polemica

É penalti!

a-Juiz-de-Futebol-300x287Todo ano a mesma coisa.  A bola rola, os juizes erram e logo surgem as mais incríveis conspirações.  Quando digo isso a um torcedor do Corinthians ele jura ser perseguido. O palmeirense jura que há uma ordem na CBF pra ajudar o Timao e assim vai.

Torcedor olha futebol sempre do time dele pra fora, nunca com igualdade. E portanto todo torcedor de futebol acha que seu time está sendo sacaneado, perseguido, e na melhor das hipoteses, rotulado.

Diga a um tricolor que o Flamengo não tem juiz a seu favor. Ele surtará. Mas diga a um rubro negro que o Flu não tem a mesma força política do que eles, e logo ele fará um discurso sobre rebaixamentos.

Muda só a cor da camisa.  Mas eu não vou ficar no muro.  Acho que Flamengo e Corinthians sao os dois times mais ajudados do país, e explico:

Quando há dúvida você sempre tende pro lado mais “seguro”.  É uma reaçao do ser humano e sua também.  Arbitros de futebol ficam na dúvida o tempo todo, e quando acontece sempre tendem a evitar uma polêmica com “mais gente”.

Corinthians e Flamengo carregam nas costas o peso de serem os mais vigiados, cobrados, pressionados mas também os que mais colocam “medo”  de serem prejudicados.

É o lado da moeda que custa enxergar. Ou que é cômodo fingir que não sabe, afinal, como sempre digo, se achas que isso tudo é uma farsa e está aqui discutindo, se interna. És um doente mental.

Não é.  E portanto, sabe que há um motivo. Sempre erram contra a Lusa.  E sempre vão errar. Porque?  Porque não há segunda-feira com a Lusa reclamando.  Mas se o erro eliminar um Palmeiras, aí sim, o nome do juiz ficará gravado.

É um mecanismo de defesa que todo ser humano tem. E enquanto houver dúvida, haverá sempre mais medo de prejudicar os times maiores do que os menores. Ou, no caso, os mais “populares” e “mais vigiados”.

Talvez você ache bobagem. Acredite que a Globo tem uma central de manipulaçao que manda tanto no futebol que nem o formato do campeonato consegue determinar. Ou talvez você esqueça que quando o SPFC brigou com o clube dos 13, a globo e a cbf, venceu 3 brasileiros.

O presidente da CBF é sãopaulino hoje.  E há quem diga que roubaram pro Corinthians a ordem da CBF domingo.  Mesmo tendo no Andres, corintiano, um desafato da atual diretoria.

Ou talvez o Flu, que hoje ironiza penaltis pro Flamengo, e amargou uma fama em 2012 que não merecia. Lembra?

Claro que não.  Futebol é ontem a tarde e o que convém.

abs,
RicaPerrone

Conta tudo pra sua mãe!

Numa partida sofrível tecnicamente, Palmeiras e Botafogo resolveram explicar suas crises com os pés. E sim, entendemos.

Apesar do ótimo resultado, o Fogão ainda não pode se considerar “virando o jogo” pois o que apresenta não é suficiente. O Palmeiras, que perdeu, menos ainda.

Mas o jogo teve um fator “salvador” e nem foi com a bola.  Sheik e Lucio, disparado os dois maiores nomes do jogo mesmo antes dele começar, confirmaram as expectativas e saíram dele protagonistas.

Um porque teria chamado o coleguinha de “gay”. O outro, porque ficou magoado e vai tomar atitudes com seus advogados.

Ah, Merthiolate ardido. Que falta você faz…

Uma dividida, um “seu viado”, um biquinho e um microfone. Pronto, temos uma discussão social que sobrepõe a vitória do Botafogo diante do Palmeiras.  Afinal, é muito mais divertido discutirmos por um mês se pode ou não chamar um “não gay” de gay e se havia preconceito no tom de voz do rapaz.

Ui! Que viadagem.

Sheik devia ser personal manager da carreira de algumas meninas que imploram pra sair no EGO. Ele tem, além de um grande futebol, um incrível dom de ser a bola da vez.

Foi bobo, exagerou, se fez de vítima. Não combina com ele.

Lúcio, que é mesmo violento em alguns lances, respondeu as fortes acusações jogando algumas verdades na cara do Sheik. E ele, não aguentando o troco, falou em “medidas com advogados”.

Vem cá, seus viadinhos.  É sério?

Vocês combinaram isso antes do jogo, né? Não pode estar acontecendo uma discussão entre dois multi campeões deste porte porque numa bola qualquer alguém gritou “seu viado!”.

Por um mundo melhor, cantinho do pensamento para os dois!

abs,
RicaPerrone

As bandeiras

Após uma rodada onde uma mulher erra um lance na arbitragem sempre me fazem a pergunta: “Mulher deveria apitar jogo de homens?”.  E eu sempre fico com medo de responder o que de fato penso, pois hoje em dia ou você fala o que “pode” ou fica na sua.

Pois bem. Eu acho que sim, podem apitar sim. Não é o fato de ser mulher que determina o quanto a pessoa tem capacidade de enxergar um impedimento.

Mas é também bastante incontestável a facilidade que o homem tem dentro de um campo em relação a qualquer coisa que ali aconteça.  Por ser homem? Não, por ter sido criado dentro disso.  Mulheres dificilmente são criadas no futebol, e quando são, mesmo que joguem, jogam muito menos vezes que os homens.

É cultural. Um prato cheio pra uma duzia de feministas alucinadas virem gritar que “nada a ver”.  Mas no fundo, sabemos. É como fazer a unha.  Eu posso aprender, mas é mais fácil uma mulher que faz a unha há 20 anos pegar o jeito do que eu.

Evitaria? Não. Treinaria até evitar os erros mais grotescos.

Colocaria num clássico?  Acho que não.

Jogadores são reflexo da sociedade e isso nada tem a ver com futebol. Uma mulher em forma é “gostosa” e no campo vai sair a mesma palavra, queiram ou não. Ela será sempre a “gostosa que apita”, não a ótima bandeira que está ali.

Tem que ser feia, então? Não. Na verdade não tem que ser nada. Apenas aceitar o fato que é uma novidade, que o passado de quem tentou não ajuda no crédito e que a dificuldade é maior.

É um mundo de homens. Qualquer mulher tem dificuldade em entrar nele.  Não é machismo, nem conspiração. É instinto, cultura, hábito.

Se fosse homem, era só “ladrão” hoje cedo.  Sendo mulher, é “mulher”.

Isso pra muita gente soa como um preconceito inaceitável. E eu discordo. Acho o preconceito instintivo. Haverá sempre, pro bem e pro mal.  O problema não é ser mulher, mas sim o tamanho do risco.

Uma coisa é você colocar um bandeira homem que vai passar sem ser notado. Outra é uma loira em meio a 40 mil homens sem nenhum limite do que dizer, gritando na orelha dela o jogo todo, com cameras espalhadas, o fato dela ser mulher berrando em seu ouvido e dois times que invariavelmente olham pra suas coxas a cada escanteio.

Isso evidentemente a pressiona mais do que a qualquer homem. E se já é mais difícil pra uma mulher entrar no futebol, imagine sob estas condições.

Pra ser bandeirinha mulher tem que ser macho. Muito macho.

abs,
RicaPerrone

Eu gosto do Sheik

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As vezes eu concordo, muitas outras não. Acho incoerente em algumas ocasiões, firme em outras.  Gosto de ouvi-lo falar, de vê-lo jogar. De cobrir um esporte em que ele seja protagonista.

Posso não concordar com ele, mas o fato de ouvi-lo dizer o que diz me faz bem.  Eu não sou o tipo de sujeito que prezo pela simpatia de quem mal me conhece.  Eu gosto de quem fala o que pensa e não faz questão de ser mais um, seguindo a cartilha de quem faz de tudo pra não se meter em dividida.

Me afasto involuntariamente de qualquer pessoa que tire o pé de dividida. E você pode perder a bola, tanto faz. Mas não tira o pé se a jogada for sua.  Sheik não tira. E perdendo ou ganhando, ele mete o tornozelo dele pra jogo.

Numa ilha de mediocridade onde todo mundo morre de medo da porra dos Zé Ongs que ficam procurando motivos pra perseguir alguém e criar uma tese radical que o jogue na mídia, Sheik se salva. Tem uma dose de “maldade” nele que me passa a impressão de falar com um ser humano.

Odeio ouvir o Messi falar, por exemplo. Até porque ele não fala.  Não gosto de achar algo sobre alguém que não se expõe em nada. Afinal, vou achar o que se não sei quem ele é?

Odeie Emerson Sheik. Adore-o.  Não conteste, porém, sua importância no que faz.  Emerson é daquela rara linhagem de gente que mata a cobra, mostra o pau e pergunta se alguém ali era parente da cobra.

Figuraça. Com direito a todos os defeitos que qualquer um de nós possa ter. Mas que não segue um manual de como ser “mais um”.  Talvez por isso, não seja.

abs,
RicaPerrone

O recomeço

Quando me disseram que o jogo da Portuguesa havia sido interrompido com uma liminar, estava numa festa. É claro que imediatamente repassei a informação aos demais convidados e a maioria reagiu com o natural “desgosto” de ver uma paixão em tal situação.

“É o fim”.  “O futebol brasileiro acabou!”.  “Imagina se isso acontece na Europa”, entre outras frases previsíveis eram o som ambiente após a notícia.

Pois eu não concordo. Pra mim, Lusa interrompendo jogo, Vasco sendo prejudicado aos 45, complos virtuais de torcidas contra esse ou aquele, é apenas o grande recomeço.

Não haverá mudança alguma no futebol brasileiro simplesmente porque quem pode muda-lo não está interessado. Já é interessante pra maioria deles como está.

Enquanto puderem levar adiante, levarão. E quem pode mudar alguma coisa não sabe como. Apenas um nó cego pode mudar isso.

Aquele que nenhum acordo desata. Aquele que independe de relações obscuras para se resolver. Aquele que envolve terceiros, torcedores, inocentes, gente de fora do “sistema”.

Sistema e “esquema” só é ruim pra quem tá fora dele. Quando dentro, ninguém reclama. E muita gente tá dentro. Não por serem ruins, mas por ser uma coisa viciada, viciante, sem alternativas para sobreviver sem seguir a cartilha.

Onde quero chegar?

A ação que recoloca a Lusa na série A só pode ser de um torcedor. E este, seja quem for, não sabe se o seu clube se vendeu ou apenas errou. Ele torce pra Lusa e portanto nenhum acordo o atingirá. Ele vai ter liminar a favor, contra, mas vai incentivar outros que não aceitem o que não está claro.

E uma hora, para poder seguir rolando a bola, vão ter que esclarecer.

Aí mora o novo futebol brasileiro.

Não vão profissionalizar os árbitros porque acham que é bom. Mas se o Vasco for prejudicado aos 45 e ver um título mudar de mãos, talvez a pressão do consumidor consiga fazer isso.

Não querem uma liga independente da CBF. Mas se as liminares não permitirem que o campeonato ande, terão de fazer uma.

Não conseguem pensar nem por um minuto numa solução pra um futebol melhor sem imediatamente tentar achar um modelo pra copiar. Brasileiro não pensa, pesquisa.  Ele vai atrás de uma solução existente criada por um terceiro pra poder copiar.

E então, nota que nem tudo que funciona na areia funciona em terra batida.

Portuguesa e Vasco, neste momento de revolta do torcedor, são duas esperanças de algo que pode determinar um novo futebol brasileiro. A profissionalização dos arbitros e a tal da Liga.

Aquela que fizeram em 87 e hoje renegam por uma tacinha ou mero clubismo. Aquela que Eurico assinou nas costas dos seus parceiros e deu a CBF o “poder” de jamais ter como reconhecer o campeão de fato.

Eu adorei saber que não teve jogo ontem. E vou adorar saber cada problema que impedir o Brasileirão de começar ou continuar. Até que chegue em Rede Globo e patrocinadores. Empresas que, de fato, podem ameaçar a brincadeira e força-los a mudar.

Não vai haver novidade partindo da boa fé de dirigentes que sequer sentam na mesma mesa. Mas se a torneira ameaçar fechar, vai.

Só um nó cego pára e repensa o futebol brasileiro. Talvez ontem tenha começado este nó.  E não, não é o fim.

É o recomeço.

abs,
RicaPerrone

#FechadoComOFred

A diferença entre um grande ídolo e um grande jogador é, normalmente, a atitude.  Fred pode ser contestado sob qualquer argumento dentro de campo, afinal, é direito de cada um achar se ele joga ou não tudo isso.

Mas fora, onde assume suas baladas e suas convicções, Fred tem sido mais do que digno da mais cobiçada camisa 9 do mundo.

Hoje, em seu Facebook, Fred se posicionou diante das organizadas. Algo que quase ninguém tem coragem de fazer por motivos óbvios. Ele, então,  alvo fácil, deveria ser um dos mais “medrosos”. Mas não foi.

E então surge a discussão de se organizadas são boas ou ruins, com pessoas ficando do lado dele ou contra, sem ponderar o que de fato está dito ali.

Se você é de torcida organizada e ama seu clube, entenda: O Fred tem razão e você deveria apoia-lo.  Ou estes 20 caras que vão no trabalho do sujeito ameaça-lo por um resultado de futebol te representam?

Se sim, lamento, você é um tremendo babaca. Um cara que acha que por torcer por um clube tem o direito de controlar a vida de algumas pessoas que lá trabalham.  Seu lugar, como o de TODO torcedor, é na arquibancada PAGANDO ingresso e vaiando ou aplaudindo, democraticamente, como bem entender.

Não na porta de um CT, na rua, ameaçando pessoas. Seja de violência, pressão, virar seu carro ou o que for. Ali, não! Não é seu direito, sua hora, nem obrigação de jogador algum tolerar aquilo.

As organizadas estão morrendo e não notam por arrogancia. A maior parte das torcidas já virou as costas pra elas e até os clubes começam a fazer o mesmo. Não vai ser na base do “salve” ou falando grosso que vão ter o respeito de volta. Vai ser mudando postura e excluindo vandalos, não os protegendo.

Pelo bem das torcidas e dos bons organizados, essa gente que ameaça e passa do ponto deve ser condenada, não defendida.

Fred tem razão, sim.

Torcer como profissão é mediocre. Quase um “roubo” ao clube que se diz amar.  E tem gente, mesmo que pouca, fazendo isso e colocando a imagem dos bons organizados em cheque.

Limites! É só isso.

Ninguém precisa ameaçar ninguém para torcer por um time de futebol. Nem é direito que o façam.  O telefone do Fred vai tocar com mais ameaças depois do que disse hoje. Mas se forem inteligentes, os responsáveis e bons organizados o apoiarão. Enfim, tentando dizer que não concordam com “aqueles 20”.

Ou não. E então o atestado de má fé estará assinado. E o fim cada vez mais próximo.

Perdem vocês, perdem os clubes, perde o futebol.

abs,
RicaPerrone

E a culpa é do…?

Não poderia haver final mais interessante pro Corinthians neste domingo. Com o que tem jogado a eliminação era questão de tempo. E não, eu não acho o Mano um merda, nem o time ruim. Acho que o que o futebol ensina ha 100 anos no Brasil está sendo mais uma vez colocado em prática e nego se recusa a ver.

Times que passam 4 ou 5 anos ganhando tudo em seguida passam por um momento onde nada funciona. É uma rotina, quase uma regra, mas que ainda não querem enxergar.

Enfim.

Tá uma merda. O Corinthians joga mal, não se encontra e tem, pra mim, um elenco de barriga cheia. Talvez do elenco ao faxineiro, não sei. Não frequento. Mas é natural esse fim de festa melancólico. Por mais que não aceitem isso.

A questão é que a derrota do SPFC desviou parte do foco.  Ao invés de discutirem a péssima campanha, incapaz de classificar um time grande entre 8 do estadual, estão discutindo se o SP entregou e se é ético ou não.

Quase que ensaiado, alguns sairam do campo após empatar com a Penapolense já falando sobre isso. Como que tentando esquecer que nem ganhar o seu jogo o Corinthians fez.

Se o SPFC entregou ou não, com todo respeito, foda-se.  Que diferença faz? O Corinthians não ganhou o jogo dele.

É um desvio de foco muito bem articulado pelos envolvidos e que infelizmente tem muita gente caindo nessa. O São Paulo não eliminou o Corinthians ontem sozinho.

O Timão empatou com a Penapolense. Notem.

abs,
RicaPerrone

Maldito seja nosso herói

O que seria deste Flamengo x Vasco sem Rodrigo Castanheira?

Senhoras e senhores, o jogo não foi tecnicamente interessante. Na verdade, ele não valia nada, estava vazio, chato, quase um amistoso.  Ao absurdo custo de 80 reais, o Maracanã vendeu neste domingo o “porra nenhuma” mais caro do mundo.

Sim, afinal, não valia “porra nenhuma”.

Antes de Rodrigo Castanheira. Porque depois, vai ter até gente guardando o ingresso.

Veja o Gráfico de Intensidade da partida

Veja o Gráfico de Intensidade da partida

Se este auxiliar ( que se fosse bom seria juiz ) acerta no lance do Douglas, o que seria deste Flamengo x Vasco?  Um empate com o carisma de um pão integral, sem qualquer marco histórico que registrasse, de fato, este “clássico dos milhões”.

E vejam vocês o que será, no entanto.

Uma segunda-feira onde o gol que não valeu será mais comentado do que os 3 que valeram e decidiram a partida. Um amistoso que vai pautar bares, amigos, inimigos e jornalistas  até quarta-feira.

Rodrigo Castanheira é o nome do jogo.  Porque não viu, ou porque é ruim pra cacete mesmo.  Má fé não é parte das minhas possibilidades quando avalio um profissional sem conhecê-lo.

Mas é seu dever, vascaíno, condená-lo à eterna fama de ladrão. E seu, rubro-negro, tentar entender que “ninguém é perfeito”.

É óbvio que a bola entrou.

Mas o que seria deste fim de domingo se ele tivesse confirmado o gol?

abs,
RicaPerrone