vizeu

Se enxerga, Mengão!

Se o Real Madrid pudesse ter algo que não tem, escolheria fazer os jogadores que compra. Seria mais lucrativo, criariam um padrão desde a base e se tornariam ainda mais fortes.

Os clubes brasileiros compram a megalomania da torcida e entendem burramente a necessidade de um ou dois grandes reforços para movimentar o mercado. As vezes, muitas vezes, quase sempre, compram o time todo.

Causam expectativa, nenhuma identidade e frustração.

O Flamengo comprou pra caralho, e quem levou o time pra liderança? Os meninos.

Quem brilha e decide é Paquetá, Vinicius, hoje até o Vizeu.  A zaga perdeu dois titulares, pânico! Nada… os meninos entraram e resolveram.

É inacreditável que o maior produtor de soja do mundo compre soja. O futebol brasileiro compra o que ele mesmo fez para suprir o que ele tem em estoque.

O Grêmio ganhou tudo e não há uma contratação de peso nesse elenco.

Os maiores times do Santos em todos os tempos não custaram nada.

Será que falta muito pra entender que com o salário de 1 mes do Geovânio você cria 3 melhores do que ele?

Tua grandeza tá dentro de você, Flamengo. Quem tá te levando ao topo é você mesmo e não o que você pode pagar. Porque quem compra futebol é europeu. A gente faz.

abs,
RicaPerrone

Maior que a taça

A Copa Sulamericana é presenteada constantemente com alguns marcos históricos que não merece.  Pro bem e pro mal, diga-se. De finais históricas que não terminam como o tosco jogo do SPFC em 2012 ao acidente da Chapecoense, esse torneio teima em não firmar mesmo que a vida insista contra ele.

Campeonatos vão ganhando peso pela sua história, não pela premiação. A Supercopa da Libertadores foi o melhor torneio que já fizeram no continente e não tinha vaga pra nada, dinheiro algum. Era só pela grandeza de quem participava e toda edição foi espetacular. Até que a Conmebol percebesse que ali havia um rival pra Libertadores, então o destruiu.

O Flamengo não estava nem aí pra Sulamericana, como ninguém está enquanto ainda puder ter um grande ano em outros torneios. É sim a “sobra”. Mas a sobra é melhor que passar fome, sempre.

Esse Flamengo bunda mole precisa muito mais de um título de superação do que de uma conquista técnica e regular.  Talvez a esse elenco seja mais importante um perrengue mesmo. E pra diretoria, que contrata tanto, seja importante aprender a olhar pra casa.

Sem Guerrero, Rever, Muralha… os meninos resolveram.  Não foi uma grande atuação, mas foi à lá Flamengo. Na medida em que ficava “impossível” aos olhos críticos, mais possível aos olhos deles.

Diria que se tivesse um expulso seria 3×0, tamanha a vocação pra gostar de passar perrengue.

Assim sendo, que perca na Argentina o jogo de ida. Porque Flamengo que é Flamengo não pode decidir nada por um empate.

A Sulamericana ganha mais um presente da vida. O mais popular do Brasil contra o maior campeão do continente que há anos não ganha nada.  Final de gente muito grande e com muita fome de vencer.

Quando o jogo em si é maior que o torneio.  Mas não é pelo torneio. É pela glória.

abs,
RicaPerrone

Chapeuzinho vermelho

Dizem que é mídia, lenda, história bem contada.  Desesperados com a virada após a prévia gozação, contestam o maior patrimônio rubro-negro como quem briga com a capacidade de pilotar um carro de Ayrton Senna.

“Não cantam”. “É flapress!”.  “Tem que cantar 90 minutos”, Blá, blá, blá…

Eu não sei quem criou o manual de torcidas modernas, mas eu acho um saco. Torcidas reagem diferente, e o Flamengo é céu e inferno o tempo todo. Isso implica em ir das vaias ao apoio em uma bola na trave.  Gosto não se discute, mas a cultura de um clube vencedor e de um cartão postal do país estabelecido por méritos apenas se respeita.

Essa história que “inventaram” sobre a torcida é tão bem contada que até os jogadores compram. Todos eles falam sobre “jogar no Maracanã contra a torcida do Flamengo”.  Todos eles sonham em correr pra torcida do Flamengo. Talvez eles sejam comprados pela FlaPress, talvez sejam a referência que precisam para confirmar o óbvio.

A virada é fruto de uma torcida bipolar. O empate, de um time pressionado pela mesma torcida que ali cobrava.  São malucos, mas são malucos à sua maneira.

“É tudo histórinha”.  “A Globo que inventou!”. “Nem é tudo isso!”.

Pode até ser que seja. Mas fato é que Chapeuzinho vermelho está na boca do lobo mais uma vez.  Goste ou não, a história vai trocando gerações e mantendo seu final.

Do inferno ao céu. Da quase crise ao quase em Tóquio.

  • Que torcida enorme você tem, vovó…
  • É a mídia, chapeuzinho. É a mídia…

abs,
RicaPerrone

O dedo, não!

Senhoras e senhores deste país honesto, transparente, fofo, ético e cheio de bons costumes, me perdoem pela imagem acima.

Aliás, perdoem também o marginal Vizeu, que cometeu este crime em meio a um jogo de futebol repleto de senhoras, crianças, adultos, etc, etc, etc.

Eu fiquei estarrecido.  Assisti as imagens no Fantástico e notei algo para cobrir o gesto do jogador, como aliás vi em diversas emissoras sendo embaçada a imagem da mão dele. Ninguém pode ver um gesto daqueles na tv brasileira, senhores. Onde vamos parar se nos permitirmos ver uma pica de dedo?

Sexo de mãe e enteado na novela das 8, foda-se. Criança e adulto pelado no museu, foda-se. Drogas, putaria, sexo explícito em tv de madrugada, idem.  Mas a piquinha do Vizeu… aí não dá! Temos que parar o Brasil para discutirmos esse tema.

Onde já se viu duas pessoas jogando futebol discutirem? E uma delas, que fez um gol, perder a cabeça numa euforia boba, afinal o que fazer um gol em casa levando a Libertadores?

E neste momento de absurdo desequilibrio Vizeu, o marginal, faz o gesto mais censurável do mundo: manda uma pica.

Rodolpho chega a ter princípio de AVC, tamanha a agressão. E quando eles saem do campo abraçados como acontece em TODAS as peladas do país TODOS os dias, os de terno dizem na tv que “acharam mentira”, “rachou o grupo”, “agora fudeu”.

O Flamengo venceu, tá de volta a Libertadores neste momento, fez as pazes com a torcida.  Eu adoro quando a verdade da vida vaza com a camera no “on”.  Os hipocritas ficam malucos, os web-vivos surpresos e a gente dá risada.

Porque é assim. Como é.

abs,
RicaPerrone

Voltei!

Sabe a diferença entre um tijolo e um gato? Joga os dois na parede, o que miar é gato.

Alguns nascem pra casar, ter filhos, sogra, jantar de domingo, casa na praia e vida de revista. Outros não.

O Flamengo hoje domesticado por um pai de família cristão e mão de ferro não suporta a vida que leva. É triste, embora aceitável aos olhos da sociedade.

O Flamengo hoje é o que se espera dele. Mas o que os outros esperam, não o que os flamenguista esperam. E eis o erro brutal. Fazê-lo infeliz por clichês.

Um dia, mais especificamente hoje a noite, o Flamengo saiu pra missa, parou no bar, encheu a cara, faltou no culto, beijou a puta, arrumou briga, se declarou pros amigos completamente alcoolizado e voltou pra casa carregado por eles.

Assim, nos braços dos seus, dopado de poesia e com mais uma história pra contar, ele foi dormir Flamengo de novo.

Não se trata de fidelidade, honestidade, conduta. Se trata de identidade.

O Flamengo é do bar. A sorte dos bebados o acompanha, e quando sóbrio vira quase azar.

Deixa o malandro  batuqueiro descer o morro como ele sabe. O uber não sobe viela.

Ele não é branco, santo, nem será o que você espera.

Ele é vermelho, preto, o rei da favela.

Hoje ele saiu de casa pra sambar, beber, fumar e não fazer o que dele se espera.

Já era.

Avisa o morro que hoje tem festa. Voltou o barão da favela!

abs,
RicaPerrone