torcida

O Brasil é um hospício

Deve ter se passado uns 30 anos desde que o Brasil entendeu que violência no futebol é responsabilidade coletiva. Desde então os casos continuaram e nada mudou. Porque será?

Será que mesmo vendo a campanha na tv “somos todos torcedores” os marginais não pararam de brigar? Ora, que surpresa!

A distância que ha entre imprensa, justiça, opinião popular e o crime é tão surreal que em 2 dias de arquibancada qualquer idiota percebe.

Discute-se a violência no futebol. Não há violencia no futebol.

A violência é nacional, social, 24/7. Vai acontecer no estádio do mesmo jeito que no bar, no shopping, em qualquer aglomeração onde marginais se misturem a uma massa.

O marginal é frouxo. Ele nunca faz sozinho com a cara limpa. Sempre em bando pra que punam o bando, nunca ele. E então, encoberto por otários que topam pagar a conta dele, ele repete. Repete. Repete. Repete. E quando morre um, foi “a violencia no futebol”.

Não fode. Foi a justiça brasileira e a burrice coletiva midiática que não consegue enxergar haver nisso uma dose de crime organizado com outra de verdadeiros bandidos que isoladamente não fariam se existisse um cpf em questão.

Mas não há. Querem punir alguém, não importa quem. É mais fácil e impactante acreditar que tirando do ˜torcedor” a entrada no estádio você o puniu. Burrice. Ele não está nem ai.

Será tão dificil notar que repetir a ação por 30 anos e não ver resultados indica uma ação errada?

Que diabos tem o Sport e seus 99,9% de torcedores de bem com isso?

Segue o circo. Os palhaços não tem mais esperança. Quem sabe amanhã numa campanha de tv conscientizando quem não precisa o bandido veja e pense “poxa nao vou mais brigar então”. E então, a paz reinará. Mas só no estádio. Na vida, seguimos convivendo com crime. Mas no estádio a gente vai impedir com uma campanha ou uma punição em massa atingindo 99,9% de inocentes pra buscar 0,01% de culpados,.

Rica Perrone

Vocês não tem o direito de desistir

“Prometo estar contigo na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, amando-te, respeitando-te e sendo-te fiel em todos os dias de minha vida, até que a morte nos separe.” 

Se você não disse isso ainda pra alguém, um dia dirá. E se disser, não vai cumprir. Casamentos acabam, amizades acabam, carreiras são trocadas, até mesmo de sexo se muda. Mas o time de futebol não é uma alternativa aceitável pra trocas. Homens não mudam de time. E se mudam, não são homens.

É seu único casamento que com certeza será pra sempre. E assim sendo, cumpra o prometido.

Tá doendo? Tá. Tá com cara de tragédia? Tá. Mas e daí? Quando tava ganhando você tava lá. Agora é ele que precisa de você, não você que está gozando com a vitória dele.

Torcedor bom vai quando PRECISA. Torcedor comum vai em jogo bom ou quando está legal fazer parte.

Eles estão em pânico. Tá tudo dando errado. Mas se você não notou o Botafogo ainda é líder e faltam 6 rodadas.

Se não vier da arquibancada o voto de confiança, de onde virá? Se a casa não estiver cheia, mesmo que seja em outro estádio, qual o recado será dado?

Avise-os na prática que vocês estão ali ainda. Porque quando torcidas como Corinthians ou outros rivais lotam um treino ou uma porta de CT pra apoiar todos acham lindo. Então faça.

Bota a cara, usa a camisa, acredita e tente ser parte do processo de reverter isso. Baixar a cabeça e desistir é exatamente o que o Botafogo tenta se livrar há décadas. Comece por você.

Qualquer gesto de confiança ajuda. Numa rede social dos jogadores, agindo na quarta como se estivesse tudo bem, ou que seja usando a camisa na rua. Mas o Botafoguense não pode desistir antes do time.

Eu conheço jogador. Só tem uma coisa que mexe com eles: o estádio.

Jogador é mercenário? Ok, muitos. Não tá nem ai? Alguns. Mas não tem um ali que seja indiferente a vocês. Todo mundo quer a mesma coisa.

Não é pelo terror que eles correm mais. É pelo amor.

Se você abandonar o líder do campeonato faltando 6 rodadas não é exatamente o time que é pipoqueiro. Você não será diferente.

Torcedor que paga ingresso pra cobrar não entendeu nada. Pague ingresso pra jogar. E então você terá a honra de dizer “nós” quando o caneco vier, e não “eles”.

Vocês não tem o direito de desistir. Mesmo que percam, morram atirando e não tomando tiro nas costas por terem corrido da batalha.

Tá ruim. Mas ainda tá ótimo. Olha pra tabela. Agora é simples. Ou você é parte da queda, ou do título.

Escolhe.

RicaPerrone

O Natal, a Copa e o “idiota”

Eu odiava o Natal.

Dos meus 39 anos devo ter passado uns 15 reclamando, relativizando, contestando e tentando evitar o Natal. Não sou religioso, acho sim uma festa meio hipócrita no sentido de juntar pessoas que nem se gostam tanto assim em nome de um Deus que eu mesmo nem acredito.

Mas após tantos anos “perdendo” o Natal e vendo os outros curtirem, descobri que só havia um idiota na história: eu.

Que mal pode haver numa data que, seja lá sob o argumento que for, une pessoas, as faz celebrar, beber, rir, se reunir, se presentear e desfrutar da vida?

Não tem qualquer sentido odiar o Natal. Foi seguramente uma das maiores perdas de tempo que cometi na vida. Não porque eu não tinha razão, mas exatamente pelo fato de querer tê-la.  Era mais fácil não ter e ser feliz do que tê-la e ser o diferente.

A Copa começa hoje. Os discursos sobre “pão e circo”, os relativizadores e os “nem ligo pra seleção” surgem de bueiros para gritar ao mundo que estão ali.  Eles querem argumentos, teses, razão. E juro, talvez até tenham.

Mas não há qualquer argumento aceitável que te faça renegar o prazer único de estar por 30 dias em festa, criando expectativa, encontrando amigos, reunindo família, bebendo e comendo, sorrindo, cantando, torcendo junto de quem sempre foi seu rival, e ainda por cima com uma dose de orgulho que raramente podemos ter de nosso país.

A Copa do Mundo é um Natal esportivo.

Talvez a seleção seja como “Jesus” pra mim. E eu não preciso acreditar nele ou ter qualquer devoção pra entender que é importante pra você, te faz melhor e que nos faz viver algo especial.

Então, se por “Gabriel” ou “Cristo”, tanto faz. Se estivermos felizes, valeu a pena. E não ser feliz sob qualquer argumento é um erro.

Então seja.

Abs,
RicaPerrone

“Que homem!”

O rubro-negro quando feliz brinca sobre Diego dizendo “que homem!”.  Afinal, para elas ele é lindo. Para eles, se dedica, é profissional e joga muito.  Para uma dúzia de imbecis dispostos a quebrar patrimonio alheio por causa de futebol, não.

Esses acham o Diego um merda.  Para eles, por ser a personificação do “new Flamengo”, ele deve pagar a conta. Já escrevi sobre isso. E mesmo entendendo que alguns pensem assim, é absolutamente inexplicável o destempero humano que acompanha o Flamengo.

Seu torcedor é o mais fácil do mundo. Ele se convence que o Diego não presta na mesma velocidade que o pede na Copa do Mundo. Hoje, após o episódio do aeroporto, Diego fez o que a imprensa não consegue fazer há 50 anos. Separa-los.

Eu vou me usar de exemplo pra não atingir terceiros. Eu provavelmente no lugar dele mandaria a torcida tomar no cu após o gol. Não porque eu ache certo, mas porque meu nível de vingança e “fala agora seus cuzão!” estaria tão alto que eu seria incapaz de pensar em algo fofo, inteligente e de frutos imediatos.

O cara correu o campo e um destemperado como eu já pensava: “vai manda rola pra torcida…”.

Mas não. Ele foi lá e abraçou os caras. Porque?

Porque ele é assim. Ele pensa, as vezes até demais. Ele calcula, tanto que nem se identifica com a loucura que é ser Flamengo. Ele tem calma, coisa que rubro-negro nenhum no mundo tem.

Ele sabe que bastava um gol, duas vitórias e em 1 semana o Flamengo pode estar líder do Brasileiro, classificado na Libertadores e encaminhado na Copa do Brasil.

E aí é “aeroFla”, cheirinho, hepta, a porra toda.  Porque mais inteligente do que a maioria de nós, ele não quis desabafar. Ele quis ser o marco de qualquer possível conquista deste Flamengo católico de 11 filhos únicos.

Se funcionar, ele será o cara que abraçou a torcida na hora do racha. Se não funcionar, ele será aliviado porque não reagiu, ajoelhou e deu à nação o que ela mais adora: o status de soberana no clube.

Diego é um craque. Se não com a bola, com a cabeça. E não me refiro ao gol.

abs,
RicaPerrone

Punir o clube é punir o futebol

Eu nunca entendi bem a relação segurança/clube no futebol.  O clube é responsável pelo jogo mas a segurança é feita pela polícia, logo, não é dele. E embora ele seja o organizador, a parte fundamental de logística de segurança ele não determina.

Então de quem cobrar?

Vou usar exemplos simples:  Quando o Grêmio é expulso da Copa do Brasil por racismo, comete-se um erro brutal.  Se dá o poder a 20 elementos de eliminar o sonho de milhões e o trabalho honesto de um clube, grupo, elenco, diretoria, etc.  Se há o vídeo, se há como saber de onde partiu, porque eliminar 3 milhões de torcedores e não procurar os 20 ou 30 elementos?

“Pra dar exemplo”.

Que bosta de exemplo! Punimos todos porque somos incapazes de identificar e prender aqueles que todos nós sabemos quem são. Exemplo de incompetencia do estado. É o único que foi dado.

Quando acontece dentro do gramado, aí é um problema mais ligado a organização do evento. Ok. Vamos relevar problemas como Boca x River, por exemplo.  Até cabe a discussão de punir o clube.

Mas quem é que cuida da segurança de uma possível invasão ao estádio? A polícia, até onde sei. E então como você pune 30 milhões de pessoas porque 300 das quais sabemos de onde vem, que roupa usam, onde combinaram e até onde ficam na arquibancada, invadiram um local?

Até que página o Corinthians é responsável por um torcedor levar um sinalizador e soltar na Bolívia?

“Ah mas se punir o clube esses marginais vão ter que parar porque está prejudicando o time deles”.

Jura que vocês acham que esses caras tem algum critério de amor a clube que possa fazer dele um “não marginal”?  Essas regras são aplicadas há decadas. Se tira mando, torcida, pune, multa, elimina…. e?  Nada.

Porque diabos não se usa a primeira a simples opção: identifica uns 40, prende e não solta. Jogo seguinte, prende mais 5 que fizeram merda no estádio e não solta.  Quer ver como eles param rapidinho?

São como deputados. Roubam porque tem mil formas de escapar. O problema é social e atrelado a impunidade. Não a Flamengo, Vasco, Santos, Gremio… Eles só usam o futebol e a multidão para esconderem seus crimes.

Quando você dá uma punição esportiva a eles, você dá o direito de que 200 marginais representem e tomem de sequestro uma entidade esportiva que carrega milhões de pessoas de boa índole. É a vitória maior deles.

O que aconteceu é absurdo, lamentável, etc. Mas me diz: Como o clube poderia evitar que 300 marginais sem ingresso invadissem o Maracanã além de avisar a polícia que aconteceria?

Eu honestamente não entendo essa relação. São todos liberados, a polícia dá porrada pra todo lado sem o menor critério e tudo bem, os bandidos respondem em bando e ficam todos livres e o clube perde mandos.  Resolvido!

Mas que puta solução idiota.

E segue o enterro. Ou você acha que o futebol é capaz de se blindar de um problema social? Num estado em guerra, uma cidade onde há aplicativos para avisar onde tem tiroteio, a polícia mal recebe, os moradores de comunidade pedem ajuda a traficante e não a polícia por segurança, e você espera que o Maracanã esteja livre de invasão de marginais?

Meus caros, eles vão fazer mais 300 vezes até que a justiça os torne João, Pedro, Rogério, Marcos, e não mais “a torcida do….”.

Punir clube é punir a gente que ama futebol. E seja você um doente torcedor rival louco pra ver o Flamengo “se fuder”, não seja bobo, amanhã 30 marginais da sua organizada atiram uma pedra num dirigente e quem tá fora do campeonato é você.

Eles só mudam a camisa.  O que a justiça no Brasil não consegue entender é que eles USAM o futebol pra cometer crimes e não os cometem por serem amantes do futebol. Punir o futebol não atinge esses caras.

Mas atinge a nós, torcedores de bem.

abs,
RicaPerrone

Chapeuzinho vermelho

Dizem que é mídia, lenda, história bem contada.  Desesperados com a virada após a prévia gozação, contestam o maior patrimônio rubro-negro como quem briga com a capacidade de pilotar um carro de Ayrton Senna.

“Não cantam”. “É flapress!”.  “Tem que cantar 90 minutos”, Blá, blá, blá…

Eu não sei quem criou o manual de torcidas modernas, mas eu acho um saco. Torcidas reagem diferente, e o Flamengo é céu e inferno o tempo todo. Isso implica em ir das vaias ao apoio em uma bola na trave.  Gosto não se discute, mas a cultura de um clube vencedor e de um cartão postal do país estabelecido por méritos apenas se respeita.

Essa história que “inventaram” sobre a torcida é tão bem contada que até os jogadores compram. Todos eles falam sobre “jogar no Maracanã contra a torcida do Flamengo”.  Todos eles sonham em correr pra torcida do Flamengo. Talvez eles sejam comprados pela FlaPress, talvez sejam a referência que precisam para confirmar o óbvio.

A virada é fruto de uma torcida bipolar. O empate, de um time pressionado pela mesma torcida que ali cobrava.  São malucos, mas são malucos à sua maneira.

“É tudo histórinha”.  “A Globo que inventou!”. “Nem é tudo isso!”.

Pode até ser que seja. Mas fato é que Chapeuzinho vermelho está na boca do lobo mais uma vez.  Goste ou não, a história vai trocando gerações e mantendo seu final.

Do inferno ao céu. Da quase crise ao quase em Tóquio.

  • Que torcida enorme você tem, vovó…
  • É a mídia, chapeuzinho. É a mídia…

abs,
RicaPerrone

Nunca mereceram tanto, mas…

Eu acho que nunca vou conseguir saber se em 2017 vimos o saopaulino de fato invadir o espaço dos “finalistas” e empurrarem o time contra a queda ou se todos, até os “de final”, entenderam o processo e sentiram o peso de ter que ajudar e não só de ir pra festa.

Seja lá como for, o ano que todos chamam de “trágico” tem algo histórico e que pode refletir no futuro do clube. Uma torcida que sempre esperou o título hoje sabe poder ser parte dele. E isso pode deixar o SPFC ainda mais forte.

Eu sei que a torcida surpreendentemente esse ano merecia a vaga na Libertadores. Mas se for só por torcida o futebol surta. Infelizmente a realidade triste é que o São Paulo como time não merece vaga a nada, aplauso algum, nem mesmo ser feliz por nào ter caido.

Alguns, como Hernanes, salvador da pátria, sim. Mas o clube, o time, não. Esses merecem vaias e cobrança, que aliás, é o que sugiro ao torcedor agora que a queda não existe mais.

Esse time não pode sair vencedor do ano. Tem que sair vaiado. Foi ridículo. E com todos os problemas de diretoria possíveis, como elenco, como futebol apenas, esses caras podem dar muito mais pelas condições de treino e jogo que lhes são dadas.

Se milhões de saopaulinos mereciam ir a Libertadores, uns 30 caras não. E são eles quem decidem.

Não lamentemos. Lembre-se que torcemos por um clube “cuja grandeza não consiste em ganhar títulos e sim merece-los”.

E essa, nós merecemos. Mas eles não.

abs,
RicaPerrone

O combustível

Se imagine ator. Você entra no teatro e tem 40% de lotação.  Você fará seu trabalho, é claro, mas não fará o seu melhor. Simplesmente porque a primeira reação que você teve ao pisar no seu local de trabalho foi de frustração.

Aquele público te diminui. Te diz que você não é esse sucesso todo e inconscientemente você produz menos do que poderia.

Quem me explicou isso uma vez foi um amigo ator. E logo levei ao futebol. Quando perguntei, na mesma mesa, para um jogador e um treinador, ambos concordaram que era “exatamente isso” também no futebol.

Um estádio vazio é a garantia de um jogo menor. Toda vez que há um estádio cheio, o jogo tende a melhorar pelo simples fato de haver platéia.  Jogador de futebol vive de vaias e aplausos, e todo jogo que gere interesse é também de maior intensidade.

No Pacaembu, ontem, o ex-morno São Paulo empatou um jogo que deveria vencer. Mas pelas circunstancias, esteve perto de perde-lo.

Não fosse o estádio cheio, o ambiente de grandeza a sua volta, fatalmente o 2×0 viraria vaias, “olés”, melancolia e explicações no final.  Um jogo de futebol tem todo seu sentido na arquibancada. É pra eles que jogam, é pra lá que correm no gol, é pra lá que se viram pra pedir silêncio.

Um jogo sem torcida perde mais do que uma torcida sem um grande jogo.

abs,
RicaPerrone

Cobrando errado

Eu vou insistir, pois toda vez que parte da torcida do Botafogo faz de um momento ruim uma auto-crise, eu fico incomodado pelo tanto de espaço que se cria para ela de fato existir.

Nunca fui contra a vaia. É um direito de quem  VAI AO JOGO. De quem não vai, no twitter, no facebook, de nada adianta. Hashtag não faz efeito em vestiário.

O fato que me faz combater essa vaia é a auto-crise.  É olhar o corintiano viver um momento turbulento no ano e perceber que ele pode dar a crise de presente à mídia ou evita-la. Ele mete 30 mil pessoas num treino e a evita.

O saopaulino, longe de ser referencia de torcida ao longo dos anos, hoje juntou todo mundo pra não cair, e não caiu.

Não vou tentar fazer uma torcida acreditar no poder dela mesma. Mas vou morrer tentando explicar que futebol não é video game. Eles cansam, sentem, perdem, ganham, se machucam e não conseguem jogar sempre a mesma coisa. Em um ano TODOS os times grandes do país oscilaram momentos bons e ruins. O do Botafogo veio agora.

E quando vem, após um ano calando a boca do mundo, o time é cobrado por “fazer corpo mole”.

Senhores, um minuto de sua calma. Corpo mole? Esse time extremamente comum que fez algo muito acima do comum por 14 meses agora vira um time de “vagabundos” em meia duzia de jogos?

Faltam alguns pra acabar o ano. Você pode ir cobrando deles, protestando até dezembro e no dia 4 dizer “eu sabia que ia dar merda”, ou repetir  o apoio da Libertadores e evitar a merda.

Meu ponto é simples: Não é hora.

E esse grupo tem a credibilidade conquistada de não ser acusado de não correr. E aí logo vem um botafoguense e me diz:

– Mas Rica, Corinthians e São Paulo são campeões sempre! Eu não aguento mais …

Ok, tem razão.  Mais um motivo pra fazer como suas torcidas fizeram.

Neste momento você tem meia duzia de jogos pra decidir se cobra ou empurra.  Eu acho uma burrice cobrar, uma injustiça insinuar corpo mole. E o resultado disso é uma crise batendo na porta e vocês ajudando a abri-la.

Seis jogos de apoio não vão matar seus ideais. A Libertadores na vida do Botafogo não é comum, tal qual o G4, algo que de 95 pra cá aconteceu uma vez só.

Estão cobrando do Botafogo atual algo que outros bem melhores não fizeram. E ajudando que neste final não o façam.

Eu vaiaria dia 3 de dezembro. Correndo risco de aplaudi-los. Vaiar agora é a certeza de vaiar dia 3.

abs,
RicaPerrone

Luans e Pedros

Eu cheguei à Arena por volta de 15h30.  Vi quase todo mundo chegar, acompanhei o ritual pré jogo entre um bar e outro, rodeado de amigos gremistas super gentis e dispostos a me apresentar ao mundo deles.

Não havia nenhum oba-oba, pelo contrário, havia apreensão. Ninguém perde Luan e Pedro Rocha e acha que está tudo bem.  Sem eles o Grêmio perde consideravel poder de fogo, e o entendimento disso na véspera era claro.

Cheguei a acha-los pessimistas. Mas na real era uma dose de respeito ao bom momento do adversário com a exata noção de que lhes faltavam os seus melhores jogadores.

E então existem tipos de torcida, e a do Grêmio resolveu jogar.

Talvez tenha passado despercebido, mas 2 minutos antes do gol a torcida do Grêmio viu um chute a gol do Botafogo e, do nada, sem qualquer combustível para se inflamar, o fez.  E fez porque viu que precisava, não porque a euforia os motivava.

Quando digo que “torcida que canta o jogo todo” não tem tanto efeito, é disso que estou falando. Trilha sonora não muda o ambiente. Reações espontâneas mudam. E o Grêmio acendeu minutos após sua torcida ter tido um surto voluntário de incentivo. Esse, o que sai do silêncio, que impacta o ambiente, tem mais efeito sobre o jogo.

A bola entrou. O estádio virou um inferno, e o Botafogo não tinha como se impor.  O favorito era o Grêmio por jogar em casa, por  ter mais time, mais tradição no torneio e por ter um som ambiente perturbador pra quem não vestia azul.

Luans e Pedros cantavam e pulavam aplaudindo a catimba que agora irritava quem a fez em todo primeiro tempo. Luans por todo lado, Pedros em todas as cadeiras do estádio.  O Botafogo tinha um a menos, e não era mais um ambiente controlável.

O jogo foi ruim. Os dois times jogaram mal. Mas quem se importa com isso numa decisão de Libertadores?

Adaptados ao perrengue, dispostos a reverter a “curta má fase”, fizeram da Arena o Olímpico.

E ninguém ganha do Grêmio no Olímpico.

abs,
RicaPerrone