rodrigo caio

Futebol é a Disney revelada

As pessoas tem dificuldade de lidar com esse cenário exatamente porque o próprio futebol ainda não se entregou totalmente ao fato. Mas afirmo com todas as letras que futebol é Disney. Mero entretenimento e sonho.

Qualquer tentativa de dar ao torcedor “a verdade nua e crua” é um tiro no pé. Em nenhuma industria de entretenimento “toda a verdade” interessa e portanto o jornalismo esportivo seguirá em crise juntando cacos enquanto entender futebol como um jogo apenas.

Rodrigo Caio é menos torcedor do que já foi. Ele e 99% das pessoas que trabalham com isso. Simplesmente pelo óbvio fato de que se você entrar nos bastidores da Disney e conhecer o ator que está dentro da fantasia você nunca mais tira foto com ele sorrindo feito um babaca.

E não há nada melhor do que ser babaca quando você paga pra isso.  No estádio, por exemplo, você paga para ser o babaca que gastará dinheiro, tempo e voz para gritar por uns caras que estão ficando ricos e muitas vezes não se importam com você. Mas se eu te disser isso estou jogando contra o meu negócio, por isso não digo.

Ops, acho que disse agora.

Mas enfim.

Rodrigo é um garoto diferenciado. Prefiro de volante, mas joga na zaga. Acho que sair do SPFC faria bem a ele porque quando você vê o futebol com os olhos de outros torcedores e culturas você o entende melhor.

Aguirre é um treinador mediano, quase fraco. E não há mal algum num jogador dar sua opinião.

Vivemos numa era onde pedimos a opinião de todos sobre tudo, mas quando ouvimos nos chocamos. Se não ouvimos, reclamamos.

Condenar o Rodrigo Caio por ele ter uma experiência no futebol que o torcedor jamais terá em ter causado nele o óbvio e natural afastamento da paixão é mais do que covardia. É burrice.

RicaPerrone

Feito time grande

Aguirre parece ter entendido bem rápido o maior problema do São Paulo. O time dele não tem ainda nenhuma invenção tática radical, nem teve tempo pra isso. Mas tem vergonha na cara.

De alguma forma o uruguaio conseguiu tirar o elenco da zona de conforto e os fez entender que o resultado pode até não vir, mas  a briga tem que existir.

O time que perdeu pro Corinthians ostentava uma dignidade incomum nos últimos anos. E ainda que com nova derrota, conseguiu sair de campo sem ser vaiado.

O de ontem foi ainda melhor. Com um a menos, agrediu. Quase venceu. Quando sofria agressão, revidava. Não ficou com medinho de cara feia de argentino e deixou a classificação bem encaminhada pro jogo da volta em casa.

Eu não vou perder tempo falando da meia duzia de argentinos escrotos que chamaram nossos torcedores de macacos e cuspiram neles. Até porque também temos meia duzia de escrotos em nossa torcida, como em todas.

Mas como sempre na Argentina é pontapé, torcida em lugar ruim, catimba, pressão, todo o perrengue extra-campo padrão de um jogo lá.

E como digo há anos, chiliques de Rizeks a parte, o brasileiro precisa sim aprender que respeito é algo que se dá a quem também te respeita. Aqui vai ter tapete vermelho, escolta, torcida isolada, zero pressão e conforto. E se um dos nossos der uma cabeçada no rival, será expulso.

Regra é regra desde que seja contra nós. E enquanto nossa mídia achar o máximo a catimba e a “malandragem” argentina, temos que brigar em campo apenas.

No Morumbi a gente conversa. E se não quiser conversar, a gente também topa. Mas do jeito que for, manda quem pode obedece quem tem juizo.  Tenha juizo, Rosário.

Aqui, não!

abs,
RicaPerrone

Vencedores e figurantes

Sabe qual a diferença entre o Rubens Barrichello e o Mansell?  Um não aceitava de jeito nenhum estar ali pra trabalhar e ir pra casa. Acho que ninguém na Fórmula 1 deve acreditar que o inglês, autor de lambanças inacreditáveis, seja tecnicamente um gênio.

Mas era “louco”. E louco por vencer.

O time do São Paulo de 2004 era frouxo, mas era bom. O de 2005 tinha Junior, Amoroso e Luizão.  Ali estava compensado toda a falta de títulos do restante do elenco. Havia liderança, referência gente com fome e gente acostumada a vencer.

O São Paulo hoje tem 5 jogadores “famosos” em seu elenco. As “referências”.  Rodrigo Caio, Nene, Petros, Jucilei e Diego Souza.

Nenhum dos 5 é um grande campeão.

O Rodrigo não venceu nada ainda. O Petros não tem títulos, o Jucilei idem. Diego Souza tem 2 Copas do Brasil, só atuou em uma delas. Na outra era um garoto que integrava elenco.

O Nenê, embora com carreira internacional, soma em toda sua carreira alguns estaduais e um campeonato francês.

Essa é a referência de um clube grande que obrigatoriamente disputa títulos e é favorito em tudo que entra.  Esse são os caras que inspiram os jovens que vão chegando ao grupo.

E não, não há demérito algum em não terem grandes títulos. Mas o SPFC tem um elenco mal pensado quando não tem NENHUMA referência vencedora em seu grupo. Imagine ter 5, todas acostumadas com a derrota muito mais do que com as conquistas.

O Amoroso de 2018 não será um treinador. O Luizão não virá da base. E não adianta esperar que o Rodrigo Caio vire Lugano, porque não é seu perfil.

O time do São Paulo não é ruim. É apenas um time que não sabe vencer, não tem paixão por isso e que vai embora feliz todo dia as 18h com o salário na conta.

Pra alguns “ganhar” é ser bem pago e cumprir o que lhe pedem minimamente. Para outros é questão de vida ou morte.

No SPFC, há alguns anos, e pode incluir alguns com títulos de pontos corridos, o mínimo está bom.

Mas não está. Pode trocar de treinador mais 20 vezes. Tem gente que quer chegar em casa e dar um video game novo pro filho, tem gente que quer que o filho diga na escola quem é seu pai.

abs,
RicaPerrone

Não vejo tantos fantasmas

Talvez por estar meio desacreditado no ser humano, talvez por ser um cara prático. Mas eu não consigo ver metade dos fantasmas que a maioria vê no caso Jô.

Foi mão. Ponto. Gol irregular e fim de conversa.

A discussão é:  Ele deveria ter se acusado como fez Rodrigo Caio num lance contra ele uma vez?

Eu começo considerando alguns pontos importantes.

  • Não tem “escândalo”, “esquema”, e os caralho. O Corinthians, inclusive o próprio Jô, teve uns 3 ou 4 gols mal anulados no campeonato.
  • Jô teve uns 3 penaltis não marcados no campeonato, nunca um zagueiro se acusou de tê-lo feito.
  • Rodrigo Caio não se acusou e abriu mão de um gol ou pediu falta pro adversário. Ele evitou um cartão por AGRESSÃO que não houve.  É um pouco fora das questões técnicas. O Jô seria advertido por um chute e o Rodrigo avisou que ele não havia dado.

Dito isso, vamos ao que interessa.

Porque espera-se do Jô uma atitude que ninguém tem? Virou obrigação dele ser o primeiro não hipócrita da história do futebol brasileiro a rejeitar um gol importante?

Jô, se pensou em fazer, e eu duvido, pensou e logo lembrou dos pênaltis não marcados a seu favor e gols mal anulados. Alguma vez lhe devolveram um gol?  Então acho que ele tem o direito de se questionar se vale a pena ser o herói do Ivan Moré segunda-feira ou abrir mais 3 e praticamente garantir o título, já que não tem adversários dispostos a disputar o Brasileirão com pontuação próxima mais.

Porque o Jô é obrigado a ser o primeiro?

“Ele não foi! Ele foi o beneficiado com o caso Rodrigo Caio…”.  Calma aê! Até concordo, ele foi hipócrita, fez um discurso todo cheio de politicamente correto e hoje foi testado e não fez na prática.

Mas sabe o que ele deveria ter feito? Dito que pegou na mão e não se acusou por causa dos gols que ele teve anulado. Não dizer que “não sabe se foi na mão”.  Porque ele sabe. Todo mundo sabe.

Aí Jô foi de aceitável parte de um sistema a hipócrita.

Mas ainda assim, hipocrisia não é crime. É apenas um traço comum a 99% de nós, brasileiros, seres humanos, especialmente os que cagam regra virtualmente, como eu por exemplo.

Feito todo esse discurso, eu ME pergunto e sugiro que você se pergunte:  Você pararia o lance, cortaria a comemoração e diria “juiz, fiz de mão?”.

Eu não. E não porque sou desonesto, mas porque não quero ser o otário.  O futebol é um esporte de erros de arbitragem toda semana no mundo todo.  Diferente de todos os outros, é comum e aceitável que um erro interfira no resultado.

Vai você, beneficiado e prejudicado 200 vezes na vida, ser o Chê Guevara da grande área?

Duvido.

abs,
RicaPerrone

Rogério não é louco

Eu conheci o Rogério Ceni quando ele tinha uns 19 anos. Ele era reserva do reserva, jogava vôlei na social as vezes.  Nunca imaginei que ali estava um cara que faria a história que fez.

Rogério é um cara com o ego inflado. “Arrogante”, no Brasil, é o cara que tem conciencia de sua capacidade.  Rogério, portanto, é arrogante.

Tem defeitos. Não gosto de muita coisa que ele gosta. Do Baldassi por exemplo.

Uma coisa que ele não é, definitivamente, é “maluco”, muito menos “burro”. Rogério é um cara que responde as criticas, e isso no Brasil também tem nome: “não sabe aceitar criticas”.

Aceitar criticas, pra nós, é não reagir a elas.  Outro equívoco cultural. Tão grande quanto a covardia que é blindar por medo durante meses e massacrar em bando quando frágil.

Rogério nunca reclamou comigo de algo que escrevi sobre uma falha sua. Mas me explicou todas elas. Eu concordei, discordei, mas nunca fui censurado por ele. E a idéia que tentam fazer hoje de um cara que “não aceita críticas” por causa da reação irônica à mídia é de uma covardia ímpar.

Rogério não está contra que digam que ele é um treinador ruim. Até porque dizer isso em meses é meio impossível.  Mas ser contra que um chute numa prancheta vire manchete 30 dias depois porque foi encontrado pelos jornalistas uma brecha para encaixar uma crise é bem razoável, não?

Transformar os bastidores do famoso “tenho fontes que dizem que”  em novelinha de capítulos diários minando o ambiente no clube apenas quando a bola parou de entrar.  Covarde, não?

Quantos jornalistas queriam dizer que achavam ele ruim, não disseram por medo, e agora blindados pelo massacre coletivo meteram a cara pra detona-lo?

Rogério é chato pra caralho. Concordo.  Mas ele não é louco, nem burro.  O que ele está reclamando é da idiotice, da covardia, do mau jornalismo. Não de quem o avalia como fraco.

Não é um defeito “não saber lidar com a imprensa”. Ele é treinador, não assessor de imprensa. Defeito é a imprensa usar covardemente de fatos insignificantes, oportunistas e fora de contexto para alimentar uma crise e vender click.

Seja ele um grande treinador ou mais do mesmo, nada justifica a novela retrô feita contra o São Paulo nas últimas semanas.

abs,
RicaPerrone

A web de todos os santos

Ao final de mais uma decisão, polêmica. Normal, é disso que vivemos.  Mas essa polêmica passar perto de se cobrar de um jogador o “fair play” de avisar o juiz sobre um impedimento que óbviamente ele não faz idéia se estava ou não, beira a sacanagem.

É a polêmica a todo custo. É a vontade de dar voz a 10 como se fossem 100 mil.  A comparação com o lance do Rodrigo Caio é quase inacreditável.  Mas essa geração que joga FIFA e acha que é atleta por isso não pode mesmo saber a noção que se tem de um impedimento em campo.

E mesmo se tivesse noção, Jô estaria numa situação diferente, em outro patamar de fair play. Talvez se ele tivesse feito o gol com a mão, ok! Caberia a discussão.  Embora eu não tenha a menor dúvida que mais uma vez o discurso virtual é o oposto extremo do bar da segunda-feira.

Eu confio no bar. Ali ninguém dá like, nem o deseja.

O saopaulino odiou o que fez o Rodrigo. Mas fingiu que não, porque é correto dizer e porque não se pode ir contra a corrente.  E hoje, fosse o Jô um santo com ultra poderes capaz de saber sua condição na hora do passe, o torcedor também não ia aprovar.

Mas estaria no facebook falando em “honestidade”, “caráter” e “fair play” por um país melhor, enquanto guarda a carteirinha falsa de estudante que lhe dá 50% de desconto em todos os eventos mesmo tendo largado a escola há uns 20 anos….

abs,
RicaPerrone

O amargo sabor de um grande empate

Assim, sem pensar muito, empatar no Morumbi contra o São Paulo é um puta resultado, não?

Não.  Hoje não.

Porque em 90 minutos o Vasco fez, seguramente, sua melhor partida no campeonato. Calmo, controlando a partida, criando opções, tendo inúmeras oportunidades de ter matado e ampliado o placar após o 2×1.

E com um homem a menos, jogando muito mal, o SPFC era um risco pelo individual. Mas todo vascaíno deveria já ter aprendido neste Brasileirão que o jogo só termina quando o juiz apita. Não fosse isso o Vasco já estaria fora do Z4.

Não está. Mas está perto disso.

E se pra muito vascaíno o jogo de hoje e o empate de quarta-feira simbolizam o “fim do sonho”, eu entendo que a distância que já foi de 11 ter chegado a 4 é um passo a mais pra busca-lo.

Se vascaíno fosse, compraria meu ingresso amanhã cedo.  Não sou, sou sãopaulino, diga-se.

E todo chororô do pênalti se resume a uma condição: A CBF orientou assim? Então foram dois penaltis pro Vasco.

Concordo? Não. Pra mim existe bola na mão, mão na bola e nada mais.  Essa regra é clara no meu entendimento, mas não serei arrogante de achar simples sendo que ha 100 anos se discute a mesma coisa e ninguém ainda chegou num lugar comum.

O São Paulo não pode esconder outra atuação bem ruim com uma discussão sobre um lance. Jogou mal quarta, jogou mal hoje, e não se engane pelo marketing gratuito que a mídia fará ao Osório.  Com ele, o SPFC também sempre foi um time irregular. Capaz de grandes vitórias e derrotas patéticas. Ou seja, pouca coisa mudou.

Mas se eu fosse imaginar um torcedor eufórico com o empate no Morumbi, mesmo diante das circunstancias e especialmente pela atuação, ele seria vascaíno.

abs,
RicaPerrone

O disfarce

Nas cadeiras do Pacaembu havia um tricolor. Escondido em meio ao mar alvi-negro, mandante do clássico, se comportou como planejado durante o jogo para não ser descoberto.

Quando Antonio Carlos fez 1×0 para o adversário, ainda aos 9 minutos, foi tão convincente que aplaudiu em pé o gol do “seu Curintia”.  Em seguida, quando Ganso fez o que fez de onde fez, apenas baixou a cabeça, como que escondendo o sentimento de raiva, que na verdade era de euforia pura.

Luis Fabiano vira o jogo e o tricolor disfarçado aperta o celular com uma força incomum, mas suficiente para aliviar a vontade quase incontrolável de gritar gol no meio “deles”.  Ao contrário, ainda ironiza em voz alta: “Pipoqueiro! Só faz quando não vale nada!”.

2×1, o jejum vai terminar.  Apreensivo, ele olha mais em volta do que pro campo, esperando que um amigo rival o surpreenda e acabe com sua saúde ali mesmo.

Mas neste intervalo, enquanto se escondia e torcia, Antonio Carlos fez mais um gol contra. E lá estava ele, em pé, aplaudindo o gol alheio.

O tempo passa. Aos 33 minutos do segundo tempo, já nem pensa mais em ser descoberto após ótima atuação nos dois gols rivais, com aplausos e socos no ar.  Até que uma bola é levantada da esquerda, cruza toda a área do Corinthians e encontra Rodrigo Caio, o único zagueiro que sabia pra que lado atacar no time, que empurra pro gol.

E então nosso amigo, que tanto disfarçou, não se entrega comemorando o gol. Se contém.  Mas ao ver Muricy voltando pro banco de reservas grita: “Tira o Antonio Carlos, Muricy! Tira agora, pelo amor de Deus!!!”.

E em linha reta, sem olhar pra trás, caminha na direção dos policiais para que seja protegido.  Dali, passou para o setor da torcida do SPFC sob vaias e ofensas. E lá, enfim, pode comemorar a vontade a vitória tão suada quanto merecida deste clássico.

Passou por torcedor rival, é verdade. Mas a partir de agora, ai daquele que do lado de lá não fizer isso nas próximas duas rodadas.

abs,
RicaPerrone