Roger

Intervalo

Eu posso imaginar os dois times no intervalo.  O SPFC tinha o jogo nas mãos e não me refiro ao placar. O Palmeiras estava desesperado em campo, irritado, sem saber o que fazer com a bola e pilhadíssimo.

O SPFC calmo, tocando, sem criar nada mas com 1×0 e sem ser ameaçado.   Aí você vai pro intervalo e o cenário é tão previsível que o segundo tempo surpreende pela virada, não pela postura.

Você sabe que o SPFC ganhando não joga mais futebol. É uma característica do Aguirre desde sempre. Quando ele faz 1×0, o time dele não faz mais nenhum esforço pelo gol. É o jogo pelo resultado e ponto final.

Aguerrido, time correndo e motivado. Mas…. é só por um gol. Dois, se sofrer o empate. E nada mais.

O Palmeiras voltou agressivo com cara de tudo ou nada. E neste caso o SPFC quase sempre toma o gol. Porque a chance do adversário sofrer o segundo é mínima, então que parta pra cima.

Sabendo disso ainda aproveita a péssima marcação do Reinaldo. Está desenhado o óbvio: Palmeiras atacando pela direita, SPFC só se defendendo, e se tomar um toma a virada.

Dito e feito.

Os dois times jogam consideravelmente menos do que podem pelos times que tem. No caso do SPFC sente-se o alívio de ter melhorado, pois o cenário era ainda pior. No caso do Palmeiras, a “revolta” da torcida que espera um futebol grandioso e vê quase sempre o mínimo possível.

Os dois devem futebol ainda.  Um porque não brilha e dele se espera. O outro porque não faz a menor questão de buscar o gol.

abs,
RicaPerrone

Novos treinadores: geração pontos corridos

A nova safra de treinadores do futebol brasileiro é ótima. Já cansei de fazer elogios aqui e pedir que os times parem de andar em circulos contratando velhos mediocres com tanta promessa de brilhantismo vindo de baixo.

Eles tem subido, ganhado espaço e melhorado nosso jogo. Mas tem uma característica em comum muito difícil de gostar: eles preferem a bola do que o gol.

A posse de bola é sim o objetivo numero um do jogo. O que você tenta ter o tempo todo é a bola, portanto não se pode ignorar o controle do jogo quando se tem a bola. Mas me parece que dopados pela Guardiolamania, os times brasileiros estão virando especialistas em pontos corridos.

Não há mais o motivacional extra do grande jogo. Eles pensam com a cabeça europeia de que “pago em dia, voce joga, ponto final”. Isso não funciona com latinos. É uma questão cultural e não profissional.

Os times não abafam no final. Não há coração, mas sim muita razão. E não, isso não é um defeito. A total falta do coração é que é.

O ímpeto pelo gol diminuiu. O drible despencou na medida em que “perder a bola” é o que o treinador menos quer ouvir falar. E portanto as jogadas de risco são menos comuns.

Note como vários times de novos treinadores tem características semelhantes nesse sentido. Todos muito organizados, cheios de toques curtos precisos, mas sem alma. Não tem o algo mais.

É tão bem treinado que parecem confiar mais no que foi ensaiado do que no talento. Eu prefiro que seja a maior parte no ensaiado, mas não tão pouco baseado no talento.

Nosso futebol é técnico e apaixonante. Inconsequente pro bem e pro mal. E tirar isso de nós é mais um passo nada inteligente a comparar com o futebol europeu onde, obviamente, perderemos.

O futebol pensado mais do que jogado nos desfavorece. O “craque” brasileiro é favelado, sem estudo, pouco inteligente. O europeu vem da escola, família boa, estudado e com muito mais capacidade de entendimento do que o nosso.

Tem que haver um meio termo. Ou vamos escalar, em 10 anos, a seleção com Enzo, Pietro, Marcelo Augusto, Pedro Paulo, Ramon, Heitor, Miguel e Valentino.

abs,
RicaPerrone

Grêmio não comprou títulos. Os fez

Talvez pro torcedor a fórmula simples seja um trabalho legal de revelar jogador, somado a um dinheiro em caixa, um treinador bom e pronto. Campeão!

Não, não é assim. Primeiro porque se fosse isso todos seriam campeões e não dá. Segundo porque 99% dos clubes são capazes de aplicar essa fórmula. E nem 1% deles tem sucesso. Então, talvez, não deva ser tão simples quanto imaginamos da sala da nossa casa em frente a tv.

O que o Grêmio fez de diferente?

Desde 2009 padronizou na base a forma de criar seus talentos. Só que somado aos jogadores que ele mesmo criou, iniciou um belo trabalho de buscar jogadores ainda da base de times menores e traze-los para terminar a base no clube e subir com a mentalidade profissional que o clube quer.

Em 2015 Felipão subiu alguns garotos e efetivou outros. Mas não se acertou e acabou saindo. Então veio Roger e o Grêmio campeão de tudo sem comprar ninguém começou a surgir.

O time ganhou um toque de bola absurdamente superior a maioria. Não entregava a bola de graça, era calmo e muito bem organizado. Mas lhe faltava algo mais. E foi com Renato Gaucho que os resultados do bom trabalho do clube vieram a público.

Saiba: Muito clube faz tudo direito e ninguém sabe porque não é campeão. E mais clubes ainda fazem tudo errado e parecem geniais porque a bola entrou.

O Grêmio do Renato ganhou a Copa do Brasil sendo o time do Roger só que com vontade de fazer gols.

Em 2017 o Cortez ganhou a vaga do Marcelo, o Wallace foi vendido e o Douglas se machucou. Renato fez algumas mudanças simples e uma que resolveu o maior dos problemas.

Como seria sem Douglas? O Grêmio viu entre os titulares a solução e Luan deu 5 passos para trás e não apenas resolveu como melhorou o setor.  Barrios chegava com a 9, e a dupla de zaga cada vez mais difícil de furar. Maicon começa a ter problemas de contusão, e surge Arthur.

Pedro Rocha deslancha. O Grêmio é compato e funciona de todas as formas. Do contra-ataque a posse de bola, o time está redondo e continua dando a falsa impressão que se perder uma peça desmonta. Mas não desmonta.

O Grêmio termina 2017 campeão da Libertadores com a perda do fundamental Pedro Rocha. E o gol da final, inclusive, é do seu substituto.

Vem 2018, perde-se Barrios, Fernandinho e Edilson. Entram Madson (Leo Moura), Everton e Cicero (Jael). Segue o baile, Grêmio campeão gaúcho apos quase uma década.

O que esses quadros querem dizer?

  • Não há contratação de peso.
  • As peças foram mudando e em raríssimos momentos o time mudou a forma de jogar
  • Um time que em 1 ano não contrata “ninguém”, perde 8 jogadores titulares e se mantem ganhando e crescendo deve estar fazendo algo que os outros não estão.
  • A base Grohe, Geromel, Luan foi mantida. São os 3 pilares do time. O Arthur embora fundamental, já foi substituido e viu o Grêmio jogar antes dele. Sua saída será como a do Wallace.  Maicon e Jailson continuarão fazendo funcionar.
  • 3 treinadores tiveram papel importante no processo. Os 3 são ídolos do clube. Talvez não seja coincidencia.
  • André acaba de chegar para tirar Cícero do seu papel improvisado. O time de 2018 tem 6 jogadores do título de 2016 e ainda assim mantém padrão.

O trabalho do Grêmio é muito bom, pouco valorizado pela mídia que segue idolatrando compradores eufóricos que vivem entre a euforia da chegada e a crise da explicação do resultado abaixo do investimento.

Futebol na América do Sul não se faz comprando. Quantos Grêmios serão necessários para que os 12 entendam isso?

Enquanto os outros não entendem, o Grêmio deita, rola e, como no estadual, até “finge de morto”.

abs,
RicaPerrone

Roger seria um grande erro

A Globo informa que Roger recusou uma proposta para assumir o Flamengo. E aí eu fico um pouco confuso sobre a direção do clube.

Quem acompanha o trabalho do Roger sabe que ele saiu do Galo e do Grêmio exatamente sob as mesmas críticas: o time tem a bola, toca a bola, mas não define.

Conhecem outro time assim?

Pois é.

O Flamengo buscou como primeira opção um treinador de defeitos iguais aos do anterior na expectativa que ele os melhore?

Me parece um ato em busca de um nome, não de uma filosofia de jogo.

Tem pouco mercado, é verdade. Mas se não tem nada melhor, que busque-se ao menos algo que dê um contraste aos defeitos do time, não que os acentue.

Pergunte a qualquer gremista ou atleticano.  A resposta é a mesma: O time dele tem a bola, toma poucos gols, mas é “pica sonsa”.   É rigorosamente o mesmo discurso da torcida do Flamengo.

Seria uma contratação de um nome que até janeiro me encantava sob a idéia de que o Grêmio era trabalho dele. Passados mais 9 meses, vemos que o Grêmio é do Renato, e o Galo não funcionou.

Talvez Roger não seja o gênio que imaginamos. Talvez venha a ser. Talvez Renato seja sortudo, o Galo tenha sido um azar tremendo. Mas o que temos são fatos, não uma bola de cristal.

E eles dizem que o perfil do Roger é tudo aquilo que o Flamengo não quer. Então porque ele?

abs,
RicaPerrone

A hora que quiser?

O Atlético Mineiro tem o melhor time do país. Acho bem pouco discutível que entre os 11 titulares alguém tenha nomes como Fred, Robinho, Elias, Cazares, Leo Silva, Victor, Marcos Rocha. Enfim.  O que não significa que vá jogar ou ganhar algo por isso.

Entre o bom time e o bom futebol é um elo complicado de encontrar que passa obrigatoriamente com o tesão em fazer o que está fazendo. E futebol só se ganha com olho brilhando. Ainda mais mata-mata.

Atleticano sabe bem disso porque viveu na era Cuca o simbolismo máximo do que cito aqui. E hoje vive, com mais time, o sentimento inverso. Um time de potencial enorme, mas… “pica sonsa”.

A impressão que dá é que o Galo acha que ganha e faz gols a hora que bem entender. Eu nem chego a discordar, mas nunca vi isso dar certo. O time não vibra, toca demais pro lado, corre só quando precisa e não explode em momento algum da partida.

É o equilíbrio exagerado de um caixa de supermercado.  Ele pega, passa, cobra, próximo. Pega, passa, cobra, próximo.  É um processo repetitivo e sem tesão.  Feito pela mera obrigação de se fazer e sem a menor obrigação de ir além.

O Galo tem sim a obrigação de ir além. Se não na tabela, nos 90 minutos pela camisa que veste.  O mínimo possível não é compatível com as expectativas desse Galo.  Se um dia esse time se olhar na cara no vestiário e dizer: “Vamos ganhar”, dificilmente ele não vai ganhar.

Mas a impressão que dá de fora é que eles acham que vão ganhar quando bem entenderem. E a história é muito cruel com esse pensamento.

Já diria o filósofo Luxemburgo: “já comeu alguém com a pica sonsa?”.

E nem vai.

Bota sangue nesses olhos, Galo.

abs,
RicaPerrone

Não esqueçam o quão incrível é tudo isso

Oi, botafoguense.  Escrevo esse texto para não te deixar esquecer de algumas coisas e não exatamente para avaliar este ou aquele jogo.

Vejo euforia, e é justo que haja. Vejo todo prazer em falar em Dubai, título brasileiro, Copa do Brasil e o que mais vier. Sei o quanto é deboche, mas torcedor que sou ainda, sei que a gente sempre acredita.

Impossível não é. Improvável, continua. Mas ao tornar isso uma meta, diminui-se o feito, aumenta a cobrança e se perde no tempo a heróica caminhada deste Botafogo.

Trate-o como time grande, é claro! Espere título. Mas não coloque esse time na condição de devedor, pois o que ele tem até agora é absolutamente surreal, mágico, épico e inspirador.

Talvez o botafoguense esteja entrando no justo piloto automático de aumentar a cobrança conforme os resultados vem aparecendo, mas isso tira o glamour do que temos para aplaudir.  Entre esperar, cobrar e aplaudir esse Botafogo, não vacile: aplauda.

Se ele for eliminado de todos os torneios amanhã, aplauda em pé.  Porque mesmo que sua expectativa tenha triplicado, o resultado ainda é digno de algumas das mais belas páginas da história do clube.

O quase rebaixado está falando em Dubai. Não é provável, nem impossível.  Mas o que já foi feito isenta esse Botafogo de qualquer reação que não sejam os aplausos.

Não esqueçam disso. Nem por um minuto. Eles estão fazendo, no mínimo, o triplo do que o mais otimista de vocês esperava. Aplauda-o.

abs,
RicaPerrone

Ninguém tem tantos motivos

Todo mundo quer ganhar a Libertadores. Do mais favorito ao mais vira-latas dos candidatos, todo torcedor em algum momento se pega pensando em “como seria se…”.

Eu já fui em muito jogo na vida e a maioria deles fico na arquibancada que é onde gosto de ver futebol. Já vi times ganharem e perderem a Libertadores, já vi campanhas e vivi, como torcedor, 3 títulos. Há uma receita pra se ganhar Libertadores.

Mais do que receita, há um ritual. Você deve fazer de cada jogo único. E o ambiente em volta dele deve ser absolutamente voltado para o apoio e a “guerra”.  Ninguém ganha Libertadores vaiando jogador. Nunca aconteceu, nem vai.

É como um jogo narrado pelo Galvão. Ele se torna mais importante só de você ouvir o “bem amigos”. Jogo de Libertadores tem que ter algo que te faça sentir que não é “mais um jogo”, e o Botafogo tem feito isso com muita competência.

Da chegada a saída, dos fogos na entrada aos adereços que levam a torcida a condição de parte da vitória, a noite no estádio pode remeter a qualquer coisa parecida com futebol, mas que é claramente uma Libertadores.

Mas não é a mesma coisa? Se pensa assim, não ganhará jamais.

Tem que querer. E querer não é nem 20% do caminho para conquista-la, mas eu diria que é a mais fundamental parte dele. Nunca houve um campeão de Libertadores apático ou que jogou “mais uma Libertadores”. Ou se joga “a última” ou nem entra em campo.

E esse Botafogo que não tem um timaço, nem sequer corre na lista dos favoritos, tem uma coisa a mais que todo mundo:  motivos.

Porque nunca ganhou, porque não é favorito, porque sofre, porque é o time grande há mais tempo sem um grande título após as boas conquistas recentes do Galo.

Porque sua camisa nunca foi devidamente glorificada como merecia pela ausência de títulos tão representativos no seu momento mais glorioso.

Porque sim.

Porque eram chacota, viraram surpresa, depois desafiantes, agora já são mais do que coadjuvantes e porque não, “candidatos a título”?

Não sei sei haverá elenco, técnica, tática ou força pra isso. Mas eu sou capaz de apostar que ninguém hoje tem mais motivos para querer quanto o botafoguense. E se você duvida, sente-se entre eles por 90 minutos.

Eles não cantam, berram. E quando a bola entra, não comemoram. Desabafam, socam o ar como quem dá na cara de alguém que duvidou e espancam o peito dizendo “isso aqui é Botafogo, porra!”, como quem responde a um menosprezo.

É muita coisa entalada. Por incompetencia do próprio clube, em partes, diga-se. Mas não há um torcedor que olhe pro céu e pense “como seria” com mais brilho no olhar que o botafoguense nessa Libertadores.

Não basta. Mas se bastasse, eu teria um favorito.

abs,
RicaPerrone

Os treinadores

Após a infeliz idéia de Eurico Miranda em anunciar um treinador no dia da maior tragédia do esporte nacional, Fluminense e Galo fizeram o mesmo, só que com um dia a mais pra “aliviar”.

Vamos ao que penso sobre os três nomes:

Roger – Melhor escolha do momento. Fez do Grêmio um time coletivo e moderno, com toque de bola, contra-ataque ensaiado e uma boa noção do que é o futebol hoje.  Gosto muito do nome. Embora não seja ainda um campeão, esse Grêmio finalista é muito dele também.  Ótima escolha.

Cristovão – O Vasco pega um time “velho” e cheio de marra e dá nas mãos de um cara que tem por característica a peda do vestiário. Eu juro que tento, mas é muito difícil entender o Eurico as vezes.  Não faria.

Abel Braga – A volta ao Flu é uma dose de relacionamento com falta de ousadia.  Abel não é um nome da “nova safra” de treinadores que entende o futebol de uma nova maneira. É antigo, mas é um sujeito vencedor, querido, bom no que faz. Eu, novamente, não contrataria. Mais pela óbvia renovação tática que o jogo exige hoje do que qualquer outro motivo.

Acho que é isso. Menos do mesmo e mais ousadia com firmeza. Não adianta contratar jovens nomes pra demitir na primeira crise. É preciso força, comando e confiança.  Os velhos métodos vão gerar sempre os velhos resultados.  Hora de variar.

abs,
RicaPerrone

Roger e a razão

Quando um treinador diz pro presidente que ele não tem mais como reerguer aquele grupo, é melhor ouvi-lo.   O ego, a confiança e até mesmo o apego ao cargo e ao salário impedem que 90% dos treinadores tenham essa atitude e empurrem com a barriga até conseguir a demissão por uma multa qualquer.

Quando Roger diz pra diretoria que não dá mais, acredite, é porque não dá mais.

A lamentação é natural, afinal, ele fez um trabalho incrível. Montou um time sem peças fora de série e foi protagonista onde pode até onde deu. Hoje, parou de funcionar.  Se por desgaste natural do dia-a-dia, por alguma questão tática ou psicologica, só eles sabem. Mas Roger foi grande em entender que ele não poderia dar o choque para reverter.

Funcionará? Sei lá. Nem sabemos quem vem aí. O ponto é que a última vez que vi isso acontecer foi em 2004 quando Cuca abandonou o SPFC sob o argumento de que não conseguia mais reverter o cenário. Parecido com o Roger agora. Em 2005 o SPFC foi campeão paulista com o Leão (e olha que ser campeão com o Leão o trabalho anterior era muito bom), e em seguida Libertadores e Mundial com Autuori.

Quer dizer que o Grêmio vai pro Japão?! Não, porra. Mas quer dizer que se bem trocado o comando o legado fica. Se não colocarem ali um asno de 1930 que queira revolucionar tudo que fez o Roger vindo com as coisas antigas que ele acredita, os frutos vão aparecer e, quem sabe, até com a volta do Roger em breve.

Foi incrível o trabalho dele. Pegou o Grêmio desmontado, levou a Libertadores, foi protagonista, entregou ainda em condições de lutar por Libertadores e com 2 na seleção brasileira.

O desespero do gremista por um título não é parâmetro para avaliar o trabalho do Roger. O que ele fez com um time que não aparecia nem na lista dos favoritos nos últimos 2 anos, sim.

abs,
RicaPerrone

Crescer e não chorar

O Grêmio de Roger foi taticamente superado. Ok, foi massacrado.  Sejamos justos.

O Rosário fez isso com o Palmeiras, mas… ah, é o Palmeiras! Em crise, trocando treinador, etc, etc, etc.  Pois foi a Porto Alegre e fez rigorosamente a mesma coisa com resultados muito semelhantes.

Gráfico de posicionamento médio do jogo de ontem - Veja o Rosário quase no campo do Grêmio.

Gráfico de posicionamento médio do jogo de ontem – Veja o Rosário quase no campo do Grêmio.

 

E era o Grêmio, do Roger, do estádio meio vazio, dos preços abusivos e do time não tão qualificado que ganhou um status técnico que não merece ao conseguir a vaga na Libertadores.

A realidade do Grêmio é de um time comum bem treinado. E isso significa que quando anulado coletivamente, ele pára porque não tem nada especial individualmente.   Mas ontem, caros tricolores, o Grêmio errou até passe de meio metro, e isso não é tático.

Se como reação ao domingo, se num dia ruim, se cansados, se bem marcados, não importa! Absolutamente nada justifica jogadores de futebol jogarem uma decisão em casa, estádio meio vazio, contra argentinos, e sem a gana que esse cenário sugere.

Todos erraram. E o Rosário acertou.  Poderia ser pior, aliás, me arrisco dizer que até merecia.

O Grêmio que sai jogando foi marcado no seu campo. Fim do Grêmio.  Se por um lado não tiveram a ousadia do Audax que entrega uma ou duas bolas por jogo pro adversário fazer o gol, também não tiveram opção.  Ficaram presos ao adversário assistindo ao jogo e sem tesão algum em buscar algo mais.

Enxergo como uma sequencia de decisões erradas. A de usar titulares domingo, a de vender ingressos pra rico e não pra torcedor, e as questões táticas e técnicas do jogo em si.

O Grêmio tinha que ter entrado ontem 100%, inteiro, pronto, focado, sem o desgaste de uma eliminação e com o estádio entupido até o último centímetro.  Ali, pelo menos, entenderiam um jogo que não entenderam.

O grande clube aprende com os erros e os corrige. O clube grande manda o treinador embora e foda-se o projeto, o planejamento e o ideal.

Vejamos que Grêmio teremos na quinta-feira que vem.

abs,
RicaPerrone