenho?

Qual a leitura afinal?  Eu não tenho ainda certeza do que isso significa. Mas sei que algo está muito errado. É inaceitável que todos os times tenham tido um ano contestável, mereçam trocar seus treinadores, viveram crises em determinados momentos e que sejam ainda assim os protagonistas da temporada.

Trata-se de uma nova cobrança, uma forma burra de ver futebol ou de um imediatismo sem fundamento?

Não sei a resposta. Sei que vamos terminar 2017 com todos os torcedores insatisfeitos, menos o do campeão brasileiro e o do Grêmio. Com boa vontade também o do Cruzeiro, que deve ter engolido o festival de “fora todo mundo” com o caneco da Copa do Brasil. E isso se não inventar uma nova crise até dezembro, é claro.

abs,
RicaPerrone