polemica

Menos, Osório!

Quem é Juan Carlos Osório, afinal? Trata-se de um treinador de 54 anos, que fez estágio na porra do Manchester City, o que pra metade da imprensa brasileira significa ter se tornado um Deus.

Depois disso fez uns trabalhos bons, outros bem ruins, trocou de time 7 vezes nos últimos 8 anos, foi campeão de uns campeonatos na Colômbia e chegou aqui.

É bom? Parece que sim.  Tem moral? Tem, claro. Chegou campeão. Nada absurdo, longe de ser um consagrado treinador (bem longe) mas é um nome.

Porque diabos esse cara está tão certo de que todos fariam de tudo para tê-lo aqui? Quem deu essa segurança pro Osório?

Estou intrigado há dias porque eu nunca vi alguém chegar de fora e se colocar num patamar tão alto sem ter curriculo pra isso. Osório passa bem longe de ser um dos treinadores tops do mundo, sequer das Américas, onde nunca ganhou grande coisa.

Ele passou por 7 clubes nos últimos anos e apenas no Atlético Nacional fez um aproveitamento superior a 60%. Nos demais, inclusive, suas médias chegaram a números pífios como nos EUA com 31% no New York e 24% no Puebla do México.

Calma! Eu não fiz o meu juizo de valor ainda.  Eu, particularmente, gosto do Osório e do trabalho dele. Gostaria que ficasse, acredito que ele possa nos trazer coisas diferentes (o que não significa que vá nos ensinar futebol). Mas calma aí!

Eu quero que ele queira. Não que ele fique porque a gente pressiona ele. Menos ainda porque o pequeno SPFC precisa de seus incríveis serviços para nos ensinar a jogar futebol no Brasil.  Seu ar de superior, absolutamente inflado pela imprensa baba-gringo, está se tornando algo fora da curva.

Ou você acha aceitável um funcionário dizer que não confia nos seus chefes na tv?  Com ou sem razão, ok? Que funcionário diz isso e no outro dia o chefe implora pra ele ficar?

Está havendo uma inversão de valores aqui. O Osório está recendo do SPFC, gigante da América, uma chance de trabalhar no maior clube que ele já esteve.  Não o Osório nos dando aula de futebol como favor em suas horas vagas.

Se quer o México, vá. Sem crise, eu também iria. Mas fala que quer ir, e vá.

Profissionalismo também passa por saber resolver problemas internos dentro do clube, respeitar os seus superiores e não alimentar problemas externos para o ambiente do clube que lhe paga.

Então, Osório, meu ídolo pop de 2 cds, baixa a bola um pouquinho.  Essa diretoria é péssima e fez suas bobagens, mas… você também não é o Telê.  Menos, Osório.  Menos.

abs,
RicaPerrone

Aha, uhu, o Maraca é rosa!

Senhores, haja viadagem.

E não preciso explicar que a “viadagem” é um termo que remete a frescuras, firulas, não a orientação sexual. Preciso?  Não. E se precisar, foda-se.

A “guerra” estimula violência.  O “matador” é um termo ruim pro atacante. A comemoração zoando a torcida adversária gera punição. Abraçando a sua, também.

Bandeiras não pode. Cerveja, nem pensar.  O menino que sobe da base e provoca é “arrogante”.  O que fala em Deus a cada 2 palavras e não tem opinião sobre porra nenhuma é “exemplo de atleta”.

Na folga, não pode beber.  Beijar uma garota no transito sendo solteirão é “polêmico”.

Eles querem um futebol moderno e rico num país fodido.  Querem o fim da violência no futebol dentro de um país violento. E querem que nosso futebol se renove, evolua, pare de repetir o que fazia em 1985!  Isso dito numa mesa redonda com 6 senhores de cabelos brancos discutindo “o futebol ser caixinha de surpresas” é, no mínimo, tosco.

De todos os problemas do futebol brasileiro, o maior, disparado, é a imprensa esportiva.  Generalizo por não poder separar todos eles e por entender que sim, a maioria é ruim.

Temos jogos épicos nessa semana, estádios cheios, clássicos e decisões. É quarta-feira, 14h, dia dos jogos. E só se falou em apito amigo, “mata mata” como promoção de violência e o “absurdo” que é um jovem ver uma “guerra” num Flamengo x Vasco como termo para citar a importância da partida.

Partiu Maracanã.  Vou de soldado, colete a prova de balas, porque o garoto causou uma guerra! Ui, Gazelas!

abs,
RicaPerrone

Olha ele! Olha ele!

Meus caros caçadores de polêmica idiota, não ultrapassem o limite que os coloca sob a condição da “viadagem”.  A linha entre a polêmica e o sensacionalismo é tênue, dificil de enxergar a olho nu.

Fred e Rodrigo são jogadores experientes, concentrados num clássico cheio de provocações, onde um deles fatalmente sairia derrotado.  Imagens das trocas de empurrões e ofensas são bacanas, mas avaliar o comportamento dos caras como uma “falta de educação”, como “desrespeito”, é de doer a vista.

Falta bem pouco pro futebol perder o que lhe resta de sua alma.  A contribuição é gigantesca se começarmos a tirar dele coisas que não ofendem ninguém e que jamais foram problema para quem de fato está envolvido.

“Nossa, vejam! O Rodrigo disse no áudio que o “Fred vem me mamar”.!”. Oh! Que terrível!  Como pode Frederico ouvir isso?  Levem-no ao psicologo!

E você, Rodrigo? Coisa feia, menino! Desse tamanho tentando intimidar o amiguinho? Ora, faça-me o favor.  Não foi assim que o fã de esporte te ensinou. Jogue calado, não provoque, e sorria que você está sendo filmado.

Ora, seus modernos cretinos do futebol gourmet…  O que tem de errado num zagueiro e num atacante se pegando e provocando o jogo todo? O que há de incrível se o áudio for mesmo do Rodrigo, vencedor, tirando sarro do rival?

Deus deu boca pra todo mundo falar o que quiser. Toda ação causa uma reação.  Eu posso não concordar com a ação, mas me faz entender a reação.

Quem está errado?

Você. Chato pra caralho.

Deixem pelo menos zagueiro e atacante se provocarem em paz?

abs,
RicaPerrone

Jô, o anti-cristo da semana


É assim que funciona uma rede social. Como disse outro dia sobre o tema (leia esse post), basta discordar de algo ou não conseguir compreende-lo e em minutos cria-se a mais nova figura do demônio na web.

Jô Soares é humorista, faz um programa de entretenimento há uns 200 anos e nunca teve o papel jornalístico de entrevistador na emissora que trabalha.  Para o mundo talvez seja uma linguagem técnica demais, vou explicar.

Entretenimento é quando você distrai alguem com alguma coisa. Quando a entretem, a diverte.  Jornalismo é quando você a informa sobre alguma coisa.

Futebol, por exemplo, é entretenimento. E o jornalismo dentro dele já nasce errado quando o lado “isento” compra ou não o direto de um evento. Há negócio, interesses, logo, não há jornalismo.

Jô é o cara que vai perguntar sobre a cueca favorita do Rogério Ceni e, talvez, sobre algo relacionado a futebol diretamente.

Willian Bonner entrevistaria Dilma do jeito que a maioria deseja. Mas o Jô, não.

Era de se esperar. E mesmo que eu seja um cara anti-PT, que odeie o atual governo e discorde de tudo que está aí, eu não posso ser estúpido ao ponto de achar que um sujeito culto e inteligente como ele não tem o direito de ter opiniões diferentes das minhas.

Engana-se quem acha que era seu papel massacrar a presidente. Engana-se mais ainda quem acha que isso tem a ver com sua posição política.

Jô faz o que faz há 3o anos e nunca massacrou ninguém no ar, ou sequer fez uma entrevista do tipo a que as pessoas esperavam dele sexta-feira passada.

Não confunda o que você gostaria de ver com o que é “dever” de quem está no ar fazendo televisão.

E não, eu não concordo com o Jô. Mas nem com você.

abs,
RicaPerrone

É muita sacanagem

“Sacanagem”.  Termo técnico para explicar toda e qualquer coisa que não sejamos capazes de explicar dentro de nossa frágil formação.

No dicionário jornalístico e por consequência popular do Brasil, “sacanagem” refere-se a tudo que alguém ou alguma empresa faz para torna-la mais rica.  Até mesmo chamar uma clausula de sigilo de “segredo”.

A burrice é algo difícil de tratar. Mas ela nós perdoamos. O que fica realmente complicado engolir é a necessidade de se deturpar tudo em troca de uma manchete maldosa que caia no colo dos insinuadores famintos e do povo que acredita em tudo que ouve.

O contrato da CBF com a empresa pode ser questionado. Até deve. (atenção aqui! Leia duas vezes) Mas acusado por uma interpretação burra, covarde e amadora não.

Ninguém vendeu porra nenhuma. A seleção recebe pra jogar amistosos, como seu clube, como você pelo seu trabalho. Marcas pagam pra expor em dia de jogo do Brasil, alguém recebe e repassa uma parte a CBF.

Simples. Natural. Quase primário.

Mas sendo isso um negócio é preciso que seja bom para quem está pagando também. E para garantir que ninguém venderá um evento de “seleção brasileira”  e chegará lá com o time de juniores, existem meios legais de se estipular isso.

Coloca-se num contrato o “Time A” e usam termos subjetivos para determinar que os convocados sejam o time principal do Brasil.  Simples, como em qualquer amistoso que o seu clube faz em Manaus.  Se você mandar o reserva, ganha menos.

A empresa parece não ter sede legal, não entendi bem essa parte porque o que de fato pode talvez importar ninguém explorou. Foram na manchete. Correram pra dizer pro povo: “A CBF faz o mesmo que todos os clubes do mundo! Bomba! Bomba!”.

E você fez cara de espanto.

Eu sei que somos um país de “gado”, que defendemos o mais fraco sempre e que por vocação achamos que qualquer coisa que gere lucro pra alguém é sacanagem.

Mas gerar lucro com manchetes maldosas e deturpar um acordo simples e previsível para transforma-lo em uma bomba de interpretação burra/oportunista é também “sacanagem”.

Aliás, mais do que a primeira. Afinal, só uma delas está em contrato assinado e com firma reconhecida pelas partes.

A CBF deve ter muito o que apurar.  Não confiaria um real a quem esteve lá até agora, e não cometerei a injustiça de já taxar quem acabou de chegar de ladrão.

Mas daí a transformar uma clausula contratual que todo mundo sabia que existia, que é comum e até razoável em “venderam a seleção” é muita sacanagem.

Afinal, é muito mais fácil apertar o botão do “eu sabia!!!” num leitor do que o de “vamos entender como funciona?”.

 

Clausula pra ignorante – O blog não “defende” a entidade, não garante integridade nem mesmo apoia a forma como as coisas são conduzidas na CBF historicamente. Mas não concorda com sensacionalismo feito em cima da “ignorancia” popular sobre um contrato comercial.  

abs,
RicaPerrone

A Globo o que é da Globo

Eu não concordo, contesto o tempo todo a política da mídia em não ajudar o esporte brasileiro e cobrar resultados dele  no final. Mas os negócios tem que ser respeitados e vocês precisam ser informados de que atrás da “vilã” globo existe um tosco contrato que seu clube assinou.

A Rede Globo paga o que paga pros times e em troca disso tem o que comprou. Além do direito de TV é dela o direito de expor as marcas no estádio.  Quem vende aquelas placas de publicidade é ela, e isso é acordado com todos os clubes, inclusive com o Palmeiras.

Quem tem direito web sobre os clubes é a Globo, mesmo que não use. Quem vende direito mobile pra Globo e não pode fazer quase nada depois são os clubes.

E quem aceitou toda essa condição num negócio discutido e PAGO foram os clubes.

É muito cafajeste e fácil vir agora pra vocês, torcedores, e dar a Globo de bandeja pra que vocês apedrejem. Eu também acho absurdo o “Arena Palmeiras”. Mas não é novo e nem mesmo “contra a vontade do Palmeiras” que o nome “Allianz” está sendo coberto.

É uma acordo feito pelas partes e que o Palmeiras assinou porque quis. Cobrem dos clubes o que é culpa dos clubes, e da Globo o que é culpa da Globo.

Isso foi acordado. Cumpra-se e na próxima renovação de contrato leia antes de assinar.

abs,
RicaPerrone

E aí? Foi pênalti?

Reveja a imagem, por todos os angulos possíveis, e em 27 segundos de vídeo dê sua opinião final. Especialmente quem não é nem Flamengo, nem Vasco.

 

Unidos da Hipocrisia…. Dez!

beija-florAh, minha Guiné Equatorial! Quantas e quantas noites de sono perdi pelo regime ditatorial que tantos irmãos atingem naquele país.

São incontáveis as vezes que orei por eles. Que me neguei a receber um presente da Nike porque sei que sei da exploração de mão de obra pelo mundo.

Me lembro como se fosse hoje que ao assistir a um jogo do Chelsea na TV eu torci contra, afinal, o dinheiro do clube é quase todo sujo, tal qual muitos outros do adorado futebol europeu que sempre renegamos em virtude de nossa ética.

Meus deputados honestos que me orgulham e que jamais me traiam. Meu partido que prometeu “acabar com tudo isso”, dobrou, e eu sigo militando por ele.

Ah meu bairro querido, aquele que corri pra longe no primeiro dinheiro que ganhei. Esses racistas estúpidos, imagine? Minha empregada é negra…

E esse governo corrupto que diz não saber de nada e faz vistas grossas pra tudo que há de errado? Fosse eu, que denuncio os gatos da net da vizinhança e que me importo com as carteiras de estudantes dos não estudantes, nada disso seria assim.

Não é verdade?

Essa Beija-Flor, canalha, que recebe patrocínio de um governo, tal qual outras 904043 escolas já receberam um dia pra falar daquele lugar. Mas a Beija-Flor não pode, pois deveria “perder ponto em enredo”, afinal, há um ditador por lá.

A Portela falou do nosso Rio. Não citou governador, arrastão e nem ala com balas perdidas. Mas falou do Rio. E neste caso, merecia ser campeã. Porque não ganha há tempos. Se ganhasse, não mereceria por ser repetitiva em seus enredos. Certo?

Dos mil defeitos que tem a Beija-Flor, e que fique claro que também não gostei do enredo, um deles não é ser a única coisa neste país que não se importa com a origem, desde que chegue em nossas mãos.

O carnaval é organizado pela contravenção há 200 mil anos e nunca ninguém se importou com esse dinheiro. Até porque, convenhamos, a contravenção é parte fundamental e importantíssima no que se transformou o desfile do Rio, como disse o Neguinho. E concorde você ou não, aceite. Porque é um fato e citá-lo não é um erro. Fingir que não sabia, sim.

Sou capaz de apostar meu braço esquerdo que 90% dos rebeldes virtuais não sabem onde fica a Guiné Equatorial. Destes, 50% não sabiam de sua existência. E deles todos, 99% nunca souberam que havia ditadura por lá.

Nem se soubessem reclamariam. Afinal, outro dia uma escola foi campeã com dinheiro do Chavez e ninguém abriu o bico.

“Então um erro justifica outro”, dirá o desesperado hipócrita. Não, não justifica. E em momento algum alguém disse ser bom, concordar, ou renunciar a verdade. Apenas compreenda que se é pra dar xiliquinho, dê sempre.

Não quando convém. Porque aí chama-se hipocrisia.

abs,
RicaPerrone

Eu sei que você treme!

Ô Luan, como durou pouco.  Por algumas horas, entre você fazer a piada, promover o espetáculo e desistir, achei que talvez tivesse salvação.

Nosso futebol passa por uma crise de caráter sem precedentes. Os nossos talentosos dribladores somem aos 15 anos e vão pra Europa deixar um pai ou empresário bem de vida, nossos mediocres sobem em seus lugares, são domesticados por imbecis que acham que ídolos se criam de boca fechada e não conseguem sair mais da toca.

Luan nao é craque. Mas é só mais um dos tantos que tentou ser divertido, ele mesmo, natural, e foi forçado a se arrepender pela hipocrisia alheia.

A burrice não pode vencer o bom senso. E se toda vez que alguém der uma opinião que não agrade surgir a idéia do “era melhor ter ficado calado” , teremos cada vez mais um esporte mediocre, promovido por robôs e sem dia seguinte.

Luan, eles tremem! É isso cara! E eles que respondam a você que são tetra dessa porra. E vocês que se abracem no jogo e apostem cestas básicas na próxima.

Mas não. É mais fácil recuar do que se impor. Eu entendo o Luan, talvez daria o mesmo conselho a meu filho se ele fosse na tv dizer isso.

Mas daqui, de quem promove o show, vive dele e conhece a reação dos torcedores mais diversos, sou capaz de garantir que esse tipo de provocação não alimenta violência, ao contrário, coloca o futebol no eixo.

Luan, eu também sei que você treme. E perdeu a chance de marcar um golaço. Mesmo que impedido, um golaço.

abs,
RicaPerrone

Neymar, o capitão

Neymar é jovem, talvez nem tenha o perfil de líder que esperamos de um capitão. Daqueles que grita, que orienta, chama atenção.  Mas é “o cara”, pede pra ser, faz por onde e parece ter a mesma facilidade pra driblar situações fora de campo do que dentro dele.

Thiago é o zagueiro capitão ideal. Sério, joga uma barbaridade, em tese o típico dono da braçadeira.  Mas aí surta num jogo da Copa, sente o peso. Passa o tempo, muda o treinador, ele se machuca, sai e quando volta dá pra imprensa de presente uma “pequena crise” ao invés de falar internamente.

Então, com tudo esclarecido, Neymar vai até ele e entrega a tarja de capitão como quem diz: “Taí, cara. Se é tão importante pra você, taí.”

O próprio Thiago não tem a reação mais espontânea do mundo, talvez porque tenha notado naquele momento porque perdeu a tarja.

Neymar pode não ser o maior líder motivacional do elenco, mas é de longe o mais preparado pra ser “o cara” num time que surtou e não soube lidar com a derrota há poucos meses.

Thiago é um zagueirão. Neymar, um gênio.

Acho que hoje ficou tudo muito claro.

abs,
RicaPerrone