polemica

Glória, Glória, Aleluia!

Ontem durante o Oscar eu morri de rir dos comentários e das brincadeiras com a Glória Pires.  Claramente ela não estava a vontade, ela não é comentarista, nunca fez isso, é natural que não tenha desenvoltura numa estréia.

Na web, como sempre digo, estão as pessoas mais fracassadas e infelizes do mundo junto das pessoas normais, que levam a vida numa boa e sabem rir das coisas.  Essa mistura confunde, mas as vezes esclarece.

O que muita gente tirou do tom divertido pra atacar ou desmerecer uma das nossas maiores artistas na verdade não passou de uma aula de simplicidade.

“Não vi”.  “Não posso opinar”.

No mundo onde todos nós temos uma opinião em 140 caracteres imediatamente após uma questão ser levantada, sem nem mesmo pensarmos sobre o tema, alguém ir na TV e dizer: “Não vi” é quase uma ofensa pessoal.

Como não viu? Ué, não vendo.

A simplicidade com que a Glória Pires disse não ter visto e não ter uma opinião sobre algo é tão humilhante pra nós, corneteiros virtuais, que de alguma forma nos atingiu.

Porque se ela, Glória Pires, “não viu” e “não pode opinar”, quem eu penso que sou pra ter tanta razão em ficar no twitter julgando o mundo o dia todo enquanto alguém produz de fato?

A vida é como um jogo de futebol. 70 mil pessoas assistem, 22 protagonizam. Alguns ajudam a fazer acontecer, a enorme maioria se limita a  vaias e aplausos.

“Não vi”, “não posso opinar” foi a coisa mais verdadeira de toda a noite do Oscar.

Hoje cedo Glória fez um vídeo. Não pra te ofender, mas pra dizer que se divertiu com os memes. E explicar, a quem quiser saber, que ela não é especialista e nem obrigada a saber tudo. Sorrindo, leve, como as pessoas de verdade devem ser.

A letra que separa o meme do mimimi é o que nos divide entre Glórias e Manés.

abs,
RicaPerrone

Má fé, vontade ou capacidade?

Basta uma frase para que seja aberta a caça as bruxas no futebol brasileiro. As vezes as bruxas merecem, outras não.  Neste caso, simples como uma página de regulamento, o auê é mera preguiça de informar direito ou vontade de ver o circo pegar fogo.

O Flamengo PODE fazer todos os seus jogos em Brasília no Brasileirão. Isso não foi vetado pela CBF e nem mesmo pela FERJ, que sim, faz um jogo político feio contra os seus inimigos.

A questão é que, de novo, pela milésima vez, temos que tentar explicar que a CBF representa federações e tem um regulamento. O mesmo que a obriga a dar pro Sport o título de 87, que neste caso a proíbe de “autorizar” o Flamengo a mudar de campo.

Se for muito complicado, note como o regulamento é claro em 1 página:

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Pegou como é fácil? A regra diz que as partes envolvidas (todas) devem autorizar. Logo, a CBF não pode passar por cima do adversário e autorizar por ele. O Flamengo precisa pedir a 19 clubes para mudar de casa. Se conseguir, terá todos os seus jogos em Brasília como tem jogado os últimos anos por tudo que é canto sem o menor problema.

Então qual é a polêmica?

A vontade de causar um furacão onde bate uma brisa.  A notícia é que a CBF NÃO vai autorizar o Flamengo a mudar de mando fixo porque seu regulamento não permite isso. Como aliás, deveria ser bem esperado por qualquer pessoa razoável.

 

Não é notícia que o Flamengo não vá JOGAR em Brasília. Apenas que ele não pode ter a autorização prévia da CBF que passa por cima do regulamento no que diz respeito a autorização de Federações e adversários.

“Mas o Rio está sem estádio!”.  Me perdoe, mas se o Flamengo tivesse um estádio dele essa discussão não existiria.  Como um clube não tem, não cabe a ele decidir o que o governo do RJ fará com as Olimpíadas. Nem a CBF discutir o plano Olímpico de uma cidade sede.

É tudo muito simples. O Flamengo tentou aprovar a mudança de sede no ano. A CBF abriu o regulamento e leu: Não pode.

Ok, segue o jogo. Faça pelos meios que pode.

Aqui as palavras do secretário da CBF: “Não existiu um veto. O regulamento geral de competições diz que tem que haver uma concordância da federação e do time visitante. Não existe excepcionalidade pelos Jogos Olímpicos prevista no regulamento. O Flamengo fez um pedido de uma autorização permanente, mas isso não é possível pelo regulamento”. 

abs,
RicaPerrone

Menosprezo ou entretenimento?

Menosprezo é pagar 10% de um salário mínimo pra entrar num estádio sem água, sem banheiro e ver um jogo de merda entre um time que investe 300 milhões por ano contra um time de 12 milhões só porque a federação tem papel de ONG.

Entretenimento é quando um dos que questionam isso voltam dos EUA achando o máximo um jogo de basquete sem quase ter notado a partida em si.

Esporte, e mesmo o futebol, não passa de entretenimento. Qualquer pessoa que o consuma e que leve isso além de um hobby, um lazer, uma diversão, está errada. Eu já estive, milhões ainda estão. Mas futebol é apenas um evento que deve divertir pessoas aos domingos.

Sua torcida, sua paixão e sua cegueira são divertidas desde que acompanhadas do bom senso de reconhece-las.  O apaixonado que sabe estar apaixonado é consideravelmente menos idiota do que aquele que se nega cego por amor.

O que o Barcelona fez domingo se chama entretenimento. Ele deu ao público algo para não mais esquecer. Retribuiu o ingresso, a devoção e a expectativa. Como bem ensinam os norte americanos, o show não precisa estar no gol de placa. Pode estar na entrada da arena. Ou num pênalti bobo, como o do Barcelona.

Denílson, Neymar, Robinho, tantos outros foram e serão alvo de discussões vazias sobre menosprezo, limite do entretenimento, etc.

Talvez fazer embaixadas numa final como fez Edílson seja um pedido para confusão. O que não lhe tira a razão entre um pontapé e uma embaixadinha.

Messi e Suarez divertiram pessoas, fizeram o gol e tornaram um jogo qualquer num grande evento.

Não lhes dêem nossa ignorância socialista brazuca em troca. Aplaudam quem não tem medo de fazer o que acredita. E divirta-se, porque embora futebol não seja “só isso”, ainda assim será sempre  “só futebol”.

abs,
RicaPerrone

A bola pune

O tão discutido estilo “Muricybol” foi, enfim, apresentado ao rubro-negro.  É isso, basicamente isso. O time se fecha, chama o adversário e tenta numa bola parada ou contra-ataque encontrar o gol da vitória.  Contra time grande é assim, especialmente fora de casa.

O Flamengo não jogou. Esperou o Vasco dar espaço pra tentar achar o gol. O Vasco jogou, do primeiro ao último minuto, fez do gol o seu objetivo e com toda limitação que tem em alguns setores e mais o Flamengo todo postado atrás, fez justiça no final.

O futebol se divide em 3 momentos: Retomada de bola, criação e finalização.  Alguns treinadores acreditam que basta acelerar o processo entre a primeira e a última etapa que suas chances aumentam.  De fato, é possível.

Mas entende-se por futebol um esporte onde você conduz a bola com os pés até a meta adversária. Achá-la pode acontecer mas não pode ser o planejado. Gol se conquista.

Não é com o “talento” de Riascos e Éder Luis que o Vasco vai encontrar uma puta trama de ataque para fazer o seu.  Mas poderia ser se tivesse Guerrero, Sheik e Mancuello na frente.

Papéis absolutamente invertidos. O time que podia chegar em bloco tentou correr no contra-ataque. O que tinha velocidade pra contra-atacar, tomou a iniciativa do jogo.

Aos 40 e tralalá, numa bola vadia, uma sobra, um erro de cabeceio, e o gol achado é de quem tentou conquista-lo, não do que esperou acha-lo.

É o futebol. Imponderável, injusto, inexplicável e vez ou outra, como hoje, honesto com os desempenhos.

A bola tinha que entrar.

abs,
RicaPerrone

O menor perigo é a violência

Não costumo ter esse medo da violência em estádios que outros tantos tem. Em 99% dos casos as brigas acontecem no metrô, nas sedes, bem longe de onde está cheio de cameras e policiais.

Em São Januário ou no Maracanã, as brigas dos marginais organizados devem acontecer a consideráveis metros dali.

Não, não devemos deixar de fazer nada porque alguns marginais não se comportam. Devemos cobrar que estes sejam punidos, não que todos sejam previamente censurados a algo.

Não gosto de clássicos em São Januário porque acho que o que resta de futebol no Brasil está no fato do Rio ainda jogar clássicos meio a meio no Maracanã.

Tem Maracanã? Não tem. Tem Engenhão? Não tem. Então, São Januário deixa de ser um “absurdo” e se torna a melhor opção viável.

Os 90/10 na arquibancada, discordo. Acho que podia ser algo mais próximo do meio a meio por respeito a tradição do futebol do Rio. E então o vascaíno dirá: “Mas a casa é minha!”.  E eu te direi que graças a uma atitude dessas o futebol em São Paulo acabou com o direito do torcedor ir a um clássico com seu amigo torcedor rival.

É o que querem pro Rio? Um futebol 90/10, com mandantes em clássicos, dirigentes birrentos e consequencias irremediáveis?

Ou alguém duvida que o Flamengo fará 90/10 no Maracanã  a próxima como vingancinha e a partir de então todo Flamengo x Vasco será assim?

Quem ganha com isso? Ninguém.

Não passa pela minha cabeça que dirigentes de Flamengo e Vasco pensem num futebol melhor nem por um minuto. Mas acho que até o egoismo e a burrice devem ter limites.

A divisão do estádio de São Januário não vai gerar nenhum problema domingo. Vai gerar um problema pros próximos 200 domingos.

abs,
RicaPerrone

Mídia: a “piranha” do mundo

Jamais condenaria uma escola de samba por ter em seus componentes pessoas imbecis e de caráter duvidoso. Condenaria a Peruche caso ela não tivesse “atirado” este ser sem escrupulos pelo portão da avenida sem dó. Aí sim, a escola estaria errada.

“Precisava do empurrão?”. Não! Precisar, não precisa.  Mas diante dos fatos, do momento e das consequências, ela deveria agradecer o empurrão. Qualquer tapa na cara ali estaria num contexto no mínimo compreensível.

Uma mulher sem nada a perder e sem talento algum pra ser nada na vida resolve que quer mídia. A mídia, piranha mais fácil de ser conquistada no mundo, assiste a uma “ninguém” tentar ser alguém e ser devidamente expulsa pelos reais donos da festa.

Em menos de 24 horas seu nome é propagado, sua vida ganha cobertura na capa do maior portal da maior empresa de mídia da América latina e então temos uma nova celebridade.

Não vou citar seu nome. Eu trabalhei pra ter audiência no que escrevo e não darei pra quem usa o esforço honesto de milhares de pessoas de uma comunidade pra tentar aparecer mostrando as tetas.  Sim, tetas! É o que ela tem.

Hoje ela ganha notícia pelo que come, pelo que faz, onde vai, e cada post seu é uma “declaração”.

Eu não sei exatamente o que vai acontecer com essa nova “sem vergonha” que conquistou a mídia.  Mas não preciso ser genial pra notar o que tem acontecido com a mídia, seus veiculos falidos e cada dia mais apavorados com o entretenimento e a informação gerada paralelamente por meio de gente que nem estudou pra isso.

E então eu pergunto: Precisa estudar pra se propor a isso?

abs,
RicaPerrone

Não há CEO para gerenciar paixão


Jogadores do Flamengo são considerados problema no elenco por irem a baladas, serem descompromissados e terem abusado da noite antes do treino.
Dias depois estes jogadores voltam ao elenco.
No dia seguinte, entre os titulares.
Qual a leitura que um grupo de comandados faz de seu comandante quando acontece algo do gênero? Qual a hierarquia a ser seguida?  Afinal, manda o Rodrigo, manda o CEO, manda o treinador, manda o presidente?
O que mudou em 2 dias?  Se converteram a Jesus e por isso foram inocentados de seus pecados?  Ou a água bateu na bunda e viram que além de não contribuir com o clube eles se desvalorizariam afastados pra eventuais trocas em janeiro?
Se foi isso, porque não foi fácil imaginar antes de afastar?  Será tudo tão novidade assim pro Flamengo?
As vezes eu me pego surpreso do quanto o futebol consegue confundir gestores e trair conceitos. Não estivéssemos falando de Flamengo, de paixão, de futebol e de resultados esportivos, as coisas seriam tão facilmente definidas sobre os 5, seus pecados e suas penitencias.
Mas é futebol. E todo o blá blá blá de CEOs, super estudiosos da bola e teóricos que vivem de ser pedra e jamais serão vidraças vai por terra.
Porque entre o razoável e o justo, há uma paixão.  E não se administra paixão aplicando nenhuma teoria universitária. O Flamengo é hoje um modelo profissional de como gerenciar futebol de forma amadora. E acreditem: Ainda assim está um passo a frente da maioria no que diz respeito a clube.
No domingo, dois gols do Alan Patrick.  E hoje, segunda-feira, ponderemos: “Quem é que nunca tomou uma a mais na folga, né?”
abs,
RicaPerrone

Uma dose de sorte

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O que poderia ser melhor ao Flamengo do que ter motivos para cortar de seu elenco 5 jogadores que internamente todos já queriam fora?

Eu não entendo bem a reação de “susto” com jogadores na noite tendo treino pela manhã, já que acordos entre treinadores e elencos sobre o treino ser a tarde para que possam chegar pela manhã em casa são bem comuns.

As vezes tenho a impressão que “pessoas do futebol” são surdas e mudas quando convém. Critique, é errado, ok! Mas carinha de susto não, né?

O Flamengo “perde” 5 jogadores ou encontra motivos para dispensa-los?

De férias no Brasileirão, fora da Copa do Brasil, a única consequência dessa “balada” é contra os jogadores, não contra o clube.

E as consequências são bem piores pros jogadores do que pro clube.

Santa balada!

abs,
RicaPerrone

Palmeiras 2×1 Fluminense: Os números e os lances decisivos

Pois vamos ao povo que quer polêmica.  Os lances discutíveis do confronto em tópicos e no final os números do jogo exclusivo pra vocês.

  • Acho que o Fluminense jogou melhor a soma dos 2 jogos do que o Palmeiras
  • Achei que não foi pênalti pro Palmeiras no Maracanã
  • Achei que o jogador do Palmeiras não estava impedido no gol anulado do Maracanã, embora saiba que é um lance bem polemico e dificil.
  • Achei falta fora da área no lance do pênalti no Allianz Parque. Embora também ache bem dificil esse lance.
  • Achei que o erro maior do lance foi do Marlon quando tenta fazer drible de corpo pra sair jogando ao invés de enfiar a bica após a defesa do Cavalieri.
  • Acho que o Fred foi o melhor jogador do confronto. Pela entrega, pelos gols, pela liderança. Enfim.
  • Achei que o Eduardo não errou ao escalar o Gum pra bater pênalti. Mas errou ao não treinar pênaltis ontem.
  • Acho que a arbitragem interferiu no resultado como interfere em 50% dos jogos pelo mundo.  Na minha avaliação, prejudicando o Fluminense porque eu não daria o penalti aqui e sim falta. Mas insisto: Lance difícil, longe de ser “roubo”.
  • Os erros do juiz podem tirar a culpa de um time pela derrota, mas não tiram os méritos do outro pela vitória.

O amargo sabor de um grande empate

Assim, sem pensar muito, empatar no Morumbi contra o São Paulo é um puta resultado, não?

Não.  Hoje não.

Porque em 90 minutos o Vasco fez, seguramente, sua melhor partida no campeonato. Calmo, controlando a partida, criando opções, tendo inúmeras oportunidades de ter matado e ampliado o placar após o 2×1.

E com um homem a menos, jogando muito mal, o SPFC era um risco pelo individual. Mas todo vascaíno deveria já ter aprendido neste Brasileirão que o jogo só termina quando o juiz apita. Não fosse isso o Vasco já estaria fora do Z4.

Não está. Mas está perto disso.

E se pra muito vascaíno o jogo de hoje e o empate de quarta-feira simbolizam o “fim do sonho”, eu entendo que a distância que já foi de 11 ter chegado a 4 é um passo a mais pra busca-lo.

Se vascaíno fosse, compraria meu ingresso amanhã cedo.  Não sou, sou sãopaulino, diga-se.

E todo chororô do pênalti se resume a uma condição: A CBF orientou assim? Então foram dois penaltis pro Vasco.

Concordo? Não. Pra mim existe bola na mão, mão na bola e nada mais.  Essa regra é clara no meu entendimento, mas não serei arrogante de achar simples sendo que ha 100 anos se discute a mesma coisa e ninguém ainda chegou num lugar comum.

O São Paulo não pode esconder outra atuação bem ruim com uma discussão sobre um lance. Jogou mal quarta, jogou mal hoje, e não se engane pelo marketing gratuito que a mídia fará ao Osório.  Com ele, o SPFC também sempre foi um time irregular. Capaz de grandes vitórias e derrotas patéticas. Ou seja, pouca coisa mudou.

Mas se eu fosse imaginar um torcedor eufórico com o empate no Morumbi, mesmo diante das circunstancias e especialmente pela atuação, ele seria vascaíno.

abs,
RicaPerrone