Copa do Mundo

A Copa no Metrô

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Rio de Janeiro, 15 de junho de 2014. Por volta das 14h estou a caminho do Maracanã na estação Del Castilho quando vejo uma família de argentinos tentando entender o que fazer e pra onde ir.

Antes que pudesse me aproximar e oferecer ajuda, um australiano o fez. E numa tentativa meio ridícula e maravilhosa de se comunicar em mais de 3 línguas ao mesmo tempo, conseguiram concluir que era melhor perguntar.

A alguns metros estava um voluntário para lhes indicar o caminho. Ao chegar nele tiveram a informação que tanto queriam. “Sentido Botafogo”.

Entraram no metrô, sentaram perto um do outro e foram comentando sobre a cidade e a Copa. Eu, do lado, sem participar, apenas ouvia o papo meio sem língua definida deles. Mas entendia.

– País bonito o Brasil.
– Sim, belíssimo. Mas o que gosto mesmo são das pessoas.
– Muito gentis e sorridentes.
– Deve ser maravilhoso morar aqui.

E então eu sorri. Eles perceberam que eu os ouvia e que gostei do elogio. Lhes disse que “temos problemas, mas é maravilhoso sim. Como era bom recebe-los”.

O argentino então completou: “É a casa do futebol. Mas nós é que vamos ganhar”, provocou.

E uma de suas filhas encerrou a discussão quando interrompeu e perguntou: “Papai, mas você disse que não podiamos ganhar do Brasil…”.

– Quieta, menina! Quieta!

abs,
RicaPerrone

Messi em 90 minutos

Em parceria exclusiva no Brasil com a OptaSports, trago pra vocês todos os passes de Lionel Messi no jogo de estréia da Argentina na Copa.

O argentino jogou até mal. Mas foi o segundo mais acionado no time, tocando na bola 97 vezes. 15 a menos que Mascherano. Destas 97 vezes 70 foram passes. Destes, 80% certo, o que não é um número incomum pela sua posição em campo.

Em verde, os passes certos. Em amarelo, os passes pra conclusão a gol. Em vermelho, os errados.

Mais de Messi no jogo?

Teve 19 divididas, ganhou metade apenas. Deu 7 dribles no jogo.

Chutou 4 bolas no gol. Fez um.

E venceu o jogo, por 2×1, mesmo numa atuação ruim do time argentino.

abs,
RicaPerrone

10 minutos

Vou me dar 10 minutos e nada mais. É o tempo que me permitirei não enxergar argentinos como “inimigos” para falar algo mais interessante do que futebol.

Eu acho o futebol deles uma farsa. Acho o racismo deles tosco, o país atrasado e realmente acredito que eles não sejam melhor do que nós em nada.  Inclusive no doce de leite, que o mineiro é melhor.

Mas hoje, enquanto eu aprendia  a conviver com a paixão deles a 2 metros de mim  no Maracanã, eu senti uma ponta de inveja.

Explico.

Enquanto nós estamos o tempo todo procurando motivos para nos desmerecermos, odiar nosso país e acreditar que temos tudo de ruim que o mundo possa oferecer, eles tentam fazer exatamente o contrário.

Se defendem. São orgulhosos do país deles e nem tem tantos motivos assim. A coisa vai mal, muito mal.  Mas eles não viram as costas pra bandeira deles.

Eu odeio ve-los cantando e pulando na minha cara, mas eu adoraria que tivesse mais gente pulando e cantando na cara deles aqui.

Essa parte do orgulho de ser quem são é realmente impressionante. E talvez nisso, e apenas nisso, eles sejam mesmo melhores do que nós. Tem a personalidade de ser quem são sem morrer de vergonha disso, enquanto nós procuramos defeitos em qualquer canto para poder dizer: “Tinha que ser Brasil…”.

A rivalidade com a Argentina é fundamental para a existência da seleção. A nossa e a deles.  A burrice de algumas pessoas faz essa rivalidade ser contestada, como se fosse uma questão de argumentos o “ódio” entre gremistas e colorados, por exemplo.

Precisamos nos odiar.

E agora chega. Já deu 10 minutos, eu nem acho que eles sejam orgulhosos mas sim metidos a besta.

abs,
RicaPerrone

Una mierda (Argentina 2×1 Bósnia)

Fifa.com

Com a Copa tive a oportunidade de estar pela primeira vez na vida diante dos meus maiores rivais. E acredito que isso seja novidade para 95% de brasileiros e argentinos, já que nos “odiamos” a distância quase que o tempo todo.

Tão longe que até surgem pequenos surtos de “até gosto deles” de ambos os lados em períodos sem confronto. Até que eles vieram ao Brasil participar da nossa Copa do Mundo.

Atuaram num Maracanã mais deles do que nosso, com uma vitória contestável, uma atuação muito fraca e um adversário que estreava em Copas.  Se foram pra ver um show ou um time favorito, viram apenas um covarde time com 5 zagueiros, 3 volantes e bico pro Messi resolver.

Taticamente a Bósnia é muito melhor treinada que a Argentina. Mas tecnicamente, não dá pra comparar.

O jogo era pano de fundo. Na verdade o que todos queriam ver naquele Maracanã era como seria um jogo de futebol com brasileiros e argentinos lado a lado, mesmo que só um deles estivesse em campo.

E sim, deu muita confusão. Todas bem resolvidas pelos seguranças, mas deu. E se o jogo fosse entre Brasil e Argentina uma tragédia teria acontecido no Maracanã. Numa visão otimista, que tento levar sempre comigo, o jogo desta tarde serviu para dizer à Fifa que existem jogos de futebol e “Brasil x Argentina”.

Se tratar um possível confronto desses como um simples jogo, terá sido co-autora de qualquer tragédia anunciada.

São fanáticos, são orgulhosos do país deles e fora do estádio até gentis. Mas quando a bola rola não se comportam como quem vê futebol, mas sim como quem disputa os limites de um continente com o vizinho.

Provocam, tentam ir no seu limite e não agem em momento algum como visitantes. Querem tomar sua casa e fazer dela o que bem entenderem.

Não. Não é assim.

É um delírio sem igual achar que podemos misturar os dois numa mesma arquibancada e ver argentinos chamando negros de “macacos”  e “putos” quando fazem um gol sem que isso cause reação. As pessoas aqui, mesmo as mal educadas, estão em sua casa e devem receber visitas, não se adaptar a elas.

Há uma lei na arquibancada que quem frequenta conhece bem. Quem vive de Chelsea na TV não sabe o que é futebol, tem apenas uma idéia.  Você não pisa no território inimigo passando dos limites. Um dia eles virão no seu e essa relação é muito complicada.

É o jeito deles. Honestamente, por mais que eu os odeie quando o tema é esporte, eu nem acho que seja madoso. Mas é muito irritante.  É um convite a uma confusão e ela vai acontecer, como várias vezes aconteceu isoladamente no Maracanã hoje a tarde.

Curioso ver o número de brasileiros que foram lá torcer pra argentina e mudaram de idéia durante o jogo. Ou a simpática relação de “vamos ver o Messi” que aos 30 do primeiro tempo já era um sonoro “Messi vai tomar no cu”.

Eu nunca tive qualquer pudor em dizer que precisamos odiar a Argentina e vice-versa para que exista paixão pelas seleções. Sem rivais não há sentido, mas tem um preço.

Brasileiros e Argentinos não podem assistir um jogo de futebol sentados lado a lado.

É o que acho. E pelo que vi hoje, vamos continuar achando sem saber a resposta.  Esse time deles não chega na final pra descobrir.

abs,
RicaPerrone

Por que torcer pela Bósnia?

O texto abaixo é do meu amigo Marcelo Adnet, melhor humorista do país, e um cara apaixonado pela história da Bósnia.

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Pra quem nós vamos torcer? Pro Brasil, é claro. Em poucos momentos, pra não dizer nenhum, somos nacionalistas ou nos unimos em torno de algum evento como acontece com a Copa, exceção feita à semana final de uma novela.

Mas, dentre as 32 seleções e os 64 jogos da Copa, é normal acontecer uma torcida paralela para outra Seleção enquanto o Brasil não joga. Os motivos são diversos: parentes em um país, um jogador do seu clube em campo ou até motivos políticos e sócio-culturais.

Entre a simpatia das seleções africanas, a força das europeias e a vizinhança das sulamericanas, uma seleção se destaca – a Bósnia e Herzegovina. De cara, podemos dizer que ela é a única estreante em Copas desta edição. É uma zebra, pouco conhecida e pouco badalada. De quebra, os Dragões estreiam contra a Argentina, domingo, no Maracanã. Não é pouca coisa não.

Mas não é por isso que o país comemorou a classificação como se fosse um título mundial.

O futebol tem sido o motivo de maior alegria dos bósnios nos últimos 20 anos. A Bósnia e Herzegovina (região majoritariamente croata, ao sul do país) , era o estado mais miscigenado da Iugoslávia, a “Jerusalém dos Bálcãs”, onde bósnios, croatas, sérvios, ciganos e turcos conviviam – votou pela sua independência do governo controlado pelos sérvios em 1992, seguindo Croácia, Eslovênia, depois Macedônia, Montenegro e Kosovo. Os governantes sérvios, orquestrados pelo líder Slobodan Milosevic abriram fogo contra a população desarmada e iniciaram uma guerra que ficou conhecida como o pior massacre na Europa após o Holocausto. O país de 4 milhões de habitantes acabou a guerra civil com metade da população – 1,4 milhões de refugiados e 100 mil mortos. Ignorados pela comunidade interacional, os mais de 3 anos de conflito culminaram com o Massacre de Srebrenica, o assassinato de mais de 8 mil homens – entre 12 e 70 anos – na cidade de mesmo nome. As mulheres jovens foram enviadas para campos de estupro. Está tudo gravado, tudo disponível ali no youtube. O general sérvio Ratko Mladic divide a população em ônibus enquanto os soldados da ONU choram, sem ação. Os mais de 8 mil mortos foram enterrados em valas coletivas e novos corpos são velados todos os anos, no dia do massacre, 11 de julho. Alguns conseguiram escapar pela floresta, andando dias até a cidade de Tuzla. Muitos morrem com facas (noz, em sérvio) e enforcadas com arames (zica, em sérvio). Por isso, até hoje alguns torcedores da Sérvia ainda cantam nos estádios “Noz, zica, Srebrenica” (“faca, arame, Srebrenica”), deixando claro que o futebol carrega toda a complexa e violenta história política da região.

A alguns quilômetros dali, em Sarajevo, a população sobrevivia como podia ao cerco de 3 anos imposto à cidade. Sitiada, bombardeada, sem água, sem energia, Sarajevo via seus civis morrerem ao andar na rua, sob a mira dos snipers sérvios, que atiravam do alto das montanhas. Em abrigos, crianças se amontoavam. entre elas estava o menino Edin Dzeko, que não imaginava que, 20 anos depois, estaria vivo e no Brasil, representando o seu país que resistiria a guerra e se tornaria independente. Este cerco, somado ao massacre de Srebrenica, à destruição de várias vilas e da milenar Mostar, não deixam dúvida – o povo bósnio sofreu genocídio, conforme declarou o Tribunal de Haya. Os líderes sérvios foram protegidos pela população do país vizinho e nunca pagaram por seus crimes de guerra.

Com o bombardeio de um mercado em Sarajevo, enquanto a população fazia fila por pães, a comunidade internacional finalmente interveio e forçou um “Acordo de Paz”. O mapa do país foi desenhado em Dayton, nos EUA e tem peculiaridades bizarras: o acesso ao mar é garantido por cerca de 20 km de litoral através de uma espécie de corredor que cruza a Croácia até o mar. A Bósnia e Herzgovinafoi dividida em duas entidades independentes – A Federação Bósnia, que abriga bósnios e croatas, e a Republika Srpska, dos sérvios. Assim, cidades bósnias como Srebrenica passaram ao controle dos sérvios, legitimando o genocídio ali ocorrido. a guerra acabou, mas a divisão política, ideológica e religiosa (servios são ortodoxos, croatas católicos e bósnios muçulmanos) ainda existe e compromete o desempenho do país. Os sérvios não se sentem parte do país e nunca entram em acordo com o governo da Federação bósnio-croata. Assim, o hino bósnbio foi substituído por um novo, cuja letra nunca foi aprovada. Por isso, quando toca o hino da nova Bósnia, a torcida do país canta o hino antigo por cima, criando a maior confusão. Os sérvios da Bósnia já pensam na separação da Republika Srpska – 49% do território bósnio e o presidente da Republika Srpska, Milorad Dodik, declarou que não torce pela Seleção da Bósnia e que não daria um centavo para os Dragões. “Chora Dodik, não precisamos de sua ajuda, Bósnia tá no Brasil e os sérvios? Ninguém viu” diz a canção “Placi Dodik” que ganhou ai internet, entre outras tantas piadas e gozações neste momento único de afirmação da independência bósnia. A BiH está em êxtase, em festa. Não é pra menos, o país que quer esquecer o passado e construir o futuro encontrou no futebol o motivo de maior orgulho de sua história. Quando os Dragões entrarem em campo logo mais, entre exilados e sobreviventes, estarão escrevendo o capítulo mais feliz da história do seu país. Por isso, seja qual for o resultado, essa Copa já é da Bósnia Herzegovina. Sellam Alejkum, que encontrem a tão sonhada paz!

Marcelo Adnet

5 minutos do Rei (Costa do Marfim 2×1 Japão)

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Sabri Lamouchi.  Este francês de 42 anos e nenhuma representatividade no que faz, estreante em Copas, e ainda em seu primeiro emprego como treinador, se aproximou das trevas neste sábado a noite.

Ao escalar a Costa do Marfim sem Drogba, foi autor do primeiro atentado terrorista em terras brasileiras. Foi além de todas as aceitáveis possibilidades táticas que o futebol já criou para barrar não apenas o melhor jogador do time e da história do seu país, como também o dono do time.

Drogba é uma lenda.

O sujeito que deu volta olímpica antes de classificar o time pra Copa, perdeu o jogo, saiu prometendo que voltaria com a vaga do jogo impossível contra Camarões lá e o fez.

Ele não é o Pelé da Costa do Marfim. É muito mais do que isso.

Se Sabri desconfiou que poderia comandar a seleção dos Elefantes, se enganou. Entendeu por mal que só quem pode conduzir a manada é seu líder Drogba.

Ele não fez os gols. Mas entrou e em 5 minutos o time virou o jogo. Porque se movimenta, lidera, passa confiança e marra. Algo fundamental a qualquer grupo vencedor.

O Japão promete um futebol mais competitivo desde 1994. Cansei de ouvir, é sempre a mesma coisa. Tem 2 ou 3 acima da média e um time disciplinado ao ponto de ser acéfalo.  Treinados para não errar, mas que não ousam para acertar.

Tinha que dar Costa do Marfim. Mas tinha que ser com Drogba.

abs,
RicaPerrone

 

Perto da final (Itália 2×1 Inglaterra)

Das 17 Copas que a Itália disputou, terminou 12 na final ou na primeira fase.  É disparado a maior “deixou chegar, fodeu” do mundo.  E hoje, no primeiro dos dois duelos que devem definir sua classificação, fez 3 pontos, deixou 2 para se matarem na semana que vem e ficou perto da vaga.

Por lógica, coerência, história e responsabilidade jornalística, devemos dizer que Brasil e Alemanha disputam a outra vaga na final.

Enquanto isso, Inglaterra e Uruguai disputam um último balão de oxigênio que estará disponível na Arena Corinthians na próxima quinta-feira, feriado, palco da primeira grande guerra sem aspas da Copa.

É vencer ou vencer. Especialmente pro Uruguai, que sabe que na rodada seguinte terá a Itália enquanto a Inglaterra pega a Costa Rica.

Tudo vale. Saldo, gols pró. Tudo!

Neste sábado o jogo mais esperado da primeira fase não decepcionou. Ao contrário, Itália e Inglaterra estão tão contaminados quanto os demais pelo ar brasileiro e jogaram no chão, sem bico, retranca e cruzamentos.

Os dois armadores são volantes, num curioso dado que pode explicar muita coisa no futebol moderno.

Mas serviu para adiantarmos o serviço. Salva alguma grande zebra, a Itália é a primeira finalista da Copa de 2014.

O exclusivo mapa que determina estatisticamente a posição de cada jogador em campo pela OptaSports:

abs,
RicaPerrone

Buuu! (Costa Rica 3×1 Uruguai)

Na Copa passada o Uruguai foi a sensação. Mais pelo drama do gol tirado com a mão do que pela bola em si, mas aquele ato heróico/cafajeste do Suarez os colocou novamente na lista de favoritos, onde não figurava há muito tempo.

Com um bom time, uma safra enfim aceitável, vieram ao Brasil falar em  “fantasma”.

Natural. Se alguém pode dizer que “joga em casa” além de nós, são eles. Os responsáveis pela maior dor da história de um país.

Fantasminha pra lá, pra cá, e vamos focar em Inglaterra e Uruguai. Os legítimos candidatos a duas das três vagas na próxima fase.  A Costa Rica? Esquece.

Em 1950 o Brasil esqueceu de jogar com o Uruguai e comemorou o título antes do jogo. Jornais, politicos, torcedores. Era apenas protocolo a partida. E aconteceu o que aconteceu.

Lá se vão 64 anos e o cara que não se achou nas figurinhas da Copa e virou piada mundial virou protagonista. A figura da Copa até aqui.

Viraram um jogo épico e sem perspectiva alguma. A Costa Rica é um time fraco, que dificilmente será a zebra da Copa.

Sua vitória de hoje deve ser confirmada como algo isolado e que nem mesmo elimina o Uruguai. Mas seu feito heróico de 1990, quando foi as oitavas perder de 4 para a Tchecoslováquia acaba de ser ameaçado.

Temos sim um fantasma no Brasil!

Atende pelo nome de Costa Rica e sua maior ameaça é a sua própria história. E agora, também, a história do já capenga fantasma uruguaio que há muito não assusta mais ninguém.

abs,
RicaPerrone

O som da Copa

A Copa do Mundo segue sendo assunto entre quem gosta e quem não gosta. Por mais irredutíveis que estejam os contrários ao evento já não conseguem mais ser ouvidos e é fácil perceber os motivos.

Se você ainda dúvida, se acredita quando a mídia leva 100 jornalistas a um protesto de 30 pessoas e 200 policiais, então veja, sinta e ouça o que foi a cidade de São Paulo na tarde de quinta-feira, onde muitos terroristas esperaram guerra, tumulto e até “indiferença” à Copa, que aliás, seria a pior das hipóteses.

Nós amamos futebol.

O som da Copa from Rica Perrone on Vimeo.

Armeration (Colômbia 3×0 Grécia)

Quando colocaram a Colômbia na lista de favoritos ao título, achei exagero.  Quando a vi jogando nos amistosos pré-copa, mantive a opinião.  Sem Falcão, estava bem seguro dela.

Até entrarem em campo no Mineirão e aquele mar amarelo e azul cantar e pular como se jogassem uma Libertadores em Bogotá.

Enquanto quebravam protocolos nas arquibancadas, Armero fazia 1×0 rapidamente na covarde Grécia e mudava o rumo de um jogo com vocação pra insuportável.

Dancinha, cadeiras para os pés e não mais para as nádegas. O Mineirão pulsando em jogo “neutro” na Copa do Mundo.

Nada que a Grécia pudesse fazer seria suficiente.  Suas chances são pragmáticas, diante de platéias frias e que aplaudem lateral. Não estão acostumados a ver algo tão participativo e quando encontram fatalmente se assustam.

Tem sido assim desde o jogo de abertura, continuará sendo.

Em casa, a Colômbia é um time consideravelmente forte.  Não para ser campeã, mas para levar a essa multidão que veio nos visitar a mais do que quatro partidas, talvez.

Em parceria com a Opta, com exclusividade, o gráfico de posicionamento estatístico do time colombiano e o mapa de calor.

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Capenga. Sem novidades táticas, sem o rigor do futebol moderno, mas com a alegria do futebol de verdade.

abs,
RicaPerrone