thalles

Apenas 3 pontos

O Vasco venceu, que bom! Uma virada sofrida num jogo que era pra ser fácil, com mais uma atuação nada convincente em um campeonato que pouco importa o placar neste momento. Explico.

O Botafogo joga pela Libertadores. O Fluminense por um ano mais regular dentro do possível, o Flamengo sonhando alto e o Vasco não joga por um campeonato. O Vasco joga por algo maior do que 3 pontos que é a sua auto estima.

Cada vez que o Vasco entra em campo o torcedor está pouco se lixando para vencer ou não o Resende no estadual. O que ele quer é ver algum sinal de que o clube de coração dele o orgulhará em breve e não mais repetirá os rebaixamentos.

Não é o que se apresenta.

O Vasco joga mal, corre pouco, não parece entender essa necessidade e faz o mínimo possível. O problema é que o “mínimo possível” não cabe pra um vascaíno.  Talvez fosse o Resende com essa mentalidade, ok! Os 3 pontos seriam suficientes. Mas não é o caso.

Nenê chutando de onde dá, o time dependendo de uma bola dele ou um cruzamento que funcione, e a torcida sabendo que é isso até o fim do jogo. Se tem algo que tira o torcedor do status de consumidor é a falta de perspectiva. E o Vasco não está conseguindo causar expectativa alguma.

Venceu, ok! Mas é Vasco. Machucado, subindo, cansado de apanhar, precisando pisar forte e se recolocar. Não basta.

abs,
RicaPerrone

118 anos em 90 minutos

O fundo do poço não havia chegado.  As quedas não foram suficientes para levar o vascaíno ao mais constrangedor momento de sua história, que foi ver um Maracanã lotado pedindo por um clube pequeno de São Paulo salva-lo de um vexame.

Naquele momento misturava-se a raiva, a paixão, a frustração e o medo. Guardado no peito estava o orgulho que por motivos óbvios não podia ser exposto ali.

O time do Vasco fez um primeiro tempo para selar o pior momento dos seus 118 anos. Apático, andando em campo, perdendo, dependendo de terceiros para voltar a série A.  Torcida xingando, gritando por ídolos do passado e sem nenhuma perspectiva de ídolos futuros em campo.

O intervalo será um segredo eterno da história desde 118 anos. Mas alguma coisa ali aconteceu, e em poucos minutos o Vasco viu o Maracanã vermelho de vergonha se tornar alvi-negro de orgulho novamente.

O jogo virou, o orgulho saltou da garganta incontrolavelmente e toda a raiva ficou escondida pelo amor. Torcedor de futebol é a coisa mais bonita que existe. Ele consegue tirar de onde ninguém mais consegue um sentimento puro e incondicional.  Este sim, incondicional. O dos seres humanos entre eles mudam conforme atos, situações, oportunidades. Esse não muda.

E o semblante dos vascaínos retratava tudo que podia ser dito sobre on Vasco em 2016.  O cara que com as veias saltadas de ódio xingava no intervalo chorava abraçado à camisa e fazia juras de amor ao clube.

Ele sabe, racionalmente, que o Vasco fez o básico do básico e fez muito mal feito. Mas racionalizar futebol é como enxugar gelo.  Além de não fazer sentido, não tem motivos para tal.

O jogo acabou, o sentimento não para, o Vasco voltou. Os problemas continuam, a administração tosca idem. Os jogadores talvez em sua maioria também sigam ali. Mas também tudo que foi construído em 118 anos se mostrou intacto no Maracanã.

Enquanto houver essa quantidade de pessoas com aquele sentimento pelo Vasco, é inabalável sua grandeza. Embora brinquem com ela, ainda passa longe de vê-la derrotada.

O Vasco é enorme.  E se muita gente ali não merecia subir, aquela gente toda que não faz parte DESSE Vasco mas são a razão dele existir, sim. Essa gente merece.

abs,
RicaPerrone

Melhor a dúvida

Hoje teve Vasco na série B.  Como esperamos que aconteça quase sempre em 2014, o time venceu sem grandes dificuldades, mesmo que ainda bem desfalcado.  Mas, com uma novidade que se não determina novos valores ao menos gera dúvida nos antigos.

Marquinhos, Yago, Thalles, não é possível ainda determinar se falamos de craques, enganadores, jogadores comuns.  Sabemos quem é Barbio, até onde pode ir. Já conhecemos o futebol do Reginaldo, do Felipe Bastos, de tantos outros com uma história no futebol.

Adílson, que de acordo com essa história é um treinador pra lá de comum, escalou um time com 2 garotos abertos e outro centralizado no ataque.

Na dúvida, melhor duvidar.

Sim, pois não tenho dúvida do que faria o Barbio no jogo. Tenho todas as dúvidas sobre o que fariam Marquinhos, Yago e Thalles.  E isso já me basta como argumento para escala-los.

O 3×0, como a maioria dos jogos daqui por diante, dirão pouca coisa. É um F-1 correndo na Stock Car, o Vasco não pode ter dificuldades pra subir. E se é pra “cumprir o óbvio”, que o faça correndo riscos de encontrar algo brilhante, não insistinto na certeza do mediocre.

Mais garotos! Mais chances de errar. Tanto quanto de acertar.

abs,
RicaPerrone

Acéfalos

Ah, o charmoso estadual do Rio.  Para míseras 12 mil pessoas, cobrando entrada de cinema em sala VIP a mais barata das entradas, numa fórmula estúpida de um torneio falido.

Quem será o gênio que decide isso?  Não mais inteligente que quem assina e concorda, diga-se.  Ou, daquele que assina, concorda, vê a merda que fez e cobra caro pra que mais gente vá cheirá-la.

É inacreditável.

Mas teve jogo. E o problema persistiu. Se faltou cérebro pra quem o organizou, idem pra quem o disputou.  Muito atacante, volante, pouca gente que sabe jogar futebol.

Douglas e Conca.  Simples: Marque-os e teremos um festival de bicos pra frente e cruzamentos.

São as únicas duas peças de armação em campo. Num jogo de decisão, com cara de coletivo, futebol de muito mais tensão do que qualidade.

Melhor pro Flu, é claro. Joga pelo empate a próxima.  Mas o Vasco não jogou mal. Ao contrário, acho até que melhor que o Tricolor.

Fez o gol de empate numa jogada onde os 3 que entraram no segundo tempo tocaram na bola. Prova que Adílson mexeu bem, e também que escalou mal. Escolhe aí.

Todo espetáculo feito para um público cai de nível quando não tem o público. É um circulo, não acaba. Sem qualidade, sem público. Sem público, pior a qualidade.

A roda vai travar e virar ao contrário se conseguirmos encher o estádio a 10 ou 20 reais. Não esperando que o Pedro Ken passe a jogar a bola do Juninho.

Mas pra entender essa lógica é preciso mais do que “um meia de ligação”. Dentro e fora de campo.

Um Vasco e Fluminense para esquecer, ensinar e rever.

abs,
RicaPerrone