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SPFC desafia a coerência alheia

Há 8 meses era tudo uma merda, todos eram ruins, a diretoria um lixo, o time não prestava.  Veio um treinador que inicialmente não servia, e enquanto serviu todos passaram a rever o time, o trabalho, etc.

Porque futebol não é analisado, é apenas contado.

Quem lidera é foda. Quem perde é ruim. Nunca olharam pro futebol medíocre do time do Aguirre pra ponderar as coisas quando líder. E agora que a bola não entra, nada presta, o elenco é péssimo e quem montou não sabe nada.

É fácil assim.

O time não é ruim, em momento algum jogou um grande futebol e merece críticas. Criticas que sumiram quando a bola entrou, e que agora voltam em doses desequilibradas.

O Raí não fundou o SPFC “pica sonsa” dessa era. O Rocha e o Lugano não inventaram essa fórmula e o Leco também não é o presidente que criou o clube arrogante que hoje vende o almoço pra comprar a janta.

Isso tudo foi criado EXATAMENTE enquanto você batia palmas cegamente porque a bola entrava ao final do tricampeonato.

RicaPerrone

Sim, ótimo reforço!

Mas que dúvida é essa? O SPFC gasta 25% do valor que custou um argentino de cintura dura pra ter um jogador da seleção brasileira em seu elenco e é questionável a negociação.  A do Pratto não foi.

Como falar outra lingua nesse país acrescenta credibilidade. Inacreditável.

Diego Souza é um grande jogador. Some, dorme, poderia ir bem mais longe do que foi. Fato incontestável.  Mas 10 milhões de reais por um jogador que briga por vaga na Copa?  Não, não é um absurdo.

Absurdo é dar 40 no Pratto. Mas o mercado determina valores, não a gente individualmente discutindo num bar.  Vale o quanto alguém está disposto a pagar. E eu pagaria 10 no Diego.

Porque?

Porque se ele estiver naquele ano bom dele, resolve jogo, faz a diferença.  Não é mais um. Ele pode ser mais um, pode ser o cara. E paga-se essa quantia por diversos jogadores que com absoluta certeza serão “mais um”.

Que seja o cara.  Ou mais um.

O São Paulo precisa ter jogadores da seleção em seu elenco, mirar alto, arriscar títulos e não brigar por G16.  Sem riscos Luizão não viria em 2005, nem Amoroso pra meio torneio.  Aloísio não seria titular do Mundial, e talvez o Telê não valesse a pena sendo o maior “perdedor pé frio” do país quando contratado.

Eu também traria. Não há momento mais motivador pro Diego em sua vida do que estar no SPFC e ter 6 meses pra buscar uma vaga na Copa.  Portanto, não havia momento melhor para apostar nele.

abs,
RicaPerrone

Mascotes modernos

O ótimo ilustrador Eddie Souza fez uma releitura dos mascotes dos times brasileiros.  E olha que maneiro ficou! O do Bahia tem um detalhe genial! 

Curtiu? Eu também!

Boa, Eddie!
https://www.eddiesouza.com.br/

abs,
RicaPerrone

Sobre Abel e a Chape

“A violência no futebol”. “A homofobia no futebol”. “O machismo no futebol”.  “O racismo no futebol”. Talvez essas sejam algumas das frases mais fáceis de se encontrar sobre “futebol” hoje em dia.

Mas a violência é social. Reflete-se no futebol. A homofobia idem. O machismo, mais ainda. O racismo, um problema mundial, até mais grave em países mais civilizados que o nosso. Quem diria?

Tudo que há de ruim no futebol é reflexo do planeta, não o contrário.

E o contrário, então?

 

E se o mundo fosse como o futebol?

Talvez a Copa do Mundo explique isso.  É seguramente o maior evento, o mais pacífico, onde mais se confraterniza, único onde religiões e países se toleram independente de qualquer coisa.

O sucesso e a loucura pelo futebol são absolutamente simples de serem explicados a quem o ama. Impossível pra quem vê de fora e nos considera um bando de malucos.

Não é um esporte. Esporte é basquete, vôlei, natação. Com todo respeito, o futebol é outra coisa.

Futebol une. Futebol cria laços entre pais e filhos, carrega o DNA de uma família, move pessoas numa mesma direção pela deliciosa ilusão de nos fazer sentir-se parte da vitória ou da derrota.

Temos nossos bandidos de estimação, é claro. Quem não tem? Mas até uniforme eles usam. É só não se misturar. Já pensou se os criminosos do mundo usassem uma camiseta indicando quem é quem?

Poxa, ninguém seria assaltado mais.

Somos maioria. Demos certo ao ponto de criarmos uma língua para surdos, mudos e de todo e qualquer idioma. Aponta pra marca do pênalti tu vai ver se alguém tem dúvida do que você está dizendo?

Aceitem. Os que não amam futebol são pessoas estranhas, não nós.

Nós somos os caras que fazemos terapia aos domingos no estádio e não numa sala fechada com alguém.  Nós fazemos festa, nós estragamos e salvamos semanas por algo que não temos controle. Nós usamos o futebol de pretexto para juntar amigos, família e ser patriotas, mesmo que a cada 4 anos.

Nós somos loucos. Mas nós somos bons.

Nós aplaudimos, xingamos, perdemos o controle, mas em nossa enorme maioria, somos capazes de atos que o ser humano imune ao futebol nunca foi.

Ira e EUA trocando flores? Só no futebol.

Chapecoense, Abel Braga e a torcida do Sport…  o mundo precisa do futebol. Muito mais do que o futebol precisa do mundo.

Porque se o mundo acabar, tanto faz. Mas se o futebol acabar um dia, o que será do mundo?

abs,
RicaPerrone

 

Quem são vocês pra reclamar?

Na história fica a verdade e para a história fica o que vocês quiserem contar.  Um dia os clubes TIVERAM que se unir para fazer um Brasileirão e formaram nossa primeira e sonhada Liga.

A Copa União de 87 foi seguramente o melhor campeonato brasileiro que já tivemos. Durante o processo político com a CBF, os clubes se uniram e disseram “não”  a um documento assinado por Eurico Miranda, que é um dos que também reconhecem o título óbvio, claro e pouco discutível do Flamengo.

O ponto aqui não é o Flamengo. Podia ser o Inter, podia ser o Vasco, tanto faz. Naquele ano os clubes apertaram as mãos e feito homens disseram que estavam juntos e não jogariam o cruzamento político que a CBF pedia para autenticar a taça. Natural, nem condeno a entidade, pois é um conflito juridico.

Pra ser oficial, tem que ser seguindo os rebaixados e promovidos do ano anterior. E a CBF só poderia fazer isso criando essa fórmula. Só que o campeonato não era dela, e os clubes bancaram isso. Foi lindo. Um momento raro que não mais se repetiu de união e caráter.

Passados 30 anos, onde vocês estão?

Se escondendo pra evitar polêmica, rasgando documento para fingir que não viram ou com vergonha da época em que foram homens de prometer e cumprir mesmo podendo passar a rasteira no outro de madrugada?

Cadê os 12 dos 13?  Porque vocês estão se omitindo diante de algo que todos vocês criaram juntos e, porque só um ganhou, perderam o interesse em bancar?

Meu São Paulo, enorme, criador da Copa União, um dos pilares daquele acordo… você vai rejeitar pra pedir taça de bolinhas? É sério? Agradar um bando de conselheiro fanático é mais importante do que honrar sua história, seus feitos e sua assinatura?

É mais importante e melhor pro seu marketing ter uma taça idiota sem sentido dentro da sua sede do que pega-la e mostrar palavra e postura pro mundo levando pro dono?

O clubismo das pessoas é aceitável, porque o futebol é isso. A gente enxerga qualquer merda pra ver nosso time certo e o rival fodido. Mas quando pedimos caráter, postura, um país mais honesto e transparente, a gente vai apoiar que se vire as costas pra tudo que foi feito e acordado em troca de tacinhas, birrinhas e memes?

Eu não sei bem quem se posiciona de que lado nisso. Mas sei que esses clubes não podem reclamar da CBF, das Federações, da Globo, da puta que pariu.

Nós fizemos o campeonato! Nós não temos o direito de rejeitarmos o campeão do que criamos. Sejam maiores.  Tá na hora da gente crescer.

abs,
RicaPerrone

Quem é sabe

De todas as coisas que envolvem 1987 a que hoje mais me incomoda é o Flamengo fazer questão de ter um documento que comprove seu título.

É óbvio que a geração mais nova desconhece os fatos, a importância da Copa união e até mesmo pede que hoje exista uma, pois era a tal Liga que tanto sonhamos. Não ha NADA de errado com ela. Nem com a CBF ter que cumprir sua papelada. É o óbvio do óbvio.

A justiça vai consultar papeis. E os papeis da entidade maior do futebol dizem que ela organizou um torneio que havia confronto. Mas os clubes não concordaram. Logo, para efeito LEGAL, o título é do Sport pot W.O.

Isso não muda nada. Foi um acordo dos grandes (todos eles) não jogar o confronto criado pela CBF DURANTE a competição em andamento.  E assim sendo, cumpriram o que prometeram.

O Sport deveria agradecer o Flamengo e colocar um escudo do clube carioca em sua sede. Não fosse ele, jamais seriam campeões nacionais nem no cartório, e se aquele Flamengo por acaso resolvesse ser traíra com os outros grandes e ir lá jogar a final, eu prefiro não imaginar o que aconteceria com o Sport diante de Zico, Renato e cia.

Mas Flamengo, pelo amor de Deus, você sabe que no papel a decisão será sempre pro Sport. Porque diabos tanta vontade em ter um documento?

Olha essa foto acima. Que documento importa mais do que esse?

Quem é sabe. Simples assim.

abs,
RicaPerrone

O óbvio, o drama e a falta de ousadia

Se sou treinador do Sport e o Corinthians me chama, faço o “óbvio”. Se a imprensa souber disso, questiona com toda a hipocrisia que um treinador contesta as demissões quando também optam pela troca fácil a qualquer momento. Então temos “o drama”.

O que não encontramos na contratação de Oswaldo é a ousadia.

Porque nada pode ser mais previsível e conservador do que ir no mercado pegar um técnico conhecido, que não é um grande vencedor, mas que é um cara com alguns bons trabalhos e que tenha uma marca no clube.

Mas então eu te pergunto: O Corinthians tem time para ter apenas um treinador a frente dele ou precisa ousar para buscar algo que nem merece pelo elenco que tem?

Cadê o novo? Cadê a tentativa de fazer um Roger, ou um Ricardo (Flamengo)? Porque voltar a 1999 se em 2016 o futebol clama por ousadia e renovação de mentalidade?

Oswaldo é um cara que não faria esse papel? Não acho.  Aos 65 anos, rico, não sei se é o perfil do que buscamos para mudar as coisas. Pode até conduzir o time, mas duvido que vá revolucionar algo tático, algum padrão de treinamento ou deixar algum legado para as próximas comissões técnicas do clube.

Oswaldo, hoje, é um tiro certo, mas é um tiro na coxa. Não mata, só arrasta o problema.

abs,
RicaPerrone

Fluminense “surta” e chega perto do G4

 

Chapecoense 2×1 Fluminense. Fim de jogo, de sonho, de qualquer expectativa.  O torcedor contesta Levir, os “eu avisei” comemoram nas redes sociais e “o ano acabou”.

Três rodadas depois o Fluminense vence Gremio e Corinthians fora, algo inimaginável até mesmo para o mais otimista dos tricolores, e garante os 3 pontos com o Sport em casa.  Pronto, o G4 é logo ali. E se bobear, vai ter G5.

O ano morto renasce. O que ‘acabou’ começa de novo e “agora é pra valer”.  Tem pessimista falando em título, outros pedem Levir em 2017 após pedirem sua cabeça há 2 semanas.  Esse é o futebol, e o futebol, sabemos, é uma das boas crias do Flu.

Não há nenhum argumento aceitável que faça o tricolor imaginar não vencer o Santos e o Flamengo nesta sequência. Nem mesmo insinuar que o Scarpa não seja o melhor jogador da América do Sul.

O que sabemos ainda é que o Fluminense é um time altamente dependente de lances individuais. E os encontrou hoje mais uma vez.   Tal qual o rival, o Flu precisa do Maracanã para decidir o ano.  Esse negócio de jogar “por aí” dá até algum lucro mas não dá identidade e sensação de “dono da casa”.

O Fluminense pode sonhar com G4. Desde que tenha em mente que não pode nem ousar pensar em título.

abs,
RicaPerrone

Terrorismo no Flu

Pode Fred ser o líder de uma facção criminosa que aterroriza seus inimigos no Morro das Laranjeiras?  Pode.  Pode Diego Souza estar fugindo do Rio de Janeiro porque se envolveu com uma gangue de russos infiltrados no morro para chantagear jogadores de futebol? Pode.  Pode Diego Souza ter sentido que fez uma troca ruim pra sua vida, que preferia estar em Recife e que não renderia aqui por não estar feliz? Pode.

Então, pergunto: Porque partimos sempre da pior das hipóteses?

Ouvi muito rádio ontem enquanto voltava de São Paulo pela Dutra e me assustei com a quantidade de “poderia” e “teria” que ouvi durante 5 horas de viagem foi constrangedora.

Em nenhum momento se sugeriu que a verdade fosse verdade. Que Diego Souza preferiu falar com o clube e sair amigavelmente do que fazer meses de corpo mole pra causar uma situação que levasse a sua saída.

Pode ter algo mais? Pode.  Mas porque partir disso se nada indica a isso?

Fred não é um problema no grupo do Fluminense, nunca foi.  Todos os jogadores com quem conversei até hoje em off me disseram ser um puta líder e um grande sujeito.  De onde vem essa onda midiática de insinuar que Fred afasta pessoas do clube?

Porque sugerir tantas teorias malucas quando o mais simples está na nossa frente: Não tava bom pra ele, pediu pra ir embora, chegaram num acordo, e ele foi.

Ponto.

Seja feliz.

abs,
RicaPerrone