willian

Willian: Tentando entender

Vamos lá. Minha primeira reação foi a de todos: Willian?!

A segunda foi de não comentar na hora e tentar entender a escolha. E a terceira vai ser explicar o que eu imagino que tenha acontecido.

Ele chamou Neymar, Coutinho e Everton pra mesma posição. Neres, embora jogue também na esquerda, atua as vezes na direita e nem chega a ser um cara de um lado fixo. Ele joga nos dois lados. E o Richarlison é quase uma improvisação aberta na direita, porque ele é mais central.

Nesse cenário Tite tinha uma seleção sem ninguém especialista no lado direito.

Ao perder o Neymar ele deve ter olhado e percebido que ele não estava ali por posição e sim por ser o gênio do time. Portanto, não precisava repor na função aberta pela esquerda. Foi olhar pro outro lado, e achou o Willian e o Lucas.

Eu levaria o Lucas. Por ter sido decisivo numa Champions League. Mas acho que estamos cometendo uma injustiça em tratar a convocação do Willian como absurda.

Primeiro porque ele é um puta jogador. O fato de você preferir outro não implica que o escolhido seja ruim. Segundo que taticamente faz algum sentido. E aquela tese do GE sobre ser uma questão física acho que cola mas nem é a maior das razões.

O time ficou ainda mais desamparado sem o Neymar na questão psicologica. Perdeu a referência, e a pressão será enorme por ser em casa. O Tite deve ter apenas optado por buscar mais um “casca grossa”. Alguém que já lidou com isso e sabe como se virar.

Acho que essa é a justificativa mais razoável, e que sai bastante do “absurdo” que alguns acham ser escolher um jogador do calibre do Willian.

Seja como for, há 40 anos eu vejo todos os treinadores da seleção serem “burros” e convocarem times “absurdos”, com faltas “inaceitáveis” e que geram o “eu nem torço mais pra seleção”.  Há 40 anos quando a bola rola a gente descobre se ama esse time ou odeia. Depende da bola entrar.

Tite é o melhor treinador brasileiro. A seleção tem 85% dos melhores jogadores que temos na opinião de qualquer pessoa. E portanto não há “absurd0s” ali. Há discordâncias.

Não digo que faria o mesmo. Mas digo que compreendi a escolha.

E que tenha sido a melhor delas. Porque quem torce contra pra ter razão é burro.

Boa sorte, seleção!

RicaPerrone

Um “tatiquês” rápido sobre a seleção

Talvez haja nessa seleção algumas discussões táticas pouco produtivas em virtude da mudança do futebol. Se vários treinadores não acompanharam, imaginem torcedores.

Quando se fala da seleção brasileira atual muita gente enxerga isso aqui:

Os volantes bem “volantes”, os “meias” bem “meias” e dois “atacantes.  Era isso até outro dia, natural que ainda muita gente veja futebol assim.

Mas não é assim que o Tite enxerga a seleção.  A formação do treinador é essa:

Dentro disso, ele tem “um volante”.  Fernandinho e Paulinho já se enquadram em outro esquema de jogo, comum até, onde os meias mais centralizados vem de trás e não necessariamente são volantes de marcação apenas.

O Renato Augusto se adaptou a função do Fernandinho pra atuar ali. Mas caiu de rendimento e marca bem menos.  O Coutinho, quando titular, foi do outro lado, na vaga do Willian.

O time que hoje a maioria sugere é esse abaixo:

Ele tem um probleminha.  Uma das maiores jogadas da seleção é a chegada do Paulinho.  Ele fatalmente chegaria menos dessa forma. Mas ainda é uma opção viável. A do segundo tempo contra a Croácia, inclusive.

Por fim, o time mais ofensivo de todos. Com Renato e Coutinho, mantendo Paulinho na função de um meia mais do que volante.

Esse time sobrecarrega o Casemiro, deixa as duas “pontas” parecidas, e dá ao Brasil um poder de fogo sem igual. Mas lembrando que o Marcelo é ofensivo, talvez não funcione tão bem contra times mais fortes.

O Tite tem dúvidas. E essas são as dúvidas dele. Qual desses times vai a campo.

Se ele escalar o time da terceira imagem, com o Coutinho “centralizado”, terá cometido um erro ao não levar o Luan.

Eu não mexeria no Willian. E vejo no Coutinho uma peça que pode mudar jogo.

Mero palpite: ele começa com Fernandinho e o Coutinho entra nos jogos em que estamos ganhando na vaga do Willian e nos que estamos empatando na do Fernandinho.

Aguardemos. Mas cuidado pra não enxergar uma formação que o Brasil não usa.

abs,
RicaPerrone

Não nos ouçam mais uma vez

Existe uma grande culpada pela falta de personalidade do futebol brasileiro e, por consequência, sua perda de identidade. Chama-se: imprensa esportiva.

E se você for mais novo, pergunte ao seu pai. Em 1982, quando jogavamos o fino da bola, tratamos como “azar”.  Em 1986, quando ainda jogavamos bola, trataram como “o fim do mundo”.  Desde então elegemos vilões e determinamos, Copa após Copa, que se não ganharmos nada prestou e tudo precisa mudar.

O Telê Santana, veja você, era ruim. A imprensa aceitou o futebol Parreira a troco de um caneco. Eu também aceitaria se fosse uma troca simples. Mas não foi.  Contestadíssimo desde sua estréia, passou a professor depois da Copa que Romário, o cara que ele não queria levar, nos deu a Copa.

Zagallo, o homem que deveria ser  mais respeitado no futebol mundial após Pelé, é chacota pra essa imprensa que ama Mourinho.

E veja você: O time que perdeu 2006 não tinha raça. Queremos raça!
O de 2010 não tinha técnico. Queremos técnico!

Veio o Mano, sai o Mano.  Entra o Felipão, contestado. Vence, passa a ser o incontestável.  Perde. Se torna o pior treinador do mundo.

Contra o Chile, jogamos mal e perdemos. Hoje, jogamos bem melhor e vencemos.

“É a Venezuela!”.  Foda-se.

Se não pudermos elogiar quando ganha, somos bem canalhas de fazer o barulho que fazemos quando perde.  A seleção não tem mais os gênios que tinha antes porque, não sei se você notou, o futebol mundial não tem mais esses gênios todos.

As coisas se equilibraram pra todos. Inclusive pra nós.

Mas os mesmos que analisam friamente o equilibrio do futebol quando a Argélia quase elimina a Alemanha na Copa, tem xilique na tv quando o Brasil perde pro ótimo time do Chile.

Somos toscos. Não temos quase nada a acrescentar, só a rotular.

No caminho certo ou errado, sigam em frente. Mas por favor, não nos ouçam mais.

abs,
RicaPerrone

O “novo” Cruzeiro sem “ele”

Bastou um treino, uma concentração sem “você_sabe_quem” e o Cruzeiro joga bola, ganha, goleia.

Me desculpe o eufórico torcedor, que eu também seria fosse eu cruzeirense, mas isso não os deixa um tanto quanto ofendidos?

Eu me sinto assim toda vez que meu time troca de treinador e arrebenta no jogo seguinte.  Porque o Mano, que eu gosto, não teve tempo de fazer NADA. O time do Cruzeiro não é diferente do time da semana passada. Uma peça aqui, outra ali, mas são os mesmos caras.

E aí o time voa em campo e goleia.

Como você se sente vendo o Brasileirão ter ido embora?

Eu não me refiro ao Cruzeiro especificamente, isso acontece toda rodada no campeonato. Mas será que não tá na hora dos clubes darem ao capitão (que devia ser escolha do grupo e nao do treinador) a condição de dialogo para levar a direção o que pensa o grupo?

Será “honesto” ter que dar sinais perdendo jogos pra que a direção saiba que o time não gosta do seu treinador?

Me incomoda. Honestamente, é uma das coisas que mais me irritam no futebol. E acho difícil que um presidente deixe de ouvir um capitão que leve a ele a palavra do elenco: “Presidente, nós estamos insatisfeitos. O grupo está infeliz e acho que não vamos adiante com esse treinador”. Será que ele prefere perder 10 jogos do que ouvir isso?

“Ah, Rica. Você sabe que não é assim”.

Claro que sei. Por isso mesmo. Quando será?

abs,
RicaPerrone

Senta lá, Willian!

Jefferson Bernardes/VIPCOMM

Jefferson Bernardes/VIPCOMM

Dando seta no retrovisor estava Willian. Para todos, é questão de tempo.

Em má fase e já contestado antes mesmo da estréia, Oscar parece o candidato certo a primeira mudança no time titular do Brasil.

Pequenino, magrelo, cara de bom moço. Inimaginável Oscar num momento cheio de culhões brigando por algo deitando no chão sujando sua roupa.  E desnecessário, já que sua elegância quando acompanhado da bola sempre compensou essa falta de “chão”.

Ontem, no dia que ele oficialmente perderia a posição de titular, Oscar resolveu dizer “não”.

Deitado, brigando entre dois croatas desproporcionais a seu tamanho, ele disse bem alto a quem quisesse ouvir que não entregaria aquela posição de titular.  E brilhou, como um craque. Brigou, como um guerreiro volante mediocre.

O melhor em campo, o dono do jogo, o autor do gol que nos confirmou a vitória e a paz.

Willian aqueceu como um louco. Sabia que era sua vez, que fatalmente seria a substituição mais natural em caso de empate.  Mas não.  Oscar gritou “não” a cada dividida. E terminou fazendo o que sabe de fato: um golaço.

Se tinhamos uma dúvida, agora temos um craque de volta.

E você, meu caro Willian, senta lá. Ainda não é sua vez.

abs,
RicaPerrone

Me dê motivos

lipão

Esse, aquele, o do meu time.  Seja qual for a contestação, ao menos uma existirá.  Ninguém concorda em 100% com ninguém, e a seleção brasileira jamais teve e nem terá o “time perfeito”.

Felipão é o sujeito que mais respeito no futebol como treinador. Até pra discordar dele costumo ter pé atrás porque raramente o que ele faz dá errado. Não importa o clube, o estado, o país. Felipão é o maior vencedor que o futebol brasileiro já viu.

Antes de contestar esse ou aquele nome, tento entendê-lo.

Queria ver o Coutinho na seleção também. Não por acompanhar demais o que ele joga lá no Liverpool, mas pelos poucos jogos que vi (todos clássicos) e pelo que vejo toda segunda-feira nos resumos e melhores momentos, é um jogador que merece ser testado.

Talvez seja tarde. Talvez seja uma questão tática.

Neymar, Bernard, Hulk, Fred, Jô. Nenhum destes jogadores tem como sua principal característica parar a bola. Todos eles correm com a bola ou são finalizadores. Não armadores clássicos que cadenciam o jogo.

Na falta de Oscar, Felipão hoje não tem esse cara. Willian e Coutinho até se parecem, mas o jogador do Chelsea é mais forte, conduz um pouco menos a bola e vive menos do seu arranque.

Acredito que seja uma escolha meramente para quebrar o padrão da seleção. E também pelo entrosamento com o Oscar que virá de brinde.

Julio César? Entendo e concordo com Felipão. Faria o mesmo. Goleiro é uma posição de extrema confiança e que requer algo mais do que a qualidade do sujeito embaixo das traves.

Julio é pra mim o melhor goleiro do mundo em atividade. Não vive boa fase, não entendo sua ida pro Toronto, como não entendi a ida pra Inglaterra. Mas entendo pela sua liderança, pelo goleiro que é  e pela forma que sempre defendeu a seleção que mereça a posição.

Na verdade, senhores. Ele não ganhou a posição de Victor, Jefferson, Fábio ou quem for. Ele nunca a perdeu. Julio César é o goleiro da seleção há mais de 6 anos.

Foi o único cara a sair do jogo contra a Holanda e dar entrevistas. Foi o cara que pegou tudo nas confederações, na Copa América, em Champions League, onde for.

Estes goleiros todos citados são ótimos. Mas nenhum deles é o Julio César e nem fez metade do que Julio fez. Em 94, Taffarel era contestável. Em 2002, muitos queriam Ceni e não Marcos.  Em 98, Taffarel era certeza de fracasso. Nos levou a final.

Não é “momento” apenas.  É muito mais que isso.

E se tem um crédito que Felipão ganhou ao longo dos anos, inclusive com o veto a Romário e a persistencia no Ronaldo machucado, é o de ser ouvido antes de massacrado.

A chance dele ter razão, vide os últimos 20 anos, é bem maior que a sua.

abs,
RicaPerrone