Fluminense

Sistema em xeque

Pela primeira vez desde que o futebol brasileiro foi criado, o sistema Clubes>Federações>CBF está em xeque.

Na tarde desta sexta feira, em reunião do Conselho Arbitral da FERJ, a entidade conseguiu o apoio da CBF para tentar vetar a Liga Sul Minas RJ, agradando assim Eurico Miranda e Rubinho, os principais maestros do retrocesso do futebol carioca.

Na reunião a CBF, que autoriza a Copa do Nordeste e a Copa Verde, não deu o mesmo aval à Liga. Exigindo que ela seja autorizada pelos clubes das devidas federações, ou seja, levará um “não”.

As punições pela disputa do torneio não são em multas, mas sim nas divisões de base dos clubes.  Além de impedir um progresso natural rumo as ligas, a federações ainda prejudicam o futuro do futebol do país.

A CBF, que muitos entendem como dona do futebol brasileiro, na verdade é uma representante das federações, que por sua vez representa clubes. Todo veto está relacionado ao sistema que dá aos clubes menores o poder de decidir o que quer a Federação e, portanto, se faz representado na CBF.

Ouça um trecho do discurso de Eurico Miranda na FERJ hoje  e a confirmação da punição aos clubes que disputarem a LIGA.

Flamengo e Fluminense devem jogar a LIGA mesmo sem o aval da Federação Carioca.

Para que pudesse piorar o cenário contra os “inimigos” Flamengo e Fluminense, a FERJ decretou mais uma vez que não está permitido a venda de ingressos com descontos para sócios torcedores no campeonato carioca.  Ou melhor, até pode, desde que o clube complete a renda no borderô. Ou seja…

Entende porque digo que a única saída é vender os clubes do que deixar nas mãos desses torcedores de gravata? Fossem donos hoje, sairiam da Federação e fariam a LIGA hoje a noite.  Mas “não podem”.

Lamentável.

Veja a opinião do Rica sobre a LIGA, a CBF, o Bom senso e o sistema do futebol brasileiro.

 

abs,
RicaPerrone

Os elencos mais valiosos do Brasil

Os sócios, a média de idade, o valor estimado do elenco atual de cada um dos grandes.  Como isso se relaciona?

Percebeu que os elencos mais caros são dos clubes que tem mais sócios? Será mero acaso?

Note que Corinthians e Palmeiras tem os elencos mais caros do país. Botafogo e Vasco, não a toa os recém rebaixados e promovidos, os mais baratos. Também não a toa os com menor número de sócios.

A matemática simples de (mais sócios = mais dinheiro = melhores jogadores)  parece ter ficado mais exposta agora com esses números. Embora a diferença entre torcidas seja gigante, os sócios rondam a casa de 70 mil em média para um grande.

Os “milagres” ficam por conta do Fluminense, que tem uma base muito mais produtiva que a média, e o Cruzeiro, que também tem revelado jogadores e usado bastante a base.

O Santos, embora também seja referência no assunto, tem alguns jogadores de muito bom nível mas de muita idade em seu elenco, o que reduz o valor de mercado do time.

Os valores de mercado estimados são do site TranferMarkt.

abs,
RicaPerrone

O melhor do Rio?

O ano de 2016 parece bastante concentrado no clássico Fla-Flu para escolher ali o “melhor do Rio”.  O Vasco na série B, o Botafogo com sérios problemas financeiros, acabam sobrando os elencos de Flamengo e Fluminense para maior destaque.

Embora com menos barulho do que mereça, mais críticas do que oba-oba por parte da sua exigente torcida, o Fluminense já tem hoje, sem a janela se fechar, e considerando a notícia do acerto com Henrique real, um time bastante interessante.

Não coube dupla opção na imagem:
Edson / Cícero
Oswaldo / Marcos Jr.

Destes acima o Fluminense tem um grande goleiro, um grande zagueiro e o jovem zagueiro mais promissor do país. Um lateral experiente de bom nível, dois volantes bons sendo um de seleção, um meia armador raro no futebol brasileiro, dois atacantes/meias rápidos e um centroavante que destoa da maioria.

Chamar de “time comum”, hoje, onde todo mundo está perdendo seu elenco pra China, tem uma dose de despeito.

Aí você me pergunta o impossível: “vai dar certo?”.

Diria que as chances de funcionar um time assim são maiores do que um time que se fragiliza em posições carentes no ano anterior.  O Fluminense sentiu falta do meia, trouxe. Falta de zagueiro, trouxe.

Falta elenco? Talvez. Acho que não tem reposição pra Diego e Scarpa. E talvez o clube tenha esses nomes sem que eles sejam conhecidos do torcedor.

Mas hoje, em 5 de janeiro, quando todos eles voltam a treinar, o Fluminense tem as melhores perspectivas dos 4 cariocas.

abs,
RicaPerrone

Não dá liga

A LIGA é que o sonho do torcedor brasileiro movido por uma repetição vazia da mídia sobre como deveria ser. Pois bem, tentaram, tentarão, e não entenderão a diferença brutal de LIGA de fora do Brasil para as nossas condições.

É impressionante como as pessoas indicam soluções sem conhecer os problemas no nosso futebol. Uma LIGA funciona quando todos os envolvidos nela visam o mesmo resultado: lucro.  Então eles conseguem entender que uma competição é um bolo a ser fermentado e não apenas fatiado.

A criação da Liga que já começa a morrer é uma tentativa muito mal feita de ir atrás do que deveríamos querer. Ninguém – eu afirmo: NINGUEM – ali quer o melhor pro futebol ou um torneio mais forte. Todos eles querem apenas o que for melhor pro seu clube.

Isso mata o conceito de uma LIGA. Logo, essa Liga não existe.

O primeiro assunto a ser tratado pra criação de uma LIGA é a divisão de dinheiro.  Eles deixaram pro final. Talvez porque fosse uma jogada de marketing pra pressionar federações, talvez porque são mesmo absolutamente incapazes de pensar no jogo.

E não adianta iludir mais pessoas com ideais “socialistas” também no futebol.  A LIGA funcionará quando o capital for o motivo disso tudo, pois é disso que se trata o evento. De entretenimento, dinheiro e lucro.

Enquanto cada presidente tiver que zelar pelos próximos 3 anos de um clube sem dono, sem rumo e sem longo prazo, a LIGA é blefe.

Nosso sistema de futebol é diferente do mundo todo. Portanto, nenhuma solução enlatada nos servirá. E como sentar na mesma mesa e buscar uma pra todos é inviável graças ao nosso modelo, sigamos andando em círculos.

Vivemos de paixão. O mundo já vive de dinheiro.  Seremos sempre apaixonados, mas apaixonados miseráveis. A idéia de que o dinheiro não traz felicidade, também neste caso, é discurso pra consolar pobre.  E como vivemos num país onde ser pobre é do caralho e estar bem é motivo de desconfiança….

abs,
RicaPerrone

Quem trocou mais passes no Brasileirão?

De todas as estatísticas possíveis, tirando as óbvias de gols, vitórias e pontos, a que mais aproximou a classificação real de um outro dado foi a dos passes trocados.

Os 4 primeiros são, não por acaso, os 4 primeiros do campeonato. Tal qual os dois últimos são os 2 últimos dos grandes na tabela.

Embora não pareça tão relevante num primeiro momento, a troca de passes não está exatamente ligada a posse de bola.  Quase todos eles oscilam entre 50 e 54% de posse. O único que destoa é o Galo, com 57%.

O Fluminense é o campeão da ligação direta.

abs,
RicaPerrone

Entreguem!

O torcedor não precisa ter vergonha de pedir que seu time faça o que qualquer pessoa não hipócrita gostaria de vê-lo fazer. E se possível, de forma escancarada, que é pro deboche ser ainda maior.

Mas o torcedor não pode ser levado a sério quando se administra algo que envolve dinheiro.

Fosse o Brasileirão uma liga composta por clubes com donos ou algum raciocinio lógico, o Fluminense entraria domingo pra ganhar de qualquer forma.  Entenderiam os organizadores do campeonato, tal qual a diretoria do Flu, que a perda de um grande rival para o ano seguinte apenas serve para diminuir o interesse, o impacto, as vendas e o nível do campeonato.

Quem se importa com o campeonato?

Eu, torcedor, também ia querer derrubar de sacanagem.  Mas o problema é que aqui o dirgente é um torcedor de gravata. Entre a birra pessoal dele com o outro dirigente e o bem maior, adivinha o que mais lhe interessa?

O Fluminense tem em suas mãos duas oportunidades.  A de ouvir sua torcida e fazer a mesma gracinha que SPFC e Palmeiras fizeram para que ele fosse campeão e que fatalmente alguém amanhã fará para tirar um título dele. Ou usar a imagem mal construída de “clube do mal” para ser o exemplo do clube que se dá ao respeito e faz diferente.

Pro Flu, o Vasco é fundamental. Como o Inter pro Grêmio, como o Palmeiras pro Corinthians.  O futebol respira rivalidade e sem ela não faz sentido. Se não cabe a você entender isso, caberia a alguém envolvido com seu negócio.

E de quem é esse negócio?

De torcedores. Nada mais.

Logo, não sendo o último e nem o primeiro, a tendência não é que alguém lhes diga: “Entreguem!”.

Mas que ninguém lhes explique o que está em jogo além da risadinha de segunda-feira.

Não quero convencer você, torcedor, de que deseje ganhar o jogo.  Mas sim que entenda o porque os pontos corridos não podem existir no Brasil e a necessidade que temos de transformar os clubes num negócio com donos.

Enquanto isso, vamos ser menores do que gozar com o pau dos outros. Vamos apenas rir da broxada alheia.

abs,
RicaPerrone

A “justiça” que não existe e nem deve existir

Sou curioso, adepto de que futebol é entretenimento e que isso está acima da idéia de disputa esportiva. Ou seja, o que é melhor pro público acima do que é melhor pra quem faz o evento.

Fui a favor dos pontos corridos até ele existir. Hoje entendo que ele é uma tragédia. Mas não vou me alongar nesse discurso que repito ano após ano. Desta vez, levantei algo curioso.

Você sabe e, concordando ou não, reconhece que o campeonato se decide nas rodadas finais de acordo com alguma “sorte” do time enfrentar outros de férias ou não. Eu considero isso uma injustiça mais absurda do que um juiz marcar um pênalti errado, afinal, erro é uma coisa, desnivelamento de condições é outra.

Durante o campeonato você tem que ter sorte. Precisa enfrentar os mesmos adversários em momentos diferentes. Então, você pode enfrentar o Santos quando em quinto ou quando lá em baixo em décimo quinto.  Isso pode não parecer importante, mas veja você:

Fiz o levantamento. Contra quem cada um dos 12 grandes jogou e onde eles estavam quando o enfrentaram.  Sabe qual foi o time que em média teve os adversários mais “fáceis”?  O Corinthians.

Sabe o que teve a tabela mais difícil?  O Vasco.

Posição média dos adversários de cada clube durante o campeonato.

Isso talvez não lhe diga nada. A mim, não descredenciando o título do Corinthians em nem 1%, parece um dado a ser considerado. Já que por exemplo o Vasco pode ser rebaixado domingo porque o Figueirense não enfrentou o mesmo Fluminense que ele.  Onde fica a tal “justiça” dos pontos corridos?

Porque é tão inaceitável que esse panorama seja corrigido num confronto direto e claro com iguais condições?

O Corinthians enfrentou 10 adversários no Z4. Foi o time que mais encontrou essa condição no campeonato.

O Vasco enfrentou 9 no G4. Foi o que mais encarou essa situação.

O Fluminense foi o time que menos enfrentou G4 e Z4. Esteve sempre pegando os adversários em situação média.  5 em cada zona.

Mas com esse levantamento indicando os dois extremos exatamente como na tabela, não é pra se repensar o tal conceito de “justiça”?

Lembrando que eu não considero que o campeonato tenha que ser justo.  Tem que ser épico, marcante, incrível e apaixonante.  Ou seja, não pode acabar com uma entrega ou com um time reserva decidindo.

abs,
RicaPerrone

Fred x Guerrero – A segunda vez

Na primeira vez que comparei os números dos dois atacantes foi uma polêmica danada. Tricolores dizendo que isso era inaceitável (e eu concordo) e rubro-negros dizendo que o Guerrero era muito melhor que “o cone”.  Pois então, usando as mesmas estatísticas só que agora do Brasileirão 2015, onde aliás, o Flamengo está a frente do Fluminense.

Veja os números dos dois.

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Aos milhões de não tricolores

Hoje, 12 de novembro, é o “Dia do Fluminense”.  E exatamente por isso, em homenagem a este dia, gostaria de me dirigir a quem não é tricolor.

Embora neguem até a morte, todo tricolor tem dentro de si um sentimento amargo de injustiça quando lhe rotulam como o “time que virou a mesa” do futebol brasileiro pra não disputar série B.

Veja você, justo ele, o único dos grandes a jogar a série C.

Elitizado desde sempre, o Fluminense é também alvo da cultura nacional de se odiar os ricos e bem sucedidos. Ao não incorporar o “povão”, o Flu se torna “inimigo”, “antipático” e um alvo fácil.

Conheço dezenas de não tricolores que odeiam o Fluminense por mera desinformação propagada pela mídia que, num processo simples, prefere omitir a verdade e lesar a “menor torcida dos 12 grandes”(segundo pesquisas)  do que atingir outras massas para desmistificar os rótulos.

O Fluminense tem “3 viradas de mesa” na sua conta. Mas você realmente as conhece ou só repete a piada em tom de verdade absoluta porque ouviu dizer?

1996 – O Fluminense foi rebaixado. Em maio de 97, antes do Brasileiro começar,  a Globo divulgou áudios que sugeriam um esquema de corrupção na arbitragem envolvendo Corinthians e Atlético PR. O tal o “um zero zero “, lembra?  Pois bem. Para não validar qualquer injustiça, a CBF anulou o rebaixamento do ano anterior e em 97 fez  um campeonato com 26 clubes, entendendo, como se repetiria em 2005, que se havia suspeita de compra de resultados, não poderia valida-los.  Portanto, a “virada de mesa” de 1996 foi algo feito em virtude de um esquema de corrupção que envolveu os presidentes de Corinthians e Atlético PR, não o Fluminense, beneficiado por tabela tal qual o Bragantino.

2000 – Em 1999 o Fluminense subiu para a série B. Ele havia disputado a série C após cair em 97, repetir a dose em 98 e em nenhum dos casos ter tido ajuda de tapetão algum pra não sofrer as consequências.  No final de 99 o Gama entrou na justiça porque o Caso Sandro Hiroshi (SPFC x Botafogo) não lhe parecia justo. A justiça comum deu ganho ao Gama, e proibiu a CBF de fazer um campeonato sem ele.  Impossibilitada de fazer o campeonato, ela repassa ao clube dos 13, que por sua vez arma um Brasileirão com 116 clubes e obviamente beneficia por tabela 0 Fluminense que é um dos que sobe de divisão.

2013 – Não há qualquer evidência de que haja envolvimento do clube a ou b com o erro da Lusa em 2013. O que temos até agora é uma investigação que não disse nada, que não consegue encontrar um “corruptor” e nem comprovar a corrupção da Lusa. Neste caso, o Fluminense estaria sendo rebaixado e acaba se salvando pelo erro adversário. Não há qualquer mudança de regra para que ele fique na série A. Apenas o cumprimento da regra que a Portuguesa descumpriu.  Passados muitos meses a FIFA dá razão ao STJD e mantém a punição ao Flamengo, o que torna o rebaixamento da Portuguesa uma salvação imediata, na tabela final, ao Flamengo e não ao Flu.

E o que pretendo com isso? Nada além de esclarecer a verdade para algumas pessoas que, por preguiça ou por acreditar no que tanto se repete como fato, jamais foram atrás de saber se o Fluminense “virou mesa” ou se foi beneficiado pelo erro dos outros.

Por incompetência dele, sem dúvida, estava constantemente envolvido em rebaixamentos. Logo, é um dos alvos mais fáceis nas mil viradas de mesa do futebol brasileiro até os anos 2000.

Hoje, de volta ao topo com todos os méritos e já tetracampeão brasileiro, o Fluminense não é mais aquele clube que trocava de divisões apostando em jogadores mediocres e trilhando um caminho tosco.

A verdade, meus caros não tricolores, é que o Fluminense é alvo de uma grande injustiça até que se prove o contrário.

Embora eu não tenha como mudar seu sentimento de indignação com este clube, devo aproveitar a data pra prestar a ele o serviço mais básico do mundo na minha profissão: dizer a verdade.

No Brasil é um pecado moral ser elitizado, não fazer questão de mudar, não ostentar a pobreza e se orgulhar de sua gente cheia de dentes.

É pecado ser Fluminense.

Que Deus os perdoe.

abs,
RicaPerrone

Palmeiras 2×1 Fluminense: Os números e os lances decisivos

Pois vamos ao povo que quer polêmica.  Os lances discutíveis do confronto em tópicos e no final os números do jogo exclusivo pra vocês.

  • Acho que o Fluminense jogou melhor a soma dos 2 jogos do que o Palmeiras
  • Achei que não foi pênalti pro Palmeiras no Maracanã
  • Achei que o jogador do Palmeiras não estava impedido no gol anulado do Maracanã, embora saiba que é um lance bem polemico e dificil.
  • Achei falta fora da área no lance do pênalti no Allianz Parque. Embora também ache bem dificil esse lance.
  • Achei que o erro maior do lance foi do Marlon quando tenta fazer drible de corpo pra sair jogando ao invés de enfiar a bica após a defesa do Cavalieri.
  • Acho que o Fred foi o melhor jogador do confronto. Pela entrega, pelos gols, pela liderança. Enfim.
  • Achei que o Eduardo não errou ao escalar o Gum pra bater pênalti. Mas errou ao não treinar pênaltis ontem.
  • Acho que a arbitragem interferiu no resultado como interfere em 50% dos jogos pelo mundo.  Na minha avaliação, prejudicando o Fluminense porque eu não daria o penalti aqui e sim falta. Mas insisto: Lance difícil, longe de ser “roubo”.
  • Os erros do juiz podem tirar a culpa de um time pela derrota, mas não tiram os méritos do outro pela vitória.