Rogério Ceni

Fortaleza faz o óbvio ao invés de cena

Incomum, não absurdo. Absurdo é não compreender a saída. Absurdo é condenar a volta.

O Fortaleza está agindo não apenas com humildade mas com grandeza.  Nenhum dirigente do tricolor é hipócrita de dizer que não teria ido. Apenas comentaristas virtuais acham que é normal dizer não pro Cruzeiro estando no Fortaleza.

Ceni fez o que qualquer um faria. Não deu. O clube não tem motivos pra ter magoa. Apenas inteligência pra entender o cenário, se colocar como menor do que o Cruzeiro, porque de fato é, e chama-lo de volta.

Não consigo ver onde está o problema em ser lógico.

Nem no Ceni em voltar, menos ainda no clube em ligar pro treinador que melhor conhece esse time e saiu por uma causa justíssima.

RicaPerrone

Sem saída

Acho que nos esquecemos de um detalhe. Quando Rogério assumiu o Cruzeiro todos nós discutimos as questões técnicas da troca e não uma possibilidade que poderia – e complicou – o processo.

Rogério era adversário desses caras há muito pouco tempo. E dos chatos.

É diferente.

Talvez seja um cenário ignorado pela maioria, até por ele talvez, que tenha sido muito mais determinante do que parece. Uma coisa é um treinador que não gosto. Outra é um ex-rival que eu não quero.

Ali tá cheio de jogador vencedor, já consagrado e sem compromisso com nada.

Porque? Porque não recebe. Como você conduz um time que não recebe? Como você tira do elenco o poder de rebeldia quando não se tem o salário que é a base da hierarquia nessa relação?

Rogério é vítima de uma carreira recente e de uma dose de falta de respeito de alguns jogadores do Cruzeiro. Não deram qualquer tempo pro treinador, foi um “não” imediato.

O Cruzeiro tem um time incaível. Mas que briga dia após dia pra torna-lo uma surpresa.

Rogério não errou ao trocar Fortaleza por Cruzeiro. Talvez tenha errado, como quase todos nós, ao não considerar esse fator.

Lado bom pro clube: os jogadores vão ter que bancar a “rebeldia” e reverter sem ele agora.

Aliás, a essa diretoria é só o que resta mesmo. Apostar num acaso interno que resulte em combustível. Porque fora isso, depender dela, a série B é mais que merecida.

RicaPerrone

Como é difícil odiar Rogério Ceni

Eu costumo imaginar como é ser a pessoa que disse pra Anitta que ela “não ia a lugar nenhum”, ou a pessoa que eventualmente disse que a Ivete Sangalo não passaria de uma música de sucesso.

Eu obviamente não faço parte das pessoas que odeiam o Rogério Ceni e tentam encontrar sempre um motivo para aliviar seu sucesso ou prever seu fracasso. Aprendi com a vida que tem pessoas que você deve aplaudir, não tentar esperar que elas dêem errado pra você dizer “eu avisei”.

O “avisei” é o que atestado de “coadjuvância” da existência de um ser. Enquanto alguns fazem, outros avisam.

Rogério é um vencedor. Um profissional de rara seriedade e competência e que fatalmente fará coisas boas como treinador pelo simples fato de ser competitivo, inteligente e trabalhar duro. A chance dele não dar certo é pequena, embora alimente os “avisadores”.

Rogério saiu do SPFC para delírio de seu anti-fã-clube e foi para o Fortaleza “pegar experiência”. E pegou a série B, meteu no bolso e subiu campeão.

Levou um ano pro tal do Ceni ser promissor agora na sua nova função. Vai levar mais uns 30 anos para quem espera sua derrota ter alguma paz.

Ceni é muito diferente. Talvez os outros é que sejam muito iguais.

Mas passados 40 anos, não é hora de desistir de esperar o fracasso de quem nasceu pra vencer e dar o braço a torcer?

O cara é foda.

E você, quem é?

abs,
RicaPerrone

O maior do Morumbi

A polêmica surgiu quando um dirigente disse que Raí era o maior. Os mais novos contestaram, o próprio Ceni respondeu lá do Ceará. E então criou-se uma discussão meio boba mas natural de qual dos dois foi o maior jogador da história do SPFC.

Hoje Raí faz aniversário e escolhe esse dia pra dizer, sem qualquer medo de errar, que trata-se do maior jogador  da história do clube. E que isso não diminui nosso capitão Ceni em 1% sequer.

Raí foi a cara de um SPFC que era muito mais São Paulo do que os últimos. Um time que jogava muito mais bola do que corria, que tinha por princípios a postura, ética e grandeza.

Por mais que glórias continuassem a chegar, é muito difícil pra quem viu o SPFC de 80 pra cá enxergar nos mais recentes um time tão identificado com o que de fato somos.

Talvez falte ao novo saopaulino exatamente isso. Noção do que de fato somos. Ou éramos pra ser. Ou fomos um dia. Não sei mais.

O São Paulo “vermelho cor da raça” não existe. Criaram pra você comprar camisa.

De todos os times que tivemos, nenhum jamais nos representou melhor do que o de 92/93. Era elegante, não batia, não arrumava problemas, vencia sem a menor contestação e jogava um futebol ofensivo e técnico.  Era o reflexo do clube.  Eramos nós.

Esses dos pontos corridos, da era 1×0 de bola parada tem seu valor. Mas é infinitamente inferior à importância do clube do que o da década de 90 que de fato nos colocou no mapa.

Raí decidiu todas as finais que participou. Talvez o Pelé não tenha feito isso. O dom do Raí era ser a cara do São Paulo e em momentos de decisão assumir de forma assustadora o protagonismo.

Ganhávamos com uma certeza que nem ouvíamos blá blá blá de arbitragem pra justificar. Era um bullying mudo andar com a camisa do São Paulo.

Raí representava tudo isso. Era o capitão, nosso craque, nosso super herói. O líder do time, da torcida, do clube e sem ter que se meter em uma polêmica sequer. Ele fazia tudo pensado, calmamente, brilhantemente.

Diria eu que Raí e Socrates tiveram as mais perfeitas carreiras para um saopaulino e um corintiano. Enquanto um ostentava o que era, o outro ostentava o que fez.  Raí tinha muito menos talento, e jogou  e ganhou muito mais do que o irmão.

O São Paulo tem menos gente, menos mídia e em 1990 menos tudo. Mas foi maior do que todos. O mais novo dos grandes chegou onde ninguém chegou. E foi pelos pés desse cara, o nosso “Zico”. o nosso “Pele”, que vimos o clube nacional ganhar o mundo.

Tenho 39 anos. Eu não li sobre o Raí. Eu vi, pedi autografo, conheci, entrevistei, chorei na sua venda, também na sua volta. Raí se veste, fala, anda e se porta como o São Paulo que se perdeu no tempo.

Fossemos mais “Raí” até hoje, não viveríamos o cenário que vivemos ao ponto de ter que chama-lo de volta pra resgatar alma e identidade.

Já devemos a ele a despedida que jamais aconteceu. Não podemos dever os créditos pelo que nos deu.

Parabéns, Raí! O maior do Morumbi.

abs,
RicaPerrone

Mais um “culpado”

Rogério Ceni caiu. Era um roteiro simples, bastante comum, previsível até, embora a gente sempre torça para que Renatos e Grêmios aconteçam mais do que Dinamites e Vascos.

O ídolo comandando o clube. A inversão total do sucesso anterior parece simples, mas nunca foi.

A tentativa foi válida, mas surreal quando descobrimos que havia uma multa de 5 milhões pra fazer um teste.  Que teste é esse, meu Deus?

O São Paulo é um clube perdido sem direção desde 2007, quando Juvenal e sua turma assumiram o clube para ganhar campeonato de pontos corridos jogando um futebol de bosta enquanto faziam o que bem entendiam lá dentro.

Os gols camuflam qualquer coisa. O sãopaulino não é diferente da maioria, não vê além do placar. E enquanto os canecos eram erguidos, foda-se tudo.

Eu não sei mais como joga o São Paulo, qual a índole, a linha, os princípios e o norte do clube.  Eu só o reconheço pela camisa e pela casa.

Rogério é mais um encontro do nada com coisa nenhuma.  O clube que não sabe qual a sua filosofia com treinadores que chegam lá e encontram filosofia nenhuma. Logo, em questão de meses, nada dá certo.

A Taça de bolinhas que “sequestramos”, o futebol que deixamos de jogar, as tradições que deixamos de honrar e até mesmo a escrota vontade de ser o que não é, como o “vermelho cor da raça”.

Ninguém sabe quem é esse clube.

Rogério, Dorival, Leco, Juvenal. Tanto faz. Pode trocar mais 200 vezes, em todos os setores e direções.  A única coisa que dá certo no São Paulo é ser São Paulo.

Pegamos uma geração de filhos de conselheiros deslumbrada com o “soberano” e transformamos em “soberba”.  Uma torcida mimada que vê duendes, um estádio que ficou pra trás, um cenário político tosco, com corrupção e expulsão de presidente.  Um time que joga por jogar, que não faz novos ídolos e vive de tentar busca-los de volta.

Podem trazer o Tite, o Papa, o Padre Marcelo. Tanto faz.

Não é quem está ao nosso lado. O problema está conosco.

abs,
RicaPerrone

Você

Eu preciso escrever da a vitória do São Paulo sobre o Palmeiras.  Jornalisticamente, talvez eu devesse avaliar tática, falar do Prass, do Jean, achar “culpados” de lá, heróis de cá. Mas, foda-se.

Eu quero falar de você.

Tu sabe que eu te amo, né? A gente briga, passa tempo longe, as vezes flerta, mas no geral, sendo você o maior causador de alegrias e tristezas da minha vida desde 1978, é bem fácil perceber que te amo.

E eu assisti ao jogo de hoje como um marido que leva a esposa jantar após passar o dia com a amante. Não que eu conheça essa sensação, mas imagino qual seja.

Quarta fui ao Allianz. Hoje cedo à Arena Corinthians. E a tarde meu voo pro Rio me impossibilitava de estar no Morumbi pra te ver.  Porra, tu entende que é meu trabalho, mas mesmo assim me sinto meio filho da puta. Eu tinha que estar aí, né?

Eu sabia desde o começo da semana. Falei pra todas as pessoas: A gente ganha sábado.

Porque?

Porque é você.

Você não sabe ser saco de pancadas. Você não pode ser desafiado em sua grandeza dentro de sua fortaleza.  Uma vez acontece, duas, quem sabe? Mas hoje “PRECISAVA”.  E quando precisa, é você.

Tu fica ai nessa fase sem personalidade que já dura uma década e a gente cansa de você.  É um garoto tatuado, que vira roqueiro, depois entra pro samba, meses depois vira crente. Caralho, Tricolor! Quem é você?

Vai correr feito hoje? Vai jogar bonito feito na Florida? Vamos ser “o time da raça” todo vermelho que um asno branquinho inventou ou vamos ser o time que fomos desde a sua fundação e jogar futebol bem jogado?

Qualé a sua?

Eu to na sua. Sempre estive. E vou morrer abraçado a ela.  Mesmo sem saber qual é, sem entender o que você quer e pra onde você vai, é de uma irritante e absoluta verdade constatar que você ainda é boa parte da razão da minha vida.

Obrigado por hoje.  Levanta daí.

abs,
RicaPerrone

Rogério não é louco

Eu conheci o Rogério Ceni quando ele tinha uns 19 anos. Ele era reserva do reserva, jogava vôlei na social as vezes.  Nunca imaginei que ali estava um cara que faria a história que fez.

Rogério é um cara com o ego inflado. “Arrogante”, no Brasil, é o cara que tem conciencia de sua capacidade.  Rogério, portanto, é arrogante.

Tem defeitos. Não gosto de muita coisa que ele gosta. Do Baldassi por exemplo.

Uma coisa que ele não é, definitivamente, é “maluco”, muito menos “burro”. Rogério é um cara que responde as criticas, e isso no Brasil também tem nome: “não sabe aceitar criticas”.

Aceitar criticas, pra nós, é não reagir a elas.  Outro equívoco cultural. Tão grande quanto a covardia que é blindar por medo durante meses e massacrar em bando quando frágil.

Rogério nunca reclamou comigo de algo que escrevi sobre uma falha sua. Mas me explicou todas elas. Eu concordei, discordei, mas nunca fui censurado por ele. E a idéia que tentam fazer hoje de um cara que “não aceita críticas” por causa da reação irônica à mídia é de uma covardia ímpar.

Rogério não está contra que digam que ele é um treinador ruim. Até porque dizer isso em meses é meio impossível.  Mas ser contra que um chute numa prancheta vire manchete 30 dias depois porque foi encontrado pelos jornalistas uma brecha para encaixar uma crise é bem razoável, não?

Transformar os bastidores do famoso “tenho fontes que dizem que”  em novelinha de capítulos diários minando o ambiente no clube apenas quando a bola parou de entrar.  Covarde, não?

Quantos jornalistas queriam dizer que achavam ele ruim, não disseram por medo, e agora blindados pelo massacre coletivo meteram a cara pra detona-lo?

Rogério é chato pra caralho. Concordo.  Mas ele não é louco, nem burro.  O que ele está reclamando é da idiotice, da covardia, do mau jornalismo. Não de quem o avalia como fraco.

Não é um defeito “não saber lidar com a imprensa”. Ele é treinador, não assessor de imprensa. Defeito é a imprensa usar covardemente de fatos insignificantes, oportunistas e fora de contexto para alimentar uma crise e vender click.

Seja ele um grande treinador ou mais do mesmo, nada justifica a novela retrô feita contra o São Paulo nas últimas semanas.

abs,
RicaPerrone

Ceni, a mídia e o futuro

“Ah mas a mídia protege o Rogério Ceni!”. Sim, é verdade.  Temos medo de falar mal dele porque ele é um verdadeiro maestro da torcida saopaulina e ao responder um de nós, joga toda a massa tricolor contra aquele sujeito. Temos medo dele.

Não é como um treinador que você contesta, elogia e segue o jogo. É alguém que você não pode errar. Um alvo fácil que só tendo muita coragem vai te fazer atirar.

Seu trabalho é bom? Não muito. Começou empolgante, virou conturbado, hoje é bem contestável. Mas entre o massacre ao capitão e as opções há um meio termo. O bom senso.

Goste ou não do que está fazendo o Rogério, ele tem que ficar lá.

Porque? Você é maluco?! Qualquer outro teria caído hoje após o jogo!

Sim, mas o Rogério passa quilômetros de ser “qualquer outro”, convenhamos.

E se o cara foi colocado ali por acreditarem no projeto, na idéia nova, nos conceitos de quem conhece o clube, blinda-se no cargo pelo histórico e pelos gringos que vem com ele, então mantenham!

O Corinthians ganhou tudo porque manteve o Tite quando era óbvia sua demissão. Não comparando, mas é a hora que você sai da mesmisse.

Qualquer clube demitiria o Rogério.  O São Paulo não é qualquer clube e se quiser fugir do lugar comum de fazer “qualquer ano”, é importante que siga correndo o risco que bancou há 4 meses.

Morra abraçado a uma tese, mas morra tendo feito uma aposta. A aposta já foi feita, e recuar agora é excluir uma filosofia ainda nem implementada totalmente para ir buscar… um Mancini? Um Doriva? Um Roth?

Não. Definitivamente, não. Deixa lá o capitão.

abs,
RicaPerrone

É como que um favor

A última vez que eu vi o São Paulo entrar em campo e jogar futebol porque queria foi em 2005. Talvez em alguns jogos do começo de 2006, ainda embalados pelo grupo fantástico campeão do mundo.

Mas em seguida o pragmatismo deu resultados, o SPFC se “Parreirizou” e focou sua existência no ganhar ou ganhar.  Funciona, mas não encanta.  A bola entra, mas não estufa a rede. O caneco vem, mas não marca.

Quem viu 2005 sabe do que estou falando. A soma dos 3 brasileiros não tiveram o brilho daquele time da Libertadores, que jogava rindo, indo pra cima, que fazia gol por tesão e não por obrigação.

Já trocaram 200 treinadores, até presidentes. Nada faz o São Paulo voltar a jogar futebol como que por vocação.  A impressão que se tem há anos e anos é que eles vão jogar porque mandaram.

Venceu, 2×0. Legal.  Diria o Luxemburgo, “é pica sonsa”. E não estou falando de dar carrinho. É outra coisa.

Não te dá raiva, nem um puta prazer. Te deixa ali, meio feliz, meio puto, meio esperando mais, meio satisfeito. Meio. Tudo meio.

Que te falta pra entender que futebol não é só resultado, Tricolor? Ainda mais você, que nunca priorizou as taças ganhas mas sim o respeito conquistado.

Tanto faz. Vai classificar, talvez até seja campeão. Mas… não marca. Não acha um time que te remeta a uma característica especial.

Nem eu sei explicar. Como eles poderiam entender? Foda-se.

abs,
RicaPerrone

Aí não, capitão!

Rogério Ceni está sendo pivô de uma discussão absurda no Morumbi. Segundo o GloboEsporte.com, a empresa Corr Plastik paga 5 milhões pro clube e no contrato prevê o uso da marca pela comissão técnica.  Rogério Ceni estaria se recusando a usar e gerando um desconforto com o patrocinador.

Óbvio, se eu fosse o patrocinador também ficaria puto.

Mas o que me causa espanto é o Rogério, que sempre pregou tanto profissionalismo, se postar acima do clube nessa situção. Se o clube tem o patrocinador X, usará o X e ponto final. Não há jogador que use Adidas nos pés que rejeite jogar de camisa da nike. É simples assim.

A carreira do Ceni é brilhante dentro do SPFC. Mas é um jogador e ídolo apenas dentro do SPFC.  Fora, tem dificuldades. E terá como treinador, manager, o que for.

Ao começar com esse tipo de situação, pior ainda. Porque se nem no SPFC ele aceitar as condiçòes do clube, o que vai ser em outro clube?

O clube precisa impor a situação de forma clara e simples. Vai usar.  Não quer? Então, um abraço.

Regalia é uma coisa. Ser ídolo é uma coisa. Prejudicar o clube é outra. O que há nessa relação de treinador/clube é uma oportunidade e não uma contratação. Rogério ta tendo uma chance, não sendo buscado por ser um puta treinador.

É o mínimo que se espera o cumprimento dos contratos do clube. Quer usar social? Ok. Então negocia e depois usa.  Se o São Paulo perder o patrocinador por conta disso, alguém vai ter que se explicar.  E ao explicar, uma imagem será manchada. Vale a pena a mancha ao invés da logo do patrocinador?

abs,
RicaPerrone