Vagner Love

Saber reagir

As vezes nós esquecemos que estamos discutindo futebol e nos tornamos insensíveis chatos que só enxergam números na frente. 442? 352? É centroavante? É o goleiro? Onde está o problema?

Em vários lugares. É óbvio.

Mas além de todo trabalho do elenco e comissão técnica, o futebol requer algo mais. E esse “algo mais” pode aparecer de onde nada se espera.

O “algo mais” torna o dia a dia especial. Transforma uma noite comum em drama, o drama em euforia e muitas vezes muda o rumo das coisas.

O Corinthians tomou 2 gols e viu na sua frente o fantasma da crise. Deu 25 chutes a gol até conseguir o empate, e saiu do estádio com uma goleada.

Quem vê pensa. E quem pensa nem imagina o que perdeu.

Um jogo onde a tática não foi avaliada, nem mesmo a crise e a má fase foram ponderadas.  Apenas o fator “Corinthians” foi colocado a prova e, com toda fragilidade do adversário, acabou sendo bem executado.

Torcedor vai pro estádio pra viver algo especial. E quando vive as vezes nem se dá conta. Um 4×0 seria bem menos importante pro ano do Corinthians do que essa virada, porque seria óbvio.

Não se trata de “saber sofrer”. Se trata de saber reagir.

Coisa de time grande.

RicaPerrone

Um campeão “ignorante”


Tá pintando. Ainda não é, mas deve ser. Aliás, torço pra que seja.  Não porque eu seja corintiano, muito pelo contrário, mas porque acredito no que meus olhos vêem e quero ver cada vez mais.

Vejo neste Corinthians algumas características do nosso futebol que tanto tentamos buscar de volta. Vejo muito mais do que um time “certinho” e “retranqueiro” como alguns analisam superficialmente.  Vejo futuro.

Um time que toca a bola no chão. Um time que se mexe, que usa a técnica e não a transforma em gracinha. Faz uso de todos os seus recursos para marcar, retomar a bola e buscar o gol. Ponto.

E então entra o mais interessante ponto que o jogo de hoje mostrou.  O Corinthians não muda.  Os outros que devem se adaptar ao seu jogo para tentar vencê-lo, enquanto ele se limita a propor o que treinou e o que está preparado para fazer.

É o mesmo time do primeiro ao último minuto, ignorando completamente as possíveis “confusões” que o adversário pode tentar lhe causar com uma ou outra surpresa.

Vá com 3 volantes, com 3 atacantes, não importa. O Corinthians ignora e faz rigorosamente aquilo que treinou pra fazer.

Um processo. Uma repetição de movimentos e passes que invariavelmente termina lhe dando opções de vencer.  Aproveitando a enorme maioria delas, óbvio, o título torna-se consequência.

Mas quantos hoje, aos 30, sem conseguir penetrar, mudariam pra ligação direta?

Todos, eu garanto.  Ou quase todos, sendo muito otimista.

O Corinthians se manteve convicto do que fazia empatando, vencendo e até com o adversário com um a menos.  O controle do jogo é deles até quando a posse de bola não é.

E este time que se impõe de véspera, que entra em campo pra ser batido e não pra “surpreender” alguém é parte do que perdemos em meio a tantos delírios conceituais nos últimos 30 anos.

O Flamengo tentou surpreender o Corinthians e foi ignorado. Como aliás, todos foram até aqui em 2015. Até mesmo os que conseguiram vencê-lo.

abs,
RicaPerrone