Vasco da gama

O Vasco ou o poder?

Eu conheci Julio e Campello e os entrevistei. Pareciam diferentes, embora alinhados de que o fundamental ali era tirar o que hoje estupra o Vasco da Gama. Eles se uniram pra isso, e se separaram sabe-se lá porque.

Não cometerei o erro de julgar o Campello por ter rompido. Talvez ele tenha razão, não sei. Não estava lá, não ouvi as discussões. Mas mesmo que ele saísse, concorresse sozinho, uma coisa ele não poderia fazer nem mesmo pra ser eleito: aceitar o apoio do Eurico.

É o Lula envolvido em corrupção. Ele passou 30 anos vivendo de dizer que “comigo não!”. E quando chegou lá, fez. O dele se torna mais grave que os anteriores, pois ele se fez exatamente por jurar que não se misturaria.

Uso o exemplo do Lula porque o Campello é um dos anti Eurico. Ele podia tudo, menos receber o apoio do Eurico pra ser eleito. De graça não saiu. E nem me refiro a dinheiro.  Me refiro a poder.  Ninguém muda um cenário político em horas sem fazer movimentos “inteligentes” que lhe deem a vantagem.

A eleição do Vasco aconteceu na sede e deu Julio. A Urna 7 é uma vergonha, e graças a ela tudo isso chegou até aqui. E aqui, numa virada “dentro das regras”, mas absolutamente covarde, o presidente surgiu das costas de quem ele apoiou.

Lembra até um pessoal em Brasília. Mas enfim.

Eu honestamente nem me preocupo tanto com a administração porque acho que o Campello não fará pior que o Eurico e o Vasco sobreviverá.  Mas e o que há no coração vascaíno? Sobreviverá intacto?

Clube de futebol vende sonho e identificação. Nele você sai da realidade e vive um poder de vitória paralelo que te faz se viciar naquela disputa. E nele você vê características suas e por isso ostenta aquela camisa. Hoje o vascaíno mal reconhece sua camisa.

Eu sei, tô nisso ha tempo suficiente pra saber que dia 31 na Libertadores tudo será festa se vencer e ninguém vai lembrar muito dos dirigentes. Exatamente por isso eles fazem o show que fazem. Porque são protagonistas de porra nenhuma tendo seu momento de glória e poder.

Quando o Vasco cai de divisão o torcedor sofre pelo clube dele. Hoje ele sente que o clube não é mais dele.

É bem pior.

Campello, meu caro e educado Campello…. torcerei pelo seu sucesso. O futebol precisa do Vasco. Mas você não precisava fechar com o teu inimigo pra chegar onde queria.

Tu não venceu. O Eurico não venceu. O Julio não venceu.

O Vasco perdeu. E como nunca havia perdido antes.

Mas vai virar. Como muitas vezes já virou.

abs,
RicaPerrone

Não há racismo

“Criticam o Cristovão porque ele é negro”.  Essa é a uma das frases mais covardes em troca de audiência que já vi na mídia esportiva. E agora Eurico, de onde pouco se espera, diz que concorda. Que estão perseguindo o cara por “racismo”.

Ora, Eurico, faça-me o favor. Você é branco pra caralho e ouve tanto ou mais do que ele. Todo treinador fraco é vaiado, e v0cê contratou um.

O Cristovão não é um grande treinador, é um rascunho disso. Ele promete, talvez, quem sabe, um dia, se tornar. Hoje, não é. Vem de trabalhos fracos, resultados ruins e rejeição enorme.  Não porque é negro, mas porque é fraco.

Um sujeito de bom conhecimento, mas não de bom comando.  Um cara de boas idéias, mas ainda ruim para controlar o grupo.

É muito fácil ir na mídia e jogar pros leões uma questão delicada que blinda seu erro em contrata-lo.  Não porque tem 1 ou 2 meses, mas porque ele não tem nada que o rotule diferente de “uma aposta”.  Uma aposta que, até hoje, deu muito mais errada do que certa.

Eurico, comentaristas do pelo em ovo, etc. Vamos falar o portugues claro para ver se há entendimento:  “Não é porque ele é preto. É porque ele é ruim. ”

Menos. Bem menos.

abs,
RicaPerrone

A série B é o menos importante

Qual o objetivo do Vasco em 2016?  Muitos dirão “subir pra série A”, e não deixam de ter razão.  Embora seja óbvio, tanto o objetivo quanto a realização dele, o preocupante pra mim é o que será preparado pra 2017.

De que adianta ser campeão da série B e começar 2017 tendo que refazer um time todo, tendo tido um ano num nível mais baixo par testar e adaptar jovens para formar algo realmente forte para o futuro?

O Vasco tem em seu elenco hoje 11 jogadores acima de 30 anos. Obviamente a maioria deles é titular, ganham um bom salário e não tem um futuro promissor. No máximo, um presente.

Leandro, Julio César, Martin Silva, Rodrigo, Mattos, Diguinho, Julio dos Santos, Andrezinho, Nenê, Éder Luis, Jorge Henrique e mais alguém que eu possa ter esquecido não estão em começo de carreira cheios de fome buscando seu espaço.  Talvez pra série B isso seja bem mais do que o suficiente, mas e em janeiro de 2017?

Você começa um ano na série A com um time de 33/34 anos? Ou você usa 2016 para mesclar e formar um time especialmente jovem o preparando pra dar frutos na série A?

A filosofia de montagem desse elenco do Vasco pra 2016 me preocupa. Não pra 2016, mas para o que virá depois deste óbvio triunfo que é a volta a série A.

abs,
RicaPerrone

Matou!

Quando Flamengo e Vasco foram se enfrentar pela Copa do Brasil eu comentei com alguém que não esperava nada diferente de uma eliminação do Flamengo ou uma paulada. Não haveria meio termo.

Deu Vasco, especialmente porque o Flamengo usou o mau momento do Vasco pra fazer gracinha ao invés de usar a seu favor.  Quando deu SPFC x Vasco no sorteio, disse rigorosamente a mesma coisa. Ou o SPFC passa o trator, ou o Vasco elimina o SPFC. Não haverá jogo apertado a favor do SPFC.

Simples. O emocional do Vasco está muito frágil. Quando um time como esses toma um gol ele tem tudo pra desmontar. Se tomar outro, vira goleada. O Vasco não vai se matar por um título complicado enquanto disputa por um não rebaixamento no Brasileiro.

O SPFC, diferente do Flamengo, entrou jogando sério e respeitando o Vasco como um adversário do mesmo nível, mesmo não sendo o caso nesse momento.  Resultado foi uma paulada no primeiro tempo que poderia ter sido maior. Com gols perdidos em série no começo do segundo tempo e um 3×0 que saiu até barato.

Matou o jogo com um 3×0 que só um daqueles acasos do futebol muito épicos pode reverter.  Mas pode, é claro! Trata-se de futebol.

Embora não haja motivos para acreditar numa reviravolta, o São Paulo precisa manter os pés no chão. Uma expulsão, um pênalti com 5 minutos e pronto. Um 3×0 vira um drama.

Santos e SPFC caminham pra semifinal. E aí sim, com dois dos mais irregulares times do país, teremos dois jogos sem o menor prognóstico.  Mas aguardemos. Por mais improvável que seja, Figueirense e Vasco ainda respiram.

abs,
RicaPerrone

Jorginho não é a solução, mas pode ser parte dela

aoivksctyqgnskof975hsfutbEm 2014 o Vasco tinha que subir. Montou um time no papel muito mais forte do que se poderia imaginar até, mas deu de cara com a falta de perspectiva dos caras.

E eu vou me arriscar a ser mal compreendido, embora tente ser claro. O Vasco, hoje, é um fim de carreira melancólico pra um monte de gente.

Calma. Entenda.  Eu adoraria jogar no Vasco se fosse jogador, como todo jogador deve pensar quando começa. Mas quando COMEÇA.

Se você olhar pro time do Vasco verá um elenco de barriga cheia, absolutamente entupido de taças, conquistas e dinheiro. Eles todos vem de clubes mais bem estruturados, brigando por títulos e com menos idade, obviamente.

Se encontram em São Januário sob a motivação de não rebaixar um time no fim de sua carreira. É uma queda.  É um degrau abaixo. E pior: Tem sequencia? Não.

Os caras estão encerrando no Vasco e não preparando um time para ano que vem. Eles não tem ambição de ganhar nada com o Vasco. Apenas dinheiro.  O Vasco, por sua vez, não pode oferecer a eles nada que eles não tenham tido melhor nos últimos anos.

E a relação é muito pior pro clube do que pro jogador, que recebe o dele e foda-se.

Eu não quero nem sugerir corpo mole, juro! É mera falta de perspectiva. E ninguém no mundo produz nada sem perspectiva.

Este Vasco que sonha com um milagre deveria saber que os milagres acontecem quando o beneficiado é um cara de fé inabalável e que busca aquilo até o fim.  Você acha que Rodrigo, Guinazu, Nene, Dagoberto, Marcinho, Andrezinho, Herrera estão mesmo afim de buscar loucamente uma não queda pra serem dispensados em janeiro?  Ou para tentar fazer valer a pena, após tudo que conquistaram, ser o épico jogador que “salvou o Vasco”?

Na real, se esses caras fossem se motivar por algo é  mais fácil agora que virou milagre do que em maio quando a bola rolou. E times com fome comem muito mais grama.  Cada reforço do Vasco coloca o time ainda mais pra trás.

É Eurico, Roth, jogadores em fim de carreira…. Esse Vasco vai jogar o Brasileirão 2015 ou a Copa João Havelange 2000?

Jorginho é um cara que ainda busca espaço.  Logo, está no perfil que entendo ideal para tentar reverter. Mas a base do time é um equívoco, e os reforços só pioram essa situação semana após semana.

O Vasco ainda não caiu. Mas honestamente, com um elenco em fim de carreira, Eurico no poder e nas condições estruturais que o clube tem hoje em relação a maioria dos rivais pelo país, a queda pra série B é o menor dos problemas.

Só que ainda dá.

E se for pra morrer, morra atirando e não correndo.

abs,
RicaPerrone

Roth e os 10 jogos

O Vasco não tem mais Doriva como treinador e o mais cotado, segundo colegas, é Celso Roth. Logo torcemos o nariz pro gaúcho, mas algo me faz duvidar sempre que alguém insiste em algo que parece “estúpido”.

Como ninguém repete o mesmo “erro” por acaso, fui atrás de saber porque Roth é um nome forte no mercado e está sempre em times grandes.  Descobri.

A tese de quem o contrata, citada por três dirigentes consultados, é o imediatismo. O cara que chega e os resultados aparecem na semana seguinte. O que não significa que se mantenha a médio/longo prazo.

Fui atrás destes dados e pesquisei os 10 primeiros jogos de Roth nos últimos clubes que trabalhou. Pois é, o cara é bom de “começo”.

A média de aproveitamento de 2007 pra cá é de 60%. O Vasco hoje, pra se ter idéia, tem aproveitamento de 12,5% no campeonato.

Com 60% você flutua entre vice e terceiro lugar no Brasileirão na média dos pontos corridos. Ou seja, o aproveitamento de Roth, hoje, se mantido na média dos 10 primeiros jogos dele, seria para terceiro lugar neste campeonato.

Se com algum embasamento técnico e filosófico, não sei. Mas a história de que o Roth chega e a curto prazo “resolve” é fato. E talvez ele não seja um nome tão “errado” assim pro momento dramático do Vasco.

Últimos trabalhos de Roth (10 jogos iniciais) (V-E-D)

Vasco 2007 –  4-2-4
Gremio 2008 – 9-1-0
Atlético MG 2009 – 6-3-1
Inter 2010 – 7-1-2
Gremio 2011 –  5-1-3
Cruzeiro 2012 – 5-2-3

Média de 17,7 pontos em 30 disputados.  O Vasco tem 3 em 8 jogos.

Roth tem seus argumentos para ser um nome considerável no Vasco.

abs,
RicaPerrone

Eurico da galera

Eurico assumiu o Vasco. Antes de qualquer coisa já foi pedir ao prefeito para vetar a Arena do Flamengo, já foi à FERJ pedir pra mudar de lado com o Fluminense no Maracanã.

Sem entrar no mérito de quem tem razão, de que lado deve ficar cada torcida e do quanto isso importa ou não, é muito fácil notar que o conceito de administração não mudou.

O Eurico de 1990 é o mesmo cara de 2014, que pra fazer o torcedor orgulhoso de seu time não necessariamente quer plantar sementes para um amanhã melhor e mais seguro. Mas de imediato, “vencer” os clássicos fora de campo.

O vascaíno vai cair feito um patinho se o Eurico ganhar o lado do Maracanã. Pra eles, ganharam um Fluminense x Vasco. Mas na real, em campo, daqui 2 meses, o jogo é outro e pouco importa o lado.

Haverá provocação, o que gosto e aprovo, diga-se. Mas não necessariamente um projeto apresentado para um novo Vasco. O que vejo desde o dia da sua candidatura é um convite a voltar a ser o Vasco que se tornou esse atual. Não há nada de novo, pelo contrário, é uma simples forma de manipular o sentimento do torcedor com vitórias de bastidores toscas e que geram um orgulho mentiroso de 15 minutos.

Se eu fosse o Fluminense daria o lado pro Vasco na base do “ok, ok… Senta lá”. Não porque o Vasco ache relevante aquele lugar, mas porque um dirigente quer fazer uso da única arma que tem, o bastidor, pra dizer pra torcida que “agora somos respeitados de novo”.

Ora, vascaino. Eu não vou te respeitar menos ou mais pelo que acontece na “calada da noite” como diz o próprio Eurico em documentário sobre a Copa União. Quero te ver grande, com salário em dia, um time forte, uma estrutura e crescendo de fato.

O lado do campo, o bastidor pra prejudicar o rival, a mania de brigar pela maior fatia de um bolo pequeno ao invés de aumentar o bolo… É só o mesmo Vasco que originou essa crise.

Não há novidade. O Vasco tentou andar pra frente, tropeçou, e ao invés de levantar e seguir voltou pra largada.

abs,
RicaPerrone

Meus pêsames, Vasco da Gama

Quando você namorada um longo período uma mulher bonita, mas acomodada e sem personalidade, a sua primeira busca quando separado é uma mulher de atitude e cheia de personalidade.

Quando você sai da casa dos seus pais onde nunca pode encher a geladeira de besteiras, a primeira coisa que você faz na sua casa é comprar uma tonelada de porcarias e colocar nos armários.

O vascaíno esteve anos nas mãos de um coronel de 1950, cheio de marra, agindo feito um Rei e colocando o Vasco como seu castelinho. Entre mil erros e alguns acertos, como todo Rei, teve seus puxa-saco de carreira que carrega até hoje.

Eurico é um dirigente mediocre. Mas ele protege o Vasco, coisa que o Roberto não fazia.  É um sujeito de caráter bem contestável, inclusive sendo hoje devedor de 3 milhões ao clube que acaba de elege-lo.  Mas é um cara que mete a cara na tv e responde o que querem saber.

O vascaíno acaba de sair de um namoro com uma mulher molenga, que não sabia se comportar nos grandes eventos e portanto não servia para acompanha-lo.  Imediatamente ele corre para os braços daquela que dominava qualquer ambiente, mas que não era exatamente transparente, nem a que planejava melhor o futuro do casal.

Eurico é o que há de mais antigo e detestável no futebol. O cara que pensa no dele, foda-se o resto, e que se for necessário assume diante de quem quiser que faz as coisas “na calada da noite”, de forma não muito clara.

O homem que traiu o clube dos 13 na Copa União e afundou nossa primeira Liga está de volta. Pra defender o Vasco, pra defender seu status, e pra não querer saber os limites éticos de tudo isso.

O Vasco é do Eurico. E essa afirmação, tão detestável por anos e anos, hoje se prova real. Ele fez, mexeu os pauzinhos, arrumou mais uma eleição suspeita e cheia de irregularidades e está lá novamente.

Sinto muito, vascaíno.  Sinto muito mesmo.

abs,
RicaPerrone

Entrevista: Julio Brant

Esse cara aí da foto quer mudar o Vasco. Julio Brant é candidato nas eleições do Vasco por enquanto marcadas pra quarta-feira.

Conversei com o candidato e nosso papo rendeu uma hora de projetos, ideias, conceitos e uma apresentação quase informal daquele que deseja ser o novo comandante do Vascão.

Falamos sobre Rodrigo Caetano, o técnico ideal, o Sócio Torcedor, uma nova Arena, reformas em São Januário, um fundo de investimento querendo colocar alguns milhões no clube, organizadas, entre outros diversos assuntos.

Eu, particularmente, gostei do cara.  Me parece novo, cheio de idéias, com vontade de fazer diferente. Se fará, só o tempo.  Mas gostei do que ouvi e acho que você também vai gostar.

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Ou, download aqui.

abs,
RicaPerrone