Copa do Mundo

Ufa! Ufa?! (Brasil 4×1 Camarões)

Acabou! São 18h53 minutos e o Brasil está na próxima fase contra o Chile, tradicional freguês em sua melhor fase desde sempre.  Mas o Chile não pode ser mais do que um problema, afinal, o problema é nosso.

Não seria se fosse a Holanda. Não sendo, responsabilidade ainda maior. De todas as qualidades do Chile a mais notável é disparado a vontade que eles tem em cada bola.  E se não dá pra dizer que este time brasileiro não tem vontade, dá pra garantir que tem menos tesão do que em 2013 e sim, falta alguma coisa.

Além do tático, técnico, os olhos não brilham. Eles não sorriem. O time está preso e com medo.

Medo de que, afinal? Não sonharam estar aí?  Pois estão! Qualé o nosso problema?

A torcida que não canta, o meia técnico que mais briga do que brilha ou o atacante cujo maior atributo é a bunda?

Cadê meu time de 2013? Cadê meu time que disputava tudo com raiva nos olhos e rindo enquanto driblava? Desde quando estamos “cumprindo obrigação” em campo?

Eu quero sofrer, não tem problema!  Mas me faça sofrer pela sua ousadia, não pela sua responsabilidade quase insuportável de não poder errar.

Cornetar 4×1? Não dá.

Mas vai ter que dar.

Porque foi nossa pior atuação, nosso pior adversário, e nosso mais claro relatório de que é preciso mudar.  Hulk, Paulinho, Daniel. Os três estão em outro lugar, mas não no campo com a seleção.

Os gols perdidos e os sofridos eu jamais vou deixar de entender. A falta de ousadia e alegria quando um jogador de amarelo pega na bola, eu não me permito aceitar.

Sorriam! A Copa não é obrigação. E se for, entreguem-na. Estamos aqui para conquistá-la, não para evitar perdê-la.

Obrigado, Neymar.

abs,
RicaPerrone

O futebol venceu (EUA 2×2 Portugal)

Os EUA são um país bastante complicado de entender. Mas, do jeito deles, funciona. E se funciona, há que se respeitar.

Por toda a história notamos que norte-americanos não suportam perder. Ou eles são o centro do mundo, ou ignoram o tema. Futebol, onde nunca conseguiram destaque, sempre foi desprezado por lá.

Nada entra naquele país se puder diminuir os EUA, mesmo que esportivamente.  E como não tem saída, vivem os esportes deles e acham que o campeão é sempre o “campeão mundial”.

Futebol Americano, Basquete, Baseball, até mesmo as corridas que assistem são entre eles. A Nascar.

Quando um ET invade o mundo, invade Nova York.  Quando negociam num filme qualquer se vão ou não destruir a terra, é sempre com o presidente dos EUA. E por tudo isso acho que não é um exagero dizer que eles se acham um pouco “donos do mundo”.

Claro que não são. Mas cuidam do rótulo como poucos.

Por décadas resistiram ao único apelo mundial que não podiam suportar. Até que veio a Copa em 94, a internet, a globalização e mesmo assim seguraram até onde puderam.  Me lembro estar lá na semana do Santos x Barcelona e não achar uma linha nos jornais e nem uma citação na tv.  Mas o futebol é invencível.

Em 2010, quando eles conseguiram a vaga no finalzinho de um jogo, o país começou a se entregar.  Prontos para 2014, com um caminho interessante até então e finalmente uma liga nacional, foram os que mais compraram ingressos pra Copa após os brasileiros.

E aqui, onde eram coadjuvantes, foram se fazendo protagonistas mais uma vez.  Jogam sério, bem, até bonito.  E lá, onde ninguém aceitava nada de fora, o futebol entrou metendo o pé na porta e desmontando um dos mais sólidos sistemas de alienação do planeta.

Norte-americanos, este é o futebol! Acreditem! Te pouparam disso por todos estes anos e nós, mortais do resto do mundo, não estavamos malucos.

Malucos estão vocês agora. Bem na Copa, ganhando jogos, enlouquecidos com o “novo esporte” e colocando a tv que tem os direitos da Copa em primeiro lugar na audiência.

Os EUA não se permite vulnerável.  Sempre se postam como inabaláveis, indestrutíveis, intocáveis. E o futebol não dá essa condição a ninguém, nem mesmo a nós brasileiros.

Hoje, com virada de cá e sofrimento no fim,  novamente tomaram os bares e ruas para seguir um ritual mundial há muito tempo conhecido: O futebol.

Sem bem-vindos, norte-americanos!  Nós sempre soubemos que era questão de tempo.

EUA se rendem ao futebol from Rica Perrone on Vimeo.

abs,
RicaPerrone

Ronaldo x Klose

Ronaldo e Klose agora são os recordistas de gols em Copas do Mundo. 15 pra cada um.

Pois é.

É inevitável a comparação, por mais tosca que seja tecnicamente. Klose é um centroavante quase brucutu, de muita presença na área, ótimo posicionamento mas basicamente um empurrador de bolas pro gol.

Ronaldo foi um gênio. E por mais que a marca diga que são iguais, a comparação é tão inevitável quanto injusta.

Diria que se  a bola pudesse escolher, escolheria Ronaldo.

Veja os 15 gols de cada um nas Copas do mundo.

 

O futebol que juramos entender (Alemanha 2×2 Gana)

Porque os sustos, afinal? Não somos nós, jornalistas, que achamos que um diploma de 4 anos aprendendo a colocar virgula no lugar certo nos faz entendedores de futebol?

Na verdade, meus caros, não há diploma pra isso. Essa Copa, como quase todas as outras, como quase toda semana, só serve pra confirmar que não sabemos tanto assim, ou, mais radicalmente, não sabemos “porra nenhuma”.

Quando a gente olha o futebol atual e não entende que ele foi moldado para equilibrar jogos impossíveis diminuindo espaço, campo, aumentando físico e valorizando a parte tática, fingimos não notar que tudo isso fez efeito.

Que hoje o resultado não significa exatamente o melhor preparo, melhor time nem melhor esquema tático. Significa que um conseguiu fazer mais gols que outro e se fechar, fechar espaços, possibilidades e etc. Não tem, nunca teve, e hoje tem menos ainda, a ver com o futebol praticado.

Porque a Alemanha massacraria Gana, que não foi a semifinal da Copa passada por um surto genial/escroto de Suarez?

Porque mesmo achamos que a Costa Rica não faria nada se quando ela jogou contra a seleção brasileira taxamos de fiasco e vexame? Porque não assumimos que de fato não nos informamos o suficiente as vezes e que nossa soberba é tão clara quanto a que cobramos do “futebol brasileiro”?

Não, eu não sabia quem era Costa Rica.  Desconfiei de Gana, achei que podia complicar, mas não esperava por exemplo uma Argentina tão tosca, nem mesmo um Portugal tão morto em campo.

Talvez porque como todos nós, ouvi e fui formando opinião repetindo coisas em alguns casos. Não dá pra ver tudo, então, seguimos a maré.

Fato é que o futebol mudou, não é mais um esporte que privilegia a técnica, mas sim o conjunto entre defender e ser oportunista com velocidade e força física.  E isso pode ser feito na Zambia, no Brasil ou na Bósnia. Ainda mais quando falamos de 23 caras e não de um torneio com 20 clubes e 300 jogadores.

Esta Copa nos ensinou até aqui mais futebol do que sonhamos em ter aprendido até então. Inclusive pra nos dizer que sim, eles tremem quando jogam contra torcidas barulhentas e que pulam.  E que não, não deixamos de ser a inspiração do mundo com a bola nos pés.

Até aqui, também, que não sabemos porra nenhuma de política, engenharia, meio ambiente e outras mil coisas que nos tornamos especialistas para julgar a Copa e prever o que teríamos.

Porque não acertamos nada. Nem dentro de campo, nem fora dele.

Porque? Porque não há uma aula sobre futebol na faculdade. E o fato de ser “jornalista” não dá a ninguém o poder ou o rótulo de entendedor de porra nenhuma.  Aprendemos a escrever, não sobre o que escrevemos.

E nesta Copa, até aqui, escrevemos muita merda.

abs,
RicaPerrone

Messi e nada mais (Argentina 1×0 Irã)

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Vamos parar de lero-lero pra colocar “poréns” e eventualmente não quebrar a cara amanhã.  Na Real a Argentina, com0 sempre ao longo de sua história, é um time comum que depende de um jogador para tentar colocá-la na lista de favoritos a alguma coisa.

Foi assim com Maradona, nada sem ele.

Messi, que fez novamente uma partida mediocre, fez um gol aos 46 minutos no seu lance mais manjado, que é bater daquele lugar colocado no canto oposto.  O Irã vacilou pois deve ter imaginado que a bola seria cruzada.

Méritos pro Messi, que acertou este lance e mais nenhum na partida.

Atuação tão ruim quanto no primeiro jogo com o agravante de ter tido uma ajuda grotesca do ártbitro num pênalti não marcado pro Irã. Além de considerarmos o fato do Irã ser uma das piores seleções da Copa.

Enfim, a Argentina até aqui não assusta ninguém a não ser eles mesmos.  O pior dos “grandes” em campo, com duas vitórias absolutamente achadas e não merecidas.

Messi x o resto. É isso, só isso.

Porque perdendo, como todos, a torcida também se calou.  Argentina é uma lenda urbana. E só.

abs,
RicaPerrone

Não é música o problema

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Eu mesmo entrei na pilha. Fiz campanha, achei que poderíamos mudar o perfil da nossa torcida no estádio criando músicas novas e menos sonolentas do que “sou brasileiro com muito orgulho e muito amor”. Mas na real, me enganei.

Estive observando cuidadosamente os jogos da Copa nesse sentido desde então. E até mesmo indo aos estádios em Chile x Espanha, Inglaterra x Uruguai, tive muito claramente que o problema não está na música mas sim no ingresso marcado.

Explico.

Todo país que joga na Copa tem um grupo de torcedores de aproximadamente mil pessoas aglomeradas na arquibancada. Possivelmente a cota que se disponibiliza pro país em questão, e portanto há sempre um grupo grande organizado e uniformizado que puxa todas as músicas.

No restante do estádio, onde há uma mistura, não tem grupos para formar essa “organizada” e começar um coro.  E é mentira que não temos música pois na final das Confederações, onde éramos ampla maioria, puxamos no mínimo 10 musicas, tendo umas 3 entre elas criadas na hora.

E não precisa ser genial pra gritar, por exemplo, o nome dos 11 titulares. Bastava ter quem puxasse. Eis o problema.

Por não termos cotas pequenas e sermos sede, nossa torcida está completamente distribuida e sem “liderança”. E é isso que está destoando das outras sulamericanas, não a falta de repertório apenas.

Se quisermos mudar isso, puxe! Chama o cara do lado e começa. O conceito natural que temos de estádio que é esperar a organizada começar e irmos na onda, não vai rolar. Estamos viciados num esquema que na Copa não vai existir.

Qualquer um pode puxar um “explode coração”.  O problema tem sido esse. Quem puxa, e não a falta do “explode coração”, por exemplo.

abs,
RicaPerrone

Pirlo, o distribuidor

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Este é Pirlo.  Quase “idoso” pro futebol, joga na seleção da Itália como um brasileiro. Corre menos que os outros, cadência o jogo e faz a bola correr em seu lugar.

Os dados da OptaSports sobre o jogador na partida contra a Costa Rica mostram como erra passes esse Pirlo….

Captura de Tela 2014-06-20 às 15.10.00

Sim, senhores. Cada setinha verde é um passe certo de Pirlo. Para todos os lados, em todas as distâncias.

Não é mole não.

abs,
RicaPerrone

Quem é você? (Costa Rica 1×0 Itália)

A Costa Rica era um país da América Central que ficava entre o Panamá e a Nicaragua.  Com população de 4,5 milhões de habitantes, esteve poucas vezes em destaque internacional, tanto pro bem quanto pro mal.

Uma das democracias mais antigas do mundo, tem em São José sua capital. Lá, nesta cidade, são 300 mil habitantes.

Uma das referências mundiais em relação a meio ambiente, ganhou vários prêmios não muito populares a respeito.  Lá, 96% das pessoas sabem ler e escrever, um dos mais altos índices das Américas.

O turismo é o principal pilar da economia costarriquenha.  Junto dele vem a agricultura como outra fonte considerável de receita.

O clima lá é Tropical. Tem uma tal de Ilha do Coco que é tão bonita que virou patrimonio mundial . Para ligar lá o código do país é 506.

As cores da bandeira, vermelho, azul e branco.

Ou, a partir desta data, simplesmente “o time de Campbell, aquele que ganhou da Itália e Uruguai na Copa de 2014”.

E precisa mais?

abs,
RicaPerrone

Protagonista (Uruguai 2×1 Inglaterra)

O Uruguai é uma daquelas seleções que deveriam ter vaga vitalícia em Copas do Mundo.  Independente de rankings, eliminatórias ou até mesmo se um dia o país deixar de existir e nem sobrarem jogadores para representa-lo, deve estar lá.

Talvez não seja comum ver o Uruguai protagonista nos últimos 30 ou 40 anos. Mas quando aparece, quando surta, suas aparições são eternas.

Seja para ser campeão da Copa América na casa do maior inimigo, seja para fazer o mais improvável dos resultados da história do futebol em 50, seja para se recuperar em 1 semana e do vexame ir a glória contra a Inglaterra, como hoje.

O Uruguai cria fantasmas e deles também vive o futebol.

Suarez, que em Gana é tido como “Satanás”, pode ser também o cara que alegra Liverpool e agora desespera o restante da Inglaterra.

O Uruguai coleciona Suarez.

Figurinha mais recente e uma das mais notáveis, o atacante de 27 anos conseguiu escrever mais uma vez seu nome na história das Copas. Hoje através de futebol simples e bem jogado, menos dramático, mas tão importante quanto.

O Uruguai de Suarez não é brilhante, nem tem grandes chances de ir a uma final, por exemplo. Mas por não tê-la passa a ter. Improvável, em estado de futebolês puro, a Celeste parece não se contentar em aparecer na festa e dar uma passadinha.

Hoje na Arena São Paulo vimos angustia, mediocridade, raça, futebol, catimba, oportunismo, protagonismo e até sorte. Mas vimos, acima de tudo, a diferença brutal entre uma seleção que entende o espírito de uma Copa e outra que parece fazer turismo nela.

Bem vindo de volta, Uruguai! Mesmo que não dê, que na próxima semana os placares te mandem pra casa, já terá ido além.

abs,
RicaPerrone

O que disseram de Brasil x México?

Analisamos mais de 500 mil posts em português sobre o jogo Brasil x México 

A partida entre Brasil e México não teve gols, mas gerou muitos comentários nas redes sociais. O AirStrip acompanhou tudo o que aconteceu durante o dia da segunda partida da Seleção Brasileira e a repercussão no Facebook, Twitter e Instagram. Veja nosso infográfico:

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