semifinal

Uma chance “perdida”

Não sou nem maluco de dizer que a vitória não é muito boa e que a vantagem é muito importante.  Mas mesmo com os 2×1, acho que o torcedor do Inter deixou o Beira-Rio com a sensação de que podia mais.

E aí cabe um detalhe importante: Não porque joga mais, porque massacrou, nada disso. Aliás, longe disso. O time dos caras é muito bom e o francês joga muita bola.

Mas se contra um time mais organizado como esse você faz 2×0 em duas bolas que desviam e portanto te ajudam, imagina-se que uma desatenção não pode acontecer logo em seguida.

Ainda assim, com o jogo aberto para os dois lados, um deles expulso. Aí o Inter cometeu um “erro” que eu considero muito mais “despreparo” do que erro. Porque com um jogador a mais a única jogada que você vai buscar é o balão na área?  Dava pra ter tentado pelo chão, trocando passes.

Os times mexicanos sabem jogar bola mas não marca tão bem. Achei o Inter preocupado demais com eles e não causando o mesmo desconforto do outro lado.

Mas a vitória é muito boa e o Inter tem plenas condições de sair de lá classificado.  Por alguns momentos no jogo eu vi a final prestes a ser confirmada. E não aconteceu ainda.

Acho que por isso tenho essa sensação de “chance perdida”. Não a de vencer, mas a de resolver.

Lá vai ser duríssimo! Mas eu acredito no Inter.

Veja o quadro de posicionamento médio dos dois times. Quase um espelho.

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abs,
RicaPerrone

Sorria, você está na Vila

Futebol se joga sorrindo.

Se o seu time entra em campo de cara fechada, querendo “matar”, ou meramente para cumprir obrigação, ele não merece vencer.

E pouco me importa a tática, as questões técnicas e os erros de arbitragem. Time que sorri enquanto cria, que dá risada dos dribles que acerta e que comemora gols como crianças merece se classificar pra qualquer decisão.

Alegria! É lazer pra quem assiste, não só trabalho pra quem joga.

Captura de Tela 2015-04-19 às 21.39.17O contraste de Santos e São Paulo é constrangedor. Um time parece estar pagando pra estar ali, o outro sendo pago pra fazer o que não gostaria.

Um deles corre pra tentar fazer diferença e o outro se encolhe pra tentar evita-los. É um confronto desigual.

E mais curioso se torna na medida em que avaliamos ter mais qualidade o time que menos parece disposto a estar ali. Os que ganham mais são menos felizes.

Meninos, até os já vendidos, se divertem com a bola e nos divertem com sua obsessão pelo lance diferente. O óbvio parece não ser suficiente. E não é mesmo.

Um campeonato a menos pro time do São Paulo ter que entrar em campo. Ufa! Que alívio, hein?  Tava “corrido” demais essa coisa de ter que entrar em campo, olhar pra milhares de fãs, correr 90 minutos e ainda ganhar algumas centenas de milhares de reais no fim do mes.

Pro Santos, que faz o que gosta, mais 2 jogos para buscar o “algo mais”.

Justo. O Peixe merecia essa vaga por decisão unanime dos jurados se necessário. O São Paulo a “demissão” do campeonato por justa causa.

abs,
RicaPerrone

Vasco em 180

Deu Vasco. E se desse, sabemos, seria “porque a FERJ quis”.  Odeio finais determinados antes do desenrolar da história, mas tenho que conviver com eles.

Um Fla x Flu seria “apesar de”, um Bota x Vasco seria “óbvio que”.

Eu não quero isolar um lance pra fazer insinuações até porque nunca fiz. E se em 2014 eu não disse o que o vascaíno queria ler, não será em 2015 que direi o que o rubro-negro espera.

Em 180 minutos, o Vasco foi mais prejudicado pela arbitragem que o Flamengo. As duas expulsões incontestáveis ainda no primeiro tempo no jogo de ida dificilmente permitiriam ao Flamengo sair daquele jogo perdendo de pouco num 11 x 9.

E honestamente, isso nem foi tão determinante assim no resultado diante das partidas horríveis que o Flamengo fez.

Não que o Vasco tenha jogado bem. Foram dois jogos tecnicamente de se contestar treinadores. Só bicão, nenhuma jogada, nenhum “treinamento”  colocado em prática na construção de jogadas.

Mas ao final de 2 partidas, a vaga cairia pra um dos lados quase que na moedinha. Ninguém jogou nada. Um detalhe os separaria.

E não me diga que foi “o pênalti”, porque nem Roberto Carlos enumeraria os “detalhes” destas duas partidas que o árbitro inverteu ou se equivocou.

Eu não quero ser o cara que te garante que tudo isso é honesto. Mas eu preciso de muito menos caráter e respeito a você pra te insinuar ou afirmar que não seja.

Estragaram o clima das finais do estadual. Eu quero contar uma bela história e desde antes da bola rolar só se fala no juiz, na FERJ, no Eurico, no Bandeira. Ou seja, em gente que não devia fazer parte da véspera do jogo. Talvez, no máximo, do pós.

Você quer que eu te diga se achei pênalti? Não. Acho que não. Mas também não achei um lance absurdo.

Estive entre as duas torcidas na zona mista do Maracanã. E em momento algum os dois conseguiram olhar mais pra bola do que pro juiz.

Isso sim é uma tragédia, um “erro”, um “roubo”.

No pouco que vi de futebol em 180 minutos, o Vasco foi um pouco mais organizado, mais prejudicado pela arbitragem e pareceu mais disposto a se sacrificar pela vaga.

O Flamengo que começou 2015 tocando a bola e sem dar chutão, não troca mais 2 passes e vive de chutão. Se algo mudou e preocupa o rubro-negro, não deve ser o juiz.

E por favor, não estraguem o que restou do Carioca com novas insinuações pré-jogo que tirem dos jogadores de Vasco e Botafogo o protagonismo das próximas duas semanas.

Deixa a bola rolar um pouco, porque os maiores erros do campeonato carioca até aqui não tem sido de arbitragem, mas sim de passes, cruzamentos, etc…

abs,
RicaPerrone

O momento do jogo

Gosto de encontrar um momento na partida pra criar a partir dele um texto no final.  Hoje, por todos os motivos do mundo, não consegui fazer o post do jogo em cima de um lance. Eram muitos, tive que generalizar.

Mas guardei meu momento especial do clássico para um post só dele: o momento em que Bill caminha para cobrar seu pênalti.

Jobson havia feito sob muita pressão na cobrança anterior. Afinal de contas, se alguém era candidato a vilão naquela lista era ele, o ex-promessa que quer ser ex-problema.

Quando Bill começa a andar a torcida do Fluminense comemora. É constrangedor, mas a torcida do Botafogo sente rigorosamente a mesma coisa e se cala.

Por um momento o estádio teve certeza de estar diante do fim da disputa. E Bill, que é um atacante ruim, que cabe desconfiança e que na minha avaliação técnica não merece a 9 do Botafogo, vai mancando até a área.

Ele ajeita, manca, anda pra trás, mancando e pára.

Eu posso estar enganado, mas apostaria uma grana que as “mancadas” do Bill eram uma prévia justificativa de fracasso.  Ele podia andar, mas se andasse aumentaria sua “culpa”.

Aqueles segundos entre o apito e a cobrança devem ter durado uns 3 minutos. E Bill correu e não enfiou o pé. Bateu com categoria, de chapa, no canto.

Eu, se fosse Bill, enfiaria a porrada. Ou talvez tivesse tido um AVC indo pra bola. Ao marcar o gol, teria mandado as duas torcidas pra puta que pariu. Ele não.

Comemorou aliviado, sem rancor, e voltou pro meio.

Por mais que Renan tenha sido o nome do jogo, em nenhum momento foi colocado sobre seus ombros 10% da pressão que o atacante do Botafogo sentiu nesta noite.

Bill, que continuará sendo grosso e perdendo gols absurdos, mostrou hoje que pode não ter quase nenhuma habilidade. Mas teve uma personalidade e um sangue frio que os outros 21 jogadores no campo não teriam.

Meu cara do jogo: Bill. O grosso.

abs,
RicaPerrone

Estava impedido!

É de enlouquecer qualquer um. O time que sofre por não ter força política entra em campo como vilão do pobrezinho que nacionalmente carrega a fama de ser o mais forte de todos no “tapetão”.

Mando de jogo, ídolo suspenso, torcidas que não vão. Fé, arrogância, superação e um olhar especial pro gato, caso o peixe dê errado. Se passar do ponto, dou pro gato comer e a culpa é toda dele.

Não é. Claro que não é.  Mas o gato vai me absolver.

Porque estava impedido. E que incrível, o botafoguense sai do estádio numa decisão agradecendo a sorte e ao juiz!  Nos pênaltis, sem Jefferson, pelos “pés”  do goleiro reserva.

Ah, vá! Não é possível!

É sim.  Tão possível quanto a reviravolta no jogo onde o treinador do Fluminense ganhava destaque no intervalo por corrigir os próprios erros.

E o Botafogo, cansado, não pode reclamar do calendário e do estadual inchado da sua “parceira” FERJ.

Ora, faça me o favor, Rica! Você não vai falar nada?

Tô falando! Tudo! O que somado não diz nada.

Há uma história a ser contada pra eternidade sobre este jogo no Niltão. Você pode contá-la como quiser. Com heróis e vilões, castelos e bruxaria, ou com o pragmatismo de quem passou mais de 2 horas no estádio e só conseguiu ver o que nem havia visto: um lance irregular.

Passa o Botafogo. Com 11 penaltis pra cada lado, sem pernas, machucado, se arrastando e sem um tostão quando começou o ano.

Talvez você realmente ache que foi tudo armado.  Talvez você acredite em Papai Noel.

Eu acredito. E mesmo que ele não exista, sempre há um presente na minha janela.

Adorei o de hoje. E viva o Botafogo!

abs,
RicaPerrone

O primeiro Fla-Flu contra todos

O campeonato carioca de 2015 ficou marcado pela guerra política nos bastidores.  Queira ou não,  com reflexos em campo ou não, todos se lembrarão do ano em que Flamengo e Fluminense jogaram do mesmo lado.

De um lado do clássico deste sábado tem apenas uma vontade de mostrar superação e conseguir ser finalista após enormes dificuldades.

Do outro, mais do que isso. O Fluminense quer a final, a FERJ e, pasmem, o Flamengo.

Ganhar a vaga neste sábado seria uma das maiores demonstrações de poder do clube, fazendo uso daquele velho bordão que embala torcidas e clubes quando não acham um apelo mais interessante: “contra tudo e contra todos!”.

“Todos”, no caso, sábado, é o Botafogo.

Que menos interessado em política do que o Tricolor, vai a campo do lado que esteve durante toda a polêmica: contra o Fluminense.

E como seria bom se todo confronto político se resolvesse na bola. Não é. Mas nesta sábado, será.

E com um incrível tempero já preparando pra domingo: Seja qual for o resultado, a euforia ou a parceria farão tricolores torcerem pro Flamengo.

É ou não um final de semana histórico?

abs,
RicaPerrone

Valdívia, “a gostosa”

Sua mãe lhe avisou, você não ouviu. Seus amigos lhe disseram, você achou que era inveja. Você mesmo chegou a algumas conclusões racionais avaliando a situação, mas não colocou em prática.

Não é amor. Nem de lá, nem de cá.

Você sabe que ela te usa, que gasta muito dinheiro, que não se comporta bem com seus amigos e que normalmente te deixa sozinho nos eventos.  Sua vida sexual é rara, quase mensal.

Mas quando você reavalia e pensa em se separar, ela sai do banho de camiseta e calcinha, cabelo molhado e te dá o melhor sexo de sua vida.

Por 20 minutos te faz feliz como nenhuma outra faz. E então, mesmo sabendo que nada vai mudar, você se entrega à paixão e ignora a razão para ter, brevemente, algum prazer.

Ela pode ter todos os defeitos do mundo. Você alterna entre momentos que os detesta e outros que finge não vê-los.

E se por um lado a lógica te obriga a buscar um novo “amor pra vida toda”, uma “companheira pra todas as horas”, alguém mais presente e que use menos seu dinheiro, o coração diz tudo ao contrário.

É ela que você quer.

Porque?

Porque não?

Afinal, ela é gostosa. Muito gostosa.

abs,
RicaPerrone

O fator Fred

Todos os minutos do jogo deste sábado nos levam a crer que estamos falando de times muito parecidos, embora em teoria o Fluminense tenha mais qualidade.

Dois times muito bem postados sem a bola, e sem idéia do que fazer com ela quando conseguiam retoma-la.

Este, aliás, é um retrato bastante fiel de um dos problemas do nosso futebol: Aqui, tática é posicionamento. Eles sabem apenas onde devem estar, nunca o que devem fazer.

O bizarro regulamento diz que o Botafogo joga pelo empate. Desde os jogos empatem! Se um deles tiver vencedor e no próximo jogo o outro empatar, pênaltis. Que regra é essa, ó puta que pariu?

Entre as chances que criaram, o detalhe que de fato os separou e determinou o vencedor: Fred.

O Botafogo cria pro Bill finalizar. O Fluminense, pro Fred.

Ambos tiveram chances de resolver, mas apenas um resolveu.

Atuação muito ruim dos dois times ofensivamente. Ninguém criou nada, sem tabelas e triangulações, um festival de chutões pro alto pra ver o que acontecia.

E nada aconteceu.

A vantagem do empate ajuda. Mas a que faz diferença mesmo é quem finaliza pros dois times.

abs,
RicaPerrone

História em jogo

Fluminense e Botafogo fazem um dos clássicos mais antigos do mundo. O simpático duelo deste sábado carrega mais do que uma vaga na final do estadual, mas também o direito de contar uma bela história.

E de história Fluminense e Botafogo entendem. Que clubes zelam tanto pelo seu passado quanto estes? Os dois maiores fãs de suas próprias vidas no futebol brasileiro tem a chance de aumentar a coleção de feitos neste sábado no Maracanã.

Ou alguém acreditou que o Botafogo, que em janeiro não tinha time pra por em campo, nem patrocinador, nenhum centavo em caixa, chegaria a decisão em 4 meses? Alguém daria a ele o favoritismo de ser campeão da Guanabara após a penúltima rodada?

E o que melhora a história é a ousadia. Afinal, quem ajudou a colocar o Fluminense neste confronto foi o próprio Botafogo, que goleou o Madureira e “salvou” o Flu de uma eliminação precoce ainda na penúltima rodada.

E o Tricolor, eliminado até os 44 do segundo tempo da última rodada da primeira fase, está lá. O mais “enfraquecido” dos 4 neste momento, cheio de problemas, jogando pouca bola, mas ainda assim com sintomas de um time capaz de escrever mais uma história de superação.

De um lado um aliado da FERJ, do outro um opositor. O badalado Fluminense do final de 2014, que brigava por vaga na Libertadores, cheio de estrelas, surge como quase surpresa na semifinal diante de um Botafogo destruído, devendo 6 meses de salario e agora campeão da Guanabara.

Um dos finalistas terá uma história incrível pra contar. E o penúltimo capítulo é neste sábado, no Maracanã, as 18h30.

Vai assistir a história ao vivo ou esperar que te contem como foi?

abs,
RicaPerrone

Corintianos

Eu não costumo usar resultados como base principal de análise, especialmente nos juniores. Até porque, conforme comentava no twitter durante a partida, o Corinthians não é um formador de craques na mesma medida que um papão de títulos.

Ele ganha muito, mas não necessariamente faz bom uso do material que tem nas mãos.  Não sei ainda se é o caso desta Copinha, só daqui uns 2 ou 3 anos saberemos. Mas sei que há na base alvinegra uma semente considerável do “corintianismo”.

Eles entram no campo contra um time grande e se impõe no andar.  Pouco importa se ali tem ou não um talento fora de série, que nem mesmo consegui encontrar. Eles tem aquela petulância corintiana de berço, ou melhor, de base.

O 3×0 não diz o que foi o jogo. Mas diz quem vai a final. E como normalmente acontece, conforme estatística, em confrontos eliminatórios entre São Paulo e Corinthians, deu Corinthians.

Sinal que a base do Timão pode até não gerar frutos técnicos individuais brilhantes, mas que já consegue colocar uma “personalidade” neles que talvez explique a quantidade de títulos desproporcional às vendas.

abs,
RicaPerrone