paysandu

A cenoura e o coelho

Tudo na vida é movido por um objetivo.  A idéia da cenoura na frente do coelho cabe a todo e qualquer profissional de qualquer área, especialmente no futebol.

Você pode acreditar no “conto do Muricy”, que diz que não precisa motivar e que ganhar bem e estar ali já deveria ser suficiente. Mas você sabe que isso é lenda. No futebol, como em qualquer atividade que tenha aplausos e vaias, os objetivos são diferentes.

Ao Vasco que deve passear na série B, um recorde foi colocado na sua frente e virou a cenoura do ano. Até a derrota da semana passada esses jogadores se doavam a mais por causa de um fato histórico, não para ganhar do Tupi em São Januário pra 5 mil pessoas.

Queiram ou não jogar no Vasco não condiz com o a série B. O jogador sonha estar ali brilhando, não ofuscado num campeonato menor. E pra que isso não abale o desempenho, cenouras!

A cenoura caiu.

Apenas a Copa do Brasil numa fase mais avançada pode dar ao time do Vasco alguma motivação especial para a temporada.  O carioca, já ganhou. O recorde? Já era.  A série B? Moleza.

Infelizmente é assim que funciona. E o Jorginho agora precisa se preocupar muito mais em arrumar outra cenoura do que ajustar qualquer problema tático / técnico de um time que, motivado ou não, subirá com facilidade.

abs,
RicaPerrone

Sua melhor derrota

Se para muita gente perder em casa “cheia” para o Paysandu é um vexame, eu entendo que o Botafogo não deu ao seu torcedor o placar que esperavam, mas deu um futebol que nem eles esperavam.

Em sua melhor partida na série B, o time tomou 3 gols bobos, foi prejudicado pela arbitragem, perdeu gols e mais gols e acabou derrotado.  Faz parte do jogo. O ponto é que existem partidas pra comemorar 3 pontos e ficar preocupado. Outras onde se lamenta a derrota mas se fica empolgado.

O botafoguense menos eufórico com o placar deve ter saído do Niltão com muito mais certeza da volta a série A do que se com mais 3 pontos e uma atuação tosca como as anteriores.

O Fogão teve o controle do jogo, criou jogadas de todas as formas e lados, e sofreu muito pouco sem a bola. Mas quando o Paysandu teve a chance, fez. E o futebol tem isso. No primeiro tempo o Papão chutou 3, fez 2. O Botafogo chutou 12, não fez.

Por pior que seja o resultado, fosse eu botafoguense, voltaria ao Niltão na próxima partida.

abs,
RicaPerrone

O joguinho que virou jogão

Santificado seja o tal do João de Deus! E vai gostar de futebol assim lá no céu.

Eu não vi nada além de um jogo onde o Paysandu foi melhor que o Fluminense e merecia até, quem sabe, vencer o jogo.  Um time organizado e limitado contra um Fluzão muito técnico e muito perdido com a bola nos pés.

É monotarefa.  Ou a bola vai pra alguém resolver no individual, ou abre pra alguém cruzar no Fred.  O Fluminense não articula uma jogada ofensiva.  Joga mal.

Mas se mesmo jogando mal vence, há duas formas de avaliar.  Uma é que tem dado sorte, a outra é que quando jogar bem, sai de baixo.

As alterações hoje foram todas por questões físicas, inclusive a que resolveu o jogo.

O pífio público para ver o Fluminense no Maracanã não se justifica de forma alguma pela fase, pelos nomes nem pela importância do jogo. Talvez, e isso é muito mais uma muleta do que um motivo, seja pela sequência de futebol bastante contestável que o time apresenta.

A má notícia é que o Ronaldinho não está evoluindo, ao contrário, participa cada vez menos. Que o Fred é 80% do poder ofensivo do Flu, e que com meias ou sem, o time não troca passes no chão pra criar o gol.

Tenho minha desconfiança quanto a qualidade do Enderson.  E nenhuma dúvida quanto a estrela do Flu.

Mais um “joguinho” que acabou “jogão”.

abs,
RicaPerrone

Os confrontos

É mata-mata, olho no olho, futebol como deve ser. Sorteados os confrontos das oitavas da Copa do Brasil, que passa a ser o foco de pelo menos 6 clubes brasileiros nas próximas semanas.

Entre eles, dois classicos regionais. Mas pra mim, e isso não tem a ver com uma aposta sobre resultados, o que se saiu melhor foi o Vasco. Explico individualmente por confronto.

– Internacional x Ituano  – Em tese, um jogo fácil pro Inter estar nas quartas. Em tese.

– São Paulo x Ceará – Ao contrário do Ituano, o Ceará tem um poder de fogo em casa muito maior. Uma torcida maior, pressão, enfim. SPFC é amplo favorito mas tem que tomar cuidado. Não é moleza.

– Cruzeiro x Palmeiras – Jogaço! Porque parte da torcida do Cruzeiro contestava Marcello Oliveira pela fraqueza dele no mata-mata. A que não queria sua saída, condenava o time.  E agora?  Não poderia ser melhor pra ambos.

– Flamengo x Vasco – Esse jogo é disparado o mais polêmico de todos. Pelo que houve no estadual, porque o Eurico vai tentar criar mil factoides pré jogo, até mesmo levar pra São Januário, não duvide. Mas enfim. Achei o melhor sorteio possível pro Vasco. Porque? Porque se ele perde pro Flamengo do jeito que está, nada muda. É previsível. Mas e se passa? Pode estar ali uma oportunidade única de reverter um cenário no clube.  Ser muito favorito num clássico é ruim. E o Flamengo vai confrontar seu pior inimigo: o favoritismo.

– Fluminense x Paysandu – Parece fácil mas não é. Assim como o jogo do SPFC, o adversário faz uso da casa, tem torcida forte e transforma o jogo lá em parada dura. Tem que caprichar no Maracanã.

– Grêmio x Coritiba –  Pelas fases, o Grêmio é bastante favorito. Mas novamente lembro que é um time de torcida forte em casa. E mata-mata isso pesa.

– Atlético-MG x Figueirense – Acho que o Galo passa sem grandes problemas até pelo que vem jogando em mata-mata nos últimos anos.

– Corinthians x Santos – Clássico, com leve favoritismo ao Corinthians que embora tenha mais time e esteja melhor, tem o foco dividido. O Santos pode jogar tudo na Copa do Brasil. O Corinthians, vice líder do Brasileirão, não.

Não vou dar palpites de quem passa por enquanto porque ainda é cedo. Mas o sorteio da Copa do Brasil já é uma das coisas mais legais do futebol e que movimentam o esporte em dia sem jogos.

Gostei muito dos confrontos, especialmente porque moro no Rio e poderei viver de perto essa “loucura” que será o Flamengo x Vasco.

abs,
RicaPerrone