reservas

Adorável ódio

Lados. O Grenal se trata de lados.

Como recentemente em todo país, não há meio termo. Ou você é uma coisa ou outra. E ser de um lado te obriga a odiar o outro, caso contrário está invalidada sua razão de ser.

Há um século Grêmio e Inter vivem e carregam o que hoje o Brasil tenta saber lidar.

Valia? Nada. Pelo prazer inenarrável de vence-los, está explicado. Não há contexto pra Grenal. Nenhum motivo consegue ser maior do que os lados frente a frente.  E sim, tem quem consiga se auto-humilhar diante deles. Por exemplo o campeonato estadual e sua federação.

Imagine que o jogo não vale nada, que o regulamento do torneio é uma piada onde 8 dos 12 se classificam. E aí você coloca os dois times titulares, eles brigam pra evitar uma crise e jogam naquela retranca e um 0x0 flerta com o jogo desde a semana passada.

Até que o Inter diz que vai de reservas e joga a pressão pra lá. O Grêmio muito esperto faz o mesmo e então os dois times transformam o grenal em algo divertido, pois “perder” não é mais um problemão. Vencer, por outro lado, seria uma prazer.

As vezes a vontade de vencer o outro lado se sobrepõe ao motivo e então se faz Papai Noel azul, Coca Cola sem vermelho, entre outros detalhes deste apaixonante ódio que nos rendeu 5 Libertadores, 2 mundiais e a descoberta de pelo menos 20 craques que nos orgulharam internacionalmente.

Hoje deu Grêmio, que precisava mais.  O Inter não terá problemas, porque na Libertadores, que é o que interessa, vai bem. E amanhã a gente não sabe.  O que sabemos é que não importa quem está dentro daquelas camisas. Quando Grêmio e Inter entram em campo o campeonato é só um pretexto.

O que eles querem mesmo é manter a paixão por esse ódio. E se você não acha isso possível, meu caro amigo… você não entendeu nada sobre o que tal “futebol”.

RicaPerrone

São vocês que “querem” assim

O campeonato Carioca chega a um momento dramático. Fla-Flu, última rodada, vem aí as semifinais da Taça Rio e nenhum dos jogos vale alguma coisa.

É surreal. Mas é real.

E se você acha que subindo uma hastag está fazendo a diferença, está pensando como eles. E eles, no caso, são os clubes. Vou morrer insistindo que as federações e confederações apenas refletem a vontade política do futebol. E estão lá pra isso.

Quem pode dizer “não”  são os 12 grandes e mais ninguém.

Eu fico comovido com o clubismo do sujeito que defende seu clube quando ele briga pela FERJ e esse regulamento.  Tem que ser muito apaixonado para não se emputecer com o próprio time, afinal, insisto, quem tem a força de propor uma reviravolta é ele.

Ah mas o Flamengo…. Pára! O Flamengo propõe uma resistência sim, mas o conceito do Flamengo de coletividade e grandeza é absurdo. Ele não tem NENHUM direcionamento para o melhor do esporte. É apenas Flamengo. E como tal, suas propostas não seduzem parceiros para a guerra.

O Flamengo fez a Primeira Liga, ele mesmo acabou com a credibilidade dela. O Fluminense entrou na dividida com o Fla, e na calada da noite mudou de idéia.  Eurico é fechado com os amigos, não com o melhor pro Vasco, imagine pro Futebol. E o Botafogo se abstém de posição.

Ninguém vai a lugar algum.

Domingo tem semifinal que não vale. Depois final que não vale.

Aí os jogos que valem por um torneio que pouco vale.

Mas valeu 200 reais de alguns otários que foram assaltados hoje em Cariacica.  Mas você, cheio de marra, acha que está protestando certo contra CBF, FERJ e outros representantes da mentira bem contada que é o vitimismo dos clubes diante dessa merda toda.

abs,
RicaPerrone

Acéfalo

Captura de Tela 2015-05-10 às 20.38.36Houve um vencedor no Morumbi. E nem cabe muito avalia-lo além de parabenizar pelo resultado, afinal, sabemos, o time não é esse.  Mesmo com reservas o elenco do SPFC é suficiente para vencer o Flamengo.

Vamos então avaliar o Flamengo, que jogou com o que tem.  E não tem time pra cair, mas tem um dos times mais desequilibrados do país.

Nenhum jogador do Flamengo em campo hoje era capaz de pensar uma jogada. E mesmo se fosse, sozinho não se pensa jogadas trabalhadas.  É um time acéfalo da hora que toma a bola até o último passe, onde normalmente a jogada termina.

Todos os jogadores de frente do Flamengo são carregadores de bola. Portanto, toda vez que o Flamengo tem a bola ele olha pra frente e tenta fazer a ligação pra usar a única arma que tem: velocidade.

Quando o adversário não sai igual louco pra cima dele, não sobra quase nada. O time não pensa, apenas corre.

E aí você pode reclamar do Luxemburgo, como se ele pudesse fazer Mugni e Maia pararem pra pensar o jogo. Mas também são dois caras que correm com ela. Aliás, vou além: Montillo também corre com a bola. O alvo está errado.

Não adianta trazer “um camisa 10”.  O Flamengo não tem o 8 e nem o outro meia pra construir uma jogada. É preciso pelo menos dois jogadores capazes de criar alguma coisa. Que façam a bola correr.

Ou o Flamengo será o time mais previsível do campeonato. Não cai. Mas assim como seu meio campo, não fará nada que todos  já não estejam esperando.

abs,
RicaPerrone