rede social

Brasileiros cada dia mais brasileiros

Cristiano Ronaldo doa x milhões para o combate ao Coronavirus.

“E o Neymar? Não vai doar?”

Xuxa doa 1 milhão para o SUS.

“Mas isso é bom pra sua imagem, né?”, questiona o jornal.

Neymar viaja com os mesmos 4 que estavam em sua casa na França e assim se mantém em quarentena treinando no Brasil.

“Nunca foi profissional”.

Atriz gorda surge de biquini parecendo o boneco da Michelin.

“Deusaaaaaa!!!”, “Perfeitaaaaaa!!!”.  Dizem as que temem ser como ela e passam 24h do dia tentando evitar chegar lá.

Remédio testado no Brasil dá primeiros resultados positivos.

“Bolsonaro manipulando notícia pra se reeleger! Otário! Gados!”,

Num país onde ninguém confia em ninguém, onde a crítica é esporte, onde partimos da certeza de que a má fé guia todo e qualquer ato, não há porque ser bom.

Se já culpado de véspera, porque iremos não pecar?

Um pingo de boa fé. Ou vamos nos tornar um bando de filhos da puta meramente porque é isso que o mundo espera da gente.

Dê créditos a quem acerta. Não massacre quem erra. Dê a chance do outro mudar de idéia. Não seja o idiota que acha que todos tem uma má intenção em cada ação.

Se de todos é isso que espera, talvez seja só o que tenha a dar.

Se dizer “eu avisei” te faz mais feliz do que estar enganado sobre uma má previsão, procure ajuda. É grave.

RicaPerrone

“Você é louco!”


Tenho um amigo muito vascaíno. Mas é muito. Não, não é o que você está imaginando. É um pouco mais do que isso. Seu nome é Marcelo Vital. Muita gente o conhece no Rio de Janeiro, ele promove eventos muito bons.

Enfim.

Numa noite dessas qualquer sentado num bar da Olegário ele me diz as seguintes palavras.

“Rica, o time do Vasco de 2000 era melhor que o Flamengo de 81”.

“Você é louco!”, respondi.

Óbvio! Como que um time pode ser melhor que o Flamengo campeão do mundo?

Ele seguiu.

– Rica, eu presta atenção. Não estou dizendo que ganhou algo a mais, disse que no papel o time era melhor.
– Vai se fuder, Vital!
– Cara, presta atenção no elenco…
– Você é louco!

Minutos depois ele voltou no tema.

“Pergunta no seu blog quem foi melhor”.

– Porra, óbvio que vai dar Flamengo. Se fosse Flamengo de Walter Minhoca e Vasco de 2000 eles votariam no Flamengo. Mas só de colocar isso lá vai soar um absurdo!
– Mas não deveria.
– Porra, Vital! Os caras ganharam o Mundial!
– Mas o time do Vasco individualmente era melhor. Pode olhar.

Me neguei a seguir a discussão. Até que outro dia ele voltou no assunto.

“Rica, já comparou o Vasco de 2000 com o Flamengo de 81?”

– Porra, Vital! De novo essa merda?

Mas estava de bom humor. Deixei ele falar dessa vez.

– Edmundo e Romário, com Viola e Euller de opções. Acho um ataque melhor que Nunes, Tita, Lico… não?
– Tá, pode ser…
– Adilio, Andrade e Zico é muito bom. Mas Juninho Pernambucano, Juninho Paulista, Ramon e Pedrinho também não dá pra descartar. No mínimo mais opção tinha.
– Tá, mais opção sim…

Vendo que poderia haver argumentos, interrompi.

– Mas tinha o Zico, caralho!
– Eu tô falando que tinha mais material, não que tinha o melhor jogador. O Vasco tinha Mauro Galvão, Jr Baiano e Valber na defesa.
– Puta zaga.
– Tinha Leandro e Junior? Não. Mas tinha Jorginho e Felipe.
– Ok. Bons nomes, mas perde.
– Agora me diz se eu não citei pra você mais jogadores fora de série do que o Flamengo de 81?

Pensei. Quis agredi-lo, mas ele tinha um ponto.  Na lista do elenco do Vasco de 2000 havia pelo menos 2 gênios. Romário e Edmundo. No restante do time ele tinha, em cada posição, pelo menos um jogador de seleção brasileira.

O Flamengo era campeão, muito forte, com 3 mitos, Zico, Leandro e Junior. Talvez o Mozer, que eu particularmente adorava. Mas ele tinha 3 zagueiros fora da curva.

Chegamos a um acordo.

“Elenco, ok! Elenco, ok! O Vasco era melhor”.

Ele já ficou envaidecido. Mas arrogante, queria mais. Dias depois veio e disse: “Rica, pegando os 11 melhores… sei não…”

– Porra, Vital! De novo?!
– Não, só estou dizendo que tinha mais jogadores acima da média do que o Flamengo de 81.
– Então ganharia se jogassem contra?
– Não sei se um jogo. Mas num campeonato longo sem dúvida. Olha os bancos, porra!
– Ok, ok. Acho que sim.

Passados meses, nunca mais discutimos tal assunto. Mas nunca me saiu da cabeça se havia ali um torcedor maluco ou um ponto não midiático curioso que não menospreza ninguém. Ao contrário. São dois times absolutamente surreais.

Mas … de fato, se você olhar os dois times o Flamengo conquistou mais do que se esperava e o Vasco menos. Ainda que tenha ganhado Brasileiro e Sulamericana. Além do vice na Copa Band/Traffic 2000 chamada de Mundial após alguns anos.

Então coloquei a pesquisa no meu instagram. Deu Flamengo, 60/40 (até agora).  Óbvio, mas com margem discutível.

Hoje eu sou capaz de concordar, no mínimo, que é discutível. O que me faz repensar todos os dias o sentido das redes sociais. Fosse numa delas haveria um diálogo simples:

– O Vasco de 2000 é melhor que o Flamengo de 81.
– Voce é doente.
– Doente é teu cu.
– (alguem com imagem de pipoca pra ver a treta)
Block.

Fim.

Viva o boteco. Até porque é lá que direi, talvez hoje, que o Flamengo de 87 também era melhor que o de 81.

#paz

RicaPerrone

Um encontro “real”


Encontrei um amigo ontem na praia. Não nos vamos há meses, sequer conversávamos. Mas foi uma experiência incrível.

-” Como você tá irmão?”, perguntei.
– Não como você que tá em angra direto né!
– Que isso. Só um descanso.
– Mas porra, teu cachorro morreu né cara? Que merda.
– Morreu. Foda.
– O veterinário dele cuidou do cachorro da minha prima. Mundo pequeno né?
– Poxa, que maneiro.
– E a peladinha de segunda?
– Nem to indo, to meio machucado.
– Ah mas tá malhando todo dia pô. To gostando de ver.
– Pois é, tem que se cuidar né?
– Chegou nos 40 né irmão? Alias, festão hein? Curti!
– Porque tu não foi, viado?
– Eu não sabia que ia ter tanta gente famosa. Se não eu tinha ido porra!
– Oi?
– Porra, tirou onda postando com “famoso y”, “famoso H”, só fera!
– Entendi…
– Mas aí, tem visto o fulano?
– Não. Só em rede social mesmo. E você?
– Nada. Mas o cara tá rico né. Tu viu as viagens? A loira que ele tá comendo? E o carro? Se fudê! O cara tá voando.
– Sério? Mas o que ele faz?
– Sei lá. Mas ta rico pra caralho.
– Que bom.
– Cara, vou te deixar ir porque sei que hoje é quarta e tu tem jogo pra fazer né?
– É, vou ver uns jogos hoje…
– Demoro! Irmão, posta mais cara! Tem muito texto e pouca coisa sua. Quero saber mais de você.
– Valeu. Mas me liga. A gente toma uma.
– Demoro! Te mando direct! Vamos tirar aquela fotinho?
– Vamos. Tira aí.
– “Ae galera… Rica Perrone na área! Melhor blogueiro do Brasil! Esse é irmão!”.
– Postou?
– Claro!
– Valeu craque.
– Aê! Tem como me chamar quando tiver na resenha lá com o “famoso x”?
– … Pra que?
– Tira foto com ele e tal. Porra, dá pra comer muita gente só de postar essas resenhas. Fala aí!
– Eu não acho que alguém me dê por isso, mas ok! Eu te chamo quando der.
– Valeu! Tamo junto! Me marca hein?
– Podeixa.

Não vou marcar, é claro. Mas vocês percebem onde fomos parar?

E não, ele não é um idiota. Ele só está vivendo como nós. Sem saudades, porque acha que me viu mesmo que por foto. Sem assunto, porque sabe tudo da minha vida, e eu sem o que contar, porque já postei.

Que bosta.

RicaPerrone

A Copa que nós ganhamos

Não foi só o Cruzeiro que ganhou um torneio maravilhoso e de inestimável importância. Nós, torcedores, talvez pelo hábito vira-latas de ser brasileiro não tenhamos notado, mas assistimos a uma aula de como promover um evento sem que tenha vindo de fora.

A Copa do Brasil criou uma cara. Clubes no Brasil se negam a ter cara.

Houve festa, interação, disputa, guerra, paz, polêmica, redes sociais ativas e bem humoradas, aproximação de fato com o torcedor, grandeza do evento final e um ambiente cheio de detalhes.

Teve evento de mídias sociais. Teve contagem regressiva, teve a taça pra lá e pra cá.

Teve especial sobre a taça. Teve Roger Flores no gramado. Teve Nivinha, blogueiros do Cruzeiro ao vivo do Mineirão de tarde. Teve brincadeiras no twitter. Teve eleição de melhor do campeonato com ferramenta exclusiva do facebook.

Teve história. Foi organizado, bem feito, conceituado e bem encerrado.

A Copa do Brasil é hoje o que temos de mais emocionante, por ser mata-mata. E em 2018 ela se torna também a mais rentável, por ter premiações gigantes.

E se tanto pedimos que houvesse um critério de faturamento por direitos de TV atrelado ao resultado, se tanto choram pela falta de critério técnico no retorno financeiro, nem viram, mas a Copa do Brasil corrigiu isso.

Em 2018 a grana é por desempenho. E somada ao Brasileirão, achamos um começo de equilibrio bom pra todos. Se num formato é fixo, no outro é variável.

Fizemos um torneio atrativo, rico, organizado e com um ar leve de brincadeira no dia-a-dia. Fizemos algo bom, moderno, inteligente e aqui dentro.

As vezes é preciso reconhecer e elogiar. As vezes o 7×1 foi muito.

Viva a Copa do Brasil!

abs,
RicaPerrone

Não recuem

Talvez seja mundial, não sei. Mas o pavor que as empresas, pessoas públicas ou políticos tem da opinião de meia duzia é um freio de mão puxado em nossa evolução.

Você tem a piada e o idiota. Porque nós brigamos contra a piada e não contra o idiota?

Piada com negros gera racismo. Piadas com gays, homofobia. Piada com puta, tudo bem. Porque? Porque ninguém briga pela causa delas mesmo…

Pare por um minuto e me explique: você realmente acredita que alguém é estúpido o suficiente para ser racista influenciado por uma piada? Se sim, você acha mais inteligente brigar contra a piada ou contra o estúpido?

Porque um post com 100 mil visualizações, com 5 mil curtidas, 300 comentários, sendo 50 negativos parece ser “muito criticado”? Porque as pessoas recuam? Porque tanto medo da opinião contrária?

Porque alguém famoso faz algo, leva 2 horas de porrada na internet e recua pedindo desculpas por algo que, sabemos, ele não concorda? Porque só vende quem não tem opinião? Porque não achar nada sobre nada é comercialmente tão mais interessante?

Todas as empresas que deixaram o Boa Esporte o fizeram por princípios ou por pressão?

Outro dia um dos filósofos que mais respeito chegou a conclusão que precisa escolher amizades. Porque ele acha isso? Não. Porque obrigaram ele a fingir que sim para que seja aceito virtualmente.

Se toda vez que houver uma rejeição nós recuarmos, nunca mais daremos um passo. E hoje a nossa sociedade é uma sociedade covarde, que anda em círculos e que morre de medo de quem grita mais alto. Não é porque há uma minoria organizada e orquestrada numa direção que você deve segui-la ou mudar sua opinião.

As pessoas que amam o Bolsonaro não o amam porque acham que ele é a solução de tudo. Mas sim porque ele tem coragem de peitar a rejeição que você não tem.  Ele fala boa parte do que você pensa mas não tem coragem de falar para não parecer “homofóbico”, por exemplo.

De que adianta você ser homofóbico fingindo não ser? É por isso que lutamos ou é pela melhora da conciencia que lhe fará não ser homofóbico ao invés de fingir?

Vocês realmente acham que é uma vitória calar o machista pelo “medo” do que fazer ele amadurecer até deixar de ser machista? É esse tipo de pessoa que a gente teme hoje em dia?

O que impede a marca X de fazer uma propaganda engraçada porque acha que alguém pode interpretar mal? O fiscal da magoa alheia? O cara que vê racismo num anúncio de emprego voltado para mulheres loiras e nem nota que as brancas morenas estão excluídas ali também?

O mimimi está insuportável. Mas é ainda pior do que ele que nós, que consideramos tudo isso um grande mimimi, tenhamos medo dele.

abs,
RicaPerrone

 

E sobre “eles”, nada…

Essa foi a postagem do Flamengo após o jogo. Talvez sem saber da gravidade da briga ainda, talvez por ter feito a arte da imagem antes do jogo. Enfim, não faz muita diferença desde que tenhamos em mente que seja ela de mau gosto ou não, não foi feita com má fé.

É de um clubismo quase surreal imaginar que o Flamengo esteja debochando dos feridos numa guerra do lado de fora. Por mais irritado e rival que você seja, acho razoável imaginar que tenha sido uma piada fora de hora, não uma sacanagem com alguém morto ou ferido.

Feito. O Botafogo também não precisava ter inflamado ainda mais isso interpretado maldosamente. Podia ter telefonado. Mas eu entendo os dois no calor do jogo querendo postar e virou o que virou.

Meu problema é imaginar que só se fala disso agora. Enquanto uma duzia de marginais que passaram de carro e MATARAM uma pessoa com um tiro estão em casa vendo tv, de boa, tomando uma.

Porque o que eles são? “A torcida do”. É assim que vocês se tratam, que aceitam, que reclamam quando alvo e que tratam coletivamente isentando culpados. Antes do jogo flamenguistas e botafoguenses brigavam nas redes sociais pra saber “quem começou”.

Ora, que importa? Você realmente acha que isso é coisa de amigos nossos? De torcedores como eu e você? Passa pela sua cabeça pura que alguém vá ao estádio com uma arma para ver futebol como nós?

Não interessa se é Flamengo, Vasco, Bahia ou Ibis. As torcidas organizadas (as antigas especialmente) são gangues que escondem uma maioria boa mas que atrás dela está uma minoria CRIMINOSA. Gente do pior tipo que não pode ser tratada como “torcida do”.  Isso é bandido, não é “torcida de” nada.

É de uma perda de tempo tomar “lado” nisso que me constrange.  Você, botafoguense, flamenguista, é tão vitima dessa merda quanto o vascaíno, o tricolor, o corintiano, o gremista.  Nós temos medo de ir no jogo por causa da camuflagem que nós apoiamos em dar quando os tratamos clubisticamente.

Não tem clube! Esses caras não são “flamenguistas” ou “botafoguenses”. Eles são criminosos perigosos.  E enquanto eles puderem fazer parte de uma facção que você apoia e/ou ignora para ter razão numa discussão sobre clubes, é o seu filho que ele vai colocar em risco amanhã.

Chega.  Abandonem as organizadas. Deixem nelas só quem não tem a boa fé de ver o futebol em paz e então identificaremos facilmente quem está afim do que. Seja sócio torcedor do seu CLUBE não da sua torcida. Seja um torcedor de futebol ANTES de ser um torcedor desse ou daquele.

Entenda de uma vez por todas que “a torcida do” não faz a menor diferença quando uma bomba vier na sua cabeça. Enquanto vocês estão procurando “qual time tem a torcida mais violenta” ou qual rede social possivelmente brincaria com a morte alheia, eles vão continuar.

Somos nós contra eles. Não nossa torcida contra outra torcida.

Houve um assassinato.  E eles não são nem notícia mais…

abs,
RicaPerrone